Notas iniciais
Agradecendo a LeleMarques pela paciência sem fim de betar isso aqui. Um dia, eu marco um encontro para ela com o amado Jonh Bodyguard e Ben Barnes ao mesmo tempo!

O sol brilhava alto no céu, mostrando que o verão tinha chegado para valer em Chicago. Era quase o final de Julho, e Richie e eu aproveitávamos as últimas semanas das férias dele. A partir do próximo outono, meu pequeno grande homem passaria a estudar em tempo integral, e assim, eu perderia algumas horas muito preciosas ao seu lado daqui para frente.

Na árvore sob a qual me escondia, não havia uma folha sequer – prova viva de que o clima seco castigava não só as pessoas que moravam ali. Nem o vestido mais leve em meu guarda-roupas era suscetível àquela ao calor escaldante que afetava todo o país. A temperatura elevada fazia com que minha pele sempre tão pálida ganhasse um tom exagerado de vermelho, mesmo que eu usasse todos os acessórios possíveis para evitar isso. Minha franja já muito longa se grudava em minha testa, o suor já estava se acumulando em minha nuca, devido ao calor excessivo.

Se tudo isso já não fosse o suficiente para que eu me sentisse uma das mulheres mais repugnantes do Universo, a coletânea de espinhas que haviam se formado em meu rosto nas últimas semanas devido aos hormônios, contribuiu para que me sentisse pior ainda. Isso sem contar os meus seios, que além de doloridos, haviam dobrado de tamanho, e também o meu quadril, que já não cabia mais no manequim 38.

Entretanto, quando eu me lembrava o motivo pelo qual meu corpo estava sofrendo tantas mudanças drásticas em tão pouco tempo, um sorriso enorme surgia em minha face. Sobrepeso, manchas, estrias... Esse era o preço que estava disposta a pagar em troca da chance de gerar mais um serzinho em meu ventre.

O parquinho próximo a nossa casa estava lotado de crianças aproveitando mais um dia livre. Richie estava com alguns coleguinhas de time, brincando no escorrego. Eu até tinha trazido um livro, mas conhecendo o filho que tinha, não consegui me concentrar na leitura e preferi ficar de olho nele de onde estava. Mesmo que ele nunca tivesse me dado nenhuma preocupação – como contusões e ossos quebrados, como geralmente garotos de seis e tantos anos costumam ter –, eu não conseguia ficar tranquila, e assim, preferia testar meus nervos a cada nova aventura dele.

Além do calor intenso, os últimos dias haviam sido preenchidos também por uma completa felicidade que eu mal imaginara que seria viável. Descobri que poderia curtir muito mais o fato de estar grávida de novo, já que não teria todo estresse que passei durante a primeira gestação. Meu novo bebê nasceria em um lar já estabelecido, cercado de amor por todos os lados. Desta vez não havia um casamento às presas, nem cortes de despesa e muito menos o vizinhos reclamando quanto aos choros no meio da madrugada, vindos de um apartamento de 46m² no subúrbio da cidade.

Contudo, havia desta vez outros problemas.

Olhando de relance para o relógio em meu pulso, vi que já se passavam das quatro. Em outras circunstâncias, Edward não tardaria a chegar em casa. Porém, desde que eu lhe contei sobre o resultado positivo da gravidez-esperada-mas-nem-tão-planejada-assim, meu marido entrou de cabeça nos planos para a venda do escritório de advocacia.

Era em momentos como este, eu queria que tudo pudesse ser tão simples quanto uma transação do E-bay; oferta, interesse, repasse e lucro. Todavia, era necessária toda burocracia, além da garantia de que nenhum dos clientes dele iria ser prejudicado com a transferência. Por fim, isso apenas acarretou com que Edward ficasse cada vez mais focado na meta de ter tudo pronto o quanto antes, para que no próximo verão, nós quatro já pudéssemos estar desfrutando em algum lugar na Costa Oeste.

Mal sabia ele o quanto nós estávamos sentindo sua falta. Afinal, os finais-de-semana costumavam ser sagrados para nós. Especialmente durante os domingos, onde costumávamos passar o dia todo de pijama, comer besteiras e assistir partidas basquete ou jogar no Play II, mesmo que ambos ficassem rindo de minhas péssimas habilidades para qualquer jogo eletrônico.

Então, por mais que eu estivesse sempre tentando distraí-lo durante o último mês, Richard sentia falta do pai. Ele praticamente idolatrava Edward como seu super-herói e a ausência dele fez com que eu já tivesse começado a perceber as mudanças em meu filho desde que tudo isso teve início. Richie estava mais introspectivo, mais irritadiço e muito menos comportado.

Antes de chamá-lo para voltarmos para casa, liguei para o celular de Edward, procurando saber se ele voltaria a tempo para o jantar. Como imaginei, o aparelho estava desligado. Respirei fundo e juro que tentei ver as coisas no ponto de vista dele, porém estava ficando cada vez mais complicado. Afinal de contas não era só o pai do meu filho que estava em falta; eu também tinha saudade do meu marido.

Coloquei o boné de volta sobre minha cabeça e caminhei devagar, me aproximando de onde Richie estava com seus amigos. Mesmo que estivesse se divertindo, eu notei que sua risada era mais contida e nem seus olhos brilhavam tanto, como quando Edward brincava ao seu lado.

– Vamos filho, está hora de ir para casa.

Para minha surpresa, ele não pareceu totalmente contrariado e se despediu rapidamente dos outros garotos. Pegou os brinquedos que trouxera e caminhou rapidamente em minha direção.

– Será que o papai vai chegar logo em casa? – ele inquiriu, seus olhinhos brilhando com esperança que eu não ousaria destruir.

– Eu ainda não sei, querido. Mas tenho certeza de que ele virá jantar conosco.

Cabisbaixo, Richie começou a caminhar lentamente ao meu lado. – Quase nunca ele tá em casa, agora –, disse, chutando um pedregulho do meio do caminho. – É tudo empresa, empresa, empresa. Será que ele não gosta mais de brincar comigo?

Sua pergunta seria até cômica, se por acaso o assunto não fosse tão sério. – Não é isso, filho –, falei, afagando seus cabelos espessos. – É claro que seu pai ainda gosta de brincar com você. Só que ele anda muito ocupado com a venda da empresa.

– E por que ele vai vender o trabalho dele?

Mesmo sem querer, acabei rindo. – Bem, ele está fazendo isto porque em breve nós vamos nos mudar, lembra? Para ficar mais próximos do vovô e da vovó. E quer saber um segredo?

– O que? – Ele indagou sem muito ânimo.

– Quando formos morar em Washington, o papai terá muito mais tempo para passar com você!

– Verdade?

Assenti e puxei-o para que nós atravessássemos a rua e fossemos para o carro estacionado do outro lado. Richard pareceu imediatamente mais animado com a minha última afirmação. – Mas você sabe que isso não acontecerá cedo, certo? Vamos ter que esperar seu irmãozinho ou irmãzinha chegar para que tudo isso aconteça – completei, segurando firme sua mão assim que o sinal abriu

Ele fez uma careta. – E quando é que ele chega?

– Huh, ainda vai demorar um pouquinho. – E antes que ele piorasse ainda mais seu humor, complementei, – Hey, eu tive uma idia! Que tal se a gente fizesse nossas próprias pizzas para jantarmos quando seu pai chegar?

Finalmente, consegui ver um sorriso de verdade aparecer no seu rosto. – A gente pode fazer guerra de farinha?

Rolei os olhos. – Vou pensar no seu caso, mocinho.

– Eba!

Ao chegarmos em casa, cada um de nós seguiu rapidamente para o banho e alguns minutinhos depois nos encontramos na cozinha para começarmos a preparar a pizza. Meu pequeno chefe supervisionava milimetricamente cada medida que eu punha na mistura e fez questão de amassar com entusiasmo a massa grudenta enquanto eu cortava os tomates para o molho. Os minutos se passaram rapidamente, e a quietude na cozinha foi preenchida com as divagações comuns que só uma criança era capaz de fazer.

Assim que eu havia posto tudo no forno, o telefone tocou. Richie correu até o aparelho para atendê-lo na medida em que eu limpava o restante dos utensílios que havia utilizado.

– É a tia Rose. Quer falar com você – ele disse, estendendo-o para mim.

Enxuguei as mãos na parte de trás do meu jeans e falei. – Agora está na hora de você arrumar aquela bagunça no seu quarto. Assim que terminar, volte para sala para esperarmos o papai, ok?

Apesar da cara feia, ele assentiu e subiu as escadas. Só quando tive certeza de que meu bebê havia chegado em segurança no piso superior, me voltei para o telefone. – Desculpa a demora, Rosalie.

Sem problemas. Eu tenho uma vaga ideia do trabalho que é cuidar de crianças, quando o Emm traz os meninos aqui para casa...

Eu tive que sorrir. – Eu não sei como você aguenta mais de 12 meninos ao mesmo tempo!

Acho que é meu instinto materno frustrado que faz com que isso aconteça. – Ela riu sem humor algum. Antes que eu pudesse reagir e evitar o silêncio estranho que tomou a ligação, Rosalie continuou. – Bem, na verdade, eu liguei para saber se você gostaria que saíssemos para comprar algumas coisinhas para o bebê na próxima quarta-feira.

Quando Edward e eu voltamos de Forks algumas semanas atrás, nós havíamos convidado Emmett e Rose a nossa casa para compartilharmos as boas-novas. A reação deles, especialmente Rosalie, foi um tanto quanto amarga no primeiro momento. Eu tinha ideia do quanto eles queriam ter filhos, no entanto, não fazia a mínima noção de que o fato de que estava grávida novamente iria causar tanto desconforto àquele casal.

A questão – que eu só descobri no dia seguinte, logo após ela ter me confessado – era que Rosalie era estéril. Ela e Emmett haviam tentado todos os tipos de tratamento, mas nada pode mudar a realidade deles. Toda a dor que eles tinha resguardado somente para ele veio a tona quando Edward e eu lhes contamos sobre a nova gravidez; ela não pode deixar de sentir um pouco de inveja de mim por conta disto.

– Hmmm, você tem certeza, Rose? Você não precisa fazer esse tipo de coisa se isso te incomoda, ou algo assim...

Por favor, Bella. Não é incomodo nenhum. Você é a grávida mais próxima de mim. Só me deixe saber o gostinho de tudo isso, por favor?

Puxa, você sabe como ser insensível, Isabella. Foi o que pensei comigo mesma ao ouvir o pedido de Rosalie. – Tudo bem, Rose. Edward não sabe muito sobre essas coisa, então será um prazer ter companhia de alguém que saiba comprar roupinhas tamanho recém-nascido ao invés de 1 ano.

Bem, pelo visto isso será meio que uma simbiose para nós duas, não é? Uma relação onde os dois saem ganhando.

– Eu acho que sim – eu disse levemente. – Então, Angela Webber, a mãe dos gêmeos que estudam com Richie é designer de interiores. Quem sabe nós não poderíamos marcar um horário e dar uma olhada nos modelos para o quarto?

Por mim tudo bem. Acho que a escolha do quartinho é um bom começo. Você vai querer saber o sexo antes do parto?

Rolei os olhos. – Eu suportaria muito bem até o final, mas o Edward fica ansioso demais. Com certeza, assim que for possível identificar, ele fará questão de saber.

Homens... Bem, eu tenho que ir. Emmett acabou de chegar da corrida e eu ainda tenho que fazer o jantar. Até quarta?

– Sim, vou falar com Angela, e qualquer coisa eu te ligo.

Despedimo-nos, e eu aproveitei o ensejo de estar com o telefone na mão e resolvi discar o número de Edward, só para saber se ele chegaria a tempo para jantar conosco. Infelizmente, não foi surpresa nenhuma para mim quando seus dois celulares caíram direto na caixa postal.

Frustrada, resolvi subir e ver o quão bem arrumado Richard tinha deixado seu quarto. Como imaginara, tudo estava uma bagunça, exceto pela mochila da escola que permanecia intocada desde o inicio do mês passado. Ocorreu-me que eu precisava fazer uma anotação mental e programar algumas horas de estudo ao lado dele durante estas férias, para que ele não chegasse às aulas no próximo outono tendo esquecido tudo que aprendera no semestre passado. Então, juntos, terminamos de organizar a cama e juntar todos seus brinquedos que estavam espalhados em todos os cantos.

Voltamos para sala onde Richie escolheu pela centésima vez assistir "A Era do Gelo" enquanto esperávamos nossa pizza ficar pronta. Um pouquinho depois da metade do filme, ele já estava dormindo com sua cabecinha recostada no meu colo. Nesse meio tempo, eu já havia desligado a massa e colocado-a para aquecer, só esperando que meu marido finalmente chegasse em casa, para podermos desfrutar de nosso jantar em família, algo que não fazíamos há mais de uma semana. Mais uma vez, tentei localizá-lo pelo celular, e de novo, não houve resposta.

Mas do que chateada, decidi acordar Richie para finalmente jantarmos e depois disto resolvi pô-lo direto na cama. Essa situação já estava passando dos limites. Se esse era o tipo de prioridade que Edward estava disposto a dar a nossa família, eu e meus filhos estávamos mais que dispostos a dispensá-la. Se as últimas semanas foram à prévia do que teríamos que passar até que a transação desta maldita empresa fosse concluída, eu não queria nem imaginar a quantidade de brigas que estavam por vir em nosso relacionamento.

Eu não sei quantas horas haviam se passado desde que eu voltara para sala à espera de dele. Sei que foi tempo suficiente para assistir um episódio de Criminal Minds e um documentário inteiro voltado para a vida dos golfinhos. Em algum ponto, minha resolução em permanecer acordada começou a falhar, e antes mesmo que eu me desse conta, deixei-me levar pelo cansaço e acabei caindo no sono.

Não sei quanto tempo tinha se passado, a única luz em toda casa vinha do televisor ainda ligado. O primeiro som que meu cérebro – ainda confuso e semi-acordado – registrou, foi o estalar de lábios em minha testa. Depois disso, o tato foi logo despertado, ao sentir duas coisas ao mesmo tempo; o afago carinhoso de mãos grande se embolando em meus cachos e o pinicar de uma barba por fazer roçando em meu rosto. Tais sensações eu conhecia tão bem, e era impossível não reagir a elas.

– Acordei você? – seu timbre rouco murmurou próximo ao meu pescoço, fazendo com que todo meu corpo se aquecesse ao som de sua voz.

– Eu estava te esperando – balbuciei ainda com os olhos cerrados, esticando meu corpo ao tentar despertar novamente.

Ele riu e seu hálito quente fez com que minha pele arrepiasse. – Bem, parece que sua espera foi bem confortável – sussurrou ele, seus lábios quentes sibilaram muito próximos aos meus.

No entanto, antes que a distância entre sua boca e a minha esvanecesse completamente, a razão voltou em mim e eu parei seu movimento, empurrando-o levemente pelo ombro.

– Por que você demorou tanto, Edward? – inquiri, aproveitando o momento para abrir meus olhos.

Ele soltou um suspiro pesado e se afundou no chão da sala, segurando forte a ponte de seu nariz. – É o trabalho, Bella. Sendo sócio majoritário, você sabe que eu não posso simplesmente vender minha parte e dar o fora –, disse, recostando-se contra o sofá, – Sem contar que alguns velhos acionistas estão sendo uns verdadeiros filhos-da-puta.

Arrumei-me para ficar em uma posição sentada e cruzei os braços contra o peito. – Hoje é domingo – afirmei simplesmente.

– Porra, eu sei Bella! – ele disse duramente, e mesmo contra luz, eu consegui perceber sua expressão frustrada e as enormes olheiras na face. – Não tenho culpa se aqueles idiotas não tem família e querem trabalhar durante os finais de semana!

– Sinceramente, eu não entendo, Edward! Você queria ficar mais tempo com a gente, e desde que eu lhe contei sobre a gravidez, tudo o que você tem feito é sumir de casa! Eu sinto sua falta. Richie sente sua falta!

– Bem, eu sinto falta de vocês também, caramba! Droga, Bella, eu avisei desde o inicio que isso seria uma loucura para mim! –, disse ele, exasperado.

Cruzei o braço sobre o peito, ainda zangada demais para tentar entende-lo. – Tudo bem, mas tem necessidade de ficar até as... – olhei de relance para o relógio em meu pulso – ...dez da noite em pleno domingo, trabalhando?

– Meus celulares descarregaram e você sabe que os telefones do escritório ficam bloqueados durante os fins-de-semana. Não tinha como te avisar. –, e antes que eu pudesse abrir a boca cara consternar, ele continuou. – Sem contar que eu tinha que levar Lauren para casa.

Levar quem?

Por incrível que pareça, Edward simplesmente rolou os olhos e sorriu. – Você sabe quem é ela, amor. Lauren Mallory, minha assistente.

– Eu não acredito nisso! Por que você tinha que dar carona para aquela... aquela... Urgh! – Fiquei de pé, não contendo minha fúria com a indiferença dele em relação a mulher que eu sabia das intenções com o meu marido. – Isso, não tem a mínima graça, Edward!

– Sabia que você fica ainda mais linda cheia de ciúmes? – disse ele enquanto seu olhar se demorava em minhas pernas.

Cruzei os braços no peito. – Sexo não vai resolver seu problema, querido. Por que você levou Mallory em casa? Foi por isso que demorou tanto para voltar aqui? O que foi que ela disse?

– Quem falou em sexo?

– Eu te conheço, Edward!

Ele desarrochou o nó da gravata à medida em que se aproximava de mim. – Você quer explicações? Ok. Então. Demorei porque precisei levar Lauren até sua casa em Waukegan. Metrôs aos domingos são extremamente vazios, e eu não quero correr o risco de ter que pagar alguma indenização milionária porque uma de minhas funcionárias perdeu a vida enquanto fazia hora extra.

– Essa é simplesmente a pior desculpa esfarrapada que eu já ouvi durante esses 10 anos juntos, Edward!

Ele ignorou completamente meu comentário, pousando sua mão sobre meu ombro fazendo com que seus longos dedos se arrastassem na clavícula, e que meu corpo traidor e hormonal demais se arrepiasse ao toque dele.

– Alguma vez eu menti para você, Isabella? – ele perguntou, flexionando ligeiramente seus joelhos para ficar ao nível dos meus olhos. Ao meu assentimento, Edward continuou, – Então você acredita que não existe nenhuma outra mulher no mundo para mim além de você.

– Mas...

– Shhh... – ele sibilou, usando a outra mão livre para acariciar meu braço. – Eu te amo, Bella. Quando é que você vai colocar nessa sua cabeça que eu já tenho tudo quando tenho você ao meu lado, huh?

A mão que contornava meu pescoço veio descansar em minha face, e instintivamente meu corpo reagiu àquele carinho, inclinando-se contra sua palma. Inspirei profundamente enquanto seu carinho constante me acalmava, impedindo que eu conseguisse guardar rancor algum por sua atitude de trabalhar sete dias por semana, desde então.

Sabendo que ele estava na vantagem, Edward se aproximou ainda mais, laçando minha cintura que mal mostrava os primeiros sinais de arredondamento devido à gravidez. Ele colocou um beijo no topo da minha cabeça, e eu me derreti em seu abraço.

– Desculpe por isso, baby. Você sabe que eu só estou fazendo isso porque...

– ...quer se livrar da empresa o quanto antes para que possamos nos mudar de vez pra Seattle. Eu sei, Edward –, completei, minhas mãos apertando o amontoado de tecido que sua camisa formava no final das costas. – Só que você tem que entender que tanto eu quanto Richie, precisamos de você por perto. Ultimamente você anda tão afastado. Nós sentimos sua falta.

Ele nos arrastou para o sofá e fez com que eu me sentasse em seu colo. Puxou-me contra seu peito, fazendo com que minha cabeça descansasse sobre seu ombro. Elevei uma de minhas mãos e acariciei sua barba crescida há mais de três dias que espetava a pele de minha palma. Edward respirou profundamente e jogou o pescoço contra o encosto do sofá. Os círculos roxos sob seus olhos em sua pele clara lhe davam um ar fantasmagórico, ao ponto de ofuscarem o brilho de seus olhos verde-esmeralda.

Sabia que suas intenções eram boas, contudo, do que adiantava todo esse desgaste ao se dedicar ao trabalho se ele mal poderia aproveitar os momentos iniciais de minha gravidez? Era contraditório para dizer no mínimo; essa fase workaholic dele estava fazendo justamente algo que em tese, ele não queria: se afastar da família.

– Só são mais alguns meses, amor – disse, colocando uma mecha de meu cabelo atrás da orelha. – Quando você menos esperar, nós estaremos procurando uma casa em Tacoma ou Port Angeles. Quem sabe até Alice ajude a montar o quarto do bebê ou algo assim.

Eu ri, aspirando o perfume almiscarado ainda remanescente em sua pele. – Alice irá me ajudar com esse enxoval mesmo que fôssemos morar no Alaska.

Ele também acabou rindo ao assentir, e me apertou ainda mais contra seu corpo. Ficamos alguns minutos assim até que ele usasse sua mão para erguer meu queixo. – Desculpe, Bella. Eu vou tentar passar mais tempo em casa, ok?

– É só isso que quero, Edward – sibilei, antes de finalmente juntar nossos lábios em um beijo caloroso, que tinha um gosto de reconciliação.

Não sei por quanto tempo ficamos naquele abraço, onde nossas línguas alternavam a dominância do beijo, ora devagar, ora entusiásticas. Aquele ato de carinho fez com que eu me esquecesse de qualquer coisa, como sempre acontecia desde os meus 14 anos, quando começamos a namorar.

Quando se foi necessário respirar outra vez, nós nos afastamos, porém permanecemos na mesma posição; eu brincava com o colarinho de sua camisa enquanto ele afagava meus cabelos. Ali, naquele momento, não havia nada melhor do que a carícia dele me levando à letargia. No entanto, antes que eu deixasse me levar outra vez pela sonolência, algo premente fez com que isso não acontecesse.

–Edward?

– Hmmmm.

– Você vai comigo amanhã, não é?

Se cenho se franziu. – Ir para onde?

Outra vez a frustração tomou conta do meu corpo ao notar seu completo esquecimento perante um dos momentos mais importantes de nossas vidas. – Eu não acredito que você esqueceu!

– Esqueci de quê?

Joguei as mãos para o alto para depois bater forte as palmas sobre seu peito. – Minha primeira ultrassonografia é amanhã! Você não lembra?

– Merda... – ele murmurou, segurando a ponte do nariz.

– Bem, parece que terei que fazer isso sozinha. Você deve ter alguma reunião inadiável, pelo visto!

Seus olhos endureceram e ele sibilou autoritário. – Vou pedir agora que Lauren reorganize minha agenda para depois das onze da manhã. – Levantou-se e se dirigiu até uma das gavetas do aparador, onde tirou o carregador do seu IPhone. – Nada para mim é mais importante do que minha família.

– É. Nas últimas semanas você vem mesmo demonstrando isso.

Diversas vezes ao longo da semana anterior, eu havia lhe dito que tinha esse exame para ser realizado. Apesar de seu breve sorriso quando comentei, acreditei que ele estivesse tão ansioso quanto eu. E, por mais que nós não conseguíssemos perceber muita coisa em um feto com um pouco mais de 10 semanas, a ultrassonografia – pelo menos ao meu ver – era essencial; afinal este era o primeiro "contato" que teríamos com nosso bebê; ter a chance de vê-lo pela primeira vez.

Pelo visto, tudo havia sido um ledo engano.

– Espero sinceramente que você esteja dizendo a verdade, Edward – alfinetei, ainda magoada pelo lapso de memória dele. – Eu estou subindo.

– Ok – ele grunhiu sem tirar os olhos do visor do celular.

Permiti que as lágrimas que encheram meus olhos se derramassem. Geralmente, eu não era tão emotiva assim, mas parece que a gravidez associada à carência tinha me transformado em um ser movido a reações dramáticas.

No quarto, vesti a velha camiseta dos tempos em que ele ainda jogava no time de basquete da faculdade, e me enrolei encolhida no canto da cama, esperando que o choro descabido cessasse. Minha raiva era alimentada pelas atitudes recentes dele, onde suas promessas pareciam infundadas diante de sua ausência recente na minha vida e na do nosso filho.

Eu me perguntava por que ele fez tanta questão de termos mais outra criança. Ele insistiu durante semanas sobre o assunto e de repente, parece tão indiferente. Lembrei-me vagamente de ele me dizendo que agora não seria o momento ideal para que eu engravidasse, na mesma noite em que lhe contei a notícia. Isso me fez questionar várias coisas.

Será que havia mais problemas na empresa que ele não queria que eu soubesse? Será que ele havia se arrependido de persistir nessa gravidez? E sendo assim, ele não tinha coragem de me contar?

Esse turbilhão de perguntas fez minha cabeça doer, ao ponto de nem conseguir me concentrar nem sequer para adormecer. Meu corpo cansado pedia por descanso, mas minha mente ativa demais se recusava a desligar-se por completo.

Alguns minutos depois, escutei Edward entrando em nosso quarto. Fechei os olhos e, por mais infantil que fosse essa atitude, fingi que dormia. Ouvi-lo retirar seus sapatos e caminhar até o closet, para logo em seguida notar o farfalhar de roupas sendo eliminadas e água sendo derramada pelo chuveiro no banheiro.

Depois, seus passos suaves vieram até a cama, onde ele apagou o abajur antes de se deitar ao meu lado. Uma de suas mãos circundou minha cintura, onde fez círculos preguiçosos perto do meu umbigo

– Eu sei que você ainda está acordada – sussurrou, aninhando minhas costas contra seu peito desnudo. – Você é uma péssima mentirosa, amor.

Respirei fundo, e virei-me para encarar seus orbes verdes tão nítidos apesar da escuridão do quarto. – Edward, você ainda quer tudo isso? – inquiri sem rodeios.

– Tudo isso o que?

– Mais filhos, vender a empresa, sair de Chicago... Se você mudou de ideia e não sabe como me di–

Fui impedida de continuar com minhas divagações por conta de dedos pressionados levemente sobre meus lábios. – Quero mais que tudo, amor – ele murmurou, transparecendo sinceridade em seus olhos. – Ser pai foi e sempre será a experiência mais fodástica de minha vida, e eu quero continuar dividindo isso com você.

– Então, por que é que você anda tão indiferente? Quando fiquei grávida do Richie você estava no último ano da Escola de Direito e ainda trabalhava em tempo integral. Mesmo assim, sabia todas as vitaminas pré-natais que eu tomava e sempre fez questão de acompanhar todos os exames. Hoje tudo é tão diferente!

– Baby, – ele murmurou, arrastando seus polegares abaixo dos meus olhos, enxugando as lágrimas que tinham voltado a aparecer –, naquela época, eu não era dono de uma empresa estimada em seis milhões de dólares e nem tinha um bando de velhos idiotas me dizendo o que é certo ou errado para se fazer.

A única coisa que fiz foi fungar levemente, exausta por estar naquela montanha-russa de emoções que me encontrava.

– Aro e Caius não querem comprar minha parte na empresa por medo de que minha ausência faça com que percamos clientes. E nem eu posso vendê-la a qualquer outra pessoa que não seja acionista, por conta de uma cláusula idiota que meu pai inventou em prol da "estabilidade do escritório" – comentou, fazendo aspas no ar.

– E por que você não me disse isso antes?

– Não quis te preocupar. Eu sei que a partir agora você irá ficar incomodada por isso, e tudo o que eu menos quero no mundo é te ver desse jeito.

Suspirei cansada e sibilei. – Edward, nós somos casados. Se algo lhe aflige, é obvio que isso irá me aborrecer também.

– É meu dever como marido não permitir que isso aconteça – comentou, balançando a cabeça contrariado.

– Sério? Em que ano nos estamos? 1920!

– Baby, eu me sinto responsável sobre isso. Você e nossos filhos são as coisas mais importantes do mundo.

– Não importa, Edward! Mais do que sua esposa, eu sou sua amiga, e você devia dividir comigo esse tipo de coisa.

Ele me abraçou mais forte, escondendo seu rosto na curva de meu pescoço. – Eu sei, Bella. Me desculpe. Sinceramente, eu só não quis lhe preocupar.

Não resisti e estiquei minha mão, correndo os dedos entre seus fios acobreados. – Eu odeio quando você faz isso, Edward. Esconde as coisas de mim como se eu fosse alguma estúpida e acaba se afastando totalmente.

– Você não é estúpida. Pode ser teimosa, temperamental e mandona, mas não estúpida. – ele falou e eu pude sentir seu sorriso em meu pescoço.

Dei uma tapa no seu antebraço. – Eu estou falando sério, Edward!

– E definitivamente, muito violenta. – Antes que eu emburrasse mais ainda por conta de sua atitude infantil, ele continuou. – Ok. Eu parei. Chega de brigas por hoje.

– Só se você prometer que não irá esconder mais nada de mim – murmurei, empurrando levemente sua face para que pudesse fita-lo outra vez. – Eu preciso que você seja sincero quanto a isso baby.

– Eu prometo, amor –, ele jurou antes de reconectar nossas bocas.

Quando o beijo teve fim, suspirei satisfeita e me aconcheguei ao seu lado. Pousei minha mão sobre seu peito, sentindo os poucos pêlos que haviam ali fazendo cócegas na minha pele. – Eu queria poder ficar com raiva de você –, comentei distraidamente.

Ouvi-lo rindo. – Espere só até amanhã de manhã, quando eu não quiser acordar cedo.

– Bobo.

Edward colocou um beijo no alto da minha cabeça e disse. – Bobo, mas completamente louco por você.

Aquelas palavras me deram certeza de que por essa noite, eu poderia dormir tranquila ao lado do homem que eu amava, tendo as batidas de seu coração como melodia que me levassem a inconsciência. Afinal, enquanto eu o tivesse como protetor, amante e fortaleza, nada seria capaz de me derrubar.

[...]

Na manhã seguinte, assim como ele tinha previsto, Edward protelou para acordar, agindo tão infantilmente quanto o Richie. Minha consulta era às 8 da manhã, e portanto, teríamos que enfrentar o conturbado tráfego da cidade até que chegássemos ao local.

Arrumei-me o mais rápido possível enquanto Edward finalmente se levantava e ia acordar nosso filho. Não iríamos levá-lo conosco porque, na minha opinião, o consultório de uma ginecologista definitivamente não era o local para uma criança de seis anos. Deixaríamos nosso filho aos cuidados de Bree, uma adolescente que morava na vizinhança e que sempre fazia alguns trabalhos como baby-sitter quando Edward e eu precisávamos sair sem nosso pequeno.

Ao descer para preparar o café-da-manhã, me deparei com uma cena ao mesmo tempo cômica e comovente: meus garotos esparramados no sofá, cabeças coladas lado a lado e, pelo visto, voltando a dormir profundamente. Se não fosse a coloração castanha dos cabelos, Richie seria uma miniatura perfeita do pai. E pelo que me parecia, meu filho não queria somente parecer fisicamente com seu pai. Edward era seu ídolo e melhor amigo; seu modelo a ser seguido por toda sua vida.

Refleti sobre isso à medida em que preparava um suco e colocava alguns Pop-Tarts na torradeira. Estava absolutamente preocupada com a atual maneira de agir de Edward. Enfim, se sua ausência em casa passasse a se tornar um hábito, no que isso afetaria meu filho? E se não pudéssemos nos mudar para Washington? O que essa mudança nos nossos planos poderia acarretar?

Suspirei cansada, com receio de pensar no futuro. Eu tinha um filho crescendo em meu ventre, outro que sofria com a falta do pai em plenas férias escolares e um marido indignado porque simplesmente odiava quando alguém interferia em seus planos.

Enquanto cortava alguns pedaços de pêssegos, senti um par de braços conhecidos se cruzar sobre minha cintura. Inclinei-me contra seu peito enquanto ele beijava meu ombro, esquecendo momentaneamente a maré de mudanças que estávamos atravessando.

– Quer ajuda? – ele perguntou, roubando alguns pedaços da fruta

– Não, já estou terminando. Não é muito, já que temos que sair daqui a pouco.

– Sem problema. Se você sentir fome, nós podemos parar em alguma cafeteria perto do hospital.

– Eu não posso, Edward. Esqueceu que eu preciso permanecer em jejum?

– Ah, é... – , ele respondeu com uma careta.

Eu ri porque no fundo, sabia por que todo esse interesse. Apostaria qualquer coisa que antes mesmo de voltarmos para casa, ele acabaria pedindo por mais comida. – A que horas você tem que voltar para o escritório?

– Não tenho horário. Não, enquanto minha mulher precisa de mim.

– Então, isso quer dizer que você não virá jantar em casa – afirmei, me virando para encará-lo.

– Vou tentar voltar antes das seis, ok? – disse, antes de me abraçar mais apertado e colar nossos lábios brevemente. – Vou ligar para os Tanners e perguntar se Bree já está vindo.

– Tudo bem – murmurei fracamente.

Ele beijou minha bochecha e deu um leve tapa em minha bunda. – Eu te amo – , murmurou antes de partir para o telefone.

– Eu também, baby – respondi de volta.

Depois disso, nossa casa ficou agitada por conta dos últimos preparativos para partirmos. O mal-humor matinal de Richie durou até que lhe contamos que sua babá estava vindo para cá. Eu tinha a leve impressão de que ele tinha alguma paixonite por Bree; seu sorriso se ampliava imensamente só a menção do nome de nossa vizinha. Edward também desconfiava da mesma coisa e – como todo bom macho-grosseiro – achava o máximo isso.

Minha única atitude era rolar os olhos. Bem, pelo menos por enquanto. Não queria nem imaginar a quantidade de rugas que eu teria daqui alguns anos, quando meu filho fosse um adolescente e esbanjasse todo seu charme herdado, com o sexo oposto.

Assim que Bree chegou, Edward e eu seguimos para garagem a fim de chegar o quanto antes no consultório. Para variar, infelizmente o trânsito não contribuiu muito conosco. Essa era a maior desvantagem de se morar no subúrbio: não havia meios alternativos para se chegar a qualquer local, como o metrô, por exemplo. Éramos completamente dependentes do automóvel e isso me irritava bastante na maioria das vezes.

Quando comentei isso com Edward, ele simplesmente deu de ombros.

– Isso não vai mudar muito quando nos mudarmos para Seatlle, baby – ele comentou enquanto achava uma vaga livre no estacionamento do hospital. – Não é porque eu vou deixar a empresa que irei me privar dos benefícios do dinheiro.

– Você poderia ser um pouco menos soberbo, sabia?

– Não é questão de soberba, Bella. Eu só nunca vou abrir mão do conforto para todos nós – ele comentou ao estacionar e desligar o carro.

– Para mim, isso continua sendo uma atitude de prepotência.

Brincando, mas sendo um tanto sincero, Edward pediu. – Você quer mesmo discutir agora? Porque eu estou louco para ver nossa filha.

– Você e essa sua obsessão por uma menina.

Ele riu, abrindo a porta do carro. – Você não pode me culpar por isso, baby. Só quero uma versão em miniatura da mulher que eu amo correndo pela casa.

E ri, e de mãos dadas seguimos caminhando até a entrada do Northwestern Memorial Hospital, um dos maiores do país. A recepção do setor ambulatorial estava relativamente vazia, não deixando que nós esperássemos tanto tempo para sermos atendidos. Subimos até o sexto andar, onde a Dra. Melanie Shelton tinha seu próprio consultório.

Dra. Shelton me acompanhava como ginecologista desde que me mudei para Chicago, incluindo todo o pré-natal de Richie. Por ser uma profissional extraordinária, eu confiava cegamente em seus julgamentos. Sem contar que sua clinica contava com todo o aparato necessário para um dos melhores acompanhamentos para gestantes. Não havia maneira alguma de que eu deixasse tudo isso de lado.

O tempo que levamos na sala de espera foi relativamente curto; a única coisa que me irritou um pouco foi o fato de Edward ficar olhando para seu celular a cada 30 segundos, resmungando palavras incompreensíveis como se o pobre aparelho tivesse culpa de suas frustrações.

Quando fui chamada, ele finalmente desligou o telefone o colocou no fundo do bolso. Eu tive que sorrir para isso; ele estava sendo absolutamente sincero quando dizia que sua família vinha em primeiro lugar. Sempre.

A médica nos cumprimentou com um sorriso discreto, já analisando a ficha de minha última visita por aqui, quando eu descobri a gravidez há mais de um mês. Podia parecer desleixo de minha parte deixar passar algumas semanas até a próxima consulta, porém, propositalmente, eu quis demorar mais um pouco mais até que conseguisse enxergar algo além de um pontinho branco indecifrável no meio da tela.

Egoísta, eu sei.

Tive que fazer todos os exames rotineiros, incluindo, para o meu total desespero, a pesagem, onde soube que já tinha aumentado três quilos desde que descobri que estava grávida. Depois de ver que estava tudo ok com minha pressão sanguínea e taxa glicose no sangue, a Dra Shelton passou algumas vitaminas e reforçou os cuidados que eu necessitava ter com minha alimentação. Só então, fomos liberados para fazermos a tão esperada ultrassonografia.

Eu estava com minha blusa levantada até a altura do busto enquanto a técnica aplicava o gel gelado em toda extensão de minha barriga não tão aparente, mas rígida devido ao fruto que crescia em meu ventre. Edward estava ao meu lado, segurando minha mão enquanto aguardávamos ansiosos as primeiras imagens do nosso futuro bebê.

Com um sorriso resplandecente no rosto, Edward beijou meu pulso enquanto se voltava para falar com a jovem responsável de manejar o aparelho. – Eu sei que ainda é um pouco cedo para isso, mas você acha que é possível descobrir o sexo já hoje?

– Com certeza não, papai. –, Ela lhe sorriu. – Mesmo que o gênero esteja definido, as coisas por aqui ainda são muito pequenas para que se perceba isto.

– Será que você nunca vai deixar de ser tão ansioso, Edward? – retruquei mais para mim mesma.

Ele sorriu sem jeito e alguns segundos depois, escutamos as batidas do coração de nosso filho.

Fortes, intensas e muitos rápidas, o som provindo da máquina era tão nítido que fez com que as lágrimas viessem imediatamente aos meus olhos. Edward pousou um beijo em minha testa e sussurrou um "eu te amo" contra minha pele.

– Prontos para verem o bebê, Sr. e Sra. Masen? – a garota perguntou, clicando em alguns botões perto do monitor.

– Mais do que nunca – respondi, afastando as lágrimas que permaneciam em meu rosto.

Edward colocou outro beijo em minha face. – Sabe, com um coração forte desse jeito, eu tenho a leve impressão de que, na verdade, temos um outro carinha vindo por aí.

– Por que essa curiosidade toda, amor? Não é como se nós fizéssemos questão de nada... não é?

Ele riu, afastando uma mecha da minha testa. – Eu apenas já estou pensando nos nomes, baby. Sem chances de você me convencer a colocar outro nome brega em nossas crias.

Brega?

– Richard devia ser o nome do meu tataravô, Bella. Sem contar que esse também é o nome do personagem daquele filme ridículo que você tanto gosta.

– Não é como se você tivesse o nome mais moderno do mundo, Edward. E The Blue Lagoon é um filme lindo!

– Viu? É justamente esse meu medo. Se nós levarmos em conta seu péssimo gosto para filmes, nosso próximo bebê vai acabar se chamando Gregory ou Lorraine.

Eu gargalhei alto, contudo, a risada não durou muito tempo, quando notei a expressão séria demais da técnica ao encarar o monitor.

Meu coração saltou uma batida e meu corpo inteiro retesou ao ver a face preocupada daquela mulher.

Edward percebeu o aquilo ao mesmo tempo em que eu, mas foi o único com coragem o suficiente para questionar. – Há algum problema? – sua voz vacilou

– Só me deixem imprimir isto o quanto antes. Em breve a médica voltará a falar com vocês – disse, se apressando ao imprimir algumas cópias e sair em disparada porta afora.

Um súbito medo se instalou em minhas entranhas ao som nervoso de suas palavras.

Havia algo de errado com meu bebê.

E, o pior de tudo, é que eu não tinha a mínima noção do que era, e o que isto poderia significar para todos nós.

Notas finais
Olha eu de novo correndo das pedradas? Antes de mais nada agradecer as reviews de "feliz aniversário" adorei receber como presente os comentários de vocês!

Enfim, fui maldosa ao parar a fic justamente neste ponto, não é? Maaaaas, serei boazinha para aquelas que desejam; spoiler para quem deixar esse sinalzinho [ o/ ] nas reviews.

Qualquer novidade, eu sempre aviso no twitter (follow me: linelins)

Beijocas, e aguardo a opinião de vocês!