Novamente Alice ~sendo reescrita~
40 Lugar esquecido
Notas iniciais
Cap 40
Nós mal esperamos White termina de falar e já saímos correndo, quando chegamos no topo da escadaria, ele deu a ideia de usarmos um feitiço para chegarmos a cidade logo, oque me deixou indignada, porque aquele arrogante não falou daquele feitiço antes? Mas de qualquer modo assim nós fomos.
Primeiro de tudo: O tele transporte do Ches é mais agradável, mas como ele estava desatento poderia nos levar a um lugar esquisito e bem longe de onde queremos, oque é uma pena, porque pelo menos eu não ia ficar tonta, entendam que eu não me acostumei ainda com essa coisa de magia. O nome do feitiço era socorro dos viajantes e se eu entendi direito ele leva o viajante de um país até a cidade fronteira e vice versa, devo admitir que é criativo e útil, mas ainda me deixa tonta.
—Agora temos que ir para a embaixada, a fronteira definitiva entre Jadis e o resto do mundo. – Ches comentou suspirando, imagino que deve ser difícil pra ele ter que ir para um lugar como a embaixada do próprio país que foi dizimado pela rainha de um país que até então era visto como aliado.
—Sim... – Concordou White, olhando para a direção que devemos seguir com um ar meio melancólico, só ar, porque a expressão era a de sempre: Nada.
E assim começamos a correr o máximo que podíamos, oque foi bom, pois chegamos rapidamente há uma placa verde e grande com letras tortas e pretas, nela estava escrito: “Bem vindo a Jadis! País da arte e das joias mais belas! ”
—Vamos, acho que... – Começou Sinara, ela parecia um pouco nervosa, oque confirmou minha teoria de que ela escondia alguma coisa. —Acho que é logo em frente.
Nós a encaramos em duvida, mas seguimos mesmo assim, mesmo ela dizendo “eu acho”, parecia ter certeza do que dizia então não havia porque questionar.
De fato depois de seguirmos por um longo caminho reto e deserto eu pude avistar algo parecido com uma casa, uma mansão talvez, mas não dava pra ter certeza de nada por que ainda estávamos um pouco longe.
Sinara ia na frente, mas por algum motivo ela parou e começou a recuar.
—Ei. – Ches a segurou pelo braço, seu olhar parecia confuso e distante, oque me preocupou. —Oque houve?
—Eu... Eu... Não... – Ela tentou dizer alguma coisa, mas estava focado demais na embaixada a nossa frente que não conseguiu terminar, ela começou a tentar recuar novamente, mas Ches ainda segurava seu braço e a impediu.
—Ei... Calma, olha pra mim. Só pra mim. – Ele pediu e ela assim o fez, White e eu nos aproximamos.
—Você já esteve lá não é? – White perguntou e eu lancei um olhar furtivo na direção dele. —Que foi? Olha eu só perguntei oque todos querem saber.
—Sei.. – Comentei e ele fechou a cara.
—Vai dizer que voce também não queria saber? – Ele retrucou indignado e eu respirei fundo.
—Queria mas—
—Ai ta vendo você queria! — Ele exclamou me interrompendo e eu tive vontade de mata-lo.
—Vamos voltar ao que interessa? – Perguntei e ele apenas me encarou sem expressão, oque eu considerei como um sim. Quando consegui me voltar para Sinara ela estava sorrindo um pouco, Ches a tinha puxado para junto dele, e sorria também, com a cabeça no ombro dela e os braços ao redor da cintura, sinceramente eu tenho minhas duvidas sobre os dois, mas eu não posso tirar conclusões, até porque é o Ches e o Ches é um ser a parte.
—Olhem eu... É eu já estive lá, mas... Ah eu tenho medo de voltar. –Ela disse suas mãos tremiam um pouco.
—Oh... Mas não se preocupe vamos ficar todos juntos. – Eu tentei tranquiliza-la. —Veja, não sei oque aconteceu, mas vamos superar seja oque for, juntos.
—Eu sei é só que...
—Ela tem razão... – Ches começou e ela o encarou, cena que daria um belo quadro se fosse pintada. —Eu não vou sair do seu lado, não importa oque aconteça.
—Obrigada pelo apoio. – Ela sorriu para nós, mas não parecia muito confiante.
—Afinal oque houve lá? – White questionou, todo esse tempo ele a observava com certa curiosidade.
—Foi.. Um feitiço da rainha, me atingiu em cheio, foi péssimo e entrar naquele lugar... Depois de tanto tempo. – Ela respondeu e um silencio se instaurou entre nós por um tempo. —Mas pessoal não se preocupem... Eu só fiquei um pouco chocada, mas se vocês estiverem comigo acho que posso ir até lá.
—Sinara... – Ches começou, mas ela fez sinal para que ele parasse de falar.
—Bom então... – White tomou a palavra —Acho bom irmos logo, assim saímos o quanto antes de lá.
—Certo. – Todos respondemos em uníssono e recomeçamos a andar, Ches e Sinara caminhavam a nossa frente e eu e White atrás.
Tudo bem eu tenho que concordar com Sinara, esse lugar apavorante, imagine uma mansão, abandonada, muros da faixada completamente quebrados, palmeiras para todo lado e o pior a mansão com portas e janelas escancaradas, parte da mansão parecia ter sido bombardeada e estava destruída, é eu definitivamente odiei. Nós fomos seguindo na direção da porta principal e eu notei que bem em cima da porta havia uma bandeira, a bandeira de Jadis toda esfarrapada e cortada, notei que White também a observava, eu segurei sua mão e ele me encarou por um tempo, nós paramos de caminhar e começamos a observar a bandeira.
—Você sente falta não sente? De Jadis. – Perguntei com um pouco de receio e ele baixou os olhos.
—Na verdade eu não sei, sabe eu me lembro pouco do meu passado. – Ele riu de si mesmo. —Ches sabe mais do que eu, ás vezes tenho duvidas se há algo errado comigo, mas... Eu me lembro da bandeira de Jadis por toda parte, sabe, cada povo tem uma característica única e a nossa era o nacionalismo, a paixão sabe... Desde bem jovem todos aprendem a amar Jadis, a amar a liberdade de Jadis, nós erámos o único país que não possuía escravos e pessoas pobres, nós nunca tivemos uma denominação como um país e sim como uma família, somos todos filhos de Jadis, e assim nós nos mantínhamos unidos.
—Que lindo Al! – Eu exclamei encantada, ele me encarou e depois voltou a encarar a bandeira.
—Mas isso não existe mais... Veja essa destruição, sabe não foram só embaixadores e funcionários que morreram aqui, neste lugar viviam famílias... Agora não há mais nada.
—Sei que dizer isso não resolve, sei que é um pouco atrasado e que não é hora e que eu posso parecer uma idiota por querer dizer algo assim, mas eu sinto muito, por tudo que aconteceu.
Ele apertou minha mão e sorriu.
—Não seja boba, você não parece idiota. Vamos, temos uma missão a cumprir. — Ele começou a andar e a me puxar pelo braço, White sendo White.
Certo, se por fora é horrível por dentro é melhor ainda. A poeira imperava juntamente com as teias de aranha, odeio aranhas. Por dentro é incrivelmente claro, mas pensando bem com essas portas e janelas escancaradas já era de se esperar, o lugar era praticamente cinza, mesas, jarros, cadeiras e vidros de janelas quebrados, é incrível aquele lugar era como um museu de guerra, mas o pior eram as marcas de sangue pela parede, eu devo admitir que pra mim foi tudo um choque, saber sobre oque aconteceu no país eu já sabia, mas somente entrando no lugar eu tive uma ideia real do que todos querem dizer com ‘massacre’ e olha que estamos apenas na embaixada. A minha direita havia uma espécie de balcão, uma recepção talvez, mas não posso ter certeza de nada, ao lado do balcão uma grande e larga escada se estendia, fiquei imaginando pessoas e mais pessoas descendo e subindo aqueles degraus, esse pensamento só me deixou mais tensa.
White, que ainda segurava a minha mão, subitamente a soltou e começou a caminhar lentamente na direção da escada, eu o acompanhei confusa e ele se ajoelhou e pegou algo no primeiro degrau, quando olhei direito era um panda de pelúcia, manchado de sangue.
—Isso é? – Perguntei ao notar que White parecia focado no ursinho, ele me encarou e me entregou o brinquedo, seus olhos pareciam um pouco marejados.
—Mel. – Ele disse sentando no primeiro degrau e eu fiz o mesmo. —Eu me lembro, bem... Uma amiga de Carime, quando erámos crianças elas viviam juntas, como Erick morria de amores pela minha irmã, ele me obrigava a ficar aturando elas junto com ele. O pai de Mel era embaixador, e ela e a família vinham pra cá quase sempre, ela dizia que não havia mais crianças de sua idade por aqui, por isso vivia com Kapu para todo lado.
—E Kapu era.. – Eu me voltei para o panda na minha mão. —Sinto muito.
—Mel era muito gentil, mas até que Carime, por que cá entre nós eu amava minha irmã, mas que ela era chata ela era. – Ele disse e eu não pude deixar de sorrir, ele me encarou e sorriu, mas notei que ele estava a ponto de chorar, eu ergui a mão direita e limpei a primeira lagrima teimosa que surgiu, ele baixou os olhos e começou a chorar, no começo ele tentou se controlar, mas depois ele simplesmente chorou como uma criança, eu o abracei, por algum motivo senti um impulso muito forte de consola-lo, Ali depois de algum tempo se afastou um pouco e tocou Kapu. —Pode ficar com ele? Sei lá... Mas acho que Mel ia gostar que ficasse em boas mãos e com você sei que vai ficar seguro.
—Claro. – Eu sorri e voltei a encarar Kapu, que curiosamente estava com os bracinhos unidos, abraçando uma pedra de Jade.
—Ei. – Ouvimos a voz de Ches ecoar e corremos rapidamente de volta a onde estávamos e Ches sorria de um jeito indecifrável. —Nós os encontramos, encontramos o Chapeleiro e a Duquesa.
Fale com o autor