Nova Vida como Vampira

10 A primeira vítima da vampira


Júlia não conseguiria agüentar muito mais tempo, a vontade de morder o garoto já era muito grande. Não queria fazer isso com ele, na verdade não queria morder ninguém enquanto não precisasse.

– Você sempre ouve essa rádio? – perguntou o garoto, querendo conversar.

– Ahn... S-sim. – respondeu Júlia com muito esforço. – Sempre que posso.

– Eu gostei das músicas. – disse o garoto, sorrindo.

– Acho que vou voltar para o quarto. – falou ela olhando para o garoto, meio séria. – Se quiser, te passo o site da radio.

– Eu quero o site sim, mas você está bem?

– Estou bem. – respondeu ela, desligando o computador. – Só estou com um pouco de sono ainda.

Ela levantou-se e, depois de dar o endereço do site para ele, saiu, quase correndo, de volta para seu quarto. Estava com tanta pressa que nem percebeu uma janela aberta no corredor do segundo andar, ao passar por ela a garota sentiu um enorme calor mas, por sorte, sua pele voltou a esfriar assim que ela entrou no elevador.

Ao chegar no quarto, atirou-se na cama do jeito que estava. Tentou dormir, mas não conseguia. Se sentia cada vez mais dominada pela vontade de morder alguém, até já estava começando a se arrepender de não ter aproveitado a oportunidade que acabara de ter. Deitada ali, sem se alimentar a algumas horas, ela não imaginava que sua fome de sangue pudesse chegar a esse ponto.

A vampirinha ficou deitada, tentando pelo menos controlar essa vontade de fazer o que ela não queria. Sem saber quanto tempo passou, ela ligou a TV, para se distrair um pouco, e acabou vendo uma notícia, no jornal local, que ela estava envolvida e, para sua sorte, ninguém sabia.

– Hoje de manhã foi encontrado um homem pegando fogo numa

rua do centro da cidade. – dizia a apresentadora. – A polícia conseguiu apaga-lo, mas, infelizmente, ele já estava morto. Não se sabe se ele morreu antes ou depois de ser queimado, mas os policiais não encontraram nenhum vestígio de substâncias inflamáveis ou outro tipo de coisa que pudesse indicar que alguém incendiou o homem.

– É... todos estão muito longe da verdade. – disse Júlia, sorrindo.

Ela ficou mais um tempo vendo TV, mas não conseguia mais agüentar. Precisava de sangue fresco, não tinha outro jeito. Desligou a TV e foi até o telefone.

– Boa tarde, em que posso ajudar? – perguntou alguém da recepção,

mas não era o homem japonês.

– Oi, amigo. – disse ela reconhecendo a voz do garoto. – É a Júlia.

– Ah, oi. – respondeu o garoto. – Como você está?

– Estou melhor. Você está muito ocupado aí? Eu queria falar com

você.

– Tudo bem. – respondeu ele prontamente. – Só vou esperar o Sr. Yamada voltar e já subo aí.

– Arigatou. – respondeu a garota. – Estarei esperando.

A vampira não precisou aguardar muito tempo, logo ouviu batidas na porta. Correu para abri-la e sorriu ao vê-lo. Ele trazia uma garrafa de vinho tinto que, por um momento, Júlia imaginou que seria sangue, mas ela sabia que não podia ser. A garota olhou melhor para o carrinho que ele havia trazido e não sabia o que dizer nem o que fazer, tinha bolos, pães, geléia e várias outras coisas. Vendo tudo aquilo tinha muita vontade de comer, mas não podia.

O garoto entrou no quarto empurrando o carrinho.

– Trouxe isso tudo pra você. Deve estar com fome, não está?

– Acho que não. – respondeu a garota sorrindo. “Na verdade, estou com fome do seu sangue”. – pensou aumentando ainda mais o sorriso.

A vampira já não podia mais se controlar, tinha que fazer isso mesmo não querendo. Sua vontade já não mandava mais, ela estava totalmente dominada.

– Você precisa comer alguma coisa para se sentir melhor. – disse o garoto aproximando-se. – Até está pálida, de tão fraca.

– Estou... pálida sim. – disse ela, rindo. – Mas não é por ficar sem

comer.

Ela nem esperou o garoto responder, abraçou-o e deu-lhe um beijo na boca levando o na direção da cama, então os dois caíram deitados e, por vontade dele também, continuaram se beijando. Passaram um bom tempo ali, o garoto estava muito feliz, pois desde o dia que Júlia chegou no hotel ele começou a se apaixonar por ela. “Que bom que ela também gostou de mim”. O pobre garoto nem fazia idéia do que iria acontecer com ele.

Depois de mais alguns beijos, a garota, que estava deitada em cima dele, olhou-o sorrindo e, na mesma hora, ele também sorriu. Mas o sorriso dele durou pouco tempo, pois a vampira mostrou os dentes e, rapidamente aproximou a boca do pescoço dele, começando a chupar-lhe o sangue. Ele deu um grito de dor e desmaiou, enquanto Júlia se saciava com seu sangue fresco. Ela tinha gostado de fazer isso, nem queria parar, mas sabia que já havia tomado demais e se continuasse podia mata-lo e, é claro, ela não queria que isso acontecesse. Então soltou-se dele e levantou, deixando-o desmaiado na cama, foi até o banheiro se limpar e se sentia muito bem agora. “Nunca mais deixarei isso acontecer.” – pensava enquanto lavava a boca. – “É uma sensação muito desagradável sentir essa fome toda”.

O garoto acordou e, por um momento, não sabia onde estava e nem o que aconteceu. Júlia voltava do banheiro e sorriu para ele que, retribuindo o sorriso, percebeu, em parte, o que havia acontecido.

– Achei que você ia demorar um pouco mais para acordar. – disse a garota aproximando-se. – Lembra o que aconteceu?

– Mais ou menos. – respondeu ele meio confuso. – Acho que estávamos nos beijando aí senti uma dor estranha e parece que desmaiei.

Antes que Júlia pudesse dizer algo, ele levantou-se e passou a mão no pescoço, percebendo as marcas que, estranhamente, pareciam ser de dentes.

– Que marcas são essas! – estranhou ele. – Parece que fui... – ele olhou para a garota, que o olhava meio assustada tentando imaginar o que aconteceria. – Parece que fui mordido!

– Que isso, querido. – disse a garota o abraçando. – Só ficamos nós dois aqui. Não apareceu nenhum animal.

Ouvindo esse comentário, o garoto soltou-se dela e, muito assustad o, saiu da cama e ficou em pé olhando para ela.

– Se não entrou nenhum... animal aqui, só pode haver uma explicação para essa mordida. – a garota arregalou os olhos. – Você... você é... vampira.

– É verdade. – respondeu Júlia abaixando a cabeça. – Gomen nasai, eu não pude evitar. Você foi minha primeira vítima.

Ele não disse nada, simplesmente virou-se para sair do quarto, mas para sua surpresa, a vampira passou por ele, numa velocidade impressionante, e parou na frente da porta.

– Não sei como você sabe sobre a existência de vampiros. – disse ela. – Mas isso não importa agora, apenas olhe nos meus olhos antes de sair. – completou, sem saber porque.

No mesmo instante, parecendo que estava hipnotizado, o garoto olhou nos olhos dela e sentiu uma estranha energia penetrando por seus olhos. Logo depois, a garota saiu da frente dele e, sem dizer nada, o garoto saiu do quarto, fechando a porta atrás de si.

“Não sei o que fiz, mas espero que tenha funcionado”. – pensou a garota.

Deitou-se e ficou pensando naquele momento que ela não queria que acontecesse, mas acabou gostando e se sentia muito bem.

Cléber caminhava pelas ruas da Liberdade, o bairro oriental de São Paulo, quando, ao passar na porta de uma lanchonete, ouviu uma música que fez lembra-lo de sua linda vampirinha. Ele parou um pouco e ficou ouvindo.

....

Daredatte mirai no pazuru kumia wa setai

muzukashikute nayande tameshite

mitsukaranai piisumo tomete

sou yatte mirai no ega kansei surumade

shikou sakugoshite hisshi ni natte

bokura wa ikiterunda...

Kyoumo atarashii asa wo

odayakani sugiru toki no nakade

yaritai koto dekiru yorokobi kami shimete

Ashitaga machi doushikute

uedake muiteru puraido

soredemo ai wo kawarazu

kyoumo chikyuu wa megutteru...

Daredatte mirai no pazuru kumia wa setai

muzukashikute nayande mogaite

mitsukaranai PEACE sagashite

sou yatte mirai no ega kanseisuru toki wo

omoi ukabete omoi egaite

bokura wa ikiterunda

....

Era uma garota que cantava, numa espécie de Karaokê, e o vampiro não entendia nenhuma palavra, mas achou a música bem interessante. Olhou no seu relógio e viu que já estava na hora do encontro com o Príncipe Ricardo. Ele estava curioso para saber o que seu amigo queria lhe pedir assim tão de repente, só sabia talvez tivesse que fazer uma viagem para outra cidade.

Júlia se arrumou para ir até a mansão do Príncipe Garcia receber as instruções para a próxima tarefa, mas, como ainda era cedo, foi para o computador. Queria contar para alguém o que havia acontecido.

Chegando na sala de computadores viu que ele estava lá, usando o aparelho seguinte ao que ela costumava usar. Aproximou-se e ligou o computador.

– Konbanwa. – ele disse, surpreendendo-a. “Será que deu certo aquilo que fiz antes dele sair?”– pensou a garota”.

– Boa noite. – respondeu olhando para ele. – Como você se sente?

– Estou bem. – sorriu ele. – Passei a tarde inteira aqui, acho que já vou indo.

Ele desligou o computador e despediu-se de Júlia. A garota deu um sorriso assim

que ele saiu, tinha conseguido usar seu poder de alteração de memória.

ジュリア– Tenho certeza que conseguirei superar a dor que sinto neste momento diz:

Oi amiga. Td bem?

Paula – A vida é feita de amizades diz:

To bem

Paula – A vida é feita de amizades diz:

July?

ジュリア– Tenho certeza que conseguirei superar a dor que sinto neste momento diz:

Sou eu. ^^

ジュリア– Tenho certeza que conseguirei superar a dor que sinto neste momento diz:

É que estou disfarçada, não posso levantar suspeitas aqui. Quando eu voltar te explico.

Paula – A vida é feita de amizades diz:

Ok

Paula – A vida é feita de amizades diz:

Como estão as coisas por aí?

ジュリア– Tenho certeza que conseguirei superar a dor que sinto neste momento diz:

Ta td certo.

ジュリア– Tenho certeza que conseguirei superar a dor que sinto neste momento diz:

Logo estarei voltando, acredito que mais uns três dias.

Paula – A vida é feita de amizades diz:

Legal.

ジュリア– Tenho certeza que conseguirei superar a dor que sinto neste momento diz:

Me sinto ótima hoje. ^^ Fiz uma coisa que não queria fazer, mas gostei.

Paula – A vida é feita de amizades diz:

Vixe. Será que é o que estou pensando?

ジュリア– Tenho certeza que conseguirei superar a dor que sinto neste momento diz:

Pode ser. Mas não vou dizer por aqui.

ジュリア– Tenho certeza que conseguirei superar a dor que sinto neste momento diz:

Vc sabe porque

Paula – A vida é feita de amizades diz:

Sei

ジュリア– Tenho certeza que conseguirei superar a dor que sinto neste momento diz:

Amiga, agora preciso ir.

ジュリア– Tenho certeza que conseguirei superar a dor que sinto neste momento diz:

Beijos. Sayonara.

Paula – A vida é feita de amizades diz:

Tchau, amiga. Bjs.

Julia saiu do MSN, desligou o computador e saiu do hotel. Já era hora de saber como pegaria o próximo alvo.

Fim de mais um capítulo e a missão de Júlia em Curitiba também está nos momentos finais.

A música deste capítulo chama-se Peace e é do grupo BeForU.

ありがとう(Arigatou). Até o próximo capítulo.