Noturna - A Maldição dos Criadores
23 Renegados
Notas iniciais
O sangue escorria do seu ombro, misturava-se com o chão de terra batida. Um arqueiro, integrante da Facção dos Renegados, segurava a flecha responsável por ter ferido gravemente seu ombro. A ponta dourada, levemente serrilhada, pingava sangue, e o arqueiro fez questão de lamber um pouco dele com um sorriso insano nos lábios. Aos poucos, surgindo dos inúmeros becos estreitos que haviam ao longo da rua onde estavam, mais pessoas com capas azuis-escuras juntaram-se ao arqueiro. Eles usavam as mesmas roupas: armaduras de couro, botinas e capas com um grande símbolo em vermelho, de duas foices cruzadas, nas costas.
Todos possuíam um ar de insanidade. Os sorrisos, olhos esbugalhados e a forma como adoravam ver o sofrimento eram claras. O arqueiro estava pronto para alcançar sua vítima quando uma mão forte pousou em seu ombro com um aperto firme. Ele parou instantaneamente, mas não deixou de encará-lo.
— Benjamin Faheem! Filho do grande Zahir Faheem! Que ousadia sua voltar e adentrar no nosso território desse jeito. Os anos na Capital Emblemática não lhe fizeram bem. — Disse o homem de cabelos raspados e barba longa. Seu Iskir, idioma principal de toda região próxima a Capital Emblemática Yoskor, era bem forte, mas todos conseguiam entender graças ao tradutor escondido em suas orelhas.
Benjamin parecia prestes a vomitar. Estava pálido, suando e o ferimento em seu ombro parecia piorar a cada segundo. Kassandra poderia apostar que havia veneno nela, mas estranhava o fato do Renegado não estar sob os mesmos efeitos após lamber o sangue contaminado. Ela, assim como as garotas, estava um pouco afastada de Benjamin. Ele estava na frente, liderando o caminho, quando foi surpreendido pela flechada.
— Vamos, Senhor! Deixa eu acabar com ele! Só mais alguns minutos até o sangue parar de circular e…
— Cale a boca, Cahum! — ralhou o homem ao desferir um tapa na face do arqueiro. — A honra da morte é minha. Ficarei feliz em levar a cabeça dele até Zahir e reivindicar aquele lixão que eles chamam de lar. Seremos a facção líder de Riandãã!
Houve uma agitação entre os Renegados. Eles riram excitados, comentando uns com os outros em sussurros animados. Kassandra encarava toda a cena com sua face escondida parcialmente pelos inúmeros panos em seu rosto. Precisava ser rápida ou Benjamin não aguentaria por tanto tempo.
— Estão sendo precipitados quanto a isso. — disse Kassandra num Iskir perfeito. Era como se ela fosse nativa da região.
Todos pararam no mesmo instante, atraídos pela voz dela. O, provável, líder olhou por cima do ombro em sua direção e sorriu. Ele empurrou Cahum para o lado com sua enorme mão e se aproximou dela.
— Perdão pela minha indelicadeza, Senhoritas. — parecia que era a primeira vez que o homem havia notado-as ali. — Sou Hartmut Dahuem, líder dos Renegados e responsável pela parte Sul de Riandãã.
Hartmut Dahuem era um homem grande, forte, corpo completamente tatuado por símbolos/ frases e cicatrizes. Possuía um grande colar lotado por anéis de diferentes formas, mas todos dourados. Eles quase cobriam o cordão ao redor do pescoço, havia poucos espaços para serem preenchidos. Pela cultura, aqueles anéis representavam quantos homens e mulheres Hartmut havia matado das facções inimigas.
— Então o que faz aqui? Pelo que sei o centro é um território neutro, Senhor. — o tempo passava e a pressa de Kassandra só aumentava.
— Ora, ora. Temos uma sabichona aqui. E quem é você para delimitar onde posso ou não atuar? — ele segurou seu queixo com força, fazendo-a encará-lo, então tentou puxar a Hunmia de sua cabeça, mas teve o pulso quebrado antes disso.
Dahuem urrou com a dor segurando o pulso. Seus homens e mulheres estavam prontos para avançar, mas o mesmo ralhou para que permanecessem parados. Os olhos castanhos escuros encararam Kassandra com divertimento.
— Melhor não fazer mais isso ou vou me apaixonar. — o homem, friamente, colocou o pulso no lugar com um único movimento.
Ele tentou, novamente, segurar o rosto de Kassandra, mas ela atingiu sua garganta com um soco o fazendo recuar. Os Renegados ignoraram as ordens do seu líder e avançaram. Eles sorriam, pareciam felizes com a ideia de uma boa briga. Kassandra desamarrou a bolsa improvisada onde carregava a loba, colocando-a com cuidado no chão e se preparou. Estava pronta para enfrentar todos os nove Renegados sozinha quando Amanda, Sarah e Lyanna apareceram ao seu lado.
— Qual o plano? — perguntou a Líder Esportiva de maneira animada.
Kassandra franziu a testa. Estava pronta para pedir para as garotas ficarem em segurança, mas naquele momento entendeu que não adiantaria. Naquele momento ela começou a aceitar o que Meredith quis disse. Então respirou fundo e encarou os Resignados que avançavam.
— Eu cuido dos arqueiros e do líder. — ela olhou de relance para a loba encolhida na bolsa e deitada no chão. Os olhos brancos quase se fechavam, mas o animal lutava bravamente para permanecer acordado. Depois encarou o Benjamin quase desmaiado também. — Precisamos ser rápidas.
Elas assentiram tomando suas posições. Amanda retirou uma soqueira com lâminas da sua bolsa, Lyanna pegou duas facas pequenas escondidas em seus calçados e Sarah as pequenas granadas elétricas sob sua Hunmia. Kassandra olhou a cena, surpreendendo-se ao vê-las armadas quando a ordem do Comandante Said fora o contrário. Inclusive houve uma revista para que ninguém do grupo levasse qualquer equipamento para combate. Mas, agora, ela era a única que estava desarmada.
Os primeiros Renegados alcançaram-nas em poucos segundos. Kass desviou de alguns golpes, deixando as garotas tomarem conta deles para conseguir chegar até os quatro arqueiros e o líder protegido atrás deles. Cahum, o responsável pelo estado de Benjamin, sorriu largo e tirou uma shamshir, uma espada curva e fina, da bainha de couro em sua cintura ao vê-la se aproximar. Os outros três arqueiros armaram seus arcos e miraram em sua direção.
— É melhor se render.
— Tem tanto medo de me enfrentar? Isso não é muito justo.
— Aqui, nesse lugar, justiça não existe.
Ela ergueu o queixo esperando os primeiros movimentos de Cahum, mas uma faca rasgou o ar e cravou no ombro dele. Kass olhou rapidamente para trás e encontrou Lyanna dando de ombros antes de voltar a enfrentar uma Renegada. Sem esperar muito, Kassandra agarrou a faca e fez um profundo corte ao retirá-la.
Cahum rosnou alucinado, parecendo mais do que satisfeito pela dor, então mudou a espada de mão.
— Isso vai ser divertido! Vamos! Façam ela dançar um pouco!
Kassandra não entendeu a frase do Renegado até três flechas serem cravadas perto de seus pés. Os arqueiros estavam preparando mais flechas, molhando suas pontas em um pequeno pote peso na cintura de cada um. Ela sabia que precisava ser rápida, mas não poderia usar suas habilidades de Julgadora.
— Yass! Se estiver me ouvindo: entre em contato com a Facção Criadora e peça ajuda! Benjamin está ferido, entramos numa emboscada e precisamos de ajuda!
Ela torceu para que o Comunicador escondido na Hunmia estivesse funcionando, então avançou em Cahum. O homem riu e abriu os braços quando foi atingido pelo corpo de Kassandra. Os dois caíram no chão de terra seca, pálida, e uma nuvem de terra ergueu-se. Era uma confusão de arranhões, socos e chutes até Cahum conseguir uma distância para se levantar e jogar areia/terra nos olhos de Kassandra.
A ardência era insuportável e todas as vezes que tentava abrir os olhos, parecia piorar. Mesmo assim firmou sua mão ao redor do cabo da faca, concentrando todos seus outros sentidos para localizar o Renegado. Kass ameaçou dar um passo e na mesma hora uma flecha passou raspando seu braço direito, arranhando-o levemente, mas foi o suficiente para sentir o veneno. Aos poucos foi parando de sentir seu braço e, consequentemente, largou a faca contra vontade. Ela tentou limpar a areia dos olhos e ficou em posição de defesa com apenas o braço esquerdo erguido.
Cahum riu descontroladamente, batendo palmas. Ele estava em algum lugar para sua esquerda, mas movia-se sem parar pelo som dos seus passos. Ou seria dos outros Renegados? Kassandra estava perdendo a consciência conforme o veneno espalhava ainda mais por seu corpo. Ela tropeçou nos próprios pés enquanto tentava seguir os, talvez, passos de Cahum. Iria tentar um ataque quando um chute foi deferido em seu estômago. Quase vomitou com o golpe, mas não caiu.
— Achei que iríamos nos divertir mais, porém estragaram nossa brincadeira – Cahum disse num falso lamento antes de jogar Kassandra contra o chão e bater sua cara contra ele. Sangue começou a jorrar do seu nariz. — Eu… eu quero mostrar uma coisa para vocês.
Kassandra estava tonta e assustou-se quando a água gelada foi jogada em sua cara. Aos poucos voltou a enxergar e a primeira coisa que viu foi Lyanna e as meninas ajoelhadas e rendidas por dois Renegados completamente esgotados. Os outros dois estavam mortos com uma poça de sangue ao redor dos seus corpos. Ela sorriu fraco, impressionada ou talvez achando que fosse um delírio seu vendo aquela cena, então sentiu seus cabelos sendo agarrados e puxados para trás com força sob a Hunmia.
— Quero mostrar o Novo Mundo para vocês— sussurrou contra o ouvido de Kassandra.
O frio da lâmina da espada de Cahum atingiu seu pescoço. Ela não entendia como estava naquela situação ou quem eram aqueles humanos. Noturna queimava seu braço, mas não era mais forte do que a ardência do veneno percorrendo suas veias. Pela primeira vez em muito tempo imaginou seu fim. Kassandra desviou o olhar para baixo encontrando os olhos de Lyanna nos seus. Estavam marejados, lágrimas rolavam pelas bochechas brevemente aparentes e sumiam no tecido da Hunmia.
Linda.
Estava pronta pro seu fim, sentindo a lâmina ainda mais forte contra a pele fina do pescoço, quando a espada foi solta, assim como sua cabeça. Apesar de livre, Kassandra só conseguiu ofegar e cair um pouco para frente. Diante de seus olhos viu um portal abrir numa fenda escura e de dentro saiu uma figura esguia muito conhecida por ela.
A mulher não havia mudado um único traço. Seus cabelos loiros acinzentados e lisos caíam sobre seus ombros graciosamente, os olhos laranjas – característicos das irmãs Boduê-Pears – e a pele bronzeada sem qualquer imperfeição chamavam atenção de qualquer um. Usava um colete e calças de couro, capa longa azul escura aveludada e uma bota com salto. Quando seus olhares se cruzaram, um sorriso gracioso apareceu nos lábios da mulher.
Kassandra foi transportada para a cabana no meio da floresta, rodeada pelas Bruxas de Gaddgus, mas dessa vez sem Meredith. Era mais velha, não usava roupas e seu corpo estava coberto por símbolos desenhados em sangue. Sons de saltos contra o piso de concreto ecoaram pelo lugar chamando sua atenção, trazendo-a de volta ao presente e, ao erguer o olhar, sentiu seu sangue gelar.
Seu corpo parecia estar em completo choque, nem mesmo Noturna protestou em seus pensamentos. Elas imaginavam que encontrariam Julgadores ou alguns mercenários em Riandãã, mas uma Boduê-Pears? Nunca.
A imponente mulher parou na frente de Kassandra, tirando as luvas de suas mãos sem pressa. Olhando melhor, podia-se ver resquícios de neves sobre a ponta das botas dela e capa, então Kass lembrou-se dos feitiços de teletransporte usados por Meredith tempos atrás.
— Ora, Cahum. Já disse para parar de ser tão ansioso. — disse com uma voz melosa e girou o dedo duas vezes.
Cahum, o arqueiro, caiu para trás ficando de braços abertos completamente paralisado. Ele riu brevemente.
— Você sabe como sou, Dahrjui.
Ela olhou para ele, um olhar quente, mas balançou a cabeça como se quisesse afastar algo.
— Agora não. Temos algo muito grande acontecendo aqui, C— Então se vira na direção de Kassandra novamente. — Olá, querida. Há quanto tempo! Você está belíssima.
Nada. Nenhuma palavra escapou dos lábios da protetora. As lembranças das atrocidades que sofrera na cabana eram demais para Kassandra. Ela só queria correr para longe naquele momento. Parecendo perceber o seu estado, a mulher se agachou na sua frente e tocou seu queixo com o dedo indicador. Kassandra sentiu uma corrente elétrica percorrer todo seu corpo. Ela não tinha mais controle sobre si e o veneno piorava sua situação cada vez mais. A bruxa roçou os lábios em sua orelha e sussurrou:
— Você não tem ideia do quão excitada fiquei quando disseram que estavam aqui – a mão dela percorreu a tatuagem onde Noturna estava encantada. — Estava com saudades.
— Tire suas mãos dela! Kass! — gritou Amanda.
— Kass? Está escondendo até o seu nome verdadeiro, querida? E servindo os… humanos?
Kassandra encarou a bruxa com esforço.
— Deixem eles em paz! Sua conversa é comigo, Charlote. — sussurrou com a voz trêmula; fraca.
Charlote mordeu os lábios rosados, então movimentou sua mão graciosamente. Kassandra, contra sua vontade, sentou-se no chão com as pernas cruzadas e não conseguiu impedir da bruxa de sentar sobre elas de frente. Seus narizes quase se tocavam.
— Ah, querida. Amo a sua voz, mas seus olhos e cabelos… é um pecado escondê-los assim. — Charlote percorreu as mãos pelo pescoço de Kassandra, subindo por seu rosto e retirando o capuz da Hunmia lentamente. Os cabelos loiros pálidos caíram soltos até um pouco abaixo de seu maxilar. — Você os cortou, mas continua bela. — disse enquanto percorria o maxilar dela com os lábios. — Está… envenenada?
A bruxa olhou para trás e os arqueiros perto de Hartmut pareciam nervosos ou ansiosos. O líder deles, então, se aproximou.
— Desculpe, Senhora. Não… não sabíamos que era ela.
— Vocês são selvagens demais para, sequer, pensarem! — ralhou irritada. — Eu disse para as minhas irmãs que ensinar nossa magia para humanos como eles seria um caos e aqui está a prova. — Charlote suspirou exageradamente antes de segurar o rosto de Kassandra entre suas mãos. — Mas não se preocupe, chère. Vou cuidar de você.
Não houve tempo para pensar. Os lábios de Charlote moldaram-se aos seus e logo suas línguas se encontraram. Kassandra não conseguia afastá-la ou não retribuir aquele contato. Todo seu corpo estava sob controle da bruxa; suas mãos apertavam possessivamente a cintura da mulher sem sua permissão, assim como sua língua dançava em sincronia com a dela sem sua permissão. Ao mesmo tempo que sentia ânsia, sentia prazer. Era o mesmo sentimento de séculos atrás… quando Charlote, no aniversário de 15 anos de Ellisse, a fez ter sua primeira experiência sexual sabendo da preferência dela por garotas.
Num determinado momento Charlote afastou-se minimamente e um filete quase transparente de fumaça roxa saiu da boca de Kassandra para a sua. Quando terminou, ela sentiu-se revigorada e não havia mais a queimação causada pelo veneno. A bruxa tinha curado-a.
— O que você ainda quer de mim? — sussurrou Kassandra com raiva.
— Ah! Tantas coisas, chère, mas no momento ficar viva é o que quero de você – disse sorrindo. — Viva pra ver o Mundo Novo e as consequências que virão por sua culpa. Por ter desaparecido com aquela ratinha-traidora e quase matar Selletus.
Kassandra trincou o maxilar.
— Vou dar um gostinho pra você do que virá – ela beijou os lábios de Kassandra rapidamente e levantou-se. — Cahum, poderia fazer as honras?
O homem, saindo de sua paralisia, riu chegava perto de Kassandra. Ele agarrou seu braço com força, mas não havia como ela resistir. Ainda estava sendo controlada pela bruxa.
— Só um pouco basta. Ela é diferente. — alertou Charlote ao lado do homem.
Ele pegou a faca que estava com Kassandra do chão, então fez um corte superficial eu seu antebraço. Sangue começou a escorrer rapidamente, mas Cahum recolheu quase todo com o dedo indicador e do meio. Ele levou ao nariz inspirando o cheiro, então começou a desenhar símbolos em seu próprio braço. Kassandra não conseguiu identificar o que eram ou o que significavam, mas perdeu total atenção em tentar descobrir quando a pele do braço de Cahum começou a cair. O homem ria insanamente, segurando seu membro com força.
Alguns segundos depois, quando toda a pele havia caído, um braço forte com a estrutura muscular aparente estava formado. Espinhos de ossos saíam dele e sua mão não possuía dedos e, sim, garras negras.
— Ah! Tanto poder eu… se passar por todo o meu corpo… Háháhá! INCRÍVEL!
Charlote abaixou para ficar perto do ouvido de Kassandra e disse:
— Os demônios de Tormenta. Incrível, não? Conseguimos trazê-los para Linearth através desses humanos estúpidos. — dizia conforme Cahum exibia seu braço para os outros Renegados. — Teremos um exército deles… Mataremos qualquer um que tentar nos impedir e, por fim, Linearth será nossa. Os deuses se ajoelharão diante de nós, Selletus terá seu lugar por direito e as Bruxas de Gaddgus terão a filha da ratinha-traidora.
Rachel.
Kassandra, reunindo forças de algum lugar, agarrou Charlote pelo pescoço se levantando num único movimento. A bruxa se segurou em seu braço, abrindo um largo sorriso conforme seu rosto ficava vermelho.
— Encoste, ou simplesmente ameace qualquer um dos meus amigos, e eu vou acabar com todos vocês! Um por um!
Ela não viu quando Charlote ergueu sua, mas a mesma iria encostar em seu rosto quando um virote atravessou-a. Kassandra largou a bruxa e preparou-se para lutar. Uma grande figura surgiu do beco mais a direita.
— A… Aïden?!
O grandalhão assentiu uma vez antes de tirar o enorme martelo com ranhuras azuis preso em suas costas. De trás dele apareceram mais duas figuras: uma mulher baixinha, com os cabelos castanhos trançados segurando uma balestra de flechas com ranhuras vermelhas e um homem esguio, pele pálida e cabelos negros que caiam até os ombros. Ele segurava um cajado de ranhuras laranjas.
— Sabe… vou complementar essa frase: Encoste na Kaptein de novo e eu esmago seus braços, Tispe!
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