Nothing Can Get You Down
6 Capítulo Cinco
Notas iniciais
– Então, deixa eu ver se entendi direito – Alice começou, coçando a nuca enquanto falava. – Você e Edward conversaram sobre a possibilidade de terem mais filhos e, mesmo sem estar absolutamente convicta do que queria, você decidiu parar de tomar seu anticoncepcional, acreditando que não ficaria grávida tão cedo, certo?
– Não é assim, Aliie
– Como não, Bella? Dá para se explicar melhor?
Minha melhor amiga e eu estávamos há mais de quinze minutos sentadas em minha cama enquanto aguardávamos o resultado do meu teste de gravidez. Assim que saímos do restaurante, Alice tinha parado em frente a primeira farmácia que encontrou, pegando três marcas diferentes de testes e partido em disparada até a minha casa. Praticamente, ela me forçou a fazer xixi em cada um dos bastões, quando, na verdade, não conseguia fazer nada além de sentir meu estômago se embrulhando outra vez devido ao meu nervosismo.
Já estava em cima da hora para que eu pegasse Richie no colégio, no entanto, eu estava protelando, adiando ao máximo em ir ver os resultados que estavam pousados nesse momento sobre o balcão da suíte que eu dividia com meu marido.
Recostei-me contra a cabeceira da cama e respondi-lhe, – Não é como se eu não quisesse... Só não imaginava que isso pudesse acontecer tão rápido. Ouvi falar de vários casos em que demoram-se meses, até mesmo anos para que a gravidez ocorra. Rosalie e seu irmão são a prova viva disto. Há quanto tempo eles vêm tentando ter um filho? – inquiri retoricamente. – Eu me previno fazem mais de cinco anos, pelo amor de Deus!
Alice se deitou de bruços no colchão e apoiou o queixo em uma das palmas para me encarar. – Bella, isso não significa absolutamente nada. Não sei se você faltou essa aula mas, biologicamente falando, não dá pra comparar a fertilidade de um casal com outro.
– Mas eu parei de tomar as pílulas há menos de cinco semanas!
Dando de ombros da maneira que pode, ela respondeu – Eu concordo que um mês é pouco tempo. Porém, a questão aqui é você ter aceitado isso não por vontade própria, mas sim para atender a mais um capricho do seu adorado Edward.
– Não é verdade! Eu quero isso, também – sibilei exasperada.
Arqueando uma das sobrancelhas, ela retrucou – E por que diabos você não quer ir ver o resultado, afinal?
– Só estou demorando para termos certeza. Você sabe muito bem que essas porcarias de farmácia nem sempre funcionam.
– Sério, Isabella? Acho que nem um teste de laboratório demoraria tanto assim – ela retrucou. – Quer saber? Eu mesma vou lá ver e grito te dizendo a resposta – disse, já se levantando da cama para partir em direção ao banheiro.
Sendo mais rápida por ter a vantagem de estar mais próxima da suíte, fui correndo até a pia. – Fui eu quem fez o teste. Vejo primeiro.
– Só que eu paguei por eles! – Alice reclamou fazendo um biquinho.
Pegando o primeiro bastão, retruquei rapidamente – Depois me diga quanto eu lhe devo. – Respirei fundo e fitei o resultado transcrito ali.
Como há quase sete anos atrás, aquelas duas faixas horizontais cor de rosa, me deram a certeza daquilo que meu coração já sabia; que minha vida ganharia outro sentido. Ao encara-las, meu coração retumbou em meu peito, parecendo inchar e dobrar de tamanho. Duas faixas, me deram a certeza de que daqui a oito meses eu seria a mãe de um outro alguém; afirmaram que por mais confusa que estivesse, de fato, eu ansiava por isso também. Todas as dúvidas que restavam em mim há apenas alguns minutos atrás pareceram ser milagrosamente dizimadas, substituídas pela convicção de que eu já adorava aquele pequeno serzinho se desenvolvendo dentro de mim.
Só me dei conta que estava chorando quando Alice colocou suas mãos em meu rosto, seus polegares enxugando as lágrimas que teimavam em rolar pela minha face. Ela me encarou com um rosto duro demais, o que eu não entendi direito. – Eu vou conversar com meu primo. Ele não podia te induzir a isso desse jeito. Será que ele nunca vai perceber o quão egoísta ele é? – disparou ela, consternada.
Respirei fundo e tentei controlar um pouco minhas emoções. – Allie, está tudo bem, na verdade...
– Não tente justificar as ações de Edward, Bella! Você vive fazendo isso com você desde sempre. Bella, você trancou a faculdade por conta dele, virou uma dona de casa, uma esposa-troféu que ele exibe sempre nos eventos da porcaria de empresa dele. Será que só você não vê isso?
Funguei um pouco e meneei a cabeça devagar, negando-lhe. – Não é assim, Alice. Antes de mais nada, nós decidimos isso juntos. Eu quis parar de estudar por um tempo, quis me dedicar a minha família por tempo integral. Edward nunca me forçou a nada, muito menos a essa gravidez.
Ela tirou suas mãos do meu rosto, tomou o teste das minhas mãos e jogou-os no lixo enquanto resmungava. – Você tinha um futuro promissor, Bella. Você tinha conseguido um estágio muito bom naquela companhia de publicidade. – Ela virou-se de volta para mim, me fitando com preocupação em seus olhos. – Você cedeu demais por ele, Bella. E continua cedendo sempre.
– Alice, não quero discutir com você logo depois de um dos momentos mais importantes da minha vida.
– Momento importante? – Ela bufou. – Há menos de dois minutos você estava pirando porque não esperava ficar grávida tão cedo! Isso no meu dicionário se chama incerteza...
– Eu já estava grávida, ok? Acho que estou emocional, caramba! – disparei, começando a ficar com raiva.
Ela cruzou os braços sobre o peito e respondeu. – Olha Bella, eu não atravessei o país para brigar com você. Se você realmente está feliz de verdade com essa gravidez, eu irei te apoiar, como sempre. Mas, por favor, não se coloque mais em segundo plano por ninguém. Nem mesmo seu marido merece isso.
– Eu virei mãe, Alice. Eu não sou minha prioridade desde quando o Richard nasceu. – Antes que ela pudesse rebater meu comentário, eu continuei. – Por falar nele, preciso pega-lo na escola. Quer vir comigo ou prefere descansar um pouco? – questionei, por simples convenção.
A discussão tinha deixado o clima pesado entre nós. Alice não conseguia enxergar meu ponto de vista. Droga... nem eu mesma podia colocar algum senso na minha mudança drástica de ideias! Talvez isso fosse algo que pertenciam somente àquelas mulheres que estavam gerando um filho em seu ventre... Algo relativo a toda aquela alteração hormonal que meu corpo estava passando.
Ou quem sabe, eu só estava terrivelmente precisando dormir.
Alice usou aquele silêncio repentino para me avaliar por um segundo a mais e inquiriu. – Você quer companhia? Eu posso tomar um banho rapidinho e então pegamos juntas minha bolinha de fofura.
Abri um meio sorriso à referência dela ao meu Richie. – Ele não é gordo, Alice. E este não é um apelido decente pro meu garotão.
– Eu sei. Só gosto de ver sua cara de mãe defendendo a cria. – Ela sorriu de volta. – Olha Bella, eu te amo. Você é a irmã que eu nunca tive, então talvez por conta disso eu me sinta no direito de te dizer algumas coisas que não concordo. Talvez, eu esteja exagerando aqui, e de fato, você queira mesmo essa criança, agora. Mas eu ainda tenho a impressão de que você só fez isso por conta do Edward...
– Alice... Eu estava assustada. Não irei negar que, de fato, ele me convenceu a isso. No entanto, ter mais filhos sempre esteve em nossos planos.
– Só me deixe terminar, ok? – Quando meneei positivamente minha cabeça, ela continuou. – Eu pensei que, agora que meu afilhado está mais crescidinho, você se dedicaria mais a si mesma, voltar a estudar, trabalhar... coisas assim, Bella. O que você planejava fazer quando veio para Illinois...
Dando um tapinha rápido no ombro dela, eu disparei. – Alice Cullen, é bom que você troque de roupa o mais rápido possível. Até chegarmos na colégio do Richie, tem muita coisa que eu preciso te contar...
E apesar de ela ser Alice, a mulher mais vaidosa que eu conhecia, minha amiga conseguiu tomar um banho, pegar a primeira roupa que encontrou na mala e vir praticamente quicando até a garagem, onde eu já lhe esperava. Mal girei a chave para ligar meu Honda CR-V, que ela desatou a fazer milhares de perguntas ao mesmo tempo. E assim, acabei lhe contando tudo; a vontade de Edward vender a empresa e irmos moramos em Washington, levando uma vida mais calma e consequentemente, que eu pudesse voltar a estudar sério daqui a alguns anos.
Dizer que ela ficou empolgada com a parte de que nós estaríamos em breve voltando para casa foi mero eufemismo. Apesar de continuar com aquela ideia fixa de que eu deveria ter revido minhas próprias prioridades antes de tentar aumentar a família, Alice, como tinha prometido, e faria sempre, estava comigo nessa; ficaria ao meu lado no que eu decidisse fazer.
Devido ao nosso atraso, quando chegamos na escola de Richie já havia muito poucos alunos esperando por seus responsáveis no pátio. Ele estava sentado na escadaria da entrada, apoiando seus cotovelos em suas coxas, e embalando seu rosto redondo entre as palmas de suas mãozinhas. Assim que me viu, franziu o cenho, a mesma expressão de seu pai quando estava aborrecido, pegando a mochila que estava ao lado dele.
Richie pisava firme em minha direção, parecendo um soldadinho matando formigas no chão. Tive que segurar o riso para não frustra-lo mais ainda. – Foi sem querer, amorzinho. Não quis te deixar esperando – me desculpei, abraçando-o rapidamente e afagando seus cabelos bagunçados.
– Eu tava pensando que ia ter que dormir na escola... E o pior é que nem cama aqui tem! –, respondeu ele, arrumando a mochila em suas costas, a medida em que chegávamos perto do carro.
Naquele momento, Alice se aproveitou e abriu de vez a porta do motorista. – E você acha que eu iria deixar meu sobrinho favorito no mundo inteirinho sozinho aqui neste colégio enorme? – ela inquiriu, surpreendendo Richie.
Meu filho abriu um sorriso enorme. – Tia Allie! – ele gritou, esticando seus braços para envolver o pescoço de Alice num abraço sem jeito.
Depois de quase ser sufocada por ele, ela finalmente se agachou, afagando meu garoto da maneira correta. – Jesus, Richie! Você não parece ser tão grande assim pela webcam! –, retrucou, passando as chaves do carro para mim, mas sem deixar de avaliar Richie. – Então lindão, o que você anda fazendo, huh? Nas aulas de baseball com o Emmett?
E assim, Richie e Alice engataram uma conversa sem fim sobre tudo o que ele vinha fazendo nas últimas semanas... Treinar suas rebatidas, o primeiro dente que tinha caído duas semanas atrás, o bichinho de estimação que Edward e eu lhe proibimos de ter. Todos os "problemas" que ele pudesse ter no alto dos seus seis anos.
E o mais engraçado nisso era ver a forma com que Alice interagia com ele; fazendo caras e bocas como uma criança para cada detalhe que Richard retrucava. Em momento algum ela lembrava ser a mulher adulta e independente que era.
Na verdade, ambos os irmãos pareciam ter uma adoração por criança. Não era à toa que Emmett tinha virado professor de Educação Física e treinador do time mirim do nosso bairro, enquanto Alice estava buscando sua especialização em Fisioterapia Infanto-Juvenil em um hospital de Seattle. A parte ruim disto era que os efeitos de tantos mimos para o único "sobrinho" do clã Cullen, tinham que ser lidados por Edward e eu.
Se bem que isso estaria mudando em muito em breve, pensei comigo mesma ao pousar a mão no meu ventre.
– Então, Bella, o que você acha?
– Huh?
Alice revirou os olhos. – Richie acabou de lhe perguntar se ele poderia vir comigo esta noite para casa do meu irmão. – Você sabe, né? Eu não posso ser tão ingrata a ponto de nem sequer visita-lo quando estou em Chicago.
– Por favor, mamãezinha... Deixa, vai?
Pelo visto, ele deveria mesmo estar empolgado para ir a casa do tio grandalhão, já que o termo mamãezinha era usado exclusivamente em suas já aprimoradas técnicas de persuasão.
Virei-me para encarar aquelas orbes verdes que brilhavam ansiosos pela minha resposta. – Você lembra que o papai irá entrar no Skype mais tarde, né? Não quer vê-lo?
Richard mordeu o lábio inferior, indeciso. Podia ser um pouco sádico de minha parte, mas Richard ficava ainda mais lindo com a carinha de indeciso que ele sempre fazia quando se via frente a um dilema.
– Nós iremos voltar cedo. Mandei uma mensagem pro Emm avisando-lhe. – Ela me olhou de relance através do retrovisor. – E você sabe que com o Richie ao meu lado, eu não preciso me preocupar com a Miss Simpatia. – Allie sibilou duramente.
Eu nunca entendi o porque de Alice não se dar tão bem com Rosalie, sua cunhada. Ambas eram refinadas, inteligentes, determinadas e lindas, porém, apesar de terem tanto em comum as duas simplesmente não se davam bem. Se toleravam por conta do Emmett, e eu sempre tive que ouvir as lamentações de minha melhor amiga, sobre como seu irmão mais velho acabou encontrando a mulher mais insuportável para viver.
Não achava Rosalie tudo isso; talvez ela fosse um pouco desconfiada ou fria ao conhecer uma pessoa ao primeiro momento. Foi assim quando a conheci, alguns anos atrás. Seu olhar azul gélido era intimidante no primeiro momento, mas com a convivência, aprendi a gostar de sua companhia. Óbvio que nem de longe, minha amizade com ela era tão forte quanto a que mantinha com Alice. No entanto, aprendi a admirá-la, principalmente ao ver o quanto ela era dedicada ao meu Richie. Era impossível não se afeiçoar por uma pessoa que abre um sorriso enorme assim que põe os olhos em seu filho.
– Ok, Richard. Você pode ir, se fizer imediatamente a lição assim que chegarmos em casa, ok?
Ele fez uma careta e inquiriu – Tia Allie pode me ajudar?
– Nem pensar, mocinho! – respondi, olhando de canto para Alice que tentava parecer o mais inocente possível.
– Tá bom... – Ele bufou, cruzando os braços.
Alice entrou na conversa, em defesa do Richie. – Não seja tão dura com meu fofinho, Bella. Ele só tem seis anos...
Procurando pelo meu celular que tinha acabado de vibrar dentro de minha bolsa, eu rebati. – Eu preciso ser assim. Se dependesse de vocês e do Edward, meu filho seria a criança mais mimada do Universo.
Ao encontrar meu aparelho, notei que tinha recebido uma mensagem de Edward.
Sente-se melhor? - E
Sorri com a doçura de sua preocupação. Imaginei o quão feliz ele ficaria ao saber o motivo do meu recente mal-estar.
Sim. Fique tranquilo ou vc voltará pra casa com ainda mais fios brancos — B
– Edward? – Alice indagou com um sorriso sagaz.
– Posso falar com ele? – Richie inquiriu curioso.
Ao fitar brevemente cada um, lhes respondi. – Sim e não. Estamos trocando mensagem, docinho. Você pode conversar com o papai, mais tarde, quando voltar da casa do Emmett.
Alice se inclinou levemente para frente quando percebou Richard distraido e me perguntou num tom mais baixo. – Vai contar para ele?
Revirei os olhos. – Acho que isso seria meio ridículo, sabe? Dizer que estou grávida por mensagem de texto – comentei sarcástica, enquanto lia a outra mensagem que ele havia me mandando.
Odeio ficar longe de vc. Preciso te ver, nem q seja pela tela do notebook.
– Eu não quis dizer por mensagem, idiota – Alice sibilou. – Mais tarde, quando vocês se falarem.
Mordi meu lábio enquanto pensava. – Provavelmente não, Allie – disse-lhe enquanto respondia ao texto de Edward confirmando nosso encontro on-line mais tarde. – Talvez, seja melhor somente contar quando ele estiver aqui, no sábado.
Ela assentiu, enquanto eu entrava na rua onde morávamos. Quando parei o carro em frente a nossa casa, Richie desatou-se rapidamente do banco de segurança, pegando sua mochila e gritando algo sobre fazer logo sua lição a medida em que disparava para a varanda. Alice aproveitou a ausência dele para falar comigo antes de acompanha-lo.
– Sabe, deve ter algum laboratório aberto ainda... Não seria melhor que você fizer logo o teste, só para ter certeza?
Respirei fundo antes de responder-lhe – Eu já sei que estou grávida, Alice. Que diferença isso iria fazer, afinal?
– Te dar uma confirmação 100 por cento positiva. Não foi você que disse alguma horas atrás que esses testes nem sempre são confiáveis?
– Eu não quero fazer isso agora. Ir em um laboratório acarretaria a procura de um obstetra, que consequentemente levaria a primeira consulta e tudo mais... Não quero fazer isso sem que o Edward esteja por perto.
– Até que ponto vai sua dependência pelo seu marido?
– Não é dependência. Ele como pai tem o direito de ser incluído!
– Sinceramente, você acha que o Edward prefere que você espere até que ele volte, ou que você haja com sensatez e procure o quanto antes um médico?
– Eu não estou discutindo isso com você, Alice.
Ela esfregou sua testa com força, como sempre fazia quando estava frustrada. – Você tem razão. Eu não tenho o direito de me meter nisso. – Ela abriu a porta do carro e eu segui seu exemplo. – Caramba, eu mal cheguei e já discutimos duas vezes!
Apesar dos pesares, eu sorri. – Allie, acho que isso é rotina desde quando tínhamos cinco anos. E nunca deixamos de ser amigas por conta disto.
Sorrindo de volta, ela completou enquanto descia do carro. – Verdade... E me prevalecendo disto, vou em busca da terceira discussão do dia, porque eu irei sim ajudar o Richie na tarefa de casa dele!
[…]
Naquela mesma noite, depois que Richard e Alice tinham voltado para casa, conectei-me à internet para falar com Edward. Richie estava praticamente um sonambulo quando chegou do passeio com a madrinha, e assim, mal pode conversar direito com seu pai. Isso, fez com que nós dois tivéssemos bastante tempo a sós, já que Alice se ofereceu para por meu filho na cama. Quase cometi a loucura de lhe dizer que estava grávida, já que Edward ficou me perguntando a cada poucos minutos como estava me sentindo.
Ao ver toda aquela preocupação de Edward comigo, percebi que Alice tinha razão. Ele não gostaria que eu deixasse de lado a saúde do nosso filho, em troca da companhia dele durante os primeiros exames. E assim, no dia seguinte, fui até a clínica o quanto antes, onde marquei uma consulta de urgência e fiz os primeiros exames.
Apesar do resultado não ser nenhuma surpresa, nada impediu que o sorriso fixo que havia se implantado em meu rosto desde ontem a noite, aumentasse ainda mais.
Laboratorialmente positivo. Eu estava, de fato, grávida.
Depois de uma avaliação completa sobre meu peso, pressão arterial e taxas sanguíneas, a Dra. Shelton – minha ginecologista e obstetra que também fez o parto de Richie – avaliou como estava a saúde do meu futuro bebê, onde constatou que estava tudo bem. No mais, me passou algumas vitaminas pré-natais e relembrou todos os cuidados que eu teria que manter com minha dieta daqui em diante.
Tudo para o bem estar do novo membro da nossa família.
O resto da semana pareceu se passar como um borrão. Alice mal teve tempo de ficar em casa devido a todas as palestras que ela havia se inscrito, e eu tinha ainda minha modesta rotina de cuidar da casa, levar meu filho no colégio e acompanha-lo nos treinos. Mal percebi quando o final de semana chegou e tive que ir com Richard, buscar Edward no aeroporto.
Por muita insistência do irmão, Alice resolveu, mesmo que a contragosto, passar este fim de semana na casa do Emmett. Sem contar que ela veio com aquela observação desnecessária de que minha casa tinha paredes muito finas para ter que passar a noite toda escutando meu reencontro com Edward. Isso bem no meio do jantar ontem à noite e na frente do Richie, que depois ficou observando a largura de todas as paredes, querendo saber o porquê da tia achar aquilo.
– Mãe, ainda falta muito pra ele chegar? – meu filho indagou pelo que parecia ser a centésima vez desde que entramos no aeroporto.
– Não, Richie. Eu já lhe disse que irei avisar quando o avião tiver pousado, não foi?
Ele fez uma careta, e bateu o pé impacientemente pelo ladrinho do aeroporto O´Hare, aguardando ansioso a volta do pai. Tentei persuadi-lo a melhorar de humor ao dar uma volta pela área de compras, e até lhe oferendo um pouco de sorvete, o qual ele aceitou mas sem muita empolgação. Fomos nos sentar no canto, vendo os outros passageiros, alguns passando rápido, outros sem pressa alguma. E reencontros; vários deles. Casais se reconectando através de abraços apertados, olhares cúmplices e beijos nem um pouco castos.
E aquilo me tornou tão desesperada, ou até mais, do que meu filho pela volta de Edward.
Olhei de relance para a tela que exibia todas as aterrizagens ou partidas, notando que voo 6077, que tinha partido do LaGuardia três horas antes tinha acabado de pousar em segurança. Sorrindo, muito animada agora que sabia que minha alma gêmea estava a apenas alguns metros distante de mim, me levantei do banco de espera, puxando Richie comigo.
– Advinha só quem já chegou, docinho?
Abrindo um sorriso desdentado enorme, Richie perguntou – Papai? Cadê ele?
Rindo alto da sua curiosidade, peguei-o pela mão, nos direcionando para área desembarques domésticos. – Temos que ir pega-lo ali, senhor Paciência – disse, apontando para o local onde o encontraríamos.
Poucos minutos depois disto, começamos a ver um volume maior de pessoas desembarcando, provavelmente passageiros do mesmo voo que Edward, já que a ponte aérea Nova Iorque-Chicago era a maior do país. Richie ficou na ponta dos pés, porém não se conteve por não conseguir enxergar muita coisa além disso, e sendo assim, começou a pular tentando ver melhor.
Não demorou muito para que eu o encontrasse; mesmo que minha estatura não fosse tão alta, era inevitável não notar a imponência do caminhar de Edward, assim que cruzou as portas do saguão de desembarque. Usando um terno caramelo, óculos escuro e um cabelo arrumadinho demais para o meu gosto, ele chamava atenção de todos, mesmo se não tivesse a intenção, tamanho poder de sua presença.
E aquilo tudo era totalmente meu.
Sem tirar meus olhos dele, agachei-me ao nível do ouvido de Richie e falei levemente – Sabe quem é aquele homem de ali, arrastando uma mala de rodinhas?
Richie encontrou a quem eu me referia no mesmo instante em que Edward retirou os óculos, e seus olhos pararam sobre nós dois. Eles sorriram um para o outro; a curva do cantinho esquerdo se sobressaindo em ambos. Menos de um segundo depois, meu garoto saiu em disparada pelo saguão na direção do pai que já o esperava de braços abertos. Edward precisou apoiar uma das mãos no chão para que não caísse por conta do impacto entre eles. Bagunçou levemente o cabelo do nosso filho e o carregou em um dos braços, conversando e rindo alto durante todo o trajeto que fizeram até mim.
– Oi. – Foi tudo o que ele disse antes acariciar minha face e circundar minha cintura com sua mão livre, aproximando nossas bocas em um breve e casto, mas ainda assim intenso beijo. – Senti sua falta.
– Eu também – consegui balbuciar antes de ver a carinha de nojo que o Richie fazia. – O que?
Ele aumentou ainda mais a careta. – Vocês adultos são tão nojentos. Ewww! – comentou, externando seu pensamento.
Eu ri enquanto Edward rolava os olhos, colocando-o de volta no chão. – Daqui há alguns anos, vamos ver se você irá pensar do mesmo jeito, campeão.
– Posso levar sua mala, papai? – Richard inquiriu quando na verdade já havia puxado a alça da mesma e começava a arrasta-la atrás dele.
– Não está muito pesada? – Edward e eu perguntamos ao mesmo tempo, o que nos fez rir.
Ele deu de ombros e simplesmente saiu puxando com as duas mãozinhas a mala. Mal tinha dado alguns passos a nossa frente, senti o aperto de Edward se intensificando em minha cintura a medida em que abaixava seus lábios ao meu pescoço.
– Você faz alguma ideia do quanto eu realmente senti saudades? – Ele sussurrou ao meu ouvido antes de deixar um beijo no lóbulo da minha orelha.
Eu ri, mas o som saiu um tanto esganiçado devido ao gemido preso em minha garganta. – Amor, estamos no meio do aeroporto...
Ele beijou meus lábios uma última vez para logo depois começar a caminhar em direção ao estacionamento. – Eu nunca fui contra sexo em locais públicos. A única coisa que me impede de te arrastar para o banheiro mais próximo é nosso filho ali na frente.
Senti minhas bochechas esquentarem devido ao comentário e acabei dando um tapa em seu antebraço. – Dá para parar de ser pervertido?
Ele tentou seu sorriso mais inocente, roubando as chaves do carro de minhas mãos, enquanto nos dirigíamos ao elevador que dava no estacionamento. – Não é questão de perversão. Não tenho culpa se minha mulher é gostosa –, comentou, dando uma piscadela. – Sem contar que agora temos uma semana de atraso na missão de criar o próximo Masen.
Mesmo sem querer eu enrijeci em seu abraço. Não esperava ter que dizer nada para ele ainda, principalmente assim, justo nos primeiros momentos juntos.
Edward percebeu minha mudança de humor e parou a meio passo. – Bella?
– Vamos logo, ou então Richie vai acabar entrando sozinho no elevador, e perder nosso filho no meio desse tumulto é a última coisa que quero agora –, Consegui balbuciar ao tentar muito mal mudar de assunto.
– Você mudou de ideia? – ele inquiriu baixinho.
Encarei-o e notei que ele parecia um tanto decepcionado, provavelmente por ser subentendido erroneamente. – Não mudei... Só que aqui não é o local apropriado, entende? –, expliquei, apertando com mais força a sua mão.
Ele assentiu, parecendo relaxar levemente enquanto alcançamos nosso filho que, pelo visto, já havia apertado centenas de vezes o botão do elevador. – Então, como foi em Nova Iorque? – perguntei, tentando aliviar o clima.
– Mamãe disse que lá é a maior cidade do Mundo. É verdade, papai?
Então, a partir daquele momento, Edward ficou muito ocupado, nos contando como tinha sido sua semana de negócios. Durante todo caminho até chegarmos em casa, o silêncio foi preenchido com milhares de perguntas de Richie, as quais meu marido tinha uma paciência sem fim pare responde-las. Em casa, não foi diferente; entre desmanchar a mala, a conversa semanal com Renée e o convite para que todos fossemos jantar na casa de Emmett, nosso dia ficou tão movimentado que mal tivemos tempo para discutir aquele tema. No entanto, isso não me impediu de perceber o olhar curioso dele durante todo o restante da tarde.
O jantar ocorreu muito bem, apesar das implicâncias infantis entre meu marido e melhor amiga, das piadas sem graça de Emmett e todos os mimos exagerados que Rosalie oferecia ao nosso filho. Voltamos para casa já tarde da noite, com um Richie absolutamente apagado para o mundo e um Edward que nenhum minuto sequer deixou de pensar no que eu havia lhe dito mais cedo.
Depois de capotar Richie em sua cama, segui com passos lentos em direção ao nosso quarto, onde sabia que não poderia mais escapar da revelação que precisava fazer. Abri a porta devagar sem fazer muito barulho, me apoiando na mesma para retirar os saltos que atrevi a usar hoje. Fui a gaveta do criado-mudo, onde tirei o resultado do teste que tinha feito dois dias antes e caminhei até a suíte, onde escutei o som da água rolando da torneira.
Ao chegar no patamar da porta, observei por algum tempo Edward terminando de escovar os dentes, descalço e sem camisa, mas ainda vestindo a calça de sarja caqui que havia usado para o sair. Não demorou muito para que ele percebesse minha presença ali no canto e abrisse um sorriso discreto depois que tinha guardado sua escova. Se aproximou devagar, como se estivesse deliberando em tratar o tema que obviamente já estava lhe dando nos nervos. Sorri com isso, afinal, com tanto tempo casados, era fácil saber o que ele estava pensando.
– Posso saber o motivo desse sorriso? – ele perguntou ao ficar na minha frente e colocar uma mecha de cabelo atrás da minha orelha.
– Tenho algo pra te contar. Eu... –, Mas antes que concluísse o que iria falar, Edward pôs seus dedos sobre meus lábios, me impedindo.
– Antes que você diga qualquer coisa, acho que lhe devo um pedido de desculpas.
Franzi meu cenho para as palavras dele. – Desculpas?
– Sim, eu admito que coloquei muita pressão sobre você com esse lance de termos mais filhos. Ignorei completamente o que você queria e me sinto um idiota por conta disso – ele falou, enlaçando meu corpo em seus braços. – Então, se você disser que não quer engravidar por enquanto, eu irei compreender. Pensei melhor e descobri que talvez seja melhor esperamos mais alguns anos, até que você termine a faculdade... Não é como se eu estivesse tão velho, não é?
Meu coração deu uma guinada em meu peito. – Quer dizer que você não quer mais ter filhos?
– É claro que eu quero. Só não agora, eu acho. Quando estava em Nova Iorque, pude ver que teremos muito burocracia com a venda do escritório. Uma gravidez agora não seria o melhor momento.
– Acho que é um pouquinho tarde para isso...
– Por que? –, ele inquiriu.
A única coisa que consegui fazer foi erguer o papel que estava segurando de forma muito apertada, e ergue-lo até os olhos de Edward. Suas sobrancelhas se cruzaram, e então ele tirou uma das mãos que me abraçavam para pegar o papel amassado. A medida em que seus olhos corriam a transcrição do exame, um sorriso foi aparecendo lentamente em seus lábios.
– Já?
– Eu não tenho culpa se seus nadadores são apressadinhos demais e... – Antes que pudesse falar qualquer outra coisa, seus lábios já haviam tomado posse dos meus com fome e seus braços me ergueram, fazendo com que eu tivesse que cruzar minhas pernas em seu quadril para que não caísse. – Baby... tudo bem?
Edward nos levou até o bancada da pia, onde me sentou de todo jeito e murmurou contra minha boca. – Você ainda pergunta? – disse, suas mãos correndo minhas costas em busca do zíper do meu vestido.
– Mas... mas e a empresa? – balbuciei de volta, fechando minha mão em punhos em sua nuca.
– Que se foda – sibilou, antes de entreabrir meu lábios com sua língua e reivindicar o beijo que não compartilhávamos há tanto tempo.
Depois disso, tudo o que pode ser ouvido naquele banheiro foram nossos sussurros de carinhos, o baque leve das últimas roupas sendo jogadas ao chão, gemidos uníssonos de prazer e o grunhido rouco que atravessou nossas gargantas quando nos entregamos naquele ato e chegamos ao ápice de nosso amor.
Suados, exaustos mas nem um pouco afim de que a noite se encerrasse tão cedo, decidimos passar um pouco mais tempo juntos na banheira. Eram tão raras as chances que tínhamos de usa-la em conjunto, e a ocasião de hoje mais do que merecia ser comemorada ali. Edward entrou primeiro e me deu sua mão para que eu me apoiasse, e só naquele pequeno ato, percebi que meu marido super-protetor estava de volta com força total. Recostei-me contra seu peito forte a medida em que ele acariciava minha barriga, provavelmente seu lugar favorito em meu corpo pelas próximas 36 semanas.
– Sabe, eu devia ter notado antes –, ele quebrou o silêncio alguns minutos depois. – Você nunca foi de recusar os vinhos da adega do Emmett.
Ri levemente, virando meu pescoço para deixar um beijo em seu pescoço ainda úmido. – Se isso faz com que você se sinta melhor, nem eu mesma notei. Foi só quando Alice chegou que juntou todos os fatos; insônia, desejos estranhos, enjoos... Fiz o teste e deu positivo.
– Por falar em teste, err... Desculpe ter rasgado o papel do exame. Na hora eu nem notei o que estava fazendo.
– Você é extraordinariamente distraído quando está atento a outra coisa.
Nós rimos e nos beijamos por mais alguns momentos. Quando nos separamos, Edward voltou a acarinhar minha barriga ainda plana, fazendo círculos aleatórios ao redor do meu umbigo. – Os enjoos são tão ruim como foram os de Richie?
Neguei com minha cabeça ainda apoiada em seu ombro. – Nem tanto. A expressão "enjoo matinal" de fato faz sentido dessa vez. – Coloquei minha mão por cima da dele e completei. – Esse aqui só gosta de judiar da mãe dele de manhã cedo.
– Esse? Torcendo para um outro menino, Sra. Masen?
Mesmo que ele não pudesse ver, eu rolei meus olhos. – É só um modo de dizer, bobo. Você tem alguma preferência?
Senti-lo dando de ombros. – Seja lá o que for, eu irei ama-lo de todo jeito. Mas, não vou negar que estou torcendo por uma menina. Poder mima-la ao extremo, já que minha mulher não permite que eu faça isso.
– Pelo visto, vou ter que continuar sendo encarregada da parte dos "limites" na criação dos nossos filhos...
Seu aperto se intensificou em minha cintura e som de sua risada trovejou em seu peito. – Se você faz questão disto, eu não me oponho.
Alguns minutos se passaram depois disto, e comecei a sentir a ponta dos meus dedos ficando enrugadas. Suspirei pesadamente e me virei em seu abraço para ficar de frente para Edward. Apesar do sorriso ainda fixo no rosto, ele encarava o teto de modo estranho. – No que você está pensando?
Ele colocou um beijo na minha testa antes de murmurar. – Só avaliando o quão irritada você vai ficar por conta do pedido que estou preste fazer.
Meu corpo retesou instantaneamente. – Edward...
– Vamos para Forks semana que vem? – ele pediu, voltando seus olhos esmeralda para mim. – Richie já estará de férias e eu quero ter uns dias livres antes de começar toda loucura que será o processo de transação da empresa.
– Eu não sei, baby... Passagens de última hora são caríssimas e nós temos um bebê a caminho.
Edward meio que bufou. – Sinceramente, Bella, dinheiro não é nosso problema.
– Odeio quando você age assim tão prepotente.
Ele deu de ombros. – Você sabe que isso é verdade. –, Então seus olhos ficaram ainda mais persuasivos. – Além do mais, não quer contar para Charlie e Renée pessoalmente sobre o bebê?
Mordi meu lábio; ele tinha um ponto. Algo importante como a chegada de um novo membro na nossa família não podia ser levado por menos, e apesar das circunstâncias completamente diferentes agora, nós tínhamos atravessado o país quando descobrimos minha primeira gravidez. Não seria justo que avisássemos aos futuros vovôs da mesma forma que antes, ao invés de uma ligação por telefone?
– Por favor, baby? Pelo meu aniversário.
– Aniversário? – inquiri confusa.
– Bem, segundo minha carteira de motorista, sim. Próxima sexta, 20 de junho, lembra?
Mesmo que a água já estivesse ficando fria, senti o calor se acumulando em meu rosto. Eu tinha esquecido deste fato completamente.
Fingindo indignação, Edward retrucou. – É... eu sempre soube que era a mulher nessa relação. Sou o único que lembra as datas importantes e todas essas frescuras que vocês fazem tanta questão.
– Não esqueci, não! Eu ia acabar me lembrando em algum ponto da próxima semana! –, comentei em minha defesa, cruzando os braços sobre meu peito.
– Mesmo?
– Humrum.
Com um sorriso aparecendo no canto dos seus lábios, eu quase pude ver sua mente trabalhando enquanto ele me tirava do seu colo e começava a sair da banheira. – Então, eu posso te perdoar pelo seu quase lapso de memória. –, E antes mesmo que eu falasse algo em minha defesa, Edward continuou. – É bem simples, basta ir para dois lugares comigo.
– Dois? Para onde diabos mais você pensa ir além de Forks semana que vem?
Içando-me da banheira, Edward grudou nossos corpos, deixando um rastro de água perfumada pelo piso do banheiro. – Para nossa cama –, ele sibilou contra minha boca. – Agora.
E falando daquela maneira, eu não podia negar-lhe pedido algum.
Notas finais
Uma boa semana!
Line
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