Notas iniciais
Hey, guys! Mais um capítulo para vocês >. Então... Bora ler!

Ela estava em pé ao lado da janela e de costas para ele, observando a movimentação dos alunos no pátio central. Kass tentava entender o motivo de ele vir de tão longe apenas para falar com ela. Só fazia uma semana que chegara ao colégio, e tudo corria bem, embora sua sede ainda fosse um problema a ser resolvido.

Kass avistou Lya caminhando no pátio com Amanda e Sarah. Kass pedira que Líder Esportiva cuidasse da princesa enquanto conversava com seu “pai”.

— Acho que Gallydus estava certo, afinal — ele comentou quebrando o silêncio.

— Sobre o que, Capitão? — Kass perguntou sem desviar sua atenção de Lya.

— Sobre você ser diferente. Podia ter ido embora quando se recuperou ou até mesmo iniciar um ataque, mas ofereceu seus serviços ao Rei. Quem é você de verdade, Kassandra?

Ela respirou fundo. Quem era de verdade? Nem mesmo Kass podia dizer naquele momento. Se aquela pergunta houvesse sido feita anos atrás, ela responderia sem rodeios: Julgadora, Filha de Selletus, herdeira do trono e portadora de uma das espadas mais temidas de Linearth.

— Não sei. Talvez a mesma pessoa que antes de me tornar Kassandra de Terhia, mas, ao mesmo tempo, diferente. Mas não veio aqui para falar de mim, não é, pai?

Capitão Brandon revirou os olhos.

Ele vestia calças jeans, uma camisa branca de algodão, uma ombreira de couro habilidosamente confeccionada e carregava a espada embainhada na cintura. Brandon passaria por um cidadão comum se não fosse pela ombreira.

— Não. Amanhã haverá a festa de boas-vindas do Colégio Bhakans, e os monarcas de todas as regiões costumam aparecer por causa de seus filhos. Um deles é o Antony Trewor de Mhorvanna, irmão de Gallydus e tio de Lyanna.

Kass arqueou as sobrancelhas.

— O desgraçado que contratou aqueles mercenários?

— Não temos certeza, mas é provável. — O Capitão retirou um envelope do bolso de sua calça e estendeu-o para Kass. — Príncipe Leon, o filho dele, também virá. Neste envelope você encontrará fotos deles e de seus seguranças.

Kass tomou o envelope e jogou em cima de sua cama. Analisaria cada foto depois, mas, por enquanto, limitou-se a sorrir debochadamente.

— E viajou de longe apenas para isso? Existe conferência holográfica e outros meios fáceis de comunicação — zombou, cutucando o peito do Capitão. — Pode falar: estava com saudades de mim.

Brandon suspirou e agarrou a mão dela. Não havia expressão no rosto dele, apenas a sombra de um sorriso em seus lábios. Com a mão livre, ele deslizou os dedos pela maçã do rosto de Kass e colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha.

— Não devo satisfações a você — sussurrou. — Além disso... — Ele se afastou para olhá-la nos olhos. — Sou seu pai. Aguarde mais das minhas visitas.

Ela revirou os olhos.

— Claro. Papai.

O Capitão bagunçou o cabelo de Kass e se afastou até a escrivaninha.

Havia alguns cadernos espalhados em cima dela e anotações de Lya sobre algumas aulas. Uma foto da princesa com o Rei estava colada na prateleira única acima da tela interativa. Brandon pareceu encará a foto por alguns segundos antes de se virar para Kassandra novamente.

— Procure por Simon no Hospital de Bhakans. Ele sabe sobre você e irá cuidar da sua alimentação — avisou Brandon cruzando os braços.

— E minha dívida com Gall só aumenta — murmurou Kass.

— Simon é um velho amigo meu, e o Rei não conhece realmente a natureza de uma Julgadora. — Brando suspirou pesadamente. — Mesmo sendo de mentira, sou seu pai e vou cuidar de você como tal. Não me importo com quem ou o que você seja. Agora é minha filha, minha responsabilidade.

Apesar de não terem se dado bem quando se viram pela primeira vez, algo entre eles mudara. Selletus nunca fora um pai, apenas um ditador querendo controlar tudo e todos ao seu redor. A declaração do Capitão impactara Kass profundamente, mas ela não deixou transparecer.

Ela respirou fundo olhando para as próprias mãos e sentindo Noturna queimar seu braço.

— Obrigada — disse Kass. — Agora preciso encontrar Lya. Ela está desesperada querendo buscar Yass do conserto.

— Yass?

— O robô. Ela inventou esse nome — explicou dando de ombros.

— Certo. Eu vou na prefeitura entregar alguns documentos e retornarei para Terhia amanhã cedo. — Brandon seguiu para a porta com Kass ao seu lado. — Caso precise de algo é só me ligar. — avisou apontando para o Comunicador ao lado da tela interativa.

Kass assentiu, abriu a porta e seguiu para o lado direito do corredor enquanto Brandon se afastava na direção oposta. Houve uma última troca de olhares, pois nada mais precisava ser dito entre eles. Aquele momento estava perfeito assim.

Os alunos de robótica formaram um círculo ao redor de Lya e Yass, comentando sobre a honra que reconstruir o robô da princesa lhes dera. Não querendo participar, muito menos socializar, Kass limitou-se a um canto qualquer do laboratório. Vez ou outra percebia os olhares direcionados a seu recesso sombrio, mas ignorava-os.

Estava tarde; a lua já reinava no céu sem nuvens salpicado por milhares de estrelas. A maioria dos alunos já voltara para seus dormitórios e agora esperavam pelo anúncio do jantar. Sua ausência nos corredores do colégio deixava a presença Federais, em suas rondas intermináveis, cada vez mais austera. As luzes da cidade à distância coloriam a paisagem. As Capitais Emblemáticas eram bem diferentes de seus reinos, mas ainda se mostravam encantadoras.

Kass preparava-se para chamar Lya quando sentiu uma mão pousar em seu ombro. Uma corrente elétrica atravessou seu corpo diante do simples toque. Ela controlou o impulso de se afastar e olhou por cima do ombro encontrando um par de olhos cinzentos a encarando.

— Então você está aqui, Kassandra — disse a Presidente com um sorriso torto nos lábios.

— Kass — corrigiu antes de acenar com a cabeça na direção da princesa. — Viemos buscar Yass do conserto. Lya não esperou que o levassem até nosso dormitório — explicou tranquilamente e calou-se.

Rachel franziu a testa, mas pareceu segurar uma risada.

— Algum problema?

— Onde estão os Uivantes? Pensei que eles seguiam-na como cachorros.

— Eu os dispensei. Minha mãe acha melhor ficar com eles por perto, com medo de outro atentado, mas consigo me virar sozinha.

— Entendi.

— Kass? — Lya a chamou com um tom de voz diferente. — Presidente, o que faz aqui? — indagou ao se aproximar das duas.

Rachel olhou para os lados. Todos estavam olhando em sua direção.

— Eu iria buscar seu robô para levá-lo pessoalmente ao seu dormitório e dar os parabéns a Kass pela vitória de hoje. Foi realmente impressionante.

Agora os comentários dos outros alunos aumentavam. Kass respirou fundo para não amaldiçoar Rachel na frente de todos. Já se forçava a ignorar as olhadelas, as perguntas e felicitações pela luta, mas agora seria difícil desvencilhar-se. Ela abriu a boca para falar qualquer desculpa e fugir às pressas, mas alguém segurou-a e impediu de seguir adiante.

— Muito gentil de sua parte, mas precisamos ir agora. — Lya virou para os alunos e se curvou levemente. — Obrigada novamente. Vocês fizeram um ótimo trabalho!

E saíram rápidas, com a princesa puxando Kass para fora do laboratório. Elas não se falavam direito desde que se encontraram no pátio e aquela reação era, no mínimo, curiosa. Kass imaginava que Lya estaria brava, pois Brandon não autorizou a participação dela na “reunião” que tiveram.

Yass se esforçava para acompanhá-las. O barulho de suas esteiras de locomoção ecoava pelo corredor. Os raros alunos espalhados aqui e ali se assustavam com a correria repentina, mas logo voltavam a conversar tranquilamente por não ser nada demais. Lya abriu uma porta, onde havia vários lances de escadas, ainda puxando Kass. Elas desceram apressadamente, deixando Yass parado no primeiro degrau por não conseguir descer.

Não havia muita iluminação; apenas fitas estreitas luminosas em cada degraus sinalizavam os declives acentuados. O cheiro forte de mofo e poeira acumulada nos cantos indicava não ser uma rota utilizada.

Depois da primeira curva, Kass foi empurrada contra a parede. A princesa segurava seus ombros enquanto mantinha a cabeça abaixada. Sua respiração estava descompassada pelo rápido esforço, e Kass a estudava com curiosidade. Podia se livrar das mãos de Lya num rápido movimento, mas estava queria saber o motivo de tudo aquilo.

Ela quer você — disse Lya quase num sussurro depois de se recuperar. — Estava lá para pedir que fosse uma deles.

Ela se livrou das mãos de Lya, girando o corpo e invertendo os papéis. Kass a pressionou contra parede com seu corpo, segurou os pulsos dela acima da cabeça, deixando-a completamente sob seu controle.

— Lyanna. Parece que esqueceu o que conversamos — falou perto do ouvido dela. — Não vou pra lugar algum até você me pedir para ir. Rachel poderia estar de joelhos e, ainda sim, não aceitaria.

Embora duas semanas houvessem passado, Kass ainda conseguia ver dois pontos marcando a pele sensível do pescoço da princesa onde suas presas perfuraram. Ela precisou fechar os olhos para se concentrar. Fizera uma promessa pessoal de nunca mais deixar que suas necessidades lhe dominassem, mas era sua droga. A droga feita especialmente para Kass estava pronta para ser consumida.

— Tenho medo… de você sumir. — desabafou Lya fechando os olhos. Parecia afetada com a aproximação repentina.

— Não vou — respondeu prontamente e começou a deslizar o nariz pelo pescoço da princesa lentamente. — Preciso ir ao hospital ou não vou conseguir me controlar. — Kass soltou os pulsos dela rapidamente e se afastou alguns passos.

— Eu não me importo de…

Kass ergueu a mão, impedindo-a de continuar.

— Brandon achou uma solução — explicou calmamente.

— Então não foi bom o suficiente — constatou a princesa num sussurro.

Num piscar de olhos Kass estava encurralando Lya na parede novamente, mas não segurou seus pulsos dessa vez. Tinha um sorriso debochado nos lábios e apenas uma sobrancelha erguida.

— Quase não consegui me controlar daquela vez, parecendo a merda de uma adolescente, e ainda acha mesmo que eu não gostei? — Ela segurou o queixo de Lya com cuidado e aproximou-se mais um pouco. — Você é minha droga, mas não vou machucá-la. — Kass estava se declarando do jeito dela, e isso era algo novo.

Ficaram em silêncio, ambas se observando atentamente. Os olhos de Kass fitavam os lábios da princesa, ansiando em prová-los naquele momento. Sentia o hálito morno de Lya contra seu rosto, o cheiro invadindo seus pulmões e a pele pálida da princesa ficando rubra aos poucos.

Lya inclinou sutilmente a cabeça, se aproximando a ponto de seus lábios roçarem. Parecia desnorteada, fitando os olhos levemente carmesins de Kass.

Iriam se beijar. Estavam prestes acabar com a curta distância quando badaladas as fizeram se afastar. A porta ao lado delas se abriu e Yass apareceu com seus olhos azuis acesos.

— Perdoem a intromissão, mas está na hora do jantar — avisou tranquilamente e se afastou pelo corredor.

— Ótimo. Estava mesmo morrendo de fome — zombou Kass fazendo a princesa rir levemente. — Vamos? — perguntou estendendo a mão.

Lya assentiu e segurou a mão dela com firmeza. Elas saíram das escadas de emergência tranquilamente. O fluxo de alunos começava a intensificar, mas ninguém parecia ter visto as duas saindo das escadas. Depois de alguns passos pelo corredor, elas separaram as mãos, porém não antes de uma longa troca de olhares.

Notas finais
É isso! Espero que tenham gostado e agradeço a todos que acompanham a história haha' Comentem e compartilhem a história, isso ajuda bastante! Até a próxima!