Nova Eternis - Vl.01
6 Epílogo
A cidade branca se ergueu diante de nós. Torres finas, reflexos prateados, luz demais pra ser natural. Bonita demais pra ser verdadeira — como se o jogo quisesse nos convencer de que aqui havia paz.
Um grande holograma pairava diante de nós:
[Bem-vindos a Eirene — A Cidade Pura]
[Portal para Aeternum ativado]
A cidade toda parecia respirar tranquila. Nenhum som além do vento varrendo as ruas lisas. Até o ar parecia contido, como se o lugar tivesse esquecido o que é movimento.
Rieli esticou o pescoço, tentando quebrar o clima.
— Segundo mapa... — murmurou, com um meio sorriso. — Bonito, mas esquisito pra caramba.
Liliani ajeitou o colar no peito, o reflexo azul tremendo na luz.
— Talvez seja bonito justamente por isso. Um lugar que tenta parecer puro… mesmo quando o que tem dentro tá quebrado.
Só observei por um instante. Ela olhava a cidade como quem via algo familiar. E, por algum motivo, aquilo me incomodou — o tipo de olhar que carrega lembranças demais pra caber num sorriso.
Rieli girou a lança no ombro e deu um passo à frente.
— Seja o que for, a gente venceu. Agora vem a parte difícil: descobrir o que essa “pureza” tá escondendo.
— É. — murmurei. — Nova Eternis nunca entrega nada de graça.
Caminhamos até o início da rua principal. As fachadas eram perfeitas, mas as sombras pareciam longe demais do chão — falsas, como projeções. A sensação era de alívio, mas também de algo à espreita.
Rieli seguia confiante, falando sozinha sobre poções e upgrades. Liliani, porém, ficou quieta. O olhar perdido em uma varanda onde um grupo de NPCs sorria.
Um casal de adultos, quatro crianças, dois meninos mais velhos, duas meninas menores. Todos acenavam para nós, como se fossem uma família feliz.
Por um segundo, jurei que a Liliani sussurrou o nome de alguém.
Eirene parecia guardar segredos demais — segredos que envolviam aquela IA e o homem que a criou. E, desde que me levassem até ele, eu estava disposto a desvendar cada um.
Ergui os olhos. As torres brancas refletiam a luz como se esperassem algo da gente.
Norikawa ainda me espera em algum lugar.
E eu... tô chegando.
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