Notas iniciais
Ahhh, eu realmente espero que vocês gostem... e como é a minha primeira fic, peço paciência, ok?
Encontro vocês lá em baixo! E não deixem NUNCA de ler as notas finais, por mais insignificantes que elas sejam vai ter sempre algo importante, ta? Bjus. ;)

Depois de nove vidas, eu finalmente achei uma pela qual eu estava destinada a ficar para sempre.

Talvez eu estivesse errada sobre minha relação com Ian, ou talvez fosse só uma questão de tempo até tudo se ajeitar. Isso. Tudo voltaria ao normal. Como nos velhos tempos.

Riu comigo mesma, sem emoção alguma.

Estou sentada e escorada em uma das paredes rochosas perto da plantação enquanto observo o restante dos humanos trabalhando. Eu gostaria de poder ajudá-los, mas eles ainda insistem que meu corpo esta frágil demais e por isso preciso ser poupada de quaisquer trabalhos. O Sol castigava os humanos que ali ficavam batendo suas ferramentas, que tanto eu as temia nos ramos. Maggie passava de tempos em tempos distribuindo garrafas de água para os trabalhadores, e em algumas situações ela me oferecia também.

Minha relação com todos na caverna havia mudado, e muito. Algumas mães ainda temiam a minha presença perto de suas crianças, mas elas pareciam não se preocupar quando suas crias fossem agarrar meus cabelos loiros e puxar as tranças que eu costumava fazer pela manhã. Já com alguns adultos, tudo estava bem. Eu não era ignorada, ainda assim que eu quisesse. Era convidada para diversas atividades dentro da caverna.

Ao longo da plantação posso ver Melanie e Jamie capinando os longos ramos. Ele fala algo para ela, e ela retribui com uma longa e alta risada. Jared esta algumas fileiras longe deles, mas se apressa para chegar mais próximo da Mel. Jared contorna Melanie sem ela perceber, e faz um sinal para Jamie que esta a frente. Eu não compreendo, mas parece que o garoto entende de imediato. Jamie fala algumas coisas sem coerência, mas logo solta uma risada mais alta sobre o grito agudo que Melanie solta quando Jared a puxa para trás, lhe dando um susto e a apertando contra seu peito. Ela se debate e solta gritinhos agudos em protesto às diversas tentativas de roubo de beijo de Jared. Um sorriso tímido cobre meus lábios e modela meus músculos da face.

Eles estão felizes, realmente felizes. Jared age como se nada nunca tivesse acontecido, como se Melanie nunca tivesse o deixado, em outras palavras. E uma pontada de ciúmes me atinge. Não da Melanie, nem do Jared, mas da certeza deles. Ninguém que os visse agora duvidaria do amor que tinham um pelo outro.

Minha cabeça se curva para observá-los melhor. Ainda estão brincando. Remexo-me no chão de terra, tentando achar uma posição confortável o bastante para que meu coração se aquiete do mesmo modo.

- Mel? – Algo, alguém, fala baixinho ao meu lado e eu olho para o vulto rapidamente. Ian está a pé sobre mim, me olhando com um sorriso bobo. Ele ri, balança a cabeça e senta-se ao meu lado. – Incrível como você ainda atende pelo nome dela.

- É o costume, me desculpe. – Digo sem maiores sentimentos e volto a olhar para o casal em meio à plantação. Ian parece percorrer o mesmo rastro que meus olhos percorreram. Jared esta beijando carinhosamente Melanie, logo depois puxando e desfazendo seu coque frouxo.

Pelo canto do olho consigo ver Ian, ele agarra os próprios joelhos e apoia o queixo no vão entre as pernas. Não perco meu foco no casal apaixonado antes de começar um diálogo com Ian. Eles ainda se beijam e trocam carícias. Isso me faz suspirar baixinho, mas tenho certeza de que Ian foi capaz de escutar e uma pontada de culpa me atinge.

- Como eles conseguem fazer isso? – Falo em um tom de voz baixo, e a atenção de Ian se volta pra mim. Seus olhos me percorrem.

- Isso o que? – Ele pergunta calmamente e mesmo assim consigo sentir seus olhos me queimando.

- Agir normalmente, — Digo — como se nada tivesse acontecido. Jared parece agir como se eu nunca tivesse existido, como se Melanie tivesse passado esse ano inteiro juntamente a ele e ao Jamie. Como se eu nunca tivesse pisado aqui.

Por um momento ficamos em silêncio, ambos observando Mel e Jared se trocarem mais carícias. Ian suspira pesadamente e sinto seus olhos me corroerem novamente.

- Eles superaram. – Diz por fim. – Coisa que também deveríamos ter feito há muito tempo. – Ele volta a apoiar o queixo nos joelhos e sua voz sai rouca. – Eles se encaixam e não se preocupam com comparações. É como se o destino deles já estivesse sendo traçado há muito tempo. E você os ajudou a terminar essa linhagem. – Ele suspira pesado e posso sentir sua mão cobrindo uma das minhas que estava cavoucando a terra.

E a culpa me atinge novamente. Ele está inseguro, e eu posso sentir isso nele. Em seu toque. Ele esta com medo de dizer algo que posso me ferir e eu estou com medo de dar um suspiro se quer. O movimento de carinho que sua mão faz sobre a minha tem um efeito imediato, e sinto minha garganta fechar em um tremendo nó.

- E quem vai traçar o nosso? – Pergunto em um tom de voz razoavelmente franco e viro-me para encará-lo.

Pela primeira vez o observo com atenção. Ele funga e vira o rosto, evitando um contato visual. Consigo ser mais rápida e agarro a parte de baixo de seu queixo perfeitamente desenhado e trago sua atenção para mim. Ele esta chorando. Ah, meu Deus, penso, você está me matando, Ian. Sinto meu coração palpitar com mais intensidade e o nó em minha garganta ficar mais apertado, enrolando-se mais. Limpo com o polegar uma lágrima que cai por descuidado e ele me olha com doçura.

- Hein? – parto o gelo entre nós com um machado – Quem irá traçar o nosso destino? – Agarro o seu rosto com as duas mãos.

Ele não hesita em aproximar seu rosto do meu e começar uma sequência eletrizante entre meus lábios e os dele. Fogo é tudo que sinto. Não fogo, mas algo gélido que queima.

Todas as vezes que eu beijava Ian eu sentia uma sensação que inundava todo o meu corpo. Eu gostava de sentir essas coisas, eram tão... Intensas. Eu gostava do modo como seus lábios se moldavam aos meus, de como dançavam em sincronia. Eu não queria beijar mais ninguém, eu não queria que mais ninguém me tocasse. Era como se cada célula de mim fosse feita apenas para Ian, apenas para o toque dele. Eu o desejava. O desejava de uma forma totalmente perigosa.

Meus olhos grudam nos azuis dos seus, e percebo que ele se perde nas longas linhagens em prata dos meus. Posso sentir sua dificuldade de respirar e o beijo novamente.

Não quero me separar dele. Não quero deixá-lo ir. Independentemente para onde ele vá será longe demais. Longe de mim. Muito longe.

- Eu, — ele diz por fim, em um tom de voz amargo e melancólico. Suas mãos são levadas até as laterais de meu rosto, ficamos ambos nos tocando. – farei questão de traçar o seu destino da forma mais perfeita de todas. Não deixarei nenhum ser nesse universo traçar o seu destino, Peregrina. Prometo-te um futuro com frutos maravilhosos ao meu lado. – Ele termina e acaricia meu rosto.

Meus olhos ficam úmidos rapidamente. Sorrio e ele me retribui sem mostrar os dentes.

- Meu humano, Ian. – Digo, e antes mesmo de eu conseguir terminar a frase já posso sentir minha voz falhando. — Prometo-te o meu amor eterno. Juro por tudo o que é mais sagrado em todos os possíveis mundos existentes, que te quero para sempre. Prometo-te as maiores e melhores alegrias já criadas. – Aperto minhas mãos em volta de seu rosto – Eu te amo. – E finalmente pisco mais lentamente e consigo sentir as gotas rolarem pelo meu rosto.

- Acredito que esse tipo de promessa seja muito sagrada. Deve ser difícil de fazê-las. – Ele ri, e trata de limpar as minhas lágrimas que não contenho de cair.

- Na verdade, são mais que sagradas. – Eu aproximo mais nossos rostos e posso sentir seu hálito invadir minhas narinas, me deixando desnorteada. – Elas são guardadas para serem utilizadas em momentos de completa paixão, honra. Eu as guardei esses anos todos, mas finalmente eu achei um motivo pela qual fosse necessário esbanjá-las.

- Me sinto honrado de recebê-las, Peg. De verdade.

- E eu me sinto honrada em poder te dar tudo aquilo que sempre desejei dar a alguém que fosse capaz de me fazer sentir assim, Ian. Pela primeira vez estou apaixonada, de verdade, por alguém. – Digo e ele não hesita em sorrir. – Eu fui pega. Fisgada. E você que foi capaz de fazer isso em mais de mil anos. O único que pela qual eu estou certa de que serei capaz de me sacrificar por. – Ele esta com a boca entreaberta.

- Não tenho dúvidas de que faria isso. Como eu também não tenho mais dúvidas de que é isso que quero, de agora em diante. Quero-te, minha Peregrina. Para sempre. Pelo resto dessa e de outras vidas. – Ele me encara sério, mas logo quebra a barreira de uma conversa séria e sorri abertamente.

Pela primeira vez sinto-me completa. Sinto-me com o coração cheio, pesando até. Não sinto as fisgadas nas costas de um receio. Sinto-me... Feliz. Apaixonada. Cheia de amor para dar.

Ian me aconchega abaixo de seu braço, como uma mamãe passarinho cobrindo os filhotes para que pudesse dormir sem maiores preocupações. Eu me sinto um passarinho. Sinto-me abrigada pela única pessoa que tenho certeza que me ama além das fronteiras da amizade. Alguém pela qual lutaria por mim, tanto quanto eu lutaria por. Sinto-me completamente bem, completamente saciada.

Amar Ian.

É realmente isso que quero. É realmente para isso que fui designada. Essa é a minha vida agora.

Notas finais
Obrigada por lerem >< hahahaha.
Quero muito que vocês deixem um comentário dizendo o que acharam, e o que esperam da fic.
Esse foi um capítulo de super abertura. Nem eu mesma esperava tanto de um capítulo, então esse foi só pra mostrar como andava o casal cabeça dura >< hahahaha. Mas aguardem os próximos capítulos que a coisa vai se desenrolar, e vai ter muito mais ação. Eu espero.. açslçalsças;
Beijão pra vocês, e os aguardo no próximo cap >