Noutras Escuridões

2 Preparem o Salto


Notas iniciais
Mesmo que não houve uma boa recepção da fic, decidi postar todos os capítulos já escritos.

Tiro o cinto e me levanto, Victor me acompanha. Saímos do transporte junto com o capitão e as outras pessoas que ali estavam. A ESS é enorme. A doca 16 é uma grande pista cercada por paredes de vidro cujo o número dezesseis estampado em vermelho é marcante. No final da grande pista, numa área sem parede de vidro, está a Infinity X3, em branco e preto, com seus motores propulsores aparentes e seu corpo que se estica por muitos metros à frente no espaço. Temos de seguir pela pista até ela.

Pelas paredes de vidro é possível ver as outras docas e suas respectivas naves no final destas.

Há portas de vidro que só se abrem com o cartão de identificação pelo caminho. Insiro o meu cartão de vidro com o chip para dentro no leitor da porta e ela se abre. Victor segue pela porta do lado. Ouve-se um sinal sonoro e uma voz, agora masculina, fala:

— É necessário ter seu cartão de identificação em mãos. Não é permitido levar qualquer tipo de alimento ou objeto pessoal nas naves. Não se atrase. — a voz dá uma pausa — Próximas naves de partida: Victory A2, doca 18, em 5 minutos e Infinity X3, doca 16, em 15 minutos. Obrigado.

Há muitas pessoas na pista indo rumo aos pequenos carros que nos levarão até a entrada da nave pela parte sem paredes e oxigênio. Quando chegamos há uma fila não muito longa para embarcar nos pequenos carros. Victor vai em outra e embarca antes. São cinco pessoas por carro. Espero pelo próximo e quando ele chega embarcamos nós da fila. É uma viagem rápida. Estou finalmente dentro da Infinity.

Outra pequena fila, dessa vez para que eu me registre. Não encontro mais Victor. Entramos pelo armazém da nave, aqui há sustentações de ferro que dividem lugar com monitores pelas paredes e muitas caixas espalhadas, mas tudo muito bem iluminado. Chega a minha vez. Uma mulher de azul-marinho e com o chapéu da frota de mesma cor me atende:

— Diga nome e função. — sua voz é dura e autoritária.

— Gustavo Souza, suboficial de ciências.

— Suboficial? — ela pergunta.

— Costumam duvidar. — respondo.

— Não é por isso, é que você foi transferido para oficial-correspondente de ciências. Fabrício está doente, apresente-se na ponte. — ela me entrega um cartão de vidro.

— Você tem certeza disso? Deve ter havido algum engano.

— Absoluta, apresente-se já.

Tudo que tenho a fazer é aceitar e ir. Pelo armazém há placas que guiam com setas os locais. Terei de pegar uma espécie de elevador horizontal para chegar à ponte, faço isso. Aperto o botão no qual está escrito "ponte" e o elevador fecha as portas para começar a andar. Paredes e luzes brancas em cada canto dão uma claridade para o elevador. O elevador abre portas.

A ponte é a parte principal do comando da nave, aqui ficam os pilotos e o capitão. Vários computadores hologramizados em vidros de último geração cercam a sala branca e bem iluminada. O símbolo da federação, a Terra envolvida em folhas de louro cercada por órbitas planetárias, está brilhando na janela frontal principal da nave que também é um computador. A ponte é dividida na parte baixa e alta por três degraus e um cercado também de vidro. A parte alta é onde ficam os painéis de controle da nave e quase que sempre o capitão, a parte baixa está equipada com os equipamentos responsáveis pelo controle da propulsão da nave, os piilotos ficam por aqui.

— Gustavo, Co... Perdão, — ainda não acredito que estou aqui para assumir este cargo — oficial de exploração e ciências apresentando-se na ponte. — ativo o cartão que recebi e mostro para o capitão que está ao meu lado.

— Olá de novo, Gustavo, bem-vindo à ponte. — ele não pega meu cartão mesmo sabendo que eu era suboficial e não oficial — Oficial Gustavo, estava te esperando para poder te dizer o que fazer. — uma

mulher lhe traz uma ficha digital e ele a assina — Sinto muito ter te posto de última hora num cargo tão alto, não tinha outra opção.

— Não sei se fico feliz ou espantado por isso, senhor.

Ele ri e me dá um tapa nas costas, como Victor faz. Perdi-me de Victor, espero poder encontrá-lo na nave durante esses seis meses, é uma nave enorme.

Lara, a correspondente-direta com a qual o capitão estava quando nos encontramos no elevador chega e para ao lado do capitão para lhe dar informações sobre a avaliação final da nave, consigo escutar que os armazéns poderão durar até oito meses.

— Espere na ponte e fique à vontade — o capitão vai para a ponte baixa e me deixa.

As pessoas vão de um monitor a outro checar informações, estão se movimentando ou fazendo algo em seus computadores. Eu estou parado sem saber o que fazer, deveria estar com minha equipe agora.

— Primeira vez numa nave da Frota, novato? — é um homem loiro e com barba por fazer que se aproxima perguntando.

— Você não parece ser tão velho e não é minha primeira vez numa nave, — ele é da enfermaria, seu uniforme é inteiro branco — só é a primeira vez numa missão longa como essa.

— Você parece ser simpático, — existem muitos elogios melhores que esses, mas à situação é válido — Felipe, oficial da enfermaria, muito prazer. — ele me estende a mão.

— Prazer. Sou Gustavo, oficial de ciências. — aperto a sua mão.

— Pela sua cara de novo deve ser um pequeno prodígio... — ele ri.

— Estamos soltos da doca, senhor. — ouço Lara.

— Iniciar afastação pelo propulsão de calor. — o capitão dá a ordem.

— Creio que logo faremos o salto, vou para o meu posto. — Felipe aperta minha mão novamente.

— Até a próxima. — digo.

O salto é o grande segredo das viagens interestelares. Como o nome diz, nós vamos saltar a nave pela espaço, dobrando-o e indo mais rápido que a velocidade da luz sem sofrer os efeitos da relatividade. Quando a humanidade descobriu o motor de salto no final do século XXI e logo após fizemos o primeiro contato, descobrimos que precisávamos valorizar mais ao planeta Terra e tudo que nele habita. O capitalismo foi rapidamente substituído pelo prosperismo, um sistema mais digno, e hoje somos uma humanidade melhor.

— Sinal verde, senhor! — alguém da ponte alta grita.

— Direcionar fluxo de energia para o salto, Elisa. — ele fala com a mulher sentada na mesa principal da ponte baixa. — E inicie transmissão sonora.

— Sim e sim, senhor. — ela responde — Inicando comunicação em 1, 2, 3 e...

— Tripulação, para o salto abaixaremos a intensidade de energia e o fluxo de energia secundário. Nossa missão atual é chegar ao espaço inexplorado e catalogar tudo o que vermos. Desligo.

— Sistema de suporte a vida? — ele pergunta.

— Tudo certo! — alguém grita da ponte alta.

— Motores?

— Ao máximo, senhor! — outro grito.

— Amortecedores de inércia?

— Ligados, senhor. — Lara lhe responde.

Ele caminha até a piloto Elisa e lhe diz:

— Marcar curso para o espaço inexplorado ao norte.

— Curso marcado, senhor. — ela diz depois de dar uns cliques na mesa.

— Muito bem, ativar salto máximo em 3, 2, 1 e...

Pode-se ouvir um enorme estrondo e toda a nave reduz sua iluminação. Uma luz vermelha piscante no teto toma conta das pontes alta e baixa. Na janela principal da ponte traços negros e brancos colorem o vidro.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.