Nothing Else Matters
1 Capítulo 1
Milo andava pensativo pelas ruas. Seu melhor amigo e também seu grande amor, Camus o abandonara. Eles moravam juntos na república conhecida como “Unidos da Metálica”—em homenagem a banda favorita dos moradores—e tudo ia perfeitamente bem, todos tinham fortes laços de amizade menos ele.
Camus sempre fora o chato, patético, retrogrado e nerd idiota para a maioria das pessoas. Todos o julgavam muito mal e por sorte o grego conseguiu conhecer o melhor lado dele. Camus era francês e foi conhecido por ter as maiores notas da faculdade inteira, sempre foi fechado e não ficava conversando muito tempo com as outras pessoas porque elas eram um pouco “bestas” e só conversavam abobrinhas.
O francês mesmo sendo um “nerd” tinha uma fila de garotas atrás de si. Sua pele muito branca, longos cabelos negros e um olho castanho escuro que as vezes se assemelhava a dourado. Milo se perdia quando olhava para ele, tão perfeito. Porém, tudo tinha que acabar por causa daquele bando de idiotas com quem dividiam o quarto.
Na Unidos da Metálica moravam os pecadores da faculdade Saga e Kanon—ganharam esse apelido por cometerem incesto—Martino que também era conhecido pelo significado do seu nome “guerreiro” ou Máscara da Morte, o certinho Camus e o grego. A atividade mais praticada pelo francês é estudar, sempre foi e quando não estava estudando podia-se encontra-lo conversando com Milo. No final do terceiro período Camus começou a falar com outros alunos, um indiano chamado Shaka e um tal de Mu, foi se tornando normal encontra-los conversando por muito tempo—e isso fazia com que o grego morresse, mas o “pegador” tinha apenas tinha mais uma má fama como “o hétero”—então um belo dia os “gêmeos pecadores” fizeram uma brincadeira com o Camus falando que ele participava de um divertido jogo com aqueles dois, um jogo de “onde vai ser a primeira suruba, quem lidera, quem se ferra?” e logo os novos amigos dele ficaram sabendo e ele saiu da república para morar em outra.
Agora está na república “aum”—conhecida assim porque o indiano e o Mu fazem meditações. O contato entre os dois não diminuiu e a amizade conseguiu se manter bem, a não ser pelo fato que o grego havia se declarado e Camus batera a porta na cara dele. De quem seria a culpa?—pensava—Deles, aqueles vagabundos que fizeram com que o Camus saísse de perto de mim e que agora deve estar apaixonado por algum daqueles idiotas.
Já haviam se passado sete dias desde a declaração e finalmente ele não chegou bêbado na casa ou ficou chorando o dia inteiro sem ir para a faculdade.
–-Milo!—gritou Martino ao ver o amigo entrar na casa.
–-Que foi?—perguntou sem o mínimo interesse.
–-Acho que devia melhoras essa cara—falou—tem alguém que está esperando você.
–-É mais um professor que ficou preocupado com a falta do melhor-pior-aluno?
O grego começou a subir as escadas ignorando completamente o restante das coisas que o amigo falava. Afinal, porque ia querer escutar? A pessoa que devia estar esperando provavelmente estaria na cozinha como a sala estava vazia.
Ele abriu a porta do quarto, nem se deu o trabalho de ligar a luz e se jogou na cama, só que havia algo o incomodando. Podia sentir um cheiro familiar e um calor muito próximo de si.
–-Comment allez-vous¹?—ouvir aquela voz o fez estremecer. O que ele estaria fazendo ali?
–-Camus?—perguntou para ter certeza, será que não passava de um sonho?
–-Oui, acho que temos que conversar sobre a última vez que nos vimos—disse ligando a luz do quarto.
Assim que ele ligou a luz o grego pode notar o péssimo estado que o amado se encontrava, tinha uma aparência cansada e estava com muitas olheiras... Não estava tão diferente de si, mas ainda assim estava lindo. Camus usava uma camisa pólo azul escura com uma alça jeans e um all-star, mesmo no pior estado ele conseguia ser lindo. Já Milo, este usava uma camisa amarela de um tecido bem leve e uma calça jeans com alguns rasgos—estava na moda afinal de contas.
–-O que veio fazer aqui?—perguntou Milo com um tom de magoa—Veio me mostrar o quanto está bem sem mim?
–-Bem Milo?!—gritou—Caso não tenha percebido—apontou para as olheiras—eu não estou nada bem e tudo por sua culpa.
–-Minha?—fez uma risada forçada—Eu não fiz nada de ruim a você apenas falei o que sentia, pelo que eu saiba fui justo com você ao te falar a verdade.
FLASHBACK
Camus estava na nova “casa”, a república que morava junto com Shaka e Mu, amigos que foram feitos recentemente e tudo por causa das brincadeiras sem graça do gêmeos Saga e Kanon.
Existia apenas uma coisa que o ligava a antiga casa. Seu amigo e morador da casa Milo. Com o tempo descobrira que seu coração podia bater pó alguém, esse alguém foi ele e foi ele acabara de sair. Não fazia nem um minuto que o grego havia saído do seu quarto. As palavras dele ainda circulavam a sua mente. “Eu te amo Camus”, “você é a pessoa mais importante desse mundo para mim”, “eu te quero mais que tudo!”
O francês se encontrava exatamente com as costas para a porta, assim que Milo falou o que queria seu coração deu um pulo tão grande que não conseguiu pensar direito e acabou fechando a porta na cara do grego. Ele queria ter dito o quanto o amava também, mas havia ficado tão confuso na hora que empurrou o grego para fora do quarto e trancou a porta. O mesmo bateu várias vezes na porta, mas Camus não respondia até que finalmente se cansou e saiu.
Os sete dias que passara sem falar com Milo foram um dos piores dias da vida de Camus. O grego lhe dava uma felicidade e uma paz tão grande que ele mesmo estranhava. Como você pode sentir paz com a pessoa mais inconveniente e estressante da face da terra? Levando em consideração que não pode pregar o olho por causa dessa pessoa, se dormisse sonharia com ele, com a repetição daquele momento que o tocou tão fundo. Então o francês finalmente tomou coragem e foi falar com o grego.
Se ele o aceitasse depois do que aconteceu seria uma maravilha, enfrentariam muitos problemas e o grego principalmente sofreria um impacto maior. Milo era uma dos caras mais populares de todo o campus e o fato de estar saindo com Camus faria com que essa popularidade caísse de forma surpreendente, não apenas por Camus ser o chato e sim por serem um casal gay que está no último período da faculdade. Não se importava mais, quer queiram quer não, eles teriam que aceitar.
FLAHBACK OFF
–-Você parece que não pensa Milo—acusou o francês—acha que tudo é muito fácil, como acha que seus amigos vão reagir?
“So close no matter how far
Couldn't be much more from the heart
Forever trusting who we are
And nothing else matters”
–-Era com isso que estava preocupado Camus?Como meus amigos vão reagir?—perguntou.
Camus não respondera. Para Milo isso era um sim.
–-Se forem meus amigos eles vão aceitar, se não aceitarem eu não estou nem aí. Já você parece que possui seus amigos na frente.
–-Não fale besteira—Camus esmurrou a porta para que ele sabia que estaria atrás sir dela—eu falo com pouca gente e me acostumei a ficar sozinho a maior parte do tempo, você é o rapaz mais popular daqui e se as pessoas te virarem as costas o que você faz? Sua sensibilidade é maior que a minha nesse aspecto.
–-Tem certeza que o problema é só esse? Será que não é aquele indiano idiota ou o pirralho do primeiro período?—Milo mantinha os punhos fechados estava começando a ficar vermelho.
–-Deuses Milo, eles são namorados!
–-E se não fossem?—levantou uma sobrancelha ao fazer a pergunta.
–-Nada iria mudar Milo.
“Never opened myself this way
Life is ours, we live it our way
All these words I don't just say
And nothing else matters”
–-O que não mudaria Camus?
–-O que eu sinto por você, je t'aime² Milo, Je t'aime plus que tout³.
A surpresa de Milo foi notória, assim que o francês terminou de falar uma lagrima escorreu pelo seu rosto, seu sentimento era correspondido.
“Trust I seek and I find in you
Every day for us something new
Open mind for a different view
And nothing else matters”
A única coisa que Camus pudera ver foi o grego correndo em sua direção e o abraçando. Milo soluçava.
–-Eu te amo muito Camus.
–-Milo—o grego o “soltou” e ficou o olhando—quer namorar comigo?
¹-como vai
²-eu te amo
³-eu te amo mais que tudo
Continua...
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