Notas iniciais
Mais um capítulo cheio das referências (Tem tanta referência nessa fic que se o Capitão América lesse, ficaria até sem ar hahahaha). Tem uma aqui que eu fiz questão de botar, mesmo nunca tendo visto o filme...Vamos ver se vocês pegam. Boa leitura!

Pepper escolheu o Uruguai para passar as férias. Era quase metade de outubro, início da primavera no hemisfério sul. O clima já estava razoavelmente quente no país, e havia poucos turistas nos lugares por onde ela passou, já que o período de férias havia acabado. Então ela pôde ir à praia, passear de bicicleta, de barco, fazer trilha na mata, compras, e conhecer a culinária e cultura local tranquilamente.

Ou conseguiria, se não pensasse em Tony o tempo todo.

A mulher tentava esconder, mas morria de saudades dele. Sentia falta de estar com ele sem ser profissionalmente. Eles chegaram a ter um rápido momento na torre, dias atrás; mas nada comparado ao que já tiveram. Ela sentia falta de seu toque, seu olhar, do jeito que ele a chamava carinhosamente, de suas piadas, de seu sorriso, dos abraços, dos beijos...de tudo.

Não houve um momento naquela viagem, ou desde que eles deram um tempo, em que Pepper deixou de pensar em Tony. Ela estava sempre se perguntando se ele estava bem, se estava seguro, se estava se alimentando, indo ao terapeuta, tomando seus medicamentos...

Mas não entrava em contato. Afinal, eles estavam dando um tempo.

Até que, em um fim de tarde, enquanto caminhava pelo calçadão ponto da gastronomia da vila em que se hospedava, passou em frente a um bar e viu um amontoado de gente reunida em volta das televisões do estabelecimento. Todos falavam ao mesmo tempo, mas as palavras "El Hombre de Hierro" chegaram bem nítidas aos seus ouvidos. Então ela se enfiou no meio das pessoas, para saber do que se tratava.

A jornalista falava, em espanhol, sobre um incidente que havia acontecido mais cedo, em uma balsa que ia de Staten Island à Manhattan:

Testemunhas revelaram ter visto um sujeito em um traje que lembrava um abutre atirando no "Homem Aranha do YouTube". Agentes do FBI (que estavam na embarcação, seguindo uma denúncia de que haveria uma operação de contrabando de armas de material exótico a bordo) confirmaram a história, e acrescentaram que o "herói" conseguiu tomar a arma do Abutre para si, mas não soube contê-la, causando assim o desastre.

Vídeos das câmeras de segurança da balsa confirmaram as histórias, e a imprensa teve acesso ao trecho em que o Homem Aranha puxa a arma de material exótico das mãos do contrabandista e a mesma começa a disparar descontroladamente em todas as direções. O herói tenta contê-la, envolvendo-a com uma grande quantidade de teia que saiu de seus pulsos; então o Abutre foge pelos ares, e segundos depois, a arma sofre uma sobrecarga e lança lasers ainda mais potentes, ultrapassando as camadas de teia que a envolviam e atingindo toda a balsa, partindo o veículo ao meio.

Vídeo de cinegrafistas amadores revelaram que o mais novo herói tentou conter a situação, usando suas teias para segurar a balsa em pé. Mas elas não aguentaram muito tempo e o veículo voltou a ceder. Até que houve o momento em que as metades começaram a ser reerguidas, se aproximando da outra aos poucos. Então os civis entenderam que aquilo estava acontecendo graças ao Homem de Ferro, que juntou as metades da balsa e as soldou, resolvendo o problema em questão de segundos.

— Sexta-Feira, eu preciso que ligue para o Tony. — Pepper pediu, ainda encarando a tv, e pessoas próximas a olharam torto, achando que estivesse falando sozinha. Então seus seguranças abriram caminho e a guiaram para fora do bar, de volta ao calçadão.

— Ok, pode gritar. Eu mereço. — ele disse ao atender.

— O que foi aquilo!? — ela tentou se controlar, já que estava no meio da rua.

— Uma merda, eu sei.

— Como estão os civis?

— Assustados. Alguns levemente feridos. Mas ninguém morreu.

— E o garoto?

— Arrasado.

— Tony, aquele homem do traje voador é muito perigoso... — ela disse, e então sorriu para um senhor que passava entregando rosas vermelhas às mulheres.

— Sim. O FBI já estava procurando por ele, mas acho que vou ter que intervir. E quanto ao garoto, não se preocupe. Eu peguei o traje de volta.

— O que? — Pepper parou de caminhar e pôs o indicador no ponto em seu ouvido, não acreditando no que havia acabado de ouvir.

— Você estava certa. Todos estavam. Ele é só uma criança, ainda não está pronto. — Tony admitiu. E não era preciso estar diante dele para saber que ele estava arrasado.

— Sinto muito.

— Foi o certo a se fazer. É como no baseball: 3 strikes e você tá fora. Eu pedi que ele ficasse longe de problema, mas ele é tão...teimoso! — Tony reclamou com raiva, sabendo que estava agindo como seu pai de novo. — Então peguei o traje antes que algo pior acontecesse.

— 3 strikes? — Pepper estranhou, e um de seus seguranças a estimulou a voltar a andar, direcionando-a à uma mesa livre no exterior de um restaurante próximo a eles.

— É. O primeiro foi quando tentou impedir um assalto a banco e destruiu até o mercadinho no outro lado da rua. Depois decidiu ir atrás dos contrabandistas e eu tive que tirá-lo de um lago. Sorte a dele que tinha Wi-Fi onde eu estava... Ou sorte a minha, já que eu tomaria a culpa, caso ele morresse. — Pepper se sentou e usou seu celular para pesquisar sobre os casos enquanto Tony falava.

— Cadê o Happy? Ele não deveria estar tomando conta do garoto? — ela perguntou, lendo informações sigilosas e não sigilosas sobre os últimos incidentes. Então uma garçonete surgiu com o cardápio e ela agradeceu em espanhol.

— E está.

— Não é o que parece. Vou ligar para ele.

— Ele está! Só está atolado com a mudança! — Tony defendeu o amigo. — O garoto vai ficar bem. Não vai enfrentar o Birdman com aquela porcaria de traje feito em casa que ele tem. Happy vai mantê-lo nos eixos.

— Ok... — ela cedeu, lendo o cardápio.

— Esqueça isso, aproveite suas férias. — ele disse. Então os dois ficaram quietos; desejando que estivessem juntos, e sabendo que o outro desejava o mesmo. Então Tony desligou.

Pepper continuou pesquisando sobre o Homem Aranha; encontrando não só os casos mencionados por Tony, mas também um que havia ocorrido em Washington D.C., no fim de semana. Ela assistiu os vídeos da capital surpresa. O garoto havia feito um bom trabalho naquele dia.

Então lembrou do pedido que Tony havia acabado de lhe fazer: que esquecesse aquilo e aproveitasse as férias.

Havia gente para resolver toda aquela situação, e Happy era o encarregado de tomar conta do garoto. Ela deveria deixar que fizessem seus trabalhos e relaxar; afinal, foi para isso que havia tirado férias.

Pensando nisso, fechou as abas de pesquisa e chamou pela garçonete, planejando uma noite cheia de diversão, álcool e boa comida.

E tudo seguiu muito bem…

Até que chegou o dia da mudança.

Faltando poucos minutos para o avião de cargas deixar a Torre dos Vingadores, Pepper ligou para Happy, que a garantiu que estava tudo sob controle e que só faltava embarcar a Hulkbuster, o protótipo do novo escudo do Capitão América e o “cinto mágico" do Thor. Então ela desligou, prometendo ligar novamente no horário esperado para a chegada da carga no complexo.

A mulher não poderia estar mais tranquila sobre a mudança. Confiava no trabalho de Happy, e sabia que a carga seria levada em um avião da mais alta tecnologia Stark, com direito a painéis retro refletores, câmeras camufladas nos pontos cegos, rastreador, trancas e piloto automático impossíveis de serem hackeados, e turbinas quase silenciosas, que fariam com que as pessoas em terra jamais sequer desconfiassem que, acima delas, voava um enorme avião, cheio dos "brinquedos" dos Vingadores.

No horário do voo, Pepper se encontrava na praia de Pocitos, em Montevidéu, usando o celular para filmar um quarteto tocando músicas locais na orla da praia. Pessoas cantavam junto e dançavam animadamente, a mulher estava adorando estar com aquele povo caloroso. Mas a diversão acabou para ela, no segundo em que a câmera se fechou e a foto de Maria Hill apareceu na tela de seu celular, que começou a vibrar em sua mão.

— Maria.

— Temos uma situação aqui.

Notas finais
3