Capítulo 8 – Alvo eliminado

Júlia acordou com o telefone tocando, ela atendeu ainda meio sonolenta e sem se levantar.

– O café já está sendo servido, né? – disse o japonês da recepção assim que ele atendeu.

– Arigatou. – respondeu ela e, assim que desligou o aparelho olhou no relógio. – Oito horas, ainda é um pouco cedo para quem não pode sair nem comer.

Ela ficou deitada mais algum tempo, pensando em algo para fazer durante o dia naquele hotel. Não podia se arriscar muito sair do quarto, pois não sabia se entrava claridade nos corredores e não podia pedir para as janelas do hotel serem fechadas. Levantou-se para tomar um pouco de sangue, o líquido já não estava tão bom e restava menos da metade. “Hoje, antes de ir para a missão, tomo esse resto. Não adianta ficar guardando.” – pensou. “Só não sei o que acontecerá comigo até voltar pra casa”. Guardou a garrafa de volta na bolsa e sentou-se na poltrona que havia num canto e ligou a TV.

Paula já estava perdendo a paciência com um colega que insistia em querer saber porque Júlia mudou de escola.

– Eu já disse que não sei o motivo. – gritou ela. – Pára de me perturbar.

– Para que escola ela foi? – perguntou o garoto pela milésima vez.

– Quantas vezes tenho que repetir que ela não disse? – respondeu Paula cansada daquela insistência. – Mesmo que eu soubesse não te diria.

– Claro que você sabe. – disse o garoto sorrindo. – Só não quer me dizer para eu deixar sua amiga em paz, não é?

Ele sempre tentava se aproximar de Júlia, praticamente obrigando-a a ficar com ele, mas a garota não gostava dele e o evitava de todas as maneiras.

– Ah! Vai ver se eu to esquina! – disse Paula antes de sair batendo o pé.

Já era quase duas horas da tarde e Júlia já estava cansada de ver Tv, afinal estava em frente ao aparelho desde as oito horas. Ela queria fazer outra coisa, queria conversar com alguém, ouvir música... Desligou a TV e, trocando de roupa, pensou: Sei que é perigoso, mas vou arriscar ir até a Lan. Ela estava no oitavo andar e os computadores ficavam no segundo, talvez não tivesse que passar por muitas janelas.

Ela abriu a porta do quarto com cuidado, vendo se não havia claridade de fora no corredor. Estava claro, mas era a lâmpada do teto. A garota viu que a janela que tinha no caminho até o elevador estava fechada, ela sorriu e saiu do quarto, entrou no elevador e, assim que chegou no segundo andar, viu a janela à sua frente, aberta. Levou um enorme susto, mas não sentiu sua pele arder. Foi até a janela, achando estranho e, ao olhar para fora, viu o motivo e sorriu: o dia estava totalmente escuro e chovia, não havia nem um pouco de claridade do sol. “Que bom, tive sorte” – pensou ela entrando na sala de computadores. O local estava vazio e ela sentou-se no mesmo computador da vez anterior.

July-chan – Sinto-me perdida sem você ao meu lado diz:

Oi amiga.

Paula – A vida é feita de amizades diz:

Oi, está se dando bem aí?

July-chan – Sinto-me perdida sem você ao meu lado diz:

Sim, por enquanto sem problemas.

July-chan – Sinto-me perdida sem você ao meu lado diz:

Hj já vou entrar em ação. ^^

Paula – A vida é feita de amizades diz:

Q legal, amiga

Paula – A vida é feita de amizades diz:

Boa sorte!

July-chan – Sinto-me perdida sem você ao meu lado diz:

Arigatou

July-chan – Sinto-me perdida sem você ao meu lado diz:

E vc? Alguma novidade?

Paula – A vida é feita de amizades diz:

Tudo normal

Paula – A vida é feita de amizades diz:

O único problema é aquele moleque chato da escola, lembra?

July-chan – Sinto-me perdida sem você ao meu lado diz:

Aquele que estava sempre no meu pé?

Paula – A vida é feita de amizades diz:

Esse mesmo

Paula – A vida é feita de amizades diz:

Ele ta sempre atrás de mim querendo saber pq vc saiu da escola e onde foi estudar

July-chan – Sinto-me perdida sem você ao meu lado diz:

E o que vc falou pra ele?

Paula – A vida é feita de amizades diz:

Disse que não sei pra qual escola vc foi e tbm que não sei o motivo

July-chan – Sinto-me perdida sem você ao meu lado diz:

Ok

July-chan – Sinto-me perdida sem você ao meu lado diz:

Logo ele se convence e para de pergunta

Paula – A vida é feita de amizades diz:

Tomara. Não agüento mais aquele moleque.

As duas passam quase a tarde inteira conversando sobre os mais variados assuntos.

Finalmente já começara a escurecer e Júlia voltou para seu quarto para se arrumar. Seu relógio marcava quase sete horas e ela teria que se encontrar com os outros vampiros, na esquina, às oito. Ela tomou o primeiro banho, em anos, sem ouvir música e não gostou muito disso, mas não tinha problema, afinal passou a tarde inteira ouvindo a rádio oriental. Assim que saiu do banho, se vestiu e pegou seu equipamento. Ela colocou uma calça preta, uma camiseta branca e uma jaqueta azul, fechando apenas até a metade. Ela ligou para a mãe antes de sair.

– Oi, mãe. – disse a garota assim que foi atendida.

– Filha! – disse a mulher, alegre. – Tudo bem com você?

– Estou bem. Já estou pronta para começar minha missão.

– Que bom, filha. Faça o melhor que puder.

– Pode deixar mãe.

– Quando você volta? – pergunta Márcia curiosa.

– Ainda não sei, mãe. A missão está só começando hoje.

– Esta bem, minha vampirinha.

– Beijos, minha mãe humana. – respondeu a garota rindo. – Esta na hora da ação.

– Beijos, filha. Tchau.

– Tchau, mãe.

A garota desligou o telefone, tomou o resto de sangue que ainda tinha e saiu ao encontro de seus companheiros de caça ao Sabá. Entregou a chave ao japonês da recepção e, saindo do hotel, viu seu novo amigo na porta.

– Ah, Júlia! – disse ele, contente em vê-la. – Você está bem? Não te vi o dia inteiro.

– To bem, sim. – respondeu a garota sorrindo. – Eu passei a tarde no computador.

– É, eu não fui pro segundo andar hoje. – sorriu ele.

– Vou dar uma volta. Sayonara.

– Sayonara. – respondeu ele aumentando o sorriso.

O garoto ficou olhando-a se afastar e sumir na esquina, cada vez que a via ficava ainda mais encantado com a beleza dela. Estava gostando cada vez mais daquela garota oriental.

A vampira chegou no ponto de encontro e os outros já estavam esperando-a. Ela cumprimentou-os e saíram andando, logo cada um se despedia se dirigindo até seu ponto demarcado. Júlia chegou na lanchonete onde ia ver o alvo, entrou e ele ainda não havia chegado então ela sentou-se numa das mesas e pegou o cardápio fingindo que escolhia o que pedir.

– Boa noite. – disse uma garçonete aproximando-se. – O que vai querer?

– Bom, ainda não sei. – respondeu Júlia, meio sem jeito, olhando para ela. – Traga-me uma água enquanto decido. – completou vendo garrafas pequenas de água no balcão.

A garçonete saiu e, pouco tempo depois, voltou trazendo a garrafa e um canudo, colocou sobre a mesa e perguntou:

– Já escolheu o que vai pedir?

– Na verdade, estou esperando alguém. – mentiu a vampira olhando para fora. – Quando ele chegar nós pedimos.

– Está bem. – sorriu a garçonete. – É só me chamar se quiser pedir algo.

Júlia afirmou com a cabeça e a garçonete foi atender uma senhora que acabara de

entrar e se sentar numa mesa. Não demorou muito tempo e a garota viu entrar na lanchonete dois homens, eles estavam conversando muito animados e, depois que passaram por ela e foram sentar numa mesa mais afastada, a garota abriu o envelope que carregava e comprovou suas suspeitas: um deles era o alvo 2348 e o outro também era um dos alvos, era o 2352. Júlia fica observando-os, vê a garçonete se aproximar deles e, como ela já sabia, eles não pediram nada. Assim que a garçonete afastou-se, eles voltaram a conversar, parecia que planejavam algo, então Júlia pegou seu rádio e entrou em contato com os três ao mesmo tempo.

– Atenção equipe! Alvo 2348 está no local e, para nossa sorte talvez, o alvo 2352

também está presente. Aguardem futuras instruções.

– Ok.

– Na espera.

– Estou aguardando, vampirinha.

Depois de guardar o aparelho, ela olhou para fora mais uma vez, fingindo-se

preocupada com o atraso de alguém. Quando olhou para os alvos novamente, teve que disfarçar, pois eles haviam se levantado e vinham andando. Ela chamou a garçonete e, vendo-os saírem, pagou pela água e saiu.

Os dois pararam a alguns metros da porta da lanchonete e a vampira ficou esperando, com o rádio na mão, para ver que direção iriam seguir. De vez em quando um deles olhava para trás e, na mesma hora, a garota olhava para o outro lado fingindo procurar alguém. Eles não saíam do lugar e a garota já estava ficando apreensiva, começara a imaginar que estavam desconfiando dela.

Após mais alguns minutos, que para ela pareceram horas, os dois seguiram em frente e, na primeira esquina um deles virou e o outro seguiu em frente. A garota, andando, olhou no mapa quais vampiros estavam naquelas direções e avisou-os.

– Atenção nº 4! Alvo hã... alvo 2348 indo em sua direção. Estou seguindo-o.

– Ok, vampirinha. Estou preparado para a ação.

– Alvo 2352 indo em sua direção, nº 2.

– Tudo bem.

Júlia virou a esquina para seguir o alvo, ela o acompanhava, esperando o momento

em que o seu contato o atacaria. Mas, alguns metros antes de chegar no ponto de encontro, o alvo virou-se para Júlia e vinha em sua direção. A garota, não esperando por isso, parou e encostou no poste com a esperança de que ele passasse direto, mas o vampiro parou ao lado dela.

– Por acaso, você não está me seguindo, está? – perguntou ele ameaçadoramente.

– Por que eu te seguiria? – respondeu a garota tentando manter a calma e olhando

para ele. – Eu nem te conheço.

– Você é vampira, não é? – perguntou ele com um sorriso de satisfação. – Da

Camarilla, estou certo?

Júlia gelou com esta pergunta dele, ficou ainda mais pálida do que já era. Não tinha

mais jeito, pelo menos deste alvo, não dava mais para esconder.

– É. Sou vampira da Camarilla sim. – respondeu ela sorrindo e afastando-se do poste. – E também, como você deve ter percebido, não sou dessa cidade.

O vampiro não disse nada, apenas afastou-se um pouco sorrindo sarcasticamente e

Júlia, percebendo qual era a intenção dele, desferiu um forte chute giratório acertando-o no peito e jogando-o a alguns metros de distância. “Assistir aqueles filmes de luta serviu pra alguma coisa” – pensou a garota sorrindo. O inimigo se levantou furioso, não ia deixar uma pirralha derrota-lo. Júlia estava muito confiante agora e imitou uma posição de luta que viu num dos filmes, mas não teve a oportunidade de acerta-lo novamente, pois seu companheiro chegou sorrateiramente, acertando uma cotovelada nas costas do vampiro, fazendo-o cair deitado no chão. A garota aproximou-se sorrindo e o outro sorriu também.

– Vi vocês dois se aproximando, mas estranhei quando ele voltou e, quando eu saí

do esconderijo, fiquei impressionado com o seu chute.

– Eu também fiquei impressionada. – respondeu ela sorrindo. – Nunca tinha batido

em alguém antes.

Antes do inimigo voltar a se mexer, o vampiro virou-o com o pé, pegou uma estaca no bolso e ofereceu-a para Júlia.

– Quer ter a honra?

– Deixo este pra você.

No mesmo instante, o vampiro abaixou-se e, sem perder tempo, enfiou a estaca no

peito do inimigo, acertando-lhe o coração. O vampiro do Sabá deu um grito de dor e teve seu fim.

– O que você acha de amarrarmos ele e deixa-lo encostado aqui no poste,

vampirinha? – sugeriu ele sorrindo.

– Seria uma bela fogueira ao amanhecer, né? – sorriu a garota, entendendo a idéia

do colega. – Eu faço essa parte.

Ela pegou a corda que ele ofereceu e amarrou o alvo, já totalmente morto, ao poste apertando bem, para que ninguém conseguisse desamarrar. Em seguida pegou seu radio para saber sobre o outro alvo.

– Qual é a situação nº 2?

– Tudo sob controle, chefinha. Alvo derrotado.

– Ok. Amarramos o nosso para ele tomar um pouco de sol pela manhã.

– Boa idéia, chefinha. Vou amarrar este aqui também.

– Ok. Depois retorne ao ponto de encontro.

– Beleza.

A vampira encerrou a comunicação com ele e avisou o terceiro colega para ir para o

ponto de encontro também. Ela guardou o rádio e também seguiu para o local junto com seu parceiro, os dois iam conversando animadamente. Ao chegarem os outros dois já estavam lá conversando.

– Primeira parte concluída, amigos. – disse Júlia sorrindo para eles.

– Foi fácil, hoje. – disse o vampiro do canal 2.

Os quatro ficaram conversando animadamente, estavam tão distraídos que nem

perceberam a aproximação de um homem, que vestia uma capa preta e usava óculos escuros.

– Boa noite. – disse o homem ao chegar perto do grupo. – Podem me dar uma

informação?

Os três vampiros de Curitiba olharam assustados para ele, sabiam o que aquele

homem era. Júlia, como não era da cidade, não entendeu a preocupação dos colegas.

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Júlia começou bem sua missão. Quem será este misterioso homem? Como eles encontrarão os próximos alvos? Estas e outras respostas nos próximos capítulos.

Por favor, comentem para me fazer feliz. ^^

Arigatou. Até mais.\"*\"