Novamente Alice ~sendo reescrita~

31 A falta que você me faz


Notas iniciais
Hey, primeiro gostaria de agradecer pela recomendação, esse tipo de coisa e os comentários fofos de vcs me motivam e muito! E por fim, o que temos pra hoje? P.O.V é claro kkkkkk

~P.O.V Ches~

Já fazia uma hora desde que as garotas desapareceram e tudo oque consigo pensar... Na verdade eu não consigo pensar, não com Alli tendo mais uma de suas crises.

Nós estávamos em um dos quartos de hóspedes e ele faltava quebrar o palácio inteiro de tanta raiva, eu estava deitado na cama, com um olho aberto e outro fechado, me encarando no espelho a minha frente.

— ELES A LEVARAM, A LEVARAM ESSE É O PROBLEMA! – Ele gritava enquanto socava a parede, eu suspirei cansado, depois de anos estou mais do que acostumado com os surtos dele, já era normal pra mim, os outros podem dizer que ele era um exemplo de coragem, segurança e que era controlado e frio, mas eu digo, ele não é. Devo admitir que ele realmente da a entender tudo isso, mas quem sempre o conheceu como eu, Carime e Will, sabem o quanto ele é inseguro e complexado, e isso foi desde sempre e claro que com as brigas dos pais, o ‘amor’ da nossa querida e adorada Maira, o nosso país ser atacado, virarmos escravos e coisas do tipo, só ajudaram a piorar oque já estava ruim e ele começou a ter crises em situações como essa — E AGORA! E AGORA? – Ele andava de um lado para o outro e eu apenas o observava de onde estava, era sempre a mesma coisa, ele parou e me encarou com os olhos marejados. — E agora? – Ele perguntou com a voz meio baixa e falha, estava começando a chorar, “É mesmo uma criança... Ah! Carime, Carime que falta você faz nessas horas, para não dizer sempre, você o controlava tão rápido”, eu me levantei e andei em sua direção, ele me olhou como um cãozinho assustado, esfomeado e que tinha acabado de se perder da dona, é, essa parte não fica muito distante do que aconteceu. — E AGORA?

Não, não sintam dó, isto é drama e drama muito bem feito.

— Sei... Agora a gente se acalma e pensa racionalmente.

— AH NÃOO! NÃO! ELA VAI... ELA PRECISA... – E lá foi ele de novo, eu passei a mão por seu ombro e o puxei pra um pouco mais perto, me lembro do que Carime dizia, ele se sentia desolado, por isso precisava de alguém da família por perto sempre que tinha uma crise, mas devo admitir que era mais fácil quando ele era uma criança e não agora, que ele age como uma.

— Vamos maninho, temos que manter a calma, não se lembra de tudo o que aprendemos, foco no alvo, foco no objetivo, vamos lá. – Ele me encarou emburrado e depois começou a fitar o chão e então acabei ponderando que minhas palavras não tiveram sentido algum no contexto, bom que seja...

— Eu sei, mas...

— Ah! Veja bem... – Comecei e ele saiu revoltando de perto.

— Não tem bem... E SE ELA SE MACHUCAR! E SE ELA SE FERIR! E SE... E SE FOR OS DOIS... AH

— Até porque se machucar e se ferir é a mesma coisa.

— AH! TA VENDO... – Ele pegou uma almofada e começou a chutá-la de um lado para o outro.

— Alli! – Eu o chamei, mas ele ignorou. — Alli! – Eu o chamei de novo, um pouco mais impaciente e de novo fui ignorado. – ALLISTER! – Gritei impaciente e ele me encarou por um segundo, jogando a almofada na minha cara depois e se sentando na cama, emburrado. — Ah! Quer saber! Vou chamar o Will. – E assim sai da sala o deixando só com sua crise, pra variar, mas eu o entendia, é difícil e eu... Não suporto a ideia de poder perder mais alguém.

# # #

Depois que Will apareceu, pacientemente conseguiu controlar Alli, que no fim dormiu de raiva e birra, é sempre assim, quando ele não aceita o que estamos dizendo ele da um jeito de não ter que ouvir, nesse caso, ele dormiu.

— Ele ficou mais calmo, mas isso não quer dizer grande coisa. – Will comentou parando ao meu lado na porta.

— Mas é melhor que nada. – Afirmei simplesmente e ele sorriu por um momento breve.

— Na verdade também estou preocupado, esse ataque repentino, a rainha de copas não poderia simplesmente se aproximar, então...

— Está achando que foi ela? – Questionei e um silêncio ficou entre nós, Will deu de ombros.

— Não sei, só é oque faz mais sentido na minha cabeça, mas se foi mesmo ela talvez não seja impossível encontra-las. – Ele disse pensativo e eu concordei. — Bem que seja... – Ele respirou fundo e começou a se afastar de mim eu fiquei o observando até ele sumir da minha vista e depois caminhei até a escadaria, precisava de ar, notei que ela começava a se descongelar aos poucos e fiquei pensando em quando o meu coração faria o mesmo, pode parecer uma comparação idiota, mas eu realmente tinha esperança de que algum dia eu poderia ir derretendo o gelo que se tornou meu coração... E quando finalmente me atraí por uma garota que não fosse Carime, ela simplesmente desapareceu no meio de uma bomba de fumaça, a presença dela me agrada tanto, ela me afasta dos meus pensamentos e isso me afasta das lembranças da morte da Carime, me deixando mais confortável comigo mesmo, ao menos deixava ate agora, por que eu fui me afastar? Mas eu precisava falar com Alli urgentemente, mas ainda assim, eu a levei comigo lá pra fora, eu estraguei o momento de paz entre nós, mesmo poucos minutos antes dizendo que só queria sua companhia, e é desses momentos que me lembrava agora...

Depois da crise do Alli por causa da presença da Maira, eu disse a Sinara que queria sua ajuda, no que? Esse era o problema.

Eu a levei até perto de uma grande porta congelada, não sei porque eu parei lá, eu só parei como automático.

— Por que estamos aqui? No que quer minha ajuda? – Ela perguntou olhando ao redor e eu quis me matar ao notar aonde tínhamos ido, eu olhei para o teto tentando arrumar algum bom motivo que fugisse do real, mas não conseguiu.

— É só que... — Comecei tentando por a cabeça para funcionar e me xinguei mentalmente ao perceber que não tinha ideia do que dizer. — Eu queria vir aqui faz um tempo, mas não queria vir sozinho, é isso. – Idiota eu sei, mas não fugia tanto da realidade, considerando que era esse lugar, algum dia eu viria aqui, mas não, não poderia ser hoje, não poderia ser agora.

— Tá, mas porque escolheu a mim? — Sinara sorriu e me encarou, oque me fez sentir uma pequena vontade de dizer a ela a verdade, mas me controlei, pois era ridículo dizer que não queria ajuda alguma...

— Porque, ah sei lá.

— Sei lá? — Sinara perguntou parecendo desapontada e eu me senti um idiota completo.

— Olha eu... Ah.. — Eu me interrompi, não, não conseguiria dizer, mas não era nada de mais, "Olha eu só queria sua companhia", oque custa dizer isso? Talvez eu não conseguisse dizer por que senti uma atração instantânea por ela, por sua alegria e principalmente pelo fato de ela parecer se importar comigo de verdade, mas de qualquer modo eu nunca tive sorte com garotas então... Eu não conseguiria, esquece.

— Por que queria vir aqui? — ela perguntou cruzando os braços e eu senti um vazio no meu peito.

— Por motivo algum, eu só... Esse lugar me trás lembranças, mas agora está congelado, então esquece. — Milhares de coisas vinham a minha mente, sim, esse lugar, antes dela ser lebre de março, essa sala, aonde brincávamos quando a rainha Branca tinha grande poder e eles podiamos vir aqui para fugir pelo menos um pouco da maldade do mundo, tantas lembranças... — Eu só queria ver se ainda tinha algo dessas lembranças aqui, algo dela. — Eu sussurrei a ultima parte, mas Sinara pareceu entender perfeitamente, principalmente o “dela”.

— Dela? — Sinara perguntou de súbito, me surpreendendo tanto e me tirando de meus devaneios, eu a encarei surpreso e ela pareceu se arrepender de ter perguntado — Desculpe-me, eu não... Queria ter tocado nesse assunto, era pra eu... Eu.. eu nem devia ter vindo aqui, eu.. — Ela disse e começou a se afastar de mim, mas eu a segurei e ela me encarou confusa.

— Espera... — eu pedi. — Tudo bem, eu só... Fica por favor, eu te chamei aqui, por que... Quando estou com você, nem que seja por um segundo, eu não penso só nela. – Admiti e ela me fitou com um misto de surpresa e indecisão. — Sua companhia, era isso que eu queria sua presença, eu só... Queria ficar perto de você então saí andando sem rumo para tentar inventar uma desculpa e acabei vindo parar aqui, desculpa é que falar dela ainda é doloroso, então... – Eu não sabia como terminar a frase, mas Sinara não pareceu se importar com isso, nós nos sentamos e conversamos sobre tudo, menos sobre ela.

Agora ela não estava mais aqui e nada pode impedi meus pensamentos de vagarem e despertarem o pior de mim, eu estava sentado em frente a porta do quarto quando Alli a abriu e saiu, a fechando e sentando na minha frente.

— Acabou a crise? – Perguntei me forçando a sorrir, como sempre e como sempre, ou pelo menos na maioria das vezes, ele apenas me encarou sem expressão.

— Calado! – Ele disse enfatizando cada silaba e abaixou a cabeça.

— Nós vamos encontra-las. – Afirmei, mesmo não tendo muita certeza disso.

— Acredita mesmo nisso? – Ele perguntou me encarando e senti uma pequena pontada de insegurança bater, esse coelho idiota e sua maldita capacidade de saber quando as pessoas mentem ou estão inseguras.

— Ah... Não acho nada, mas tenho certeza de uma coisa. – Disse me levantando e ele fez o mesmo. — A rainha disse que é provável que Maira tenha pagado alguém para fazer o serviço e sei de alguém que pode nos ajudar a descobrir quem... Já é um bom começo certo?

— Quem? – Ele perguntou realmente interessado pela primeira vez e eu sorri.

— Vem logo.

Notas finais
:p Sim o White é uma 'criança' com potencial para ser mimado, (e olha que ele nem foi em kk) .