Nothing Lasts Forever
18 Capítulo 18
Notas iniciais
— Como ela está? — perguntou observando a menina deitada na cama do hospital, com o corpo repleto de tubos e fios ligados à aparelhos. Estava tudo em norueguês, ele não conseguia entender nada.
— Melhor agora que está dormindo tranquila, fora de todo caos que você trouxe à vida dela e de todos nós! — o pai da menina explodia em fúria só com a presença do bilionário.
— Se houver alguma coisa que eu possa fazer; pagar o hospital, um futuro tratamento, medicação, até mesmo uma ideanização...
— Você já fez o suficiente. — o homem cuspiu. — Eu quero que saia daqui! E saia de nossas vidas! — gritou, chamando a atenção dos enfermeiros que ali estavam.
— Senhor, devo lembrá-lo que estamos em um hospital. Por favor, se contenha. — um deles pediu, pondo a mão no ombro do homem, que a afastou em fúria.
— Que me conter o quê? Esse cara destruiu a vida da minha filha, destruiu a vida da minha família! — apontou para Stark ao dizer.
— Sr. Stark, eu acho melhor que se retire. — outro enfermeiro o pediu educadamente. Então Tony deixou de olhar para o homem que o apontava e acenou rapidamente para o funcionário, antes de dar uma última olhada na garota e caminhar em direção à saída.
— Isso! Cause um estrago e vire as costas, como você sempre faz!
— Senhor, se continuar se exaltando, pedirei que se retire.
— Enfie seu dinheiro imundo no cu e nunca mais volte aqui!
— Stark? Stark?
— Hum? O que? — ele despertou de seus pensamentos, e se viu em sua oficina no complexo.
— Eu estava quase jogando isso em você. — Wanda ergueu uma tigela de alguma sopa russa ao dizer.
— Eu agradeço por não ter feito. — ele a encarou, ainda meio perdido. — Isso é para mim? — perguntou percebendo que estava faminto.
— Sim. Borsch. — ela o entregou a tigela ao dizer.
— Obrigado, Wanda. — disse antes de atacar a sopa vermelha.
— Não há de quê. — ela sorriu fraco e voltou em direção à saída. — Sabe há quanto tempo está aqui? — perguntou com a mão na maçaneta.
— Duas semanas? — Tony perguntou limpando a boca com o braço, então Wanda cerrou os lábios antes de responder:
— Consulte um calendário.
Então fechou a porta.
Semanas antes...
— Eu estou na cola deles! A rua 42 está bloqueada, eles terão que passar pela 105!
— Entendido. — Tony então mudou o curso, indo para o exato ponto em que Rhodes e o alvo teriam que passar. Poucos segundos depois, um caminhão de sorvete apareceu correndo em sua direção; e ele já tinha um plano para fazê-lo parar.
— Tony, eles estão em alta velocidade, se atirar nos pneus eles vão voar longe! Não há tempo para esvaziar a rua! — James alertou ao vê-lo erguer as palmas das mãos.
— Sei disso. — ele respondeu sério. Então atirou nos pneus frontais do caminhão, que levantou no ar com a traseira para cima, prestes a capotar. Até que o Visão apareceu e segurou o veículo, impedindo o futuro estrago.
— Teria sido mais prudente se só tivessem me permitido desativar o motor. — o humanoide o repreendeu.
— E perder toda a diversão? — Tony perguntou, pousando e observando o parceiro trabalhar.
Visão pôs o veículo no chão com cuidado e logo foi para frente da porta do motorista, impedindo a saída por lá. Então os homens tentaram sair pela porta do carona, topando com Stark no caminho.
— Indo a algum lugar? — então um deles deu meia volta, batendo a cabeça no traje de Rhodes. — Eu acho que não. — disse, e Visão desativou as armas feitas com partes de Ultron que os dois bandidos carregavam. Elas caíram no chão como o pedaço de sucata que agora eram.
— É o seguinte! — James ergueu uma mão ao dizer. — Vocês têm duas opções: Ou se rendem e esperamos pelo FBI numa boa, ou seremos obrigados a carregar vocês pelo pé. E não nos responsabilizamos caso os sapatos não estejam bem amarrados e vocês venham a cair à 10.000 pés de altura.
— Rhodey, esse aqui está com os tênis desamarrados! — Tony apontou para o homem mais próximo de si. — Seus pais não te ensinaram a amarrar os sapatos não?
— E os seus te ensinaram? Ah, eu me esqueci. Eles estão mortos! — o homem retrucou, e Tony travou por uns instantes. O suficiente para um terceiro homem sair pelos fundos do caminhão e correr para longe dali.
— Visão! — gritou, enquanto ele e Rhodes prensaram os dois homens contra o veículo. — Você devia ter ficado com o bico calado. — disse erguendo o braço e atirando algemas especiais nos pulsos e tornozelos do bandido. Rhodes fez o mesmo com o outro, e novamente quando Visão retornou com o terceiro.
— O que é teu tá guardado, Stark. — o homem ameaçou, com a bochecha colada no caminhão.
— E o que está guardado para mim é um agradável banho quente em uma banheira com hidromassagem e uma bela noite de sono em uma cama macia, ao lado da minha namorada e seu bumbum digno de uma jogadora de vôlei, na minha enorme mansão em Malibu. Enquanto o que está guardado para você é uma ducha fria e uma cama dura, ao lado de um grupo de homens fedorentos, em alguma cadeia estadual. Bom, eu não tenho do que reclamar. — Tony sorriu por trás da máscara, e se pode ouvir as sirenes das viaturas se aproximando.
...
— ...Então descobrimos que as bases deles estão... — Rhodes pressionou uma tecla no teclado digital da mesa e vários pontos vermelhos apareceram ao longo do grande holograma com todo o território dos Estados Unidos. — Por toda parte. E todas cheias de tecnologia alienígena, e dos Vingadores, roubada dos locais onde houveram batalhas.
— Como conseguiram essa informação? — perguntou a agente do FBI encarregada da situação.
— Foi fácil. Um deles estava com as calças sujas de medo do Visão. Tudo o que precisamos fazer foi apresentá-los. — Hill respondeu, e a agente olhou o sujeito vermelho de cima à baixo.
— E o que eles são? Hydra? — o parceiro da agente perguntou sem tirar os olhos do mapa.
— Um grupo independente.
— Ok... — a agente suspirou. — Busca e apreensão. 30 dos nossos em cada local. E chamem o Controle de Danos. Vão! — ordenou, e dois agentes que estavam ali parados se retiraram imediatamente, para informar a nova missão aos outros. — Por que estão fazendo isso? — a mulher voltou a encarar o grupo de heróis. — Pensei que casos assim fossem abaixo do patamar dos Vingadores.
— E são. Mas vocês estavam demorando demais. — Hill retrucou.
— Dubai! — Tony estalou os dedos e apontou para a agente, quebrando seu silêncio repentinamente. Todos o encararam, não entendendo nada. — 1997, certo?
— O que? Quando dormiu comigo? — ela perguntou com as sobrancelhas levantadas.
— Já dormiu com ela? — perguntou o parceiro da agente.
— Já dormi com várias. — então Tony encarou a mulher. — Eu acertei?
— Sim. — ela foi forçada a admitir. — Dubai, 15 de maio de 1997. Dia chuvoso, nadamos nus na piscina ao ar livre. Eu peguei um resfriado, e na manhã seguinte você me deu um pé na bunda, alegando não poder ficar doente, pois tinha um importante compromisso pela frente. Pode me dizer que compromisso era aquele?
— Sexo à três com gêmeas holandesas. — foi a vez dele admitir. — Desculpe, eu era meio babaca naquela época.
— Era? — a mulher perguntou. — Pode me dizer como vai sua namorada, Stark?
Ele ficou em silêncio.
— Foi o que pensei. — então ela olhou para todos que os encaravam. — Estão dispensados.
Ela tinha razão. Tony não sabia como Pepper estava. Sabia que estava bem, ou alguém já teria o avisado. Mas se ela viajou, pegou um resfriado ou o que jantou na noite anterior, ele não fazia ideia. E por mais que quisesse saber, e fazer parte (talvez não do hipotético resfriado), o trabalho o chamava. Ele não podia parar. Então teria que dar um jeito. Tentaria ter um tempo com ela na primeira brecha que surgisse, como sempre fazia.
Mas daquela vez não surgiu brecha alguma.
— ...Eu pedi que deixassem tudo lá embaixo. Está tudo completo e na escala correta. A sala dos seus pais está, literalmente, aos pedaços em nossa garagem. — Pepper avisou pelo telefone.
— Hmm... — ele murmurou, enquanto fazia cálculos em um holograma à sua frente.
— Você não ouviu uma só palavra do que eu disse, certo?
...
— Você vai ao almoço com a reitora da Faculdade de Ciências da Califórnia?
— Nop! — ele respondeu, enquanto testava um novo traje, atravessando a atmosfera.
...
— Eu preciso que você...
— Agora...não dá...amor. — teve dificuldade em responder, pois tentava tirar um carro de cima de seu traje, totalmente danificado.
...
— ...Então quando a Unidade de Contenção de Ameaças me ligou eu disse que os Vingadores...
— Sexta-Feira, diga à Wanda, Rhodes, Romanoff e Visão que vistam um casaco e me encontrem no quinjet em 5 minutos. Vamos à Antártida.
— Sim, chefe.
— Você está ao menos me ouvindo? — a mulher perguntou, e ele se levantou da cadeira, topando com ela.
— Tá bonita. — disse a olhando de cima a baixo rapidamente.
— Obrigada. Você ouviu o que eu di...?
— Eu concordo 100%. — ele a interrompeu, não tendo ideia do que ela falou, pois só conseguia pensar na base da Hydra que estava prestes à explodir. — Conversamos depois, ok? Ok. — deu-lhe um selinho. — Tchau. — então correu para a porta.
...
— Há quanto tempo estou aqui?
— Um mês e dois dias, com um total de 5 banhos tomados e a sorte de sempre ter alguém para trazer suas refeições, ou teria morrido de fome. — Sexta-Feira respondeu, enquanto Tony tomava sua sopa desesperadamente; o fazendo perder perder o apetite com suas palavras.
— Ligue para a Hill. — ele ordenou enquanto limpava a boca, e imediatamente o rosto da mulher apareceu em um monitor.
— Você está horrível.
— Como ela está?
— Cansada. Foi um dia estressante na Stark.
— Acho que devia tentar me desculpar.
— Você acha?
— Alguma sugestão? — Tony perguntou com os lábios vermelhos, graças ao jantar, e Maria chegou a pensar em fazer alguma piada, mas não o fez.
— Tente fazer algum agrado; como participar de algo que disse que iria participar, e agora está causando uma enorme dor de cabeça, pois não se sabe se podemos confiar que você fará a sua parte. — ela o sugeriu, aproveitando para alfinetá-lo.
— Ok.
— E eu recomendo que tome um banho, esconda as olheiras, corte o cabelo e faça a barba, antes de qualquer coisa. As pessoas podem pensar que você é um zumbi sedento por novas vítimas. Seria uma ótima fantasia de halloween, mas estamos em agosto. Você pode voltar a ser esse desleixado daqui há dois meses. — ela o caçoou e desligou.
Então, algumas horas depois, Tony chegava em casa limpo, bem vestido, e carregando um buquê de flores brancas, uma caixa de trufas e uma sacola de uma importante joalheria.
Ele encontrou Pepper na sala de estar, sentada de pernas cruzadas no sofá e lendo um livro, enquanto tomava uma taça de vinho.
— Não precisa hesitar em subir, não há nenhum monstro aqui. — ela disse, sem interromper a leitura.
— Quem disse que eu estava hesitando em subir? Ok, eu estava morrendo de medo. — Tony confessou. — Flores brancas para a milady, em uma oferta de paz...e uma joia, para todos olharem para ela, ao invés de repararem que você engordou com o chocolate. — disse entregando os presentes.
— Você realmente sabe como falar com uma mulher... — ela disse ironicamente, enquanto deixava o livro e a taça na mesa de centro. Então aceitou os presentes.
Começou cheirando as flores com os olhos fechados, e deixou escapar um sorriso no final.
Ao abrir os olhos, notou a presença de um cartão. E Tony disse as palavras escritas nele ao mesmo tempo em que ela as leu:
— Me desculpe.
Então Pepper olhou triste para o homem, sabendo que ele estava realmente se sentindo péssimo por ter sumido, mais uma vez, por causa do trabalho. Ela detestava vê-lo daquele jeito.
Então voltou a olhar para os presentes e abriu a embalagem da joalheria, que guardava um belo par de brincos de diamante:
— Uau...
— O que? Muito grande?
— Bom, não é nenhum coelho gigante... — ela brincou, lembrando de um antigo presente de natal. — Eu gostei. Obrigada.
— De nada. — Tony não entendeu o olhar triste da mulher, mesmo após todos aqueles presentes. — O que foi?
— O que foi... — Pepper deixou os presentes na mesa de centro, antes de voltar a olhar para o homem à sua frente. — É que deveríamos ir ao MIT na segunda, mas não estamos preparados. Não ensaiamos a apresentação juntos; você não testou o BAFO com a decoração e...
— Temos dois dias até segunda, nós podemos resolver isso. Relaxa... — ele tentou acariciar os ombros da mulher, que se afastou. — Não posso te tocar? Ok. Eu mereço isso. — ele recolheu os braços, então suspirou. — Pepper, foi mal, eu estava...
— Não... — ela o interrompeu. — Não comece com os pedidos de desculpa.
— Mas eu sinto muito! E eu posso explicar!
— Por favor, para... — ela pediu, e então soltou um longo suspiro, antes de voltar a falar. — Eu não quero mais isso.
— Como assim?
— Tony, eu... — ela respirou fundo, agora tentando segurar o choro. — Eu acho que devíamos dar um tempo.
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