– Dessa vez temos um plano mais ousado e, se der certo, será perfeito. – começa a explicar o Príncipe Garcia assim que os quatro se acomodam. – O alvo 2731 estará em um hospital, esta noite, às 9 horas. Ele tem um encontro com alguém lá dentro, mas deve ser coisa rápida.

– Nós vamos entrar lá para pegá-lo? – pergunta o nº 2.

– Não. – respondeu o príncipe olhando para ele. – Vocês chegarão ao local depois das 9 horas e aguardarão, em locais estratégicos, ele sair.

– Certo. – disse Júlia. – E que locais seriam esses?

O Príncipe entrega um mapa do local para cada um e desta vez todos os mapas tem quatro pontos de localização, mas só um deles, o de Júlia, está identificado. Eles analisam atentamente os pontos e entendem qual será o plano de ação, mas estranham a falta de identificação de cada um.

– Como podem perceber por este mapa, todos devem ficar perto do prédio e, como perceberam também, somente Júlia tem um ponto já definido, ela dará apoio para vocês três. – disse o príncipe após um tempo. – Deixei para vocês escolherem a posição que preferem e acham que será melhor de acordo com suas habilidades. Você, Nº 2, pode ser o atirador, afinal você já fez missões deste tipo antes, não é?

– Está certo. – respondeu o vampiro. – serei o Sniper. Tenho uma excelente pontaria. – ele sorriu para Júlia.

Em pouco tempo, estavam definidas as posições dos três vampiros e todos anotaram em seus mapas. O Nº 1 deve entrar no prédio, sua função é avisar Júlia quando o alvo estiver saindo; o Nº 2 aguardará, em uma janela do último andar do prédio em frente, o aviso de Júlia quando o alvo sair; o Nº 3 terá a função mais difícil, pois ele terá que esperar na porta do hospital e, quando o alvo sair, perguntar algo para ele, de modo que ele demore algum tempo ali parado para que o Nº 2 possa fazer o que precisa. E Júlia estará na esquina, encostada na parede do prédio em frente.

– Bem, amigos. Está tudo decidido. – diz o Príncipe, encerrando a reunião. – O rifle já está montado para você na janela deste apartamento. – completa para o Nº 2 entregando-lhe um papel. O vampiro olha o número do apartamento e faz um aceno com a cabeça.

– Mais um alvo será eliminado esta noite. – diz Júlia, confiante.

Todos olham para ela com um sorriso e concordam com a cabeça.

– Boa sorte para todos e façam um bom trabalho. – diz o Príncipe abrindo a porta. – Desta vez não demorarei a entrar em contato novamente, já estamos localizando o nosso último alvo. Provavelmente amanhã termina nossa missão.

Os quatro vampiros se despediram e saíram conversando, quando estavam na rua eles pararam para decidir como iam fazer, pois já era quase 9 horas.

– Nós vamos todos juntos para lá? – perguntou o Nº 1.

– Pode ser. – respondeu o Nº 2. – O que diz, chefinha?

– Ahn... Ah sim. – responde Júlia, meio desligada. – Podem ir, eu preciso passar no hotel. Encontro vocês lá.

Eles concordam e seguem rumo ao hospital e Júlia vira-se para voltar hotel. Ela entrou no quarto e viu o carrinho cheio de comida que seu amigo trouxera. “Tinha até me esquecido disso” – pensou. Pegou seu equipamento de caça e levou o carrinho para fora do quarto com a intenção de levá-lo até a cozinha, mas não precisou, pois uma camareira estava saindo de outro quarto do oitavo andar.

– Oi. Por favor. – disse Júlia aproximando-se. – Será que você podia levar isto de volta para a cozinha?

– Claro. – respondeu a mulher sorrindo.

– Uns amigos vinham me ver, mas não apareceram e é muita coisa para eu comer sozinha. – explicou-se a garota. – E estou de saída agora, tenho horário marcado.

– Tudo bem. Sem problema – respondeu a camareira. – Vou só arrumar mais um quarto aqui e depois levo.

– Obrigada. – agradeceu Júlia, antes de entrar no elevador.

Chegando no térreo, a garota deixou a chave na recepção e saiu apressada. O garoto estava na porta e Júlia sorriu ao vê-lo.

– Konbanwa – cumprimentou-o.

– Konbanwa. Vai dar uma volta?

– É. – disse ela sorrindo. – Sayonara.

– Sayonara.

Ela entrou no táxi que estava parado na porta do hotel e, depois de dizer ao motorista seu destino, ficou pensando em sua mãe e em Cléber. Estava com saudade deles, principalmente da mãe, pois não conseguiu mais ligar para ela. O carro parou em frente do hospital. Assim que desceu aproximou-se de seus colegas e começaram a conversar sobre a missão.

– Oi, chefinha. – sorriu o vampiro. – Nosso alvo já está lá dentro.

– Beleza. – respondeu Júlia. – Então vamos para nossos lugares.

Todos concordaram e o Nº 1 entrou no hotel, enquanto Júlia e o Nº 2 atravessavam a rua.

– Me avise quando a arma estiver preparada.

– Pode deixar, chefinha. – respondeu ele entrando no prédio.

Júlia encostou no muro e olhou à sua volta. A rua estava totalmente deserta, só havia ela e o seu colega do outro lado da rua. Estava uma noite fresca e agradável, a garota tinha certeza que, se não houvessem complicações, aquela missão não demoraria para ser concluída.

– Tudo pronto, chefinha. – Júlia ouviu o colega dizer pelo rádio.

– Ok. Aguarde novas instruções. – respondeu ela. – Qual a situação, parceiro? – perguntou após mudar para o canal 1.

– Tudo normal. O alvo ainda não foi avistado.

– Ok. Avise-me quando avistá-lo.

– Ok.

Ela desligou o rádio e viu que o outro vampiro estava lá do outro lado aguardando instruções, não precisava entrar em contato com ele no momento. Olhou para os lados e a rua continuava deserta, não havia passado nenhum carro. “Estranho não ter movimento aqui”.– pensou ela. Começou a cantar uma música para passar o tempo, quando viu que vinha uma pessoa, do outro lado da rua, na direção do vampiro, que estava meio distraído. A garota pegou o binóculo e o homem estava vestido de preto com óculos escuros, ela achou que podia ser um caçador.

– Entre no hospital. – disse ela no rádio, assustando seu colega. – Tem um caçador vindo na sua direção.

Ele olhou e viu, na mesma hora entrou no prédio antes que fosse visto e Júlia entrou no prédio em frente. A garota ficou espiando e viu o homem passar direto do outro lado, parecia até mesmo um pouco distraído. Talvez nem fosse caçador, mas é sempre bom ficar esperto numa cidade cheia deles. Ela saiu do prédio e avisou seu colega, na mesma hora ele saiu e agradeceu.

Alguns minutos depois, a vampira recebeu contato pelo rádio.

– Alvo acabou de passar por mim.

– Obrigada. – responde ela e muda para outro canal. – Parceiro, o alvo está saindo.

O vampiro do outro lado da rua faz um sinal com a mão, em vez de responder no rádio.

– Prepara-se para atirar. – avisa para o outro. – Alvo sairá a qualquer momento.

– Preparado, chefinha.

Não demorou muito para o alvo sair do hospital e, assim que ele saiu, Júlia viu seu colega aproximar-se dele e falar algo. O inimigo parou e falou apontando para frente, como se estivesse explicando algo. O outro vampiro estava demorando para atirar e Júlia entrou em contato com ele.

– O que está esperando, colega? Atire!

– Muita calma, chefinha. – disse o vampiro mirando com tranqüilidade. – Tá quase no ponto certo.

A vampira estava ficando nervosa, já não sabia mais o que fazer quando viu que parecia que o alvo estava querendo ir embora. O vampiro que falava com ele pegou-o pelo braço e, no mesmo instante, o alvo fora atingido no meio do peito e caiu no chão, já morto.

Júlia sorriu aliviada, atravessou a rua correndo e, ao chegar do outro lado, foi abraçada por seu colega, que tinha ficado mais nervoso que ela. Logo os outros dois vieram ao encontro deles e olharam para o vampiro do Sabá.

– Belo tiro, parceiro. – disse o Nº 3.

– Obrigado. – agradeceu o outro sorrindo. – Mas quase não consegui atirar, porque ele não parava de se mexer.

– É... Eu fiquei apavorada que você estava demorando. – disse a garota.

O vampiro sorriu pra ela, como se pedisse desculpas, e eles ficaram parados ali conversando um pouco.

– Você não quer sair comigo depois que acabarmos a missão, chefinha?

– Se for um passeio só como amigos, eu aceito. – disse a vampira, séria. – Meu coração já tem dono. – completou sorrindo.

Neste instante toca o celular de Júlia, era o Príncipe Garcia dizendo que o outro alvo, sabendo que os colegas dele foram mortos, conseguiu fugir da cidade.

– Acabou nossa missão. – disse a garota, guardando o aparelho.

– Mas não eram quatro alvos? – perguntou um deles.

– Sim. Mas o Príncipe disse que o último alvo foi embora de Curitiba.

– Que boa noticia. – disse um vampiro, animado. – Nossa missão está concluída.

– Pois é. – respondeu Júlia, sorrindo. – Conseguimos.

– Então não nos veremos mais? – perguntou o Nº 2, parecendo um pouco triste.

– O Príncipe pediu para irmos visitá-lo amanhã às nove horas. – falou a vampira.

– Legal. – respondeu o Nº 1. – Vamos comemorar amanhã.

– Estou no hotel Nikko. – disse Júlia para o Nº 2. – Se quiser passar lá amanhã para irmos juntos.

– Beleza. – respondeu o vampiro, animado. – Eu passo por lá então.

Os três se despediram da vampira seguiram seu caminho, então ela fez o caminho de volta para o hotel. Durante a caminhada pensava na pessoa por quem tinha se apaixonado, estava feliz que logo estaria junto com ele novamente.

Depois de tomar café e antes de ir para o trabalho, Márcia parou perto da escola que sua filha estudava. Logo apareceu a melhor amiga de Júlia.

– Oi Paula. – disse a mulher aproximando-se.

– Oi, D. Márcia. – respondeu a menina sorrindo. – Tudo bem com a senhora?

– Tudo bem. A Júlia tem falado com você pelo MSN?

– Sim. Ela falou comigo ontem à noite, antes de sair do hotel.

– Ah, que bom. – respondeu a mulher, aliviada por saber que a filha estava bem. – É que ela não ligou mais pra mim. Estava ficando preocupada.

– É, ela me disse que a situação ta meio complicada por lá e não conseguiu mais ligar. – explicou a garota. – Ela também falou que está com muita saudade da senhora.

– Obrigada Paula. – respondeu Márcia sorrindo. – Agora estou mais tranqüila sabendo que minha filha está bem.

– Foi um prazer encontrá-la. – responde a garota sorrindo. – Eu até tinha pensado em ir até a casa da senhora hoje à noite.

– Você sabe que pode aparecer em casa quando quiser, né? – disse a mulher colocando a mão no ombro da menina.

– Sei. – respondeu Paula, sorrindo. – Obrigada.

– Bom preciso ir, querida.

– Tchau, D. Márcia. Até outra hora.

– Tchau, Paula. Até.

A vampira levantou-se depois de conseguir dormir poucas horas, ela ligou a TV e, novamente, estava passando uma notícia que ela já sabia que ia acontecer.

– Hoje, assim que amanheceu, foi encontrado um terceiro homem pegando fogo. – dizia a repórter. – Dessa vez a vítima estava deitada na calçada em frente a um hospital. A polícia ainda não tem nenhuma pista de quem poderia ter queimado essas três pessoas.

A garota sorriu assim que terminou a notícia, ela sabia porque eles foram queimados e tinha certeza de que nenhum humano descobriria a verdade.

Mais um capítulo concluído e a história está em seus momentos finais, aguardem muitas surpresas nos próximos capítulos.

Por favor, comentem e façam um ficwriter feliz.

Arigatou. Até o próximo capítulo.

Thelef