Notas iniciais
Volteeei :)

O comentário de Pepper se fixou na cabeça de Tony, que não conseguiu dormir. Afinal, seria possível alterar memórias? Isso, é claro, não mudaria o fato que as lembranças originais aconteceram. Mas poderia ajudar, e muito, no tratamento e recuperação das pessoas que sofreram algum trauma. Seria um furo histórico na história da psicologia e neurociência.

Não seria fácil. Nem barato. Mas quem disse que isso seria um problema?

Então ele fez cálculos, elaborou algoritmos, passou a noite em claro, com a mente a mil. Quando Pepper acordou, a cama estava cheia de livros e cadernos abertos, papeis com anotações e outros amassados, xícaras vazias e embalagens de comida. Um holograma em tamanho real de um cérebro girava lentamente em frente a Tony, que digitava freneticamente em um starkpad e fazia pontos e traços de diferentes cores no holograma.

— Bom dia. Donut? — ele a ofereceu a caixa sem olhá-la.

— Não, obrigada. — ela fez careta, observando a bagunça. — Por que está fazendo isso aqui?

— Eu estava no laboratório, mas a equipe de limpeza chegou e estava me desconcentrando com todo aquele barulho. Tem gente por todo o complexo falando, treinando ou limpando; e os únicos locais sem alguém pra incomodar são os dormitórios, mas esse é o único em que o Visão não vai entrar, eu espero. Então aqui estou. — Tony a olhou e sorriu, antes de voltar a atenção para o trabalho.

— Desde quando se interessa tanto assim por neurociência? — Pepper perguntou enquanto examinava as capas dos livros espalhados pela cama.

— Desde quando estava criando a Mark 42; mas depois de seu comentário ontem à noite, meu interesse aumentou consideravelmente.

— Então você me levou a sério.

— É claro que sim! Pep, imagine se pudéssemos interceptar o hipocampo e acabar com lembranças traumáticas. Poderíamos auxiliar no tratamento de qualquer um que viveu alguma experiência traumática!

— E como você pretende fazer isso?

— Isso eu te respondo mais tarde. Posso pegar o Happy emprestado?

— Sim, mas aonde vocês vão?

— Na casa de férias do Larry, nos Hamptons. A Oracle pode me dar uma ajudinha com esse projeto.

— Tenha cuidado com o que está se metendo, por favor. — ela pediu, se levantando e vestindo seu robe.

— Pode deixar.

— E limpe essa bagunça.

— Sim senhora.

...

A Oracle Corporation era uma empresa de sucesso, e subsidiária das Indústrias Stark, especializada no desenvolvimento e comercialização de hardware de computador e sistemas de software. O CEO era Larry Ellison, e ele foi a primeira pessoa a ouvir Tony falar de seu novo projeto, aproveitando para pedir a opinião sobre um software um pouco diferente que estava desenvolvendo.

Mesmo agitado com esse novo projeto, Tony realmente tentou se ajeitar com Pepper. Por toda a semana, após a mais recente discussão que tiveram, ele esteve ao lado dela. A acompanhou em um tour para apresentar o complexo a Nick Fury e o Secretário de Estado, General Thaddeus Ross; em uma palestra que ela deu em uma faculdade em Ohio; em uma consulta médica de rotina, e até mesmo no aniversário de sua mãe (deste ele saiu mais cedo, para que pudesse voar para Nova York e se despedir de Thor, que voltaria à Asgard na manhã seguinte).

Mas o próprio Tony também cancelou os planos da fazenda, já que estava concentrado demais no novo projeto para conseguir curtir a vida no campo. Então o casal fez apenas algumas viagens profissionais (e uma breve parada em Vegas, para celebrar o aniversário de Tony), e de vez em quando, apareceram juntos em eventos para os quais ambos foram convidados. Foram vários bailes, jantares, eventos de caridade, reuniões, desfiles, palestras, apresentações, exposições, circuitos de fórmula 1, feiras de tecnologia, leilões...

E no fim, após uma breve parada em Washington D.C, para resolverem assuntos sobre a Fundação Setembro, o casal (e Happy) foi para Nova York, para comemorar o dia da Independência/aniversário do Capitão América em uma festa na Torre dos Vingadores.

Eles chegaram no aeroporto JFK no meio da manhã, e lá mesmo, Tony pegou um helicóptero, indo sozinho para o norte do estado.

Ele chegou no complexo pouco tempo depois, e estava caminhando até a porta de entrada de um dos prédios; quando então ouviu uma voz desconhecida:

— Pode parando, ô do sapato caro! — um sujeito usando um traje vermelho e cinza gritou, antes de pular de um andar acima, caindo em frente ao visitante. — Quem é você e o que quer?

— Sou o dono deste lugar e estou entrando. — Tony respondeu sem olhá-lo, e a enorme porta se abriu com a sua aproximação, provando a verdade. Então ele entrou no local, sendo seguido pelo estranho.

— Desculpe por isso, Sr. Stark. Temos que ser rigorosos quanto à segurança.

— É, ok… E você, quem é?

— Sam Wilson. Eu estava na festa que o senhor deu na Torre.

— Eu dou muitas festas.

— O Capitão me ofereceu um convite para me juntar aos Vingadores.

— Ah, sim. Águia, certo?

— Falcão, senhor.

— Que seja. Por que está me seguindo, Piu-Piu?

— Precisa de ajuda para alguma coisa?

— Eu conheço cada pedaço desse lugar, acho que consigo encontrar meu caminho sozinho.

— Conhece, é? Então sabe se há alguma passagem secreta, ou algo sinistro como, sei lá…

— Hey, Stark! — uma voz conhecida o chamou, e Tony olhou para trás. — E aí cara... — Rhodes apertou a mão do amigo e o puxou para um abraço.

— Rhodey.

— Veio para o treino de campo?

— Definitivamente não. — o bilionário arrumou a gravata ao dizer. Então os dois olharam para o homem que estava sobrando.

— Eu dou conta dele a partir daqui, Wilson.

— É, voa passarinho. — Tony brincou. Então Sam acenou, antes de dar meia volta. — Foi ele que o Rogers trouxe para cá? — ele observava a tecnologia da mochila do traje do Falcão ao perguntar.

— Sim. Ele é um bom soldado. Não deixa sequer uma formiga entrar sem permissão.

— É, talvez ele venha a ser útil. — Tony voltou a olhar para o amigo. — O que está fazendo aqui? É 4 de julho!

— O que você está fazendo aqui?

— Eu sabia que vocês chatos estariam trabalhando e vim aqui buscá-los. Cadê o Cap? Ele é o aniversariante, ele é a última pessoa que deveria estar aqui.

— Que gracinha, você lembrou do aniversário dele. Lembra quando é o da Pepper?

— Ei, passarinho! — Tony chamou por Sam, que parou no meio do caminho e o olhou. — Gosta de festas, né? Vamos dar uma lá na Torre, essa noite! Consegue fazer com que o Cap apareça lá?

— Deixa comigo! — ele respondeu, e seguiu seu caminho, começando a falar no comunicador.

— Diz aí: quem mais está aqui? — Tony pôs a mão nos ombros de Rhodes, e então os dois seguiram caminhando.

...

A noite chegou rapidamente; e logo a Torre dos Vingadores estava cheia de artistas, modelos, atletas, veteranos de guerra, super heróis, empresários e outros convidados de Tony e Steve, todos juntos e misturados. Garçons passavam o tempo todo com champanhe e aperitivos, e boas músicas tocavam sabe-se lá de onde, já que poucos sabiam a localização das saídas de som de Sexta-Feira. A festa estava a todo vapor.

— Feliz aniversário! — Pepper disse animadamente, enquanto abraçava Steve.

— Obrigado, Pepper.

— Aqui. — ela o entrou um presente. — Espero que goste.

— Você não precisava se preocupar com isso...

— Não foi dor de cabeça alguma, acredite. Comprar um presente para você é fácil. Difícil é comprar um presente para o Tony. Esse ano eu só o deixei me levar à Vegas. Deus, como eu odeio aquele lugar... — ela bebeu um pouco de seu Martini cheio de azeitonas. — Abra! Eu quero ver como fica em você.

— Tudo bem... — ele sorriu e obedeceu.

— Ei, cara! É a sua vez. — o Falcão deu um tapa no ombro de Rogers, segurando um taco de sinuca e uma garrafa de cerveja na outra mão. E só então notou que ele estava acompanhado. — Desculpe, eu estou interrompendo alguma coisa?

— Não o que está pensando. — Steve respondeu, sabendo muito bem o que se passava na cabeça do amigo.

— Ei, eu te conheço. — Sam olhou para a mulher, reconhecendo-a das capas de revistas e notícias na tv. — Você é a chefe, certo?

— Oh! Não, Steve é o chefe. Eu só pago as contas. — Pepper respondeu amigavelmente. — Falando nisso...você é Sam, certo?

— Sam Wilson, ao seu dispor.

— Obrigada... — ela apertou a mão dele. — Na verdade, eu estava mesmo procurando por você...

— Como posso ajudar? — o homem ficou nervoso, sabendo o que viria a seguir.

— Bom, primeiramente eu gostaria de dizer: Bem vindo aos Vingadores.

— Obrigado. — ele ficou aliviado com o alarme falso, mas não por muito tempo:

— E também... Eu andei checando umas contas, e gostaria de saber se você já resolveu o problema que resultou na troca do portão do galpão com os artefatos do meu sogro, durante as minhas férias. Me disseram que você iria resolver. — a mulher o encarou séria.

— Já resolvi. — ele foi firme, ainda não revelando o fato que o culpado do incidente foi um homem do tamanho de uma formiga. E Pepper o estudou com o olhar, enquanto bebia de seu Martini, até que percebeu que Steve vestia a jaqueta que ela havia comprado para ele.

— Oh, coube! — ela sorriu. — Ficou ótimo em você.

— Agora você já pode se livrar daquela jaqueta velha! — Sam brincou.

— Ela é ótima. Obrigado, Pepper. — Steve a abraçou novamente.

— De nada...

— Vamos lá, Rogers! Deixe a bela senhorita respirar e venha jogar com seus parceiros! — um senhor o chamou, antes de tomar um gole de cerveja.

— É melhor você ir. E tenha cuidado com seus amigos. Eu soube que um deles precisou sair carregado na última festa... — Pepper olhou para o grupo de idosos que se reunía em volta da mesa de sinuca. — Divirtam-se! — ela disse, antes de dar meia volta.

E assim que que a mulher sumiu de vista, Rogers se desfez do sorriso e encarou Sam:

— O que houve com o portão do galpão? — ele perguntou sério. Então o Falcão se viu encurralado.

...

A festa foi um sucesso. Havia muita bebida, a comida e a música estavam ótimas, os convidados eram amigáveis, e não houve nenhum escândalo.

No meio da comemoração, um enorme bolo vermelho, branco e azul, com 97 velas acesas foi carregado por um grupo de garçons até Steve, que demorou um pouco para assoprar todas, mas conseguiu.

Perto da meia noite, houve um enorme show de fogos de artifício, celebrando o feriado nacional e o aniversário do Capitão. Todas as pessoas que estavam em Manhattan e nos arredores puderam assistir o festival de luzes, que virou notícia em todos os meios de comunicação mundiais.

Com o tempo, as pessoas começaram a ir embora. E no fim, só restaram os anfitriões; que se espalharam pelos sofás da sala de estar e jogaram conversa fora, enquanto tomavam mais alguns drinks:

— Wanda, tem certeza de que quer fazer isso? — Helen Cho se preocupou, mas no fundo sabia que não havia necessidade. — Não seria melhor começarmos com algo menos importante?

— Que tal o Stark? — sugeriu Natasha.

— Eu adoraria, mas vou ter que recusar. — Tony parou de admirar o rosto da namorada e sorriu falso para a agente, que retribuiu.

— Não se preocupe com isso. — Wanda disse, deixando sua taça na mesa de centro.

— Tem certeza? — Visão perguntou, extremamente preocupado.

— Sim. Você consegue. Eu confio em você. — ela sorriu fraco. Então ficou de pé e esperou.

Visão então se levantou da poltrona e se pôs de pé, diante da mulher. Então atravessou o corpo dela em um segundo, não querendo ficar lá além disso. E assim que se viu no lado de fora novamente, verificou se Wanda estava bem, sob olhares estupefatos de seus parceiros.

— E aí, como foi? — Natasha perguntou.

— Interessante... — respondeu Maximoff, e imediatamente a Dra. Cho estava ao seu lado, medindo seus sinais vitais e fazendo perguntas.

— Então você pode atravessar pessoas? Pode fingir possuir algumas no halloween! — Stark brincou.

— Ou retirar objetos, como fragmentos de bomba, de dentro delas. — Steve acrescentou.

— Você não consegue mesmo entender quando eu estou brincando, não é, picolé? — Tony encarou o parceiro, que estava sério.

— Tony... — Pepper o repreendeu, pondo a mão na perna dele.

— Eu sei...Hoje é aniversário dele, eu vou deixá-lo em paz... — ele bebeu o resto de seu whisky e se levantou. — Vou pegar outra bebida. Vocês querem algo? — então quase todos começaram a falar ao mesmo tempo. — Eu vou fingir que entendi tudo. Amor? — Tony olhou para Pepper, que nem pensou duas vezes, antes de respoder:

— Um Vodka Martini com muita azeitona, por favor.

— É pra já. Vamos lá, Happy!

— Tá brincando? Eu acabei de me sentar! — o segurança reclamou.

— Ei, eu não estou pedindo! Vamos! — Tony gesticulou em direção ao bar; então Happy se levantou de mau grado e o seguiu.

— Não fale assim comigo de novo, você não é meu chefe.

— Tanto faz... — eles iniciaram uma discussão, enquanto caminhavam até o bar.

— Cadê a Hill? Eu não a vi. — Steve procurou pela agente, após observar Wanda, Helen e Visão voltarem aos seus lugares, depois de garantirem que estava tudo certo.

— As férias dela acabaram ontem, mas ela não apareceu pra trabalhar hoje. Deve estar resolvendo algo com a S.H.I.E.L.D... — Pepper comentou. — E o Clint? Eu soube que o filho dele nasceu. E que é um menino, então presumo que o nome não seja Natasha... — ela olhou para Romanoff.

— Não... — a agente sorriu. — É Nathaniel.

— Nathaniel Pietro Barton. — Wanda completou.

— É uma bela homenagem... — Pepper lançou um olhar carinhoso à Feiticeira Escarlate, que concordou.

— Já que estamos falando dos últimos acontecimentos; Srta. Potts; o Sr. Stark mencionou se obteve algum progresso na busca pelo paradeiro do doutor Banner?

— Vis! — Wanda o repreendeu, então olhou disfarçadamente para Natasha.

— Não, ele não me disse...nada. — Pepper teve que dizer a verdade. — Mas sei que ele continua procurando. E tenho certeza que não vai descansar até encontrá-lo. — ela completou, então também olhou para Natasha. A agente estava com olhar vazio, o sorriso havia sumido de seu rosto.

De repente a sala ficou em silêncio. Então Visão olhou no rosto sério de todos ao seu redor, não entendendo a situação:

— Desculpe, eu disse algo errado?

— Não. Você não disse. — Natasha o tranquilizou. — Então... Pepper! Como foi em Washington? — ela mudou o assunto, tentando melhorar o clima naquela sala.

— Excelente! Se tudo der certo, começaremos daqui a dois anos letivos. — ela respondeu entusiasmada.

— Dois anos?

— É o tempo que precisamos para resolver toda a burocracia, e ainda conseguir parcerias, agendar as datas, planejar os discursos... Maria e eu temos algumas ideias, mas ainda temos muito o que discutir.

— Estão falando da Fundação Setembro, certo? — Tony perguntou, voltando com as bebidas. Então serviu Natasha, Wanda, Helen, e por último Pepper, aproveitando para sentar ao lado dela. Happy veio logo atrás, com um balde de gelo cheio de cervejas, atendendo aos pedidos de Sam, Rhodes e Steve. — Eu estava pensando em começar pelo MIT.

— Ótima ideia! — Pepper sorriu para ele.

— E eu posso incluir o BAFO na apresentação, o que seria perfeito, porque se encaixa no nosso objetivo! — Tony se entusiasmou.

— BAFO? — todos perguntaram, mas o homem só tinha olhos para uma pessoa:

— Estamos fazendo isso para financiar projetos de pessoas que normalmente não conseguiriam o patrocínio, certo? — ele perguntou diretamente à Pepper.

— E para ceder bolsas de estudos, mas sim, essa é a ideia. O que é BAFO? — ela fez careta.

— Ah, sim. Eu não expliquei. — Tony então olhou para todos e começou a palestrar:

— Binária Argumentação de Forma Ornamental. Um método de interceptar o hipocampo e apagar lembranças traumáticas. Ok, nossa mente é como um computador. Nós temos um HD com arquivos estocados, de qualquer tipo de dado; seja um cheiro, um sabor, um rosto, um sentimento, um acontecimento... Qualquer coisa. E esses dados são codificados em binário, com o propósito de serem processados no computador, ou no caso, na nossa mente. Por exemplo: Quando lembramos da mãe assando um bolo de passas no natal de 40 anos atrás, é como se tivéssemos procurado por um vídeo no HD do computador e o assistido. — ele bebeu um gole de champanhe. — Manipular a lembrança é simples: só precisamos imaginá-la, já modificada. Mas é necessário um estímulo, um choque. Tenho certeza que terei que aguentar uma baita dor de cabeça eletromagnética após o uso; mas no final eu poderei ter, por exemplo... Bom, eu queria não ter criado o Ultron. Então eu poderei ter a lembrança que, no dia em que convenci o Banner a me ajudar a cometer aquela burrada, ele me mostra como seria loucura, e então eu o escuto e sou convencido a desistir. — ele bebeu mais um pouco. — Aí está: minha memória falsa. Não muda o fato que eu criei o Ultron e ferrei com a vida de todo mundo. Mas talvez me ajude a ter pelo menos 3 horas de sono por dia. — ele ignorou os olhares de pena que recebeu.

— Mas como...

— Mas como mandar os arquivos da minha mente para fora? — Tony finalizou a pergunta de Rhodes.

— Aumentando binariamente. — Pepper respondeu. — É como enviar um e-mail.

— E é por isso que eu te amo. — Tony sorriu para a mulher, antes de explicar para os outros. — O e-mail não permite o envio de todos os tipos de dados em arquivos binários. Eles são frequentemente transliterados para a representação de texto simples, e esta codificação aumenta o tamanho do arquivo durante a transferência. Após a recepção o arquivo é transliterado para binário novamente e é exibido normalmente. — ele fazia gestos com as mãos ao dizer. — O que eu vou fazer é enviar a lembrança manipulada, através de um ponto transmissor posicionado na minha cabeça. Antes da transferência ela será transliterada, e então novamente ao ser recebida. E como nossas memórias não são em MKV ou coisa do tipo, eu estou desenvolvendo um aplicativo que as converte em formato de vídeo. O Larry me deu umas dicas e... Eu sei exatamente o que fazer.

— Vai ser como assistir um filme de suas memórias alteradas? — Natasha perguntou.

— A ideia é que seja mais como algo real acontecendo à sua volta. Podemos recriar o ambiente em que a memória ocorreu com uma impressora 3D, e então assisti-la como se estivéssemos lá de novo. A Pepper, por exemplo, poderia caminhar pelo escritório das Indústrias Stark enquanto se assiste me conhecendo, sem tomar um jato de spray de pimenta na cara...

— Eu só estava fazendo o meu trabalho! Quantas vezes ainda vou ter que pedir desculpa?— Happy reclamou; e Pepper olhou para Tony como se pedisse para que ele parasse com aquilo.

— E quanto isso vai custar? — Helen perguntou.

— O custo? Uns 600 milhões. Dez milhões a mais ou a menos.

— O que?

— 600 milhões?

— O que esperavam, que custasse 1 dólar?

— Tony, isso é muito dinheiro... — Steve disse calmo, ignorando o escândalo.

— Exatamente! Ninguém jamais financiaria esse projeto! — Stark então olhou para a namorada. — Mas você sim! Por que você confia em mim. E nós confiamos nessas crianças. Por isso estamos fazendo isso. Nós não. Você. Porque tudo isso...a Fundação Setembro...é ideia sua. — ele apontou para o coração dela. — E é isso. Vai me aceitar? Qual é, já gastamos mais que isso com apenas um dos trajes que eu explodi naquele natal...

— Não estou preocupada com o dinheiro. Estou preocupada com o que você está gastando o dinheiro; com o tipo de coisa em que está se metendo.

— Vai dar certo. — ele disse convicto, a olhando no fundo dos olhos. E a mulher o encarou por alguns segundos, antes de dar o veredito:

— Você tem um ano e meio.

— Ok...

— E quero que me mantenha sempre atualizada.

— Ok.

— E, por favor, não derreta o seu cérebro.

— É claro que não, eu preciso dele. — o homem sorriu. Em seguida beijou a mulher, que logo se afastou, com um sorriso tímido. Então ele a beijou na têmpora, enquanto ela bebia um pouco de seu Martini, prestando atenção no próximo assunto da conversa.

Notas finais
Referências, referências...