Novamente Alice ~sendo reescrita~
17 Jadis
Notas iniciais
Um tempo depois Ches retornou com algumas frutas que conseguiu encontrar por lá, nós tomamos nosso 'café da manhã' e nos reunimos para tentar decifrar o quebra cabeças maluco.
White ainda estava um pouco ferido, mas insistiu que já se sentia melhor e quando ele cisma com alguma coisa nada faz com que mude de opinião...
— Então... Vamos ver... — Eu comecei um tanto pensativa enquanto pegava algumas peças e as observava de perto.
— Bem, vamos começar a montar pelos cantos, talvez ajude. — Sugeriu White.
— É, vamos fazer assim. — Ches concordou e nós começamos, depois de um século e com muito custo conseguimos reunir as pecinhas das bordas e organizá-las, resultado inicial? Todas estavam totalmente em branco, assim como a maioria das outras peças e diferente do que se pode esperar o formato do Quebra cabeças era redondo. — Como isso é chato! — Ches exclamou, para não dizer gritou e White deu-lhe um empurrão.
— Tudo pra você é chato! Cala a boca e concentre-se. — O coelho o repreendeu e eu ri baixo do bico que Ches fez.
— Ah! Mas isso é muito pra mim e também... — Ches começou, diminuindo um pouco o sorriso, mas desistiu e se interrompeu, me deixando curiosa.
— Também, oque? — Perguntei e ele virou a cara.
— Também... Esse jogo é irracional e estranho, eu ainda não entendo porque a duquesa não nos mandou aqui! Não é isso Ches? — White indagou com um sorriso sonso.
— Não! Nada disso, aliás, eu até esqueci oque ia dizer. — Ches respondeu quase que de imediato, deixando óbvio que a estava se forçando a não falar o que pensava.
— Que pena, porque eu ia concordar com você. – White provocou. — Na verdade é mesmo muito estranho tudo isso, ela nos mandar sair assim do nada para um jogo de caça ao tesouro na floresta. – Ele comentou pensativo e nós o encaramos.
— Não seja bobo... – Ches implicou, passando o braço pelo ombro dele. — Isso é um teste, eles mesmos disseram.
— Mas não deixa de ser suspeito... E esse jogo não é algo que ela faria do nada, eu não sei, mas esse jogo repentino me preocupa. – White insistiu no assunto.
— Não sei por que, mas também achei estranho! – Eu admiti.
_O que ha com vocês? Ei vamos-
— Não negue o óbvio, você é lerdo, mas não burro. — Depois da repreensão de White, Ches abaixou a cabeça, sorrindo cinicamente.
— Me desculpa só queria ser um pouco otimista. – Ele reclamou imitando uma criança, Let começou a rir e eu logo acabei rindo junto. — Ei, estou falando sério! – Ele reclamou e nós rimos mais ainda, o que o fez rir junto.
— Bando de crianças. — White reclamou e Let pulou em cima dele o abraçando enquanto Ches e eu caímos no chão de tanto rir, a criatura albina, vulgo White, sorriu e retribuiu o abraço de Let.
— Então é isso? – White estava inconformado e nenhum de nós soube o que responder.
— É bem diferente do esperado... Eu... Acho! – Comentei e ele concordou.
— Parece um pouco embolado... Mas não me é estanho. – White disse pensativo.
— É claro que esta embolado, vocês não tem habilidade nenhuma para quebra cabeças. – Resmunguei.
Ches parecia dar mais atenção ao que estávamos vendo.
— É... realmente, me parece familiar também. – Ele concluiu passando a mão pelo cabelo.
— Eu nunca vi isso antes! – Exclamou Let e eu concordei.
— É um... Animal! – Perguntei analisando a figura que se formou do quebra cabeça, no meio do grande circulo estava o desenho de uma raposa cinza de frente, ainda faltava duas peças, mas basicamente era isso.
— Eu realmente acho isso familiar. – White insistiu, ele parecia agoniado e irritado por não saber, ou não se lembrar, Ches concordou, ele estava incrivelmente silencioso. — Bem vamos colocar as ultimas peças. – Ele pegou as que estavam faltando e colocou nos únicos lugares em branco, a testa da raposa, quando colocou ultima peça, eu percebi que Ches subitamente parou e começou a observar o que se surgiu do quebra cabeças, em choque.
Observei a figura, bem na testa da raposa cinza, estava uma espécie de símbolo, uma pequena coroa e embaixo dela estavam algumas letras: “JRSOV”, Ches passou a mão sobre o símbolo, eu notei que seus olhos estavam um pouco marejados.
— Conhece isso Ches? – Perguntei preocupada, ele concordou em silêncio sem desviar o olhar e eu olhei para White que também parecia um pouco em choque, mas não como Ches, pois ele parecia mais confuso do que nostálgico.
— Alli... White. – Ches o chamou, não entendi por que primeiro ele chamou White de Alli, só sei que ao ouvir esse nome o coelho estremeceu e se aproximou ainda confuso, Ches pegou a mão dele e a puxou até o símbolo e as letras. — ‘Jadis renascerá... ’
_ — Sempre outra vez!’. –White completou, seus olhos se arregalaram e ele voltou a encarar a raposa, mordendo os lábios. — Porque ela tem isso?
— O que é isso? – Eu perguntei, mas nenhum deles respondeu, Ches se levantou e saiu de perto do símbolo. – Ches... – Eu o chamei, mas ele apenas sorriu, pegando a mão de Let e o puxando junto para a floresta.
— Ué... – Começou Let.
— Temos que garantir alimentos antes que fique mais tarde, já que esse jogo ainda não acabou não podemos saber oque pode acontecer então é isso... – Ches esclareceu sem olhar pra trás.
— White... – Eu o chamei, me aproximando, ele apenas me encarou, era óbvio que se controlava para não chorar, e suas mãos tremiam levemente.
— Eu não nasci aqui... – Ele começou. — É só disso que eu tenho certeza. – Ele baixou os olhos. — O lugar de onde vim... Não é neste país, eu me lembro de pouco, só me lembro de pessoas e alguns lugares específicos. Ches certamente se lembra de mais coisas do que eu, eu sei que era pequeno e que tinha pessoas boas e justas e uma bandeira, um símbolo e um nome: Jadis.
— Então esse quebra-cabeça é...
— Sim! A bandeira deste lugar. — Ele terminou de falar e percebi que ainda se forçava a controlar algumas lágrimas, ‘‘Porque ele sempre tenta ser tão forte? ’’, eu segurei sua mão e ele me encarou confuso, mas se manteve em silencio. Assim quietinho ele era até fofo, sorri e baguncei o cabelo dele.
— Não precisa se preocupar, não tente conter sua dor, é um direito seu, pode chorar o quanto quiser. – Eu disse isso e ele apertou a minha mão, sorri novamente pra ele. — Não precisa ser forte o tempo todo. — Dessa vez ele não tentou conter as lágrimas e elas caíram enquanto ele sorria de volta. — Jadis... É um lindo nome, soa como jade...
— Sim, pois é exatamente como jade. – Ele comentou sorrindo e enxugando as lágrimas. — Era comum todos terem algo de jade lá principalmente às mulheres.
— Sua mãe usava? – Ele parou, não sei por que, mas aquela pergunta fez os olhos dele se encherem de lágrimas, por um segundo pensei que ele estava apenas triste por ela, mas ele cerrou os punhos, como se sentisse raiva.
— Quando ela ainda era viva... Tinha coleções de coisas com Jades e Carime também.
— Sua mãe devia se linda... – Eu comentei e ele deu de ombros, me ocorreu que temos mais em comum do que eu imaginava ao menos as pessoas desse mundo entendem a minha dor.
— Eu vi a sua mãe uma vez quando estava no seu mundo, antes de te conhecer, eu a vi caminhando com seu pai e seu tio, eu acho que era seu tio... – Ele comentou pensativo e eu ri um pouco.
— Meu tio é excêntrico... Vá por mim!
— Ele me pareceu bem animado e falava bastante, me lembrou de meu pai... – Ele comentou olhando para o céu e diminuiu o sorriso. — Eu não faço a mínima ideia do que houve com meu pai...
— Vai que um dia você o encontra... – Comentei e ele sorriu. — Mas afinal oque houve em Jadis? – Eu perguntei e ele abaixou a cabeça. — Desculpa, não precisa dizer se não quiser.
— Tudo bem, vou dizer o que eu sei. A rainha... A antiga rainha o atacou, ela o destruiu e sequestrou muitos jovens e muitas crianças e eu vim parar aqui como seu escravo, assim como Ches e tive que me tornar W. Rabbit quando o outro falhou.
— O outro?
— É... Quando sua avó veio aqui, e eu nunca a conheci formalmente só a vi algumas vezes, enfim quando ela veio todos a ajudaram, porque gostavam muito dela, na época Ches já era Ches, só que existia outro W. Rabbit, mas logo depois de ajudar sua avó ele foi destituído, só ele, pois ele é quem a trouxe aqui a primeira vez e então ele desapareceu e a rainha me obrigou a me tornar o que sou hoje, sabe por aqui é assim, todos são substituíveis.
— E você é substituível? – Perguntei e ele sorriu.
— Não... Eu não sigo mais a rainha e não cumpro mais minhas obrigações.
— Obrigações?
— É... Eu tinha minhas obrigações, assim como todos por aqui, mas como a maioria eu simplesmente não as cumpro mais desde que a nova rainha foi escolhida, afinal ela pouco se importa com certos assuntos.
— E que obrigação era a sua? – Eu perguntei e ele se levantou tentando conter o sorriso. — Ei! – Ele me encarou.
— Nada de mais.
— Então fala.
— É... Sei lá, tem um pouco a ver com.. Diplomacia... – Ele se forçou a responder e eu tive uma crise de risos.
—Você?... Um Diplomata? – Eu falei me esforçando para conseguir pronunciar alguma palavra se rir. — Desculpa, mas... Não consigo te imaginar lidando com todo tipo de pessoas, com aquelas pessoas estranhas... – E logo eu tornei a rir, ele suspirou e virou a cara, eu ainda estava tendo uma crise, mas logo me interrompi. — WHITE! – Gritei, me levantando e correndo para o lado dele, bem a nossa frente o quebra cabeças brilhava intensamente, Ches surgiu sem folego do meio das árvores com Let.
— Ei! – Começou. — Senti algo estranho e vim o mais rápido que pude. – Ele começou a se aproximar do quebra-cabeça que brilhava ainda mais e nós fizemos o mesmo. — Oque está havendo? – Mas antes que alguém pudesse responder o brilho se intensificou e logo diminuiu, revelando, ao invés de um quebra cabeça, dois rolinhos de pano e um pedaço de papel, eu peguei o rolinho e abri devagar, reconhecendo oque havia nele eu abri o outro sorrindo e entreguei um a Ches e outro a White, eles abriram imediatamente e se surpreenderam ao ver em cada rolinho, uma bandeira de seu ‘país’, eu peguei o papel, havia apenas uma frase, que eu comecei a ler:
“A norte encontrarão o coração da floresta”
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