Nova Terra
19 Loli
Notas iniciais
Ela não estava conseguindo respirar.
O ar estava muito rarefeito e muito gelado, sua garganta ardia e seus dedos pareciam que iam trincar a qualquer momento. Já sentiu sua bochecha sangrar, mas, pela baixíssima temperatura, o sangue nem teve tempo de escorrer.
– Vamos... Va... Vamos entrar... Vamos entrar na caverna. — Disse ela, enfim, apontando para um buraco na montanha.
Não recusaram esta oferta da Lua. Entraram o mais rápido que puderam na caverna para se esconder do gélido vento. Não estava quente, como era de se esperar. Gotas escorriam pelas paredes e alguns cristais se formavam na entrada da caverna. Também não era funda e nem muito escura.
– Precisamos nos aquecer. — Ele disse rispidamente.
– Não temos lenha e não temos como acender uma fogueira.
– Podemos queimar nossas meias, deve haver pedras boas para lascá-las e fazer fogo.
Mas não havia, e ela se recusou a queimar as meias. Tinha ganhado elas de sua mãe.
– Vamos nos abraçar para esquentar. — E ele atendeu ao pedido, se aproximou dela e se abraçaram.
Os dois se deitaram no chão molhado, enquanto a nevasca rugia do lado de fora da caverna. Loli é uma menina magra e alta, de pele tão clara quanto leite. Suas veias podem ser vistas até mesmo em seu rosto em formato de coração. Não é uma garota de seios fartos, são pequenos e pontudos, mas o suficiente para excitar Paul. Loli sentiu, mas não disse nada, e depois de um tenso silêncio ele disse:
– Não está funcionando.
Loli assentiu.
– Tem uma forma. Lembro-me de ouvir o Mestre Huller mencionar algo que, quando está frio, corpos nus juntos se esquentam mais rápido.
– Não vou ficar nua na sua frente.
– Por que não? O que tem que nunca vi?
– Só não quero isto aqui, em uma caverna gelada.
– Não há nada demais em uma caverna.
Ele a beijou intensamente, mas ela interrompeu o beijo com uma mordida nos lábios de Paul, que sangrou.
– Isto não teve graça, garota.
Ela é bonita. Ele sempre se impressionou com a capacidade que Loli tem de mudar de aparência dependendendo de qual lugar estivessem. Quando estavam no Sul há três anos, Loli tinha a pele cor de âmbar e cabelos louros; quando viajaram para o Ocidente há doze anos, Loli tinha a pele morena, cor de bronze, e cabelos cacheados e bem negros; e quando foram para o Oriente, sua pele continuou bronze, porém seu cabelo estava de um vermelho intenso. Quando mataram o garoto e a garota, há nove meses, Loli estava irreconhecível: seu rosto não podia ser visto, pois tinha uma mistura de coloração que confundia quaisquer olhos. Seus cabelos continuaram pretos, mas, de acordo com o sol, ficavam ou vermelhos ou louros. Loli sempre foi um mistério para ele, e mistério o excita.
Quando mataram a garota e o garoto, continuaram sua caminhada para o enorme castelo do Norte, Griffin. Mas antes de entrarem, recebeu uma carta trazida por uma criatura estranha, uma espécie de ave nunca antes vista. Parecia um corvo, mas não era um corvo, tinha o tamanho de um abutre, suas penas eram negras, e seus olhos... ora, seus olhos eram o fogo, tão vermelhos, que os queimavam só no olhar.
– Eu te amo. — Ela conseguiu dizer, batendo o queixo, e beijou-o no nariz.
Paul começou a despir a garota, primeiro tirando o gorro. Seus cabelos castanhos com mechas brancas se derramaram como água no chão. Os lábios dela ficaram de um vermelho intenso. Vão para a Montanha do Grifo, disse a carta. Paul nunca se esqueceu da grafia. Uma letra estranha, toda escarranchada. Agora suas mãos desceram para dentro da calça da menina, uma calça marrom feita de tecido grosseiro cosido em Vilamarrom, perto do castelo do Norte. Seus dedos brincavam ali, e quando sentiu que ela já estava molhada, foi rasgando o tecido e tirou seu pau de dentro das vestes também de Vilamarrom. Quando entrou nela um gemido selvagem foi gritado e o eco ficou com inveja. Paul começou a acariciar os pequenos seios de Loli e os gemidos ainda tomavam conta da caverna. Seus movimentos eram lentos, o que os enlouquecia mais ainda. Sua boca sugava agora os mamilos da amada, enquanto seu pau dançava dentro dela.
– Vai mais rápido. — Pediu ela.
– Não. — Disse, acariciando o clitóris.
Seus movimentos ainda continuavam lentos, mas não conseguiu e começou a acelerar. Sentiu que ia gozar logo, então saiu de dentro dela e com a língua, começou a beijá-la de uma forma carinhosa que ele sabia que ela adorava. Seus gemidos eram mais rápidos e ela pressionou a cabeça dele, e sua língua entrou mais ainda, a fazendo gritar.
– Entra. -Ela pediu.
Ele obedeceu. Entrou nela com mais ferocidade, mas logo gozou, porém não parou, continuou o movimento, e ela gemia cada vez mais alto. O sol da nevasca abafaria seus gemidos de prazer. Até mesmo ele se deu ao luxo de soltar um leve gemido, e ela gozou.
Ah! Ela disse, enfim. Quando ele se preparou para sair de dentro dela, ela o impediu. Continua aqui, gosto de te sentir.
Ele obedeceu.
– E você não queria tirar suas roupas para mim.
– Eu sabia que você iria rasgá-las. — Eles riram. A nevasca ainda continuava feroz lá fora, e eles já estavam vestidos e estavam dormindo juntos. Uma tocha improvisada com restos da calça de Vilamarrom os ajudava a esquentar.
Vão para a Montanha do Grifo, matem todos que estão lá, logo estarei com o meu exército aí e marcharemos para o Norte, para a guerra final. Ele sonhou, as palavras estavam em seu sonho, imaginava ele, comandando a vanguarda leste contra os Lordes principais, mas isto nunca aconteceu. ...Logo estarei com o meu exército aí e marcharemos para o Norte, como ele queria comandar o ataque contra Griffin. ...Para a guerra final, as palavras voltaram em sonho, atormentando-o. Marcharemos para a guerra final...
NÃO! Ela acordou de repente e, somente neste de repente, percebeu que com seu salto acordou Loli também.
– Paul? O que houve?
Ele não respondeu; com certeza Loli saberia o que estava acontecendo, com certeza ela saberia, mas ela não sabia. A manhã veio gelada, como era de se esperar, mas sem a nevasca. Prosseguiram viagem, com a tocha ainda acesa. Em seus cintos, estavam embainhadas duas espadas longas de aço brilhante.
– Está com medo? — Ela perguntou, esperando um xingamento, que nunca veio.
– Estou.
E este foi o único diálogo, até que chegaram a uma torre na montanha. Uma enorme, negra, com uma escadaria na entrada, também negra e grande. No alto da torre, com as orelhas protegidas por pelos de ursos, uma sentinela.
– Nossas roupas chamaram atenção neste branco. — Paul observou.
– O que quer que eu faça? Não vou entrar nua ali.
– Precisamos achar um jeito de entrar.
– Nossos casacos.
– O quê? — Paul perguntou, mas era uma pergunta mais para ele mesmo do que para ela.
– Podemos usar nossos casacos, colocamos neve neles, erguemos e passamos talvez despercebidos.
– Isto não vai dar certo.
– Você não tentou para saber.
E o fizeram. Loli foi primeiro e não teve problema, exceto o frio que sentiu, e podia jurar que seu sangue parou de circular. Paul veio depois, e não houve problemas maiores que o dela.
– E que comece a invasão. — Disse com um sorriso malicioso no rosto.
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