Novamente Alice ~sendo reescrita~
26 Indesejado
Notas iniciais
— Porque ela tinha que voltar em? – Ches sussurrava para si mesmo, quando me notou eu já estava em sua frente, o encarei e vi que seus olhos estavam um pouco marejados, respirei fundo pra tentar conter a raiva.
— Erick! Eu sei que foi um choque saber que sua vida corre risco, mas essa reação é um pouco exagerada não é mesmo. – Sinara comentous um pouco de longe e eu a encarei confusa ela joga a mão no rosto como se estivesse se culpando.
— Oque é isso, porque voltaram correndo assim? Porque ele parece em choque? Quem voltou? Porque ele está com risco de vida? — Eu comecei a perguntar sem parecer ter parada, uma hora estávamos conversando tranquilamente na sala de estar da rainha, que por conta do congelamento do resto do palácio teve que ser improvisada num dos cantos restantes, e chegam esse dois correndo feito loucos, bom loucos eles são, mas parecem mais do que o normal nesse momento.
— Eu também não entendi, assim que eu terminei de contar a ele sobre a mulher de Jadis ele veio correndo pra cá! – Comentou Sinara com os braços cruzados.
— Como é? –Will se meteu na conversa, subitamente interessado. — De Jadis? Como assim?
Sinara ia responder, mas Ches ergueu a cabeça, respirou fundo e respondeu:
— Ela esta viva, como uma simpatizante da rainha e quer... Quer... – Ele desistiu, como se fosse algo absurdo de mais para se pensar, Will se aproximou mais.
— Quem? Quem Erick? Vamos diga! – Ele questionou e Ches o encarou por um segundo.
— Maira tio... Ela esta vivendo nesse reino e que nos matar. – Ele solta tudo de uma vez, Will perdeu um pouco do equilíbrio e White, que está ao meu lado, correu até Ches.
— Tem certeza disso? – Perguntou e Ches apenas apontou para Sinara que se adiantou:
— Sim, em todo esse tempo, tudo o que eu tenho feito é reunir informações verídicas – Ela respondeu confiante.
— Mas... – Começou White, um pouco pedido. — Ela não... Minha mãe! – Ele se afastou um pouco chocado, balançando a cabeça negativamente sem parar, Will o puxou para seu lado e nos encarou aflito.
— Me expliquem isso direito. – Ele pediu e Sinara contou-nos a história que contou a Ches, enquanto ela ia falando, notei que White começava a se afastar aos poucos, pensei em ir até ele, mas o que poderia dizer? “Ah, sua mãe é uma traidora do seu reino, mas tudo bem isso passa!” Lógico que não, eu não tinha o que dizer ainda mais depois que ouvi que também sou alvo, mas ainda estava preocupada, White nunca foi de demonstrar o que sente e agora ele está visivelmente transtornado, eu não poderia medir, nem ao menos tentar medir o tamanho de seu choque, mesmo que ele sempre seja tão sério e nunca pareça se importar com nada, ele ainda é um jovem que teve uma infância desastrosa, viveu por anos como escravo e agora acabou de descobrir que a mãe é uma traidora e tem como principal objetivo de vida... Mata-lo.
Quando ela terminou de falar White já não estava mais na sala e eu não conseguia mais me controlar, fui atrás dele, mesmo sem ter oque dizer, disfarçadamente eu sai da sala seguindo na direção de White, encontrei um corredor não muito extenso que em seu final dava em um pequeno jardim florido, mas as flores não pareciam estar em seus melhores dias, no fim do jardim um grande muro permanecia congelado, supus que a partir daquele ponto começava o verdadeiro reino de gelo, olhei cada detalhe do lugar e enfim o encontrei sentado encostado em uma árvore de alguma fruta que eu não conhecia, ele fitava uma pequena pétala roxa que tinha se deslocado de sua flor, me aproximei sutilmente e me sentei ao seu lado, ele me encarou, pegou a pétala e me entregou.
— É linda! – Comentei observando o tom roxo, intenso e frio que nunca tinha visto igual.
— É linda porque é única, porque é diferente, e porque seus olhos só viram a ela, mas se você deixa-la ir e ela se misturar a muitas outras, poderá perder seu valor. – Ele disse de um jeito doce e amargurado.
— Por que ela perderia o valor?
— Porque ela pode não ser oque eles desejam... Porque é o que os outros fazem, eles abandonam oque não desejam, é simples, as pessoas fazem isso, a natureza faz isso, e aqueles que não foram desejados são simplesmente ignorados e esquecidos, como essa pétala tão pequena e até mesmo eu...
— Por que está dizendo isso? – Ele me ficou em silencio. — Al? Você não é indesejado. – Ele deu de ombros e voltou o olhar as flores. — Porque está dizendo isso?
— Ainda não entendi uma coisa, por que me chama de Al? – Ele retrucou e acabou acertando em cheio, está ai, uma boa pergunta, que nem eu posso dizer ao certo.
— Porque, não sei, eu gosto... Sinto que estou mais próxima. – Eu respondi, mesmo que nunca tivesse pensado nessa possibilidade. — Al... Sinto muito... Sobre essa história da sua mãe e...
— Não sinta! – Ele me interrompeu, parecendo um pouco irritado. — Ela não merece sentimento algum. Nunca mereceu e nem merecerá.
— Eu não sinto por ela, sinto por você! – Eu respondi de forma firme, o silencio ficou no ar por um tempo, até que ele o interrompeu:
— Por que o que está ruim sempre tende a piorar?
— Não sei... Mas sei que se estamos vivos até agora é porque já superamos o pior muitas vezes, pelo menos é o que eu acho. – Respondi sinceramente.
— E eu acho que tudo sempre pode piorar, a paz e a justiça são meras ilusões. — Ele retrucou, emburrado e eu respirei fundo.
— Talvez elas pareçam ser uma farsa porque elas não se mostram para nos da forma que queremos e isso nos frustra um pouco.
— Então se ela não surge da forma que queremos como ela surge? – Ele perguntou dessa vez realmente interessado, o encarei e nossos olhos se encontram, nenhum dos dois desviou.
— Elas não surgem simplesmente seu tonto... A justiça sempre vem acompanhada da paz, que por sua vez nunca nos deixa... Isso mesmo, não é ela que nos deixa, somos nós que nos esquecemos de enxerga-la, Al, cada momento feliz que você já passou em sua vida prova que isso é verdade, neste momento estamos em paz, não é mesmo?
— Como pode ter tanta certeza?
— Certeza? Não! Isso não é certeza, isso é fé, e é oque você precisa!
— Para que ter fé? Para que ela serve nesse mundo? Em que eu vou acredita?
— Em você?! – Eu respondi meio que no automático e ele apenas me observou por um tempo.
— Em mim? Está me dizendo para confiar em mim? – Ele sorri. — Pensei que me achasse arrogante. – Ele provocou subitamente e eu acabei rindo baixinho.
— Eu te acho um imbecil. – Retruquei me levantando e ele faz o mesmo.
— Por que você acha que ela quer me matar? – Ele perguntou do nada e eu logo entendi que estava se referindo a Maira. — Além de claro, ela me odiar desde sempre.
— Ela te odeia? – Perguntei chocada, ele me encarou e suspirou.
— É, ela me odeia, sempre me odiou e agora quer me matar, o que prova mais ainda que ela me odeia.
— Por que ela te odeia?
— Não é obvio? Sou indesejado! – Ele respondeu, começando a caminhar para o corredor. — Agora vamos logo, senão meu pai vai ficar louco de preocupação. – Ele diz se afastando e eu suspiro, começando a caminhar em sua direção.
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