Zoro estava treinando nas rochas perto do Thousand Sunny. Não havia nada que lhe interessasse na ilha para comprar ou para fazer: o cozinheiro compraria bebidas e comida; Chopper o ajudaria, e procuraria por suas "coisas" de médico; ele não iria aguentar a Nami e a Robin conversando sobre coisas de mulher; Luffy ia dar uma de suas voltas; Franky precisava de equipamentos para o navio; Usopp e Brook procurariam coisas legais para comprar; e alguém deveria proteger o navio. Era bom ficar sozinho às vezes, nadar um pouco. Além do mais, tinha a leve impressão de que estava sendo observado, e queria estar totalmente concentrado e aquecido para o que viesse.

De repente, ouviu um ruído, como um farfalhar de folhas e passos. Seus músculos se retesaram. Fechou os olhos e ouviu, sentindo o suor escorrer pela testa. Percebeu que os passos eram ligeiramente rápidos, mas um pouco "desordenados". Andou devagar para detrás de algumas rochas maiores, observando. Os passos ficavam mais altos, mas ele não enxergava ninguém, até que alguém disse por trás de si:

-E aí, cara, beleza? — disse um garoto sorridente, de uns quinze anos, um pouco mais baixo que ele. Tinha um minúsculo rabo de cavalo atrás da nuca, algumas mechas da franja tapando o rosto, estranhos olhos prateados e carregava um balde e uma vara de pescar. Usava bermudas pretas, um pano no quadril, velho e esfarrapado e camiseta branca, larga, com uma golinha, e de abotoar do lado.

"Tudo isso por causa de um maldito pivete... Hunf, meu problema com direções está piorando." Olhando o garoto com uma cara de decepção misturada com raiva, ainda segurando as espadas em riste, percebeu que o garoto começava a ficar nervoso, o sorriso se tornando uma expressão desconfiada.

-Acho melhor deixar o moço sozinho, né?... Eu vou pescar mais pra lá, juro não atrapalhar, não. — quase correndo, o garoto se afastou.

-Faça o que quiser, eu não me importo.

-Okay, então. Mas... Espera aí, acho que conheço essa cicatriz e esse cabelo verde... Ah! Você é aquele espadachim caçador de piratas! Ainda me lembro do dia em que o seu capitão fez aquela bagunça com o Barba Branca há três anos. Foi emocionante. — falava ele, empolgado.

Zoro lembrou-se daqueles momentos há tanto tempo passados com certo pesar, mas logo afastou os pensamentos da cabeça, recomeçando seus golpes nas rochas e nas árvores ao redor.

-Então, não sente medo de mim?

-Ah, não, estou acostumado com piratas chegando nessa ilha e tal. Meus irmãos estão sempre em alerta, ajudando os soldados da marinha a detê-los. E, se o senhor quisesse me matar, já teria feito.

-Mas, para chegar até aqui, você teria que ter certeza do que eu faria. Como pôde confiar tanto em mim?

-Não sei, eu achei que o senhor tinha coisas mais importantes para fazer do que ficar me retalhando. Os piratas normalmente não se interessam em garotos como eu, e mesmo se quisessem, eu sei me proteger quando preciso.

Zoro não deu bola para o garoto. Continuou golpeando. Fechou os olhos, se concentrou e começou a praticar seus golpes mais elaborados. O garoto o observava, ele sabia. Parecia fascinado. Zoro sentiu-se incomodado depois de um tempo, embainhou as espadas e sentou-se para descansar.

-Oi, senhor espadachim! O senhor é incrível! Com quem aprendeu esses golpes? Só pode ter sido com um cara muito forte! — "É óbvio que foi com aquele Mihawk... E eu pensando que isso nunca aconteceria", pensou ele, um pouco ansioso.

O espadachim sorriu, lembrando daqueles dois anos de treinamento.

-Foi com o cara mais forte que conheci na vida, e que um dia derrotarei.