Nova Terra
9 Mulher Verde/Vermelha/Azul
As chamas verdes voltaram a dançar, brilhantes como nunca antes. A noite estava estranhamente obscura, de repente uma chama azul brotou do chão e começou a dançar junto da verde e assim, uma chama vermelha brotou da terra e se tornou a nova parceira de dança, esperando pela última chama que ainda não nasceu. As três chamas se entrelaçaram e se ergueram, enrolando uma na outra e o brilho cessou, dando vida a três lindas mulheres. A loura estava de pele bronzeada, estava despida, assim como as outras, em seu braço a chamar ardeu e o desenho de um dragão vermelho do Ocidente apareceu. E agora o braço da mulher de cabelos azuis começou a arder e o dragão de gelo do Norte apareceu. A mulher de cabelos verdes riu e deu as boas-vindas. Seu braço não se incendiou, pois o dragão já a havia marcado.
–Essa deve ter sido a primeira vez que viajam nas chamas. Estou certa?
As outras duas assentiram.
–Sabem o que representam?
–Não, não sabemos. –Disse a loura.
–Vocês são a nova geração. São as Filhas do Dragão.
Elas não entendiam ainda o que queria ela queria dizer. Não sabiam o que estava acontecendo.
–Cada uma de vocês representa uma espécie de dragão que ressurgiu. Você, -ela apontou para a mulher de longos cabelos azuis- representa o Dragão das Neves. Um grande dragão branco cuspidor de gelo. Você, -agora ela apontava para a de cabelos louros- representa o Dragão de Fogo, um enorme dragão vermelho cuspidor de fogo. Eu, -ela colocou as pontas dos dedos entre os seios- represento o Dragão da Chama Verde, um dragão sulino, protetor da natureza. Cada uma representa um dragão nativo de um continente. Falta ainda um dragão, este ainda não nasceu. O Grande Escuridão. Um dragão enorme negro, o maior de todos, cuspidor de piche, rasgador de carne, o inferno dos homens.
–E cadê este?
–Não sei ainda. Estou no Oriente, onde certamente ele irá nascer, mas nada é certo ainda.
Elas ficaram em silêncio e a Mulher Verde as convidou a sentar na areia branca e quente.
–Deem as mãos e fechem os olhos.
Elas obedeceram e a Mulher Verde começou a murmurar uma música em uma língua que elas desconheciam. Sentiram algo dentro delas que as faziam sentir cócegas. Sem perceberem, começaram a murmurar a música da Mulher e sentiram suas carnes esquentarem e quando abriram os olhos, na frente do rosto de cada uma estava uma pequena esfera giratória flamejante: uma verde, uma azul com detalhes brancos e uma vermelha.
A Mulher Verde continuou cantando e elas também, as chamas começaram a girar, e girar, e girar, estavam girando tão rápido que quase desapareciam no ar. E de repente, sumiram mesmo. A Mulher Verde estava com um sorrisinho estampado no rosto, um sorriso cínico.
–O que foi? –Perguntou a Mulher Azul.
–Sentem isso?
Elas ficaram em silêncio e fizeram o mesmo que a Mulher Verde: fecharam os olhos e começaram a murmurar algo e sentiram a chama dentro delas. As águas do mar começaram a gritar e gritar e delas saiu algum animal grande e com enormes asas. Seus brilhantes olhos azuis relampearam nos céus e uns gritos as fizeram estremecer. A Mulher Verde acenou para a Mulher Azul, que se levantou e caminhou sobre as águas do mar. De repente, algo despencava dos céus e fazia um zunido horripilante, e ela sumiu. A Mulher Azul sumiu.
–Concentre-se. –Disse a Mulher Verde para a Vermelha.
E voltaram a meditar, murmurando algo. De repente, o monte acima delas explodiu em um líquido flamejante que destruía, avassalador. Do meio da densa fumaça que subia do monte, uma fera subiu e pousou na praia, cuspindo fogo, cristalizando a areia.
A Mulher Verde assentiu novamente e a Vermelha caminhou para o dragão, montando em suas costas quentes.
–Cadê o seu? –A Mulher Vermelha perguntou.
A Mulher Verde gargalhou, seus olhos brilharam. Seus cabelos incandesceram e suas unhas cresceram, parecendo pontas de lanças negras afiadas. Sua mandíbula cresceu e suas unhas rasgavam a carne, rasgava como se fosse papel e escamas brotavam debaixo desta. Ela logo ficou de quatro e suas costas começaram a se desprender e asas verdes apareceram. De primeiro, um pequeno dragão verde estava no chão, mas seu corpo começou a se expandir e expandir, em instantes um enorme dragão verde estava na frente da Mulher Vermelha, espantada. A Mulher Azul pousou na praia, vendo a mágica.
–Como você fez isso?
Você saberá assim que aprender a matar!
Elas podiam jurar que viram um sorriso maléfico na boca do dragão que alçou voo rumo ao céu estrelado e negro. Tão negro quanto o coração dela, que só pensava na maldade e em reinar sobre os Quatro. Ela podia chegar a este posto, mas não sozinha. Precisaria delas.
Fale com o autor