Nothing Left To Say
2 II Leo
Notas iniciais
E lá estava ela a sua frente, a menina cujo Leo não sabia o nome e que provavelmente iria matá-lo a qualquer segundo com uma flecha cravada em seu corpo.
– Poupe-me de seu sarcasmo Valdez, vim fazer o meu trabalho. – “Que seria?” pensou Leo, a garota bufou e como se conseguisse ler seus pensamentos e respondeu a pergunta não feita – Te matar...
– Ah – Deveria ter algo que pudesse fazer... Algo que ele pudesse criar, para que não morresse. – Espere um momentinho...
Leo voltou a se sentar entre as raízes causando duvidas na menina, mas parecia que a curiosidade dela era maior do que a vontade de matá-lo, revirando seu cinto de ferramentas tentava achar algo que lhe servisse no momento. Uma breve memória lhe ocorreu como uma granada de luz, rápida e sem aviso prévio, então de repente ele não estava mais entre as raízes do pinheiro.
O lugar estava escuro, mas ele sabia onde estava perfeitamente, estava entre as mesas de trabalho e o elevador hidráulico do Bunker 9 e então o menino se surpreendeu vendo sua própria imagem sentada à frente da mesa de trabalho com algo em mãos.
– Mas... Como? – Sussurrou o menino, e andando mais a frente em passos leves e vagarosos pode ver nitidamente o que tinha em mãos, era uma esfera de Arquimedes, mas não iguais as que Leo se lembrava de ter feito – Hã... Leo? Se é que consegue me ouvir...
Sua própria imagem congelou os olhos nele e a boca abriu para falar algo, mas a voz que saiu não era a dele era feminina “Leo” falava a voz repetidas vezes, os sons começaram a ficar mais alto, sua cabeça começou a latejar e com as mãos sobre as orelhas tudo voltou ao silencio inicial.
– Leo?! – Ele levou um susto e a menina estava a sua frente com o arco novamente – Você congelou ai olhando para o nada, está tudo bem?
Ele olhou a sua volta, “Estranho”, piscou repetidas vezes como se desconfiasse que ainda estivesse sonhando, ou seja lá o que aquilo fora, em suas mãos a Esfera de Arquimedes que estava em seu “sonho” reluzia com a luz cinza da floresta, semicerrando os olhos sem entender como aquilo era possível voltou completamente à realidade.
– Estranho você perguntar se estou bem, já que seu trabalho é me matar...
– Exato, meu trabalho é te matar. Se você entrar em combustão espontânea ou algo do tipo não receberei minha recompensa.
– Recompensa. De repente você não me parece tão seria como antes, pra receber uma recompensa você ou é uma mercenária e está trabalhando para alguém ou está sendo chantageada, e tem um leve toque de sarcasmo em sua voz- Ele voltou a olhar para a esfera em mãos – Isso tem que servir para algo.
Sussurrou ele e antes que ela dissesse alguma coisa Leo ativou a esfera e a jogou para frente, a esfera se abriu revelando quatro outras menores, tinham cor de ouro e caíram no chão próxima a uma árvore ao lado dos pés da menina.
– Talvez você não seja tão bom quanto dizem por ai, talvez seja apenas uma questão de sorte...
–Sabe de uma coisa? Todo mundo que tenta desequilibrar alguém emocionalmente acaba de algum modo dizendo essa frase... –Mas ele estava torcendo para que a esfera funcionasse “Vai...” ele pensava como se desse autoconfiança a esfera, e então voltou a olhar para a menina – Será que poderia me dizer pelo menos seu nome?
– Isso não importa esse fato não é relevante.
Então as esferas entraram em ação, primeiro elas se abriram simultaneamente empurrando a menina contra a arvore mais próxima, depois uma explosão dourada cegou Leo por alguns segundos e quando voltou a abrir os olhos ela estava presa a arvore com uma corda que parecia ser feita de arame. Ela tentou se soltar forçando o corpo para frente, mas à corda a impediu cortando sua pele que começou a soltar fumaça.
– Pela fumaça saindo do corte eu diria que o arame foi feito com ouro imperial que é mortal tanto para semideuses como para monstros, e como você não tem a aparência de um monstro suponho que seja uma semideusa.
– Você me paga Valdez...
Ele se aproximou da arvore forçando a menina para trás, e pela expressão em seu rosto aquilo a causou dor, o suor escorria em sua testa e a respiração estava acelerada.
– Ta... Okay. Já entendi que você quer me matar, mas antes vamos voltar à perguntinha inicial. Qual é seu nome?
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