Nothing is a before
2 Um jantar,um casaco emprestado e uma carona.
Notas iniciais
Descemos do carro,e respirei fundo adentrando ao restaurante sendo seguida por Diego.
—Leon—um moreno alto com olhos verdes e um topete se virou e levantou para me conhecer,acredito eu.—Esta aqui é Violetta Castillo,nossa nova oncologista.
—Prazer,León Vargas.—Aquele ser me abraçou com uma mão só e me deu um beijo na bochecha e eu juro que foi quase na minha boca,senti minhas pernas tremulas e meu Deus,aquele ser mexeu muito comigo.
Voltei a minha realidade ao momento e me lembrei que eu sabia falar,e em nenhum momento desviei meu olhar daquelas iris.Tão intrigante.
—Violetta Castillo,o prazer é todo meu.—Nos sentamos,e eu acabei ficando frente a frente de León.
Naquela noite conheci minha equipe formada por Andrés,Diego e Federico.Naquele ambiente receptivo e quente comemos uma deliciosa massa com molho rosè e um vinho tinto para acompanhar,durante o jantar conversamos sobre a ala pediatrica do hospital que continha o especialista em diagnóstico,Diego,o pneumologista Andrés ,o especialista em infecções Federico e a oncologista que era eu.Conversamos sobre mais coisas aleatórias envolvidas ao hospital e León me disse que eu poderia começar a trabalhar amanhã mesmo.
Ao terminar nosso jantar resolvemos pagar a conta.
—Dra.Castillo,eu faço questão de pagar seu jantar,será uma honra para mim.—León disse assim que eu me levantei.
—Dr.Vargas,por favor não faça isso,não posso aceitar.
—Violetta,perdão Doutora,não me faça te demitir antes de você começar a trabalhar.—Gelei com aquela fala ,será que era verdade?—Eu estou brincando,Castillo!Desde que me deixe pagar.
—Só se você começar a me chamar de Violetta,em momentos informais.
—E eu me chamo León.—Após León pagar a sua janta e a minha,saímos do restaurante enquanto Diego,Andrés e Federico falavam com um casal desconhecido para mim.—Os meninos salvaram os gêmeos daquele casal,eles tinham tudo para morrer,mas graças aos três eles sobreviveram.—León,disse com um sorriso torto,e oh céus ele tem covinha.
—Deve ter sido muito emocionante.—Disse colocando meus braços cruzados sobre meu corpo na tentativa falha de me aquecer,naquele momento em que leve gároa gélida caia ,e eu de vestido.Me amaldiçoava eternamente por isso.
—Parece estar com frio.—León retirou seu casaco o estendendo até mim,e aquele cara era..era...a blusa branca colada ao corpo revelava todos seus músculos.—Pegue.
—Não é necessário León,é sério.
—Violetta,você é médica ou uma farsante,sabe que sair de um local quente para um lugar frio pode lhe causar uma hipotermia,e se esta com vergonha,não precisa ter.Só coloque o casaco pelo menos até entrar em um carro.
—Tudo bem.—Aceitei o casaco e de León,e aquilo ficava extremamente grande em mim.Em questão de segundos os meninos sairam de dentro do restaurante e se juntaram a nós.
—Violetta,apesar de grande esse casaco fica muito bom em você.—Federico disse com um sorriso nos lábios.
—Obrigada Federico,muita gentileza de sua parte..—Disse lhe devolvendo o sorriso.—Diego você me dá uma carona para voltar?
—Não será necessário,somos vizinhos.Eu posso te levar.—León disse com as mãos no bolso da calça preta.
—Desde quando é meu vizinho?
—Acredito eu que antes mesmo de você se mudar!
Balancei a cabeça levemente em um sinal negativo com um sorriso nos lábios.
—Quem tá a fim de ir para o aconchego de suas casas,deitar em suas camas e dormirem muito para amanhã cedinho cuidar de umas criancinhas?—Andrés disse de forma divertida.
—É isso ai galera,vamos lá.—Foi a vez de Diego que depois de um aceno com a mão,foi em direção ao seu carro.
—Vamos?—León me perguntou me fazendo lhe seguir até o seu carro.Um belo esportivo vermelho.Cordialmente ele abriu a porta para eu entrar.E eu movi meus lábios em um leve obrigada.—Então Violetta,por que decidiu vir para Madri?—León me perguntou enquanto partia com o carro.
—Por dois motivos na verdade,eu sentia saudades de Madri,já morei aqui quando pequena,e o outro motivo é mais pessoal,desculpe.E você?Quero dizer,não parece ser espanhol.
—É verdade,sou mexicano!Meu pai foi transferido para cá,em uma proposta de emprego,ele era cardiologista,então minha mãe,eu e meu irmão viemos junto,eu tinha seis anos,fui criado aqui praticamente.Acontece que o hospital teve uma grave crise economica ,havia falido.E meu pai resolveu comprar o hospital e reformá-lo completamente,e logo assim que eu me formei me transformei em diretor do hospital,as vezes eu ficava na clinica de plantão,mas agora revisamos ,e logo assim que meu pai faleceu herdei o hospital inteiro.
—Me desculpe León,eu não tive a intenção.
—Não tudo bem,até que é legal,né.
—E enquanto estudava ,você fez intercâmbio?
—Tecnicamente sim.Na minha pós-graduação,fui para a Austrália.—Austrália—Mas acabei tendo problemas com um colega.Então voltei e concluí o estágio por aqui mesmo.
—Austrália...—Pensei em voz alta.
—Você já esteve lá?
—Sempre gostei da ideia de ir para a Austrália,tive oportunidade de fazer intercâmbio lá ano passado,mas de uns 5 anos pra cá,passei a odiar a Austrália.
—Motivos pessoais?
—Obrigada por entender.
Nunca entendi o fato de Alex ter me deixado em Buenos Aires,depois de tantos acontecimentos,eu é quem tinha todos motivos do universo para abandoná-lo,mas não,permaneci forte depois de tudo o que aconteceu.
Quando dei por mim,já haviamos chegado na garagem do prédio,eu e León,descemos no mesmo instante,e depois do bip do alarme só era possível ouvir o bater de meu salto no chão de cimento.Chamei o elevador e ficamos esperando ,mas não muito,adentramos ao pequeno espaço,até subir até o décimo quarto andar,quando ouvi o elevador parar,me virei para León.
—Obrigada por tudo,pela janta,pelo casaco e pela carona!—Lhe devolvi o casaco,com um sorriso sincero.
—Não há de que,Violetta.Eu que agradeço pela companhia,pela conversa e me desculpe qualquer coisa.
—Você não fez nada de errado.Foi um prazer te conhecer,León!—Dei um passo para a frente segurando em seu bíceps e lhe dando um beijo no rosto,senti sua mão em minha cintura,e um beijo em minha bochecha.
—O prazer foi todo meu!
Sai do elevador me delocando até meu apartamento,ao chegar na sala,sentei no sofá e processei todos os acontecimentos da noite.Fui até o banheiro de meu quarto e me enfiei embaixo do chuveiro para uma ducha calmante.
Coloquei um pijama ao sair de lá,e me deitei sobre meu leito com um edredom,e passei a apreciar a cidade.Havia uma janela gigantesca,que dava lugar a uma sacada,mas a vista de toda a cidade,sem nenhum arranha-céu para atrapalhar era incrivel.As luzes da cidade eram lindas.
Adormeci pensando em tudo o que havia passado,estava passando e iria passar,coloquei a mão em meu ventre,e me entreguei completamente a Morfeu.
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