Nothing Lasts Forever
6 Capítulo 6
Notas iniciais
Algumas horas depois, uma limousine preta chegava à enorme Torre dos Vingadores. Haviam dezenas de jornalistas, fãs, paparazzos, e manifestantes na entrada principal, e nenhum viu o veículo passando pela entrada subterrânea dos fundos.
Tony logo sumiu de vista, deixando Pepper, Bambi, e Happy sendo recebidos por Maria Hill, que os acompanhou até as instalações dos Vingadores, onde as reformas já haviam começado. Eles deram uma volta pelo lugar, enquanto Potts observou tudo com atenção e horror em seus olhos. Cada marca de bala, cada móvel quebrado, cada buraco enorme nas paredes... Ela estava aterrorizada. Mas disfarçou enquanto conversava com os responsáveis pela obra. E assim seguiu, até que o tour pela destruição terminou; quando foco passou a ser a coletiva de imprensa que aconteceria mais tarde.
...
17:00. O auditório estava lotado. Dezenas de câmeras e microfones apontavam para o palco onde Tony Stark e Natasha Romanoff iriam fazer declarações a respeito dos últimos acontecimentos, principalmente em Sokovia.
Pepper, Happy, Bambi e Maria se acomodaram ao fundo do salão, perto da porta, como sempre. Os outros Vingadores não deram as caras. Melhor assim, já que eles poderiam causar um escândalo.
Houve alvoroço com a chegada de Stark e Romanoff, mas logo o silêncio se manifestou. Todos estavam atentos às palavras da Viúva Negra, que foi a primeira a falar.
Eles explicaram o que era o Ultron, e que os saqueamentos ao redor do mundo foram realizados por seus capangas de metal e os aprimorados, livrando os Vingadores de pelo menos uma acusação.
Eles resumiram tudo o que aconteceu na última semana.
Anunciaram as medidas que seriam tomadas pela Fundação Stark, à fim de ajudar todos que sofreram as consequências da guerra.
Lamentaram as perdas.
Revelaram as identidades dos Maximoff e do Visão.
Passaram um bom tempo tentando explicar o que era o Visão.
E só então, abriram espaço para perguntas:
— Então...só para deixar claro: vocês criaram o Ultron? — uma jornalista perguntou logo de cara.
— Próxima pergunta. — disse Stark, antes que Natasha abrisse a boca.
— Onde estão os aprimorados agora?
— Pietro Maximoff… — Romanoff foi mais rápida dessa vez, e Tony a olhou, se calando. — Pietro Maximoff morreu salvando vidas. E teve uma morte digna do que ele era. Um herói. Ele sempre será lembrado por mim, e meus colegas de trabalho, principalmente por um amigo em especial. — pensou em Clint Barton ao dizer.
— E quanto a outra?
— Wanda Maximoff se juntou a nós, e estará na primeira formação dos Novos Vingadores, juntamente com o Visão e o Tenente Coronel James Rhodes, AKA Máquina de Combate. — Stark respondeu.
— E o Falcão.
— E o Falcão. — ele repetiu o que a parceira disse, claramente sendo o último a saber da novidade. — Próxima pergunta?
Então eles seguiram com o interrogatório por alguns minutos, e Tony avançou todos os pedidos por uma confirmação de que os Vingadores eram os responsáveis pela criação de Ultron.
Até que, no fim da coletiva, a mesma repórter de antes se levantou e perguntou novamente:
— Então vocês confirmam que os Vingadores criaram o Ultron?
E Natasha estava prestes a responder, quando Tony a interrompeu:
— O Ultron é de minha autoria, e apenas minha. Os Vingadores não têm nada a ver com isso. Sem mais perguntas. — então se afastou do palco e foi para os bastidores, onde sumiu de vista.
…
— Sim… Não, o Sr. Stark não… Não! Sim, eu conheço os números! Acha que ele queria que ocorresse todas aquelas mortes? — Pepper falava ao telefone enquanto assistia ao noticiário, que falava da coletiva de imprensa que ocorreu mais cedo, e principalmente, atacava Tony. — Estamos ajudando no possível, mas… Sim, a Fundação Stark está cuidando disso. Haverá um pronunciamento oficial em dois dias. Se os Vingadores estarão lá? — ela viu algo se mexer na parede e se perguntou se aquilo era um delírio, lembrando que não comia há horas. — Não. Apenas o Sr. Stark. Tenha uma boa noite. — disse e desligou, saindo do quarto em seguida.
A cozinha estava completamente vazia. A mulher então pôde preparar (ou requentar) sua refeição em completa paz. Pelo menos até que novamente viu algo se movendo na parede, e teve certeza que não estava delirando.
— Me diz que você viu isso. — pediu olhando para Happy.
— Eu vi. — ele respondeu, parando de atacar o jarro de biscoitos e se preparando para proteger a chefe.
— Com licença... Você poderia aparecer, por favor? — ela pediu, e então lentamente, um sujeito vermelho atravessou a geladeira e se pôs próximo à ela, a encarando com olhar profundo. — Eu sou Pepper. — ergueu a mão, com um simpático sorriso nos lábios. — Você deve ser o Visão.
Então o sujeito a encarou por mais alguns segundos, como se estivesse a lendo por completo. Até que finalmente disse:
— É um prazer enfim conhecer a namorada do Sr. Stark. — e em seguida beijou sua mão, em sinal de cortesia.
— E esse é Happy...
— Hogan. Chefe de segurança das Indústrias Stark e amigo pessoal do Sr. Stark. Prazer em conhecê-lo. — Visão ergueu a mão, mas Happy não a apertou.
— E aí? — foi tudo o que ele disse.
— A sua voz… — Pepper ainda olhava admirada para o sujeito vermelho. — Me lembra o…
— J.A.R.V.I.S. — ele completou o pensamento da mulher, que concordou. — Mas devo avisar que não sou J.A.R.V.I.S.
— Sim, eu conheço sua história. E então, Visão... Você come? — ela perguntou e deu uma olhada no forno, não confiando no cronômetro de Sexta-Feira.
— Negativo. Na verdade eu vim aqui pois a Srta. Maximoff se sentiu atraída pelo aroma e enfim cedeu aos meus pedidos de que coma algo.
— Senti cheiro de algo diferente de carvão vindo da cozinha. Quem comprou comida? — Barton perguntou ao chegar ao cômodo. Então ao ver a mulher, a abraçou. — E aí, Pepper?
— Como vai, Clint?
— Já estive melhor. — ele foi sincero, e então olhou para o Visão, desfazendo o abraço. — Alguma novidade?
— Ela ainda não saiu do dormitório, mas finalmente aceitou comer, após sentir o aroma do que a Srta. Potts está preparando.
— Oh, eu só estou requentando. O entregador demorou muito para chegar, a comida esfriou.
— Se tivesse pedido pizza, como eu sugeri, teria saído de graça. — Happy comentou, antes de voltar a comer biscoitos.
— Se ela tivesse pedido pizza, os caras chegavam de jato, mas entregavam na hora. — Clint retrucou, antes de voltar a focar na mulher à sua frente. — Tem problema se eu levar um prato à Wanda?
— Claro que não...tem para para todos, caso Thor não esteja com muita fome.
— Já viu aquele cara sem fome?
— Nunca...? — Pepper respondeu, refletindo. Então Barton olhou ao seu redor.
— Cadê o Tony? Vocês estão sempre juntos quando você está aqui.
— Ele saiu depois da conferência de imprensa e até agora não voltou. Não tenho ideia de onde esteja. — ela respondeu, extremamente preocupada. — Estou tentando encontrá-lo, mas ele não atende o celular; e Sexta-Feira também não está ajudando muito...
— É, o Tony tem que consertar logo essa coisa… — o Gavião coçou a testa. — Você quer que eu...
— Helen Cho saiu do hospital! — Maria informou ao surgir do nada na cozinha.
— Que ótimo! Iremos visitá-la. Quero o jato pronto amanhã de manhã. Mas se os Vingadores forem, precisaremos de um veículo maior. Um avião ou quinjet, o que for melhor. — Pepper deu as ordens, então Hill acenou com a cabeça e voltou a falar ao telefone, caminhando para fora da cozinha. — Você vai? — ela perguntou a Clint.
— É o mínimo que posso fazer, depois de tudo o que ela fez por nós.
— Eu posso ir? — perguntou o Visão, parando de analisar as embalagens do restaurante organizadamente deixadas na pia. — Embora estivesse sob domínio de Ultron, a Dra. Cho é a razão da minha existência.
— Consegue controlar seus poderes?
— Tenho certeza que sim.
— Então não vejo problema. Mas talvez você deva vestir algo normal. — Barton comentou, evitando olhar para a sintética roupa colante verde do humanoide.
— Então vamos ter um banquete? O que temos hoje? Eu estou com tanta fome que poderia comer três carneiros inteiros! — Thor disse ao chegar ao local e largar o Mjolnir no balcão. E então em segundos a cozinha estava cheia e barulhenta.
...
Pepper bateu três vezes na porta, e quando recebeu autorização, entrou no quarto de Wanda Maximoff.
A mulher estava sentada na cama e movimentando os dedos, resolvendo um cubo mágico no ar; mas parou quando viu quem havia entrado no quarto. O cubo caiu nas mãos do Visão, que estava sentado à sua frente.
— Boa noite…
— Boa noite. — a aprimorada respondeu com seu sotaque forte em tom triste.
— Eu ia trazer sua refeição, mas a Srta. Potts se voluntariou. — informou o Visão.
— Com licença… — a ruiva pôs a bandeja na mesa de cabeceira. — Posso me sentar?
— É claro. — Wanda se encolheu, mesmo havendo bastante espaço para os três na cama. — Então você é Pepper Potts?
— Eu mesma. E você é Wanda Maximoff.
— Até onde sei, sim.
— Wanda. É o mesmo nome da…
— Da sua mãe. — ela completou, e Pepper se surpreendeu.
— Você lê mentes. — confirmou, tomando muito cuidado com os pensamentos a partir de então.
— Você é parecida com ela.
— Obrigada. — Potts sorriu. — Então… Wanda… Eu soube que você não tem comido. Pois saiba que não vou sair daqui até que você se alimente pelo menos um pouco. — disse calma, mas autoritária.
— Não me culpe, eu não sinto…
— Não sente fome, pois está deprimida. Eu entendo como é. Já perdi alguém da família, também de forma inesperada e heróica. — Pepper pensou nas notícias sobre o acidente de carro ao dizer.
— Sinto muito pelo seu pai. — disse Wanda, lendo os pensamentos dela.
— Sinto muito pelo seu irmão. Não cheguei a conhecê-lo, mas tenho certeza que ele não gostaria de vê-la doente. Então tente comer um pouco, por favor. — Pepper gesticulou para o prato na bandeja.
— O cheiro está realmente muito bom... — Maximoff comentou ao pôr a bandeja no colo. Então começou a comer devagar, sendo observada pelo amigo e a outra mulher.
— Darei um pouco de privacidade às duas. — Visão informou após um tempo. Então sem se levantar, simplesmente atravessou a cama e o carpete, indo em direção ao andar abaixo.
— Quantos anos você tinha quando…
— Quando meu pai morreu? 16.
— E quanto tempo você demorou até superar?
— Até hoje não superei. As vezes eu vejo ou penso em algo que me lembre dele, e então começo a chorar… — a voz de Pepper falhou, então ela esperou até se recompor, para enfim continuar discursando. — Há certas coisas que não se superam. Só se deve aprender a conviver com. Hoje eu trabalho, viajo, canto, danço, dou risada, como… Faço tudo normalmente. Mas a dor está sempre aqui. E acho que nunca vai passar.
— Como você faz isso?
— O tempo não para de correr enquanto estamos na cama. — ela explicou — Eu tinha a escola, depois a faculdade, e então o trabalho. Hoje eu tenho amigos, uma enorme empresa para gerir, contas para pagar, Tony e seus super amigos me dando muito trabalho diariamente…
— Então você realmente está com o Stark? — Wanda perguntou, e um rápido vestígio de riso passou por seu rosto.
— Sim… — Potts admitiu com um pequeno sorriso, ainda preocupada com o sumiço do homem.
— Eu nunca pensei que o Stark fosse esse tipo de pessoa.
— Por trás do que todos conhecem há um homem de bom coração, que se preocupa de verdade com os outros. Às vezes tanto, que acaba cometendo alguns erros… — Pepper trocou olhares com a mulher a sua frente ao dizer.
E as duas seguiram a conversa por um bom tempo.
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