Nothing Lasts Forever
20 Capítulo 20
Notas iniciais
Na manhã de segunda, após aquele fim de semana intenso, Pepper chegava às Indústrias Stark com a tristeza escondida o melhor possível em seu rosto. Mas os funcionários notaram que algo estava errado e logo começaram a fofocar, tomando cuidado para que alguém (Happy) não os flagrasse. Foi assim que Hill soube que a patroa não havia cumprido o horário organizado para o dia, e então logo tratou de correr.
— Não devia estar no MIT nesse exato instante? — perguntou, a recebendo com um copo de café que pegou correndo na lanchonete.
— Mudança de planos. — Pepper disse apenas, aceitando a bebida e entrando em sua sala. — Onde está Bambi?
— Com Happy em Massachusetts, desde ontem, deixando tudo preparado para vocês! — Maria fechou a porta ao dizer. — Não deixou de ir à estreia do seu projeto só porque terminou com Tony, não é? Isso seria infantil. — a repreendeu.
— Eu sei... — a ruiva deixou sua pasta na mesa e observou a vista da empresa pela janela, enquanto tomava seu café. — Mas não conseguiria fazer isso, Maria. Ainda não.
— Já que é assim, vou cancelar sua presença. Vai ser de última hora, mas antes tarde do que nunca.
— Faça isso. — ela pediu. Então a agente se retirou, já sacando o celular.
— Ela está bem? — foi a primeira coisa que Tony disse ao atender a ligação.
— Sim. Mas cancelou a presença dela hoje.
— Era de se esperar. Não se preocupe com o MIT, eu dou conta sozinho. — ele disse e desligou.
...
— Ela já chegou? — Happy perguntou ao chegar às pressas, horas mais tarde.
— Sim, ela está lá dentro. — Maria avisou, então o segurança entrou na sala, encontrando Pepper assistindo ao noticiário:
"...Onze Wakandas estão entre os mortos durante o confronto entre os Vingadores e um grupo de mercenários, em Lagos, Nigéria, no mês passado."
— Ainda falando disso? Pensei que à essa altura a mídia já havia esquecido. — Happy comentou.
— Eles jamais esqueceriam tragédias envolvendo os Vingadores. E parece que um acordo foi criado, para evitar futuras... — Pepper respondeu, antes de dar um gole no seu terceiro café do dia.
"…”Vitória às custas de inocentes não é vitória alguma.” disse o rei T'Chaka, de Wakanda, em uma entrevista durante o evento da ONU, esta manhã, para a apresentação do Tratado de Sokovia. Mas o que seria esse tratado?"
"...Nos últimos quatro anos os Vingadores operaram com poder ilimitado e sem supervisão, e os governos mundiais não vão mais tolerar isso! Digo, quem disse que um bando de americanos poderia entrar sem permissão em um país estrangeiro, deixá-lo em pedaços, e voltarem para sua enorme torre de luxo em Manhattan, que tudo estaria bem?"
"...E aquela Wanda Maximoff, a Feiticeira Escarlate? Ela é Russa! Por acaso essa mulher tem autorização para viver nos Estados Unidos? Tem autorização para entrar na Nigéria e matar dezenas de pessoas?"
"...E a solução encontrada foi o Acordo de Sokovia, que já foi aprovado por 117 países, e estabelece que os Vingadores não mais serão uma organização privada, e agora irão operar sob a supervisão de uma comissão da ONU, e apenas agirão com a autorização dessa comissão, quando a mesma julgar necessário. Caso contrário...eles continuam em sua toca, sem se envolverem."
"...Quem se deu bem foi Tony Stark! Não era ele quem bancava os Vingadores?"
"Quem se deu bem foi a namorada de Tony Stark! É ela quem trabalha enquanto ele e sua trupe estão destruindo cidades por aí!" Então todos riram.
"...E em três dias haverá uma reunião da ONU em Viena, Áustria, para ratificarem os Acordos."
"E se os Vingadores não assinarem?"
"Eles têm que assinar. Ou estarão dispensados de seus serviços."
— Já chega. — Pepper ordenou; então a tv parou de circular pelos canais, desligando imediatamente. — Não precisa se segurar, pergunte o que quer saber. — disse calma, reconhecendo a expressão do amigo à sua frente.
— Acha que ele vai assinar isso? — Happy soltou a pergunta, e ela pensou por alguns segundos.
— Não. Se não assinar, será dispensado, então continuaria trabalhando por conta própria. Se assinar, haverá um motivo muito forte por trás, pois se tem uma coisa que ele odeia é o governo. Mas deixe os Vingadores com seus problemas e vamos cuidar dos nossos... — disse; e então voltou a encarar o computador, seguindo seu dia de trabalho.
...
Naquela noite, alguém bateu na porta da nova casa de Pepper. Ela não esperava visitas, mas só poderia ser alguém de confiança, ou os seguranças não teriam permitido a entrada. Então caminhou tranquilamente até o hall, pensando que fosse Maria ou Bambi. E se surpreendeu ao ver quem realmente a esperava no lado de fora.
— Tony. — o recebeu após olhar pela janela espelhada ao lado da porta. O homem estava muito bem vestido, em um terno e gravata preta, como se tivesse acabado de sair de um evento importante.
— Pepper. — ele a olhou diretamente nos olhos, evitando imaginar o que ela vestia embaixo do robe de seda cinza. Deu um passo à frente e mirou um beijo em seus lábios, mas a mulher virou o rosto e ele atingiu sua bochecha. Então ele se afastou, frustrado. — Eu preciso falar com você. Mas antes, pode me dizer onde fica o lavabo?
— Claro... — ela apontou o polegar para trás. — Vá até o fim e vire a esquerda. Quando terminar, eu estarei no escritório. É bem ali. — ela apontou para uma porta fechada no corredor.
— Beleza. Eu vou ser rápido.
— É claro... — ela pensou alto, sabendo que o homem iria vasculhar a casa inteira, no mínimo.
...
— Toc, Toc. — Tony disse ao entrar no escritório, quase 20 minutos depois. — Casa bacana. Eu dei um tour por aí antes de vir pra cá.
— É claro que deu. — Pepper largou a caneta na escrivaninha, sorrindo irônica. — Eu trouxe chá, caso queira. Pensei em trazer uísque, mas...
— Fez bem em não trazer. Obrigado. — ele disse, e a mulher sorriu fraco, o observando se servir uma xícara da bebida quente.
— Como foi no MIT?
— Tranquilo. Apresentei o BAFO. Fiz um discurso. Apresentei a Fundação Setembro. Todos aplaudiram. Você tem um pouco de creme aqui. — ele tentou limpar o canto da boca da mulher, que se afastou e limpou por si mesma. Então ele recolheu o braço e se sentou em frente à ela, calado.
— Tony, sejamos diretos: o que tinha para me dizer de tão importante, que precisou vir à minha casa no meio da noite? Há algo que eu possa fazer por você? — Pepper perguntou, e ele bebericou seu chá antes de dizer:
— Você deve ter ouvido falar do Acordo de Sokovia.
— Ah, sim. Só se falava disso hoje. — ela bebeu um pouco de chá. — Você vai assinar?
— Vou. — ele bebeu mais um gole — Ou melhor, já assinei.
— Por que? — ela estranhou.
— Porque era o certo a se fazer! — Tony disse como se fosse óbvio, e então leu a expressão no rosto da mulher. — Achou que eu não fosse assinar. Por que?
— Porque você seria dispensado dos Vingadores e poderia continuar trabalhando por conta própria.
— Se eu não assinasse, ia ser uma questão de tempo até me darem como criminoso. — a corrigiu. — Eu teria que parar de ser o Homem de Ferro.
— E isso você não quer, não é? — ela sorriu; e ele olhou para o lado, soltando um rápido suspiro.
— Pep, eu estou trabalhando para o governo, estou andando na linha, estou recebendo ordens de velhos de terno! Eu achei que isso faria a diferença.
— No quê? No nosso relacionamento? — Pepper perguntou, e então suspirou, olhando para baixo. — Tony, eu não... Seu trabalho não é um problema. O Homem de Ferro não é a razão da nossa separação, eu já te disse. Eu pedi um tempo para você poder seguir trabalhando, sem ter que se preocupar com...
— Não diga "comigo". Sabe que não tem como eu deixar de me preocupar com você.
— Eu sei... — ela sorriu. — Eu ia dizer que você não vai mais precisar se preocupar com desculpas toda vez que ficar muito tempo fora, ou sempre que precisar sair. — a mulher fez uma pausa. — Tony, quando você chega em ca...na mansão...arrasado e tentando se desculpar por ter passado muito tempo fora, como se você precisasse me dar alguma desculpa por estar fazendo o seu trabalho... Aquilo me parte o coração. E eu sei que toda essa situação te machuca também. Por que você quer estar comigo, você quer estar com o Homem de Ferro, mas não consegue dar conta dos dois ao mesmo tempo; e quando foca em um, se sente mal por estar deixando o outro de lado. E você não pode deixar o Homem de Ferro de lado, pois tem várias vidas em jogo. Eu sou só uma.
— Mas você é a única sem a qual eu não consigo viver!
— Mas você não está sem mim! Eu estou com você! Apenas não de um jeito romântico, no momento. Mas eu vou sempre estar com você, Tony. Eu só estou...te dando um pouco de espaço, assim você pode focar no que é mais importante no momento. E quando as coisas melhorarem... Bom, você sabe onde eu moro, sabe onde trabalho, conhece cada lugar que costumo frequentar. Você vai me encontrar. — ela sorriu fraco, tentando consolá-lo. Então eles se encararam em silêncio por um tempo.
— Ok! — Tony se levantou inesperadamente, tentando parar de demonstrar fraqueza. — Eu tentei, eu falhei...e agora estou vazando. — ele bebeu o resto do chá e deixou a xícara onde a pegou. — Ainda vai trabalhar na assessoria de imprensa dos Vingadores?
— É claro que sim.
— Então eu te vejo por aí. — ele caminhou em direção à porta, e a mulher começou a se levantar. — Não precisa perder seu tempo. Eu conheço o caminho até a saída. Boa noite, Pepper.
— Boa noite. E Tony? — ela o chamou, e ele parou na soleira da porta, com a mão na maçaneta. — Continue fazendo terapia. É importante que não interrompa o tratamento, principalmente nesse momento difícil. — pediu.
Então ele murmurou um "é..." e acenou uma vez com a cabeça, antes de passar pela porta e fechá-la atrás de si.
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