Notas iniciais
Boa leitura!

Era tarde da noite quando as primeiras informações começaram a chegar.

Pepper trabalhava no escritório da mansão Stark tranquilamente. Os únicos sons no local vinham do teclado e do mouse, uma vez que ela estava só. Então quando a televisão inesperadamente ligou no canal de notícias, a mulher se assustou.

E ficou ainda mais assustada com o que viu em seguida:

Estamos ao vivo, direto de Sokovia, bem próximos do local onde, neste exato momento, os Vingadores travam uma batalha! — a jornalista local apontou para a grande montanha coberta de árvores e neve atrás de si. — Não sabemos contra quem eles estão guerreando, ou qual seria o motivo, e não temos permissão para chegarmos mais perto do local, mas vou pedir para o nosso câmera dar zoom, para tentarmos capturar alguma coisa… — então foi possível enxergar algumas árvores sacudindo, algo voando no céu (Tony) e de vez em quando um vulto dando saltos absurdos (Hulk).

Até que do nada houve uma grande explosão onde os heróis estavam, e fogo e fumaça subiram no céu.

— Abaixa, abaixa! — a jornalista gritou em meio ao caos. Pessoas corriam em todas as direções, temendo por suas vidas. Sons de tiros pareciam cada vez mais próximos. — Estamos sendo atacados! Esta…”

Então o sinal caiu.

Depois de assistir aquilo, Pepper não conseguiu pregar o olho. Então passou a noite em claro, buscando informações sobre os recentes acontecimentos em Sokovia. E na manhã seguinte, só se falava disso nas ruas e nos meios de comunicação.

Em todo canto havia vídeos das pessoas sendo atacadas e da Legião de Ferro contendo a situação. Mas também havia notícias das várias manifestações violentas contra os Vingadores, nas quais nem mesmo o exército de metal de Tony saiu ileso. Os robôs foram atacados com paus, pedras, e tudo o que as pessoas encontravam pela frente.

Diante de toda aquela situação, a mulher só conseguiu entrar em contato com Tony à noite; para seu desespero total, mas alívio no final:

— ...Então eu recuperei o cetro e voltamos para casa. — ele ocultou a parte em que foi atacado pela “bruxinha” que o fez sofrer uma alucinação, explorando um de seus maiores medos. — É um lugar agradável, Sokovia. Poderíamos ir lá qualquer dia.

— Até porque as pessoas de lá não te odeiam nem um pouco…

— Detalhes… — Tony deu de ombros. — O que está fazendo?

— Trabalhando. E torcendo para que consiga ter uma boa noite de sono. Para variar, eu não durmo direito desde que você saiu em missão... — ela suspirou. — Todos estão bem?

— Sim. Estamos inteiros. O Barton foi atingido, mas a Dra. Cho já resolveu o problema.

— E quando você volta para casa?

— Logo.

— Logo antes ou depois da festa de sábado? — Pepper perguntou e ele ergueu as sobrancelhas. — Eu controlo cada cent que você gasta, Sr. Stark. Já devia saber que não pode esconder nada de mim.

— Eu sei disso. — Tony riu. — Vai ser uma festa de despedida para a Cachinhos Dourados. Você devia vir.

— Obrigada, mas eu passo. — respondeu educadamente, sem sequer tentar esconder sua clara falta de vontade de ouvi-lo tendo mais uma discussão com o deus do trovão sobre quem tinha a namorada mais bem sucedida. — Mande minhas despedidas ao Thor.

— Ok, então... — ele coçou a nuca, exausto.

— Vou tentar dormir um pouco. Você devia fazer o mesmo.

— Pode deixar — ele sorriu, mas ela sabia que estava mentindo. Mesmo assim, não discutiu.

— Boa noite, Tony.

— Boa noite. Sonhe comigo! — o homem disse brincalhão. E Pepper estava encerrando a chamada de vídeo, quando ouviu a voz de Bruce Banner ao fundo:

Acho que descobri onde estamos errando!

Os dias seguintes se arrastaram, mas o fim de semana enfim chegara.

Na madrugada de domingo, Pepper acordou com um susto. Mas não conseguiu se lembrar se estava tendo um pesadelo.

— J.A.R.V.I.S., que horas são? — perguntou, mas não obteve resposta. — J.A.R.V.I.S.? J.A.R.V.I.S.?

Silêncio.

Tony deveria estar fazendo uma atualização no meio da madrugada. Não seria a primeira vez.

Ela acendeu o abajur e conferiu o relógio de pulso que esqueceu de tirar antes de dormir. Eram 2:42 da manhã. E ela não estava com sono algum.

Então se levantou e foi até a cozinha, onde preparou uma xícara de chá de camomila bem quente. E já estava a terminando, quando ouviu um barulho estranho vindo da sala. E sabia muito bem que não poderia ser Tony.

Tentou chamar os seguranças. Tentou chamar o Homem de Ferro. Tentou chamar qualquer um que fosse confiável, já que a Hydra estava infiltrada em tudo. Tentou pedir socorro por qualquer meio de comunicação. Mas o telefone da cozinha estava mudo, e nem mesmo as funções de emergência de J.A.R.V.I.S. funcionavam. Ela estava sozinha.

Mas não indefesa.

Pensando nisso, olhou para o pulso e agradeceu mentalmente por não ter retirado o relógio. Este que, no segundo em que foi acionado, se transformou numa luva de metal com propulsor de luz e som não letais.

Então com uma mão erguida, preparada para atirar no que aparecesse, e outra segurando uma frigideira assumindo a posição de escudo, ela saiu pela porta da cozinha e andou sorrateiramente pelo jardim, planejando chegar na garagem, onde pegaria um carro e fugiria.

Só que ela não foi a única a pensar assim:

— Srta. Potts? — uma voz masculina a chamou. — Sabemos que está aí! Você pode sair de trás dos arbustos, nós somos os mocinhos!

— Quem são vocês? — ela perguntou, sem sair do lugar. Só conseguia pensar em como sair de lá viva.

— Agentes Brown e Dalton, da S.H.I.E.L.D.

— Como vou saber se não são da Hydra?

— Acha mesmo que se fossemos da Hydra, você estaria viva? Se conseguíssemos passar pelo portão, é claro. A segurança daqui é boa. Nem parece que o tal “mordomo” está fora do ar.

— Aprendemos muita coisa depois que nossa casa foi destruída, mas parece que não foi o suficiente! Como entraram aqui?

— Acompanhados de um amigo!

— Que amigo? — ela perguntou, e se levantou ao ouvir uma voz conhecida:

— Ela não está lá em cima! Deve ter fugido pelos… Pepper! Já conheceu os amigos da Hill? Simpáticos, não? — disse Rhodes, se juntando a eles. — Você pode abaixar a arma, vai ficar tudo bem. — ele pediu, mas a mulher permaneceu com a mão erguida, pronta para atirar. Então o olhou nos olhos, verificando se ele estava falando a verdade. E por fim baixou o braço bem devagar, relaxando a postura.

— Desculpe por isso. Com tudo isso acontecendo, e agora o J.A.R.V.I.S. saindo do ar, eu...

— Tudo bem, você agiu certo. Viu que algo estava estranho e fugiu. Agora você já pode deixar com os especialistas, eles vão te ajudar. — ele avisou e recebeu um abraço. — Vai ficar tudo bem... — disse acariciando as costas dela.

— O que aconteceu? — ela perguntou, se afastando o suficiente para que pudesse ver o rosto do amigo.

— Tony e Banner fizeram merda e você vai ter que sair da cidade por um tempo. — ele tentou aquecer o braço dela. — Você está gelada. Vista algo quente e vamos embora, eu te explico melhor no caminho.

Notas finais
Como fui? Espero estar conseguindo compensar todos esses anos de ausência. obs: Eu fiz uma playlist no spotify que me ajudou muito a escrever essa fic, e ela até que está bem bacana. Se vocês quiserem, eu posso deixar o link no meu perfil, não sei...