Nothing Can Get You Down

27 Capítulo Vinte e Seis


Notas iniciais
Eu sei, sei e sei que demorei DEMAIS! Por isso nem vou me esticar no blá-blá-blá.
Mas não sem antes agradecer a Lu Michelutti por ser essa super beta e obstetra de plantão para certas partes... TENSAS!
A gente se fala depois lá embaixo! =D
Boa leitura!

– Mamãe, você não vai dormir agora?

Levantei meu rosto da tela do laptop apenas para ver Richie sentado em um dos braços da poltrona da sala. Ele já estava pronto para dormir, usando seu mais novo objeto de obsessão: um pijama com o tema do The Avengers, que ganhou alguns dias atrás de sua avó.

Minha mãe havia chegado em Chicago na manhã seguinte à conversa em que Edward e eu expusemos nossos corações um para o outro. Aparentemente, logo depois de ter caído no sono naquela mesma tarde, ele fizera seus arranjos para que Renee viesse para cá o quanto antes. Lógico que quando eu soube, a raiva por ele não ter me consultado antes ameaçou vir à tona, no entanto foi preciso muito pouco para que ele me convencesse do contrário.

– Você mesma pediu para que eu não voltasse para casa agora. – ele dissera, tomando um de meus braços cruzados sobre o peito para me puxar de encontro ao corpo dele. – Mas não posso deixar você sozinha com o Richard nessa altura da gravidez. E não me perdoaria se algo acontecesse com algum de vocês três.

E depois dessa declaração, eu tinha que admitir que ele estava coberto de razão e eu não poderia questioná-lo por se preocupar conosco. Uma vez que nós fizemos as pazes e prometemos ao menos tentar outra vez, Edward tinha se transformado em alguém tão atencioso que chegaria a ser irritante, se não fosse tão doce. Como agora, por exemplo: ele teve que voltar para o seu hotel, um pouco mais cedo do que o habitual e já estava nos ligando, com a desculpa de que queria nos dar boa noite.

– E então, mãe? – Richie voltou a insistir, me tirando do meu breve devaneio para fitar a expressão carancuda dele, típica de quando ele estava com sono. – Você vai lá pra cima agora ou não?

– Vou sim, docinho. – comentei, fechando editor de texto e retirando o notebook de cima de meu colo. – Já terminou de falar com o papai?

Ele assentiu com entusiasmo. – E adivinha, só? Ele disse que vai me levar pro cinema no domingo pra ver o Hulk de novo!

Rolei os olhos para o comentário dele. Estava começando a desconfiar de que não era só meu filho que estava viciado neste filme bobo e cheio de mentiras. – Onde está a vovó?

Ele coçou os olhinhos enquanto resmungava – Tá tomando banho. Foi ela que pediu pra vir te chamar. Ela disse que se eu tinha que vir se não você ia ficar a madrugada toda aí escrevendo besteira!

Eu ri e puxei sua mão, levando-o em direção às escadas. – Tudo bem, vamos para a cama, resmungão. Você já está praticamente dormindo em pé.

Subimos as escadas preguiçosamente e ao chegar em seu quarto, meu filho caiu pesadamente sobre os lençóis, fechando os olhos como se já estivesse todo pronto para dormir. – Você não acha que está se esquecendo de nada, mocinho? – perguntei, me aproximando da beirada cama.

– Boa noite?

– Você precisa escovar os dentes, Richie.

Ele girou seu corpo para o lado e acomodou o a cabeça embaixo do travesseiro. – Boa noite, mamãe.

Sentei-me ao seu lado dele e dei um tapinha em seu bumbum arrebitado. – Vamos docinho, você não quer ficar banguelo, quer?

– Amanhã eu escovo.

– Richie...

Ele levantou o travesseiro apenas o suficiente para que eu visse o biquinho suplicante dele. – A pasta tem gosto ruim, mamãe. E eu tô com sono.

– Richard Andrew Masen. – bradei, sem mais o tom doce que usava. – Banheiro. Agora.

Ele bufou e a contragosto saiu da cama, praticamente marchando em direção à suite. Tive que controlar a vontade de rir, pois sabia que se fizesse isto, perderia toda a moral materna que precisava ter naquele instante. Resolvi acompanha-lo em sua tarefa, já que em outras ocasiões, meu filho já tentara me enrolar, afirmando que tinha escovado os dentes quando na verdade apenas tinha molhado a boca. Sinceramente, não entendia a razão de ele praticamente ter aversão à escova de dentes...

Mesmo contrariado, Richie fez exatamente o que eu disse e não pude deixar de perceber que meu filhote meio que exagerou um pouco nas caretas que fazia enquanto usava o enxaguante bucal. Pequenas coisinhas como essa, serviam apenas para me mostrar que meu menino estava crescendo e que precisava de mais atenção nesta fase. Mais rápido do que eu gostaria, meu bebê se tornará um pré-adolescente, cheio de dramas existênciais. Portanto, precisa uma boa educação agora, para moldá-lo no homem que eu esperava que ele se tornasse.

Quando finalmente ele acabou, nos voltamos até sua cama onde eu me sentei próximo a cabeceira e ele colocou sua cabeça em meu colo, me deixando livre para fazer cafuné em seus cabelos espessos.

– Mamãe, porque o seu umbigo tá pro lado de fora? – ele perguntou do nada, arriscando a levar um de seus dedos até o pronto protuberante em minha barriga.

– Isso é porque sua irmãzinha esta crescendo aqui dentro. – expliquei, sem parar de fazer carinho em sua cabecinha. – minha barriga precisou se esticar toda para que ela coubesse aqui, entende?

– Foi isso que o papai me disse.

Confusa, eu perguntei. – Quando?

– Quando a gente tava brincando na neve ontem de tarde, lembra? Depois que voltei do colégio?

– O que foi que ele disse? – interroguei-o curiosa.

No mesmo instante, as bochechas dele ganharam o intenso colorido róseo. – É que eu perguntei pra ele porque você tava tão... grandona. – não pude deixar de sorri ao perceber que ele propositalmente escolhera outra palavras para não dizer que eu estava gorda. Um verdadeiro cavalheiro. – Aí ele falou que era porque a Grace tava crescendo muito aí dentro de você.

– Ele tem razão, filhote. Ontem nós vimos sua irmãzinha e médica disse que ela cresceu um bocado.

No dia anterior, Edward passara o tempo todo ao lado e mais agora, que ele estava definitivamente de “férias” por tempo indeterminado. E assim como a Dra. Shelton sugeriu dias atrás, nós fomos fazer a nova ultrassonografia pré-programada para verificarmos como estava nossa filha.

Ele chegara bem cedo naquela manhã, antes mesmo do sol nascer por completo e Richie se deliciou com a presença do pai já nos primeiros momentos daquela manhã. Ambos se divertiram ao ver as tentativas frustradas de minha mãe na cozinha, no entanto, eu fui capaz de perceber através dos olhos dele que Edward estava apreensivo com o que nos aguardava em poucas horas na maternidade. Conseguimos bem disfarçar até deixarmos nosso filho no colégio, no entanto, assim que Richie saíra do carro a tensão tomou conta do ambiente.

Sabíamos que haviam chances reais de que o prognóstico não fosse tão positivo; que Grace não tivesse evoluído ou até mesmo estivesse sofrendo dentro do meu útero. Que talvez, eu precisasse fazer a cesariana naquele mesmo dia. E por mais que eu tentasse trabalhar meu psicológico, essa possibilidade não me agradava nem um pouco.

No entanto, após os exames descobrimos que a placenta não havia amadurecido ainda mais, que a quantidade de líquido estava normal e que Grace ganhara um pouquinho mais de peso nos últimos dias. Por ora, não haveria mais problema algum em adiar por mais alguns dias a chegada de nossa filha ao mundo. Data esta que já estava marcada: em cinco dias, mais precisamente no dia 03 de fevereiro, finalmente teria minha princesinha em meus braços.

Depois que saímos da maternidade o clima parecia muito mais leve entre nós. Edward improvisara um almoço romântico em um pequeno restaurante italiano que costumávamos ir quando nem tudo era tão financeiramente fácil para nós dois. Conversamos bastante, mas desta vez não houve lágrimas; pelo contrário, nós rimos e sorrimos, relembrando de coisas simples e boas, que nos levaram até onde estamos hoje. Ocupamos a mesa por tanto tempo que só percebemos o restaurante vazio quando era praticamente a hora de pegarmos Richie de volta.

O resto do dia havia sido absolutamente perfeito. Enquanto minha mãe e eu cuidávamos do jantar, Edward e Richie brincaram na neve e só escaparam do quintal quando estava quase anoitecendo, ambos com as faces coradas e os cabelos lotados de flocos de neve. Comemos juntos e depois fomos até a sala, onde nosso filho engatou uma partida de damas com Renee e Edward me ajudou com o trabalho da digitação do livro, o qual estava muito atrasado.

O bocejo alto de Richie me tirou do meu devaneio e ele se aninhou melhor na cama para logo em seguida levantar seus olhos sonolentos cor de esmeralda em minha direção. – Tô ficando com sono, mamãe.

Sorri e com cuidado, acomodei o seu rosto nos travesseiros na cabeceira da cama. – Eu sei que você está, bebê. – mesmo que isso exigisse um esforço da minha coluna e uma dor incomoda no baixo-ventre, inclinei sobre ele e deixei um beijo em sua face. – Boa noite, Richie.

– Boa noite, mamãe. Boa noite, Grace.

Não pude resisti em ficar ali mais um pouco, apenas observando-o dormir. A maneira rítmica que o ar entrava e saia em seus pulmões, os lábios vermelhos entreabertos e o breve tremular das pálpebras, revelando que meu menino já estava distante daqui, no mundo dos sonhos.

Não precisei olhar para trás para saber que havia mais alguém aqui comigo. Se aproximando aos poucos, colocou as mãos sobre meus ombros e ficamos em silêncio observando o garotinho à nossa frente, sem nada a dizer.

– É incrível como a cada dia que passa ele está mais parecido com o Edward, não é? – Renee perguntou em uma voz sussurrada, quebrando o silêncio profundo do quarto.

– Sim. Chega até ser estranho ver o quanto eles se parecem. – comentei, enquanto acarinhava a sobrancelha perfeita dele. – Se não fosse pela cor do cabelo, acho que Richie teria sido uma experiência de clone ou algo assim.

– Eu me pergunto como ela será. – Renee falou, descendo uma de suas mãos até minha barriga. – Se teremos alguns genes dos Swan desta vez?

Coloquei a palma por cima da dela e sentimos juntas um pequeno movimento da Grace. – Eu espero que sim, mas alguma coisa me diz que ela será parecida com Edward.

Ela soltou uma gargalhada, porém cobriu os lábios rapidamente com a mão livre. Encarei-a por um momento sem entender, até que ela se controlou um pouco para finalmente voltar a falar – Tomara que você esteja certa... Você sabe, o karma é um filho da puta, mesmo.

Em todos esses anos, foram raríssimas as vezes em que ouvi minha mãe praguejando. Por isso, assim que escutei o palavrão vindo dela, me virei de súbito para fitá-la. – Mãe!

– O quê? Eu só estou dizendo a verdade! Já imaginou, ele tendo que encarar a si mesmo em uma menina que ele desde o começo nunca quis?

– Eu pensei que você tivesse o perdoado... – murmurei, sentindo meu coração um pouco mais pesado ao ouvir aquela declaração dela.

Por incrível que pareça, ela sorriu – E eu o perdoei, querida. Eu não tenho idade para ser mãe dele, mas ele é como um filho para mim. Porém, por mais que eu o ame, eu ainda sou a sogra dele. E faz parte da minha missão como tal desejar que certas coisas o atormentem, entende?

– Você é horrível, mãe.

Ela sorriu orgulhosamente. – Eu sei disso. Agora vem, chegou a minha vez de levar meu bebê para a cama

– Eu ainda não terminei meu trabalho. – suspirei pesadamente.

– Amanhã você cuida disso, mocinha. – ela revidou enquanto tomava minha mão para me ajudar a levantar – Minha neta precisa que você descanse.

– Mas...

– Nada disso, Bella. Se você voltar a descer, eu juro por tudo o que é mais sagrado que eu irei confiscar aquele maldito computador e só te entregarei de volta quando a Grace estiver com três anos!

Suspirei pesadamente e me deixei ser vencida pelo pedido dela. – Tudo bem, só me deixe ir lá embaixo verificar o alarme.

– Deixe que eu mesma faço isso. – comentou, antes de deixar um beijo em minha testa. – Boa noite, querida.

– Boa noite, mãe.

Mesmo à contragosto – afinal eu ainda tinha quase trezentas páginas para serem digitadas – resolvi seguir o seu conselho. Apesar de não ter feito nada demais o dia todo, acho que o stress de não poder ser capaz de terminar o trabalho antes do nascimento de Grace estava me esgotando mentalmente. Como eu não sabia o quão dependente de mim seria minha filha, meu intuito era acabar com o livro o quanto antes e ficar focada apenas no meu novo bebê, quando ela chegasse ao mundo. Só que em muitos momentos, tinha a impressão de quanto mais eu trabalhava maior se tornava a quantidade de palavras a serem transpassadas para o computador.

De longe, essa era minha principal apreensão; sem incapaz de concluir um trabalho e quebrar a confiança que tanto Rosalie quanto a editora colocaram em mim. E isso estava literalmente tirando o meu sono.

No quarto, eu troquei rapidamente de roupa e tentei fugir o máximo de ver meu reflexo no espelho. Além do inchaço, tinha que admitir que também estava muito gorda. No nono mês de minha primeira gravidez, meu maior orgulho era dizer que só tinha aumentado 9kg e três meses depois que o Richie nascera, o corpo (com exceção dos seios, obviamente) tinha voltado a ser exatamente como antes. Desta vez, apenas ao olhar as estrias ao longo da minha barriga, eu duvidada que tivesse a mesma sorte.

Não que estivesse reclamando, afinal Grace era uma dádiva em minha vida, entretanto, eu não podia deixar de me perguntar se Edward ainda se sentiria atraído por mim, quando eu não for mais a mesma.

No entanto, só de pensar nele meu coração se enchia de saudade. A falta que eu sentia dele ao meu lado, principalmente em momentos quando estava prestes a dormir, chegava a ser física. Ter seu peito como travesseiro, conversar sobre coisas banais antes do sono nos dominar, fazer amor e escutar sua voz rouca dizendo que me ama antes de se deixar levar pelo êxtase. Coisas que pareciam simples, contudo estavam fazendo uma falta enorme para mim.

Olhei de relance para a minha mão vazia, sentindo-me um pouco estúpida e precipitada. Da minha aliança, só restara agora a pequena faixa de pele mais clara. Já havia se passado um mês inteiro desde o dia em que eu a entregara para Edward e ainda assim não tinha conseguido me acostumar com a ausência dela; era como se estivesse nua sem ela. E para me deixar pior, não pude deixar de perceber que em momento algum Edward deixou de usar a dele, como se o tempo todo ele ainda acreditasse em nós.

Quantas vezes ao longo dessa última semana enquanto nos despedíamos, o desejo de chamá-lo de volta para casa de uma vez por todas batia, mas sempre me abstinha no último segundo. Não queria nem imaginar o quanto Richie ficaria desapontado, se acaso lhes déssemos esperanças de uma volta nossa apenas para frustrá-lo no final.

Mesmo que isso parecesse uma possibilidade cada vez menor a cada dia.

Talvez nunca pudesse esquecer esse meses sombrios em nosso casamento, porém eu já havia o perdoado e estava disposta a um recomeço. Então, por que eu ainda tinha tanto receio de voltarmos a viver juntos? Lógico que seria confuso para Richie, afinal foram há menos de três semanas que nós dois contamos-lhe que estávamos nos divorciando. Todavia, tenho certeza que ele ficariam absurdamente feliz se disséssemos que estávamos voltando atrás em nossa decisão.

Era até fácil imaginar nossa pequena família, aprendendo juntos a como lidar com um bebê especial. Compartilhando medos e felicidade, lidando com a curiosidade e o preconceito que com toda a certeza nos teríamos que enfrentar em algum ponto. Só de pensar nisso, eu me sentia mais forte só por saber que Edward e Richie estarão ao meu lado, se eu vier em algum ponto a fraquejar mediante a esta longa jornada.

Acho que a única razão que me impedia de ligar para ele agora, pedindo para que ele voltasse era o fato de não ter ainda certeza da profundidade dos sentimentos de Edward pela nossa filha. Ele havia aceitado, no entanto, eu não vira o amor em seus gestos. Lógico que ele acariciava minha barriga ou tentava sentir os movimentos dela, porém não existia brilho em seus olhos quando falávamos sobre ela. Existia carinho e preocupação, mas era inegável que nem de longe havia aquela empolgação e atenção excessiva como foi quando estava grávida de Richie.

Embora isso não justificasse nada... E o mais importante: era nítido que ele estava tentando. Ele não podia criar sentimentos tão profundos em tão pouco tempo, não era?

Sem pensar mais nas consequências, peguei meu celular no criado-mudo e liguei para ele. Mordi meu lábio enquanto esperava a chamada ser atendida, mas em momento algum estava me sentindo receosa pelo que estava fazendo. Na verdade, parece que minha pequena epifania tornava-se mais forte enquanto aguardava pela voz dele.

Quando finalmente Edward atendeu, sua voz era alarmada, no entanto solonenta. – Bella, aconteceu alguma coisa? Você está bem? A bebê está bem?

– Calma, Edward. – eu respondi sorrindo. – Nós duas estamos bem. Você estava dormindo?

– Não... Estava só lendo alguma coisa. – ele retrucou, ainda desconfiado.

– Acho que a leitura não está tão empolgante assim, não é?

Finalmente ele riu, parecendo mais aliviado. – Eu acho que sim, baby. Eu só tomei um susto quando vi o seu nome no visor do celular.

– Desculpa, eu não quis acordar você. – sibilei, sentindo minhas bochechas quentes – Mas é que eu quero te perguntar uma coisa e acho que não podia esperar até amanhã por isso.

– Sem problemas. O que é?

Tomei uma respiração profunda, antes que a coragem se esvaecesse de mim. – Queria saber se você ainda tem minha aliança. Acho que já está na hora de voltar a usá-la.

A linha ficou em completo silêncio por um bom tempo, tanto que cheguei a cogitar que a chamada havia sido encerrada. E então, quando estava prestes a chamar por seu nome outra vez, que ele finalmente falou. – Você... está falando sério?

– Sim, Edward. Prometemos que iríamos tentar, não foi? Então talvez seja a hora de tê-la de volta. – afirmei antes de acrescentar. – E sinceramente, eu me sinto estranha sem ela no meu dedo.

– Eu pensei que você nunca mais iria pedi-la de volta.

– E perder meu valioso anel comprado a quarenta e cinco dólares na porta da capela em Vegas? De jeito nenhum!

Em resposta, ele riu alto. – E seria muito precipitado de minha parte se eu fosse te entregar ela agora?

– Por mais que a ideia seja tentadora é melhor não. – afirmei, mesmo que uma certa parte de mim estivesse louca para que ele viesse. – Posso esperar até amanhã, eu acho.

– Obrigado, Bella. Você não sabe o que isso significa para mim.

– Para mim também, Edward. Eu amo você.

– Eu também de amo, baby. Muito mais do que você pode imaginar.

Depois de mais alguns minutos de conversa boba com Edward, os bocejos começaram a escapar dos meus lábios. Mas, mesmo assim, eu me recusava a encerrar o telefonema e ter que lidar com a solidão daquele quarto. E foi assim, como dois adolescentes que ficamos com os celulares ligados, apenas escutando a respiração um do outro, nos embalando para uma merecida noite de sono.

[...]

Na manhã seguinte, a primeira coisa que eu percebi logo depois que despertei, foi o celular descarregado do meu lado da cama e não pude deixar de sorrir ao vê-lo daquela forma. Mesmo que a bateria estivesse menos da metade ontem à noite, acho que nossa “conversa” tinha durado alguma horas noite a dentro para que ele estivesse naquele estado. Era impressionante a forma como eu tinha dormido bem, a ponto de sequer me levantar para ir até o banheiro. E por mais que minha bexiga estivesse reclamando nesse exato instante, tinha valido e muito a pena dormir por quase 7 horas seguidas.

Ao descer, resolvi preparar o café-da-manhã: nada muito elaborado além de frutas, torradas, ovos, suco de laranja e café. Enquanto cozinhava, havia um sorriso fixo em meus lábios e tudo o que eu podia pensar era em ver o quanto antes meu marido.

Só a ideia de poder me referir a ele desta forma outra vez fazia com que eu me sentisse boba de felicidade.

Já estava terminando de por a mesa quando a campainha soou. Praticamente joguei a jarra de todo o jeito da mesa e tentei ir o mais rápido que meu imenso corpo me permitia, só por saber que era ele quem estaria ali. E ao abrir a porta, meu fôlego já escasso foi completamente sugado pela boca dele, que imediatamente tomou a minha com sofreguidão.

Meus dedos foram ágeis ao ir para os cabelos em sua nuca, puxando-o para ainda mais perto de mim e isso fez com que Edward soltasse um gemido rouco no fundo de sua garganta. De alguma maneira, ele conseguiu entrar e fechar a porta sem sequer interromper o nosso beijo. Estava tão embriagada pelo sabor de sua língua provocando a minha que a última coisa que me importava eram quais os métodos que ele tinha para conseguir fazer tantas coisas ao mesmo tempo.

Enquanto nos beijávamos, eu me sentia completa outra vez. Era inegável que Edward era a outra parte de mim e eu nunca estaria realizada se não houvesse a presença dele ao meu lado. Poderia parecer um tanto que dependente, no entanto, não podia negar esse fato.

Por fim, eu já estava me sentindo um tanto que zonza, não sei se devido ao fato da embriaguez que nosso beijo me proporcionava ou ao fato do ar estar escasso eu meus pulmões. Edward percebeu que de certa forma eu estava meio que me apoiando nele e abrandou o contato de nossos lábios, permitindo que eu pudesse respirar outra vez. E quando nos separamos, não evitei segurar um sorriso ao notar que eu não era a única sem fôlego ali.

– Oi. – ele sibilou ao recostar sua testa na minha e exibir um sorriso perfeitamente torto.

– Oi. – gaguejei de volta a medida em que meu coração acelerava em disparada dentro de minha caixa torácica.

– Então, eu trouxe o que você me pediu. – disse, passando seus dedos pela minha face até colocar algumas mechas da franja crescida atrás de minha orelha.

Meu sorriso se ampliou exponencialmente. – E cadê ela?

Edward riu, puxando uma pequena caixinha de veludo do bolso de trás do seu jeans e abrindo-a. Revi outra vez aquele fino e simples anel, o único que achamos nas redondezas naquela tarde quando resolvemos nos casar: duas faixas douradas que não haviam nenhuma garantia de durabilidade, no entanto era exatamente o que precisávamos naquele momento

Com toda a certeza, aquelas eram alianças feitas para a grande maioria dos casamentos que aconteciam em Las Vegas: meteóricos. Não tinha necessidade que elas durassem tanto, uma vez que os próprios matrimônios não passavam de alguns meses. Contudo, e por mais inacreditável que pareça, nossos anéis permaneciam do mesmo jeito nesses oito anos juntos. Dentre tantas, essas alianças eram uma verdadeira exceção.

Nós éramos uma exceção.

Delicadamente, Edward tomou minha mão esquerda e beijou meu dedo anelar antes de empurrar de volta a aliança para o seu devido lugar. Entretanto, o que nenhum de nós esperava era que a mesma não coubesse mais no lugar ao qual pertencia.

– Não acredito nisso! – retruquei com raiva – Caramba, eu engordei tanto assim?!?

– Amor, você não está gorda e sim incha-

– Não ouse dizer que eu estou inchada, Masen! – interrompi, mal-humorada. – Você mesmo viu meu peso e eu estou com quase 70 quilos! Se eu tivesse que ficar só mais um mês grávida, provavelmente eu estaria pesando mais do que você!

Edward rolou os olhos. – Bella, você só devia se preocupar com essas coisas depois que a Grace estiver aqui.

Bufei mal humorada e voltei a encarar o anel que estava um pouco além da metade do meu dedo. Talvez, quem sabe usando um pouco de creme ou detergente, ele voltaria para o mesmo lugar de antes, enfim, eu não podia ter engordado tanto em alguns meses...

– Eu fico com isso. – Edward disse, pegando minha mão de volta para retirar o anel emperrado. – Depois que a Grace estiver aqui eu faço questão de te devolver. A não ser que você se oponha a uma aliança nova.

– De jeito nenhum. Eu espero pela minha.

Edward colocou em dedo embaixo do meu queixo e flexionou um pouco seus joelho, para que nossos olhares ficassem pareados. – Você sabe que eu ainda quero oficializar o que nos temos, certo? De dar um casamento de verdade, como você merece.

– Nada pode ser mais oficial do que já é, Edward. – Respondi, colocando minha palma sobre sua bochecha, sentido a barba por fazer pinicando minha pele. – Não preciso de uma festa nem nada. As provas de que o nosso amor já foi abençoado por Deus são o Richie e essa garotinha aqui dentro.

Automaticamente, tanto suas mãos quantos seus olhos se voltaram para minha barriga e um pequeno sorriso apareceu em seus lábios. – Obrigado, Bella. por não ter desistido dela... ou de nós.

– Eu não podia. De nenhum dos dois.

Depois disso, foi fácil nossos lábios se encontrarem outra vez, todavia em um beijo muito mais calmo, que apesar de não ter a paixão exacerbada como antes, me trazia conforto e segurança. E isso era tudo o que eu mais necessitada quando estava ao lado de Edward.

– Bella querida, quem é que... Oh! – Renee disse, fazendo com que Edward e eu nos afastássemos, apesar de já termos sidos pegos nos flagra. – Eu devia saber que era você, Edward.

– Bom dia, Renee. – ele murmurou, levando a mão até a nuca, todo sem jeito.

Minha mãe cruzou os braços sobre o peito, mas mantinha um sorriso divertido em seu rosto. – Não precisam ficar envergonhados, eu já os vi em uma situação bem pior antes.

– Mãe! – bradei, sentindo minhas bochechas ardendo à medida em que Edward ria alto, provavelmente lembrando a cena que aconteceu no dia de Ação de Graças há cinco anos atrás, quando ele e eu resolvemos dar uma volta na floresta e fomos pegos pela minha mãe, transando há poucos metros da casa dos meus pais.

Renee deu de ombros e apontou em direção a cozinha. – Vocês fiquem a vontade enquanto eu vejo o que é esse cheiro de queimado.

– As torradas! – Eu lembrei, batendo minha mão na testa.

Nós seguimos os três até a cozinha, que estava incensada pelo odor pertinente de pão queimado. Eu tentei ajudar a terminar o que começara, mas minha mãe tomou as rédeas da situação, fazendo com que eu me sentasse e apenas aguardasse pelo desjejum. Não demorou muito até Richie se juntar ao grupo, completamente extasiado por encontrar o pai já nas primeiras horas daquela manhã.

O clima da refeição foi leve, onde Richie tomava conta de grande parte da conversa ao contar todos os seus planos para aquele dia. E mesmo após todos nós comermos, permanecemos ali mesmo e durante todo esse tempo , a mão de Edward segurava firmemente a minha. Era tudo tão normal, como se os últimos meses sequer tivessem existido em nossas vidas.

Porém, a obrigação me fez levantar da cadeira e finalmente voltar ao trabalho. Ouvi protestos tanto da minha mãe quanto de Edward, porém, de forma alguma poderia abrir mão de algo que tinha me comprometido a fazer. Assim que terminei de comer, voltei direto para o laptop, me concentrando para terminar pelo menos mais cem páginas digitadas naquele dia.

Nesse meio tempo, Edward dividia sua atenção entre Richie e eu: ora inventava algo para distrair o nosso filho, ora vinha me perguntar qualquer coisa e até mesmo se prontificar para me ajudar. No entanto, ele nem poderia me auxiliar muito, uma vez que quando ele tentou ler o texto, mal conseguia decifrar os escritos nos cadernos.

Depois de algumas horas digitando sempre na mesma posição desconfortável devido a imensa barriga, minha mãe me forçou a me levantar um pouco afim de não aumentar ainda mais o inchaço em minha pernas. Senti um pouco de vertigem por me erguer tão rápido, mas na mesma velocidade em que me atingiu, esta também foi embora. Mas não sem antes receber atenção extrema tanto de Renee quando de Edward. Provavelmente isso ocorreu devido a minha pressão arterial, que infelizmente se mantinha alta o tempo todo, apesar das medicações que tomava para controla-la.

Essa era a pior parte da minha gestação: a forma como todas as pessoas me tratavam como se eu fosse uma doente terminal, que exigia cuidados além da conta. Eu não me sentia nem um pouco mimada ou lisonjeada com tanta atenção, mas sim como uma criança levada que sempre era repreendida toda as vezes que tentava se aventurar além do que devia.

Eu me sentia um tanto que estúpida dando voltas ao redor da casa, caminhando praticamente como uma pata, para a diversão de Richie. Ao me movimentar desta maneira, eu só tinha a impressão de que estava perdendo tempo e percebendo isso, Edward sugeriu que fôssemos ao lago para caminhar um pouco e almoçar. Porém, abdiquei imediatamente desta ideia uma vez que o frio lá fora estava insuportável e nada faria com que saísse de casa naquele momento. Foi então que minha mãe sugeriu que ele me ajudasse a começar a organização da maleta que eu levaria para a maternidade e apesar de achar muito cedo, não pude resistir a ficar um pouco mais a sós com Edward, enquanto Renee distraia nosso filho fazendo sanduiches para o almoço.

No quarto, Edward pegou a bolsa lilás do fundo do guarda-roupas enquanto eu me decidia entre quais peças deveria levar. De fato, eu tinha muitas opções de roupinhas ao ponto de me sentir culpada, pois provavelmente Grace cresceria muito rápido e perderia tudo aquilo mais rápido ainda.

Notando minha frustração diante a tantos conjuntinhos, Edward me abraçou por trás e apoiou seu queixo em meu ombro. – O que foi, amor?

– Eu não sei o que levar! Deve existir aqui mais de 20 opções de roupas diferentes só para a saída da maternidade e agora eu meio que me sinto idiota por ter gasto tanto dinheiro. Ele riu e beijou a lateral do meu pescoço. – Acho que não posso te ajudar muito com isso... Então, enquanto você não se decide, porque não começamos a organizar pelas coisas mais simples, como as fraldas por exemplo? – Sim, você pode pegar umas seis para mim, na última gaveta do cômoda? Assim como eu pedi, ele foi até o local e gemeu quando viu toda quantidade de fraldas em tecido e a infinidade de pacotes descartáveis. – Se eu disser que esqueci por completo como é que se troca a fralda de um bebê, você me julgaria? – Não. Mas nada como a prática para que você volte a ficar expert no assunto. – respondi com um sorriso. – Bem, pelo menos por enquanto, eu não vou precisar me preocupar em acordar no meio da madrugada para fazer isto. – ele comentou, forçando um sorriso que nem de longe atingia seus olhos. Por um momento, eu não soube o que dizer: a tristeza eminente no olhar dele com uma declaração tão simples me pegou desprevenida. Afinal, eu tinha pedido de volta a nossa aliança, mas até então, não tínhamos decidido como continuaríamos a partir de agora, ou como contaríamos ao Richie da nossa reconciliação. Uma parte muito pequena de mim ainda estava morrendo de receio: de que eu havia lhe perdoado rápido demais, que ele poderia voltar a agir mal em relação a Grace. No entanto, eu o conhecia há mais de 15 anos e nada me fazia crer que ele voltaria a ser tão obtuso. Edward havia mudado tanto desde aquela última visita a Forks. Tantas coisas haviam acontecido na vida dele, quebrando antigos dogmas e preconceitos que nos levaram a nos afastar. Apesar de tudo, nós havíamos amadurecido e muito com tudo isso. Esse havia sido talvez o obstáculo mais complicado que enfrentamos em nosso casamento, mas apesar de toda dificuldade, conseguimos superá-lo. Talvez estivesse na hora de pensar no futuro e colocar um ponto final nessa fase obscura de nossa relação. Ele ainda estava de costas para mim, agachado na frente da gaveta quando eu falei – Você não acha mesmo que irei ficar acordando sozinha todas as noites quando a Grace chorar, não é? Isso imediatamente chamou a atenção dele, fazendo com que ele se virasse em minha direção. – O quê? – Não há razão para ficarmos separados por mais tempo. – afirmei e apesar do receio, fui convicta em minha decisão – Eu quero você aqui, comigo e com o Richie: nós precisamos de você. E quero que quando a Grace chegar aqui, nós quatro juntos sejamos a família que ela merece e precisa.

Edward permaneceu mudo, apenas me encarando como se não tivesse escutado absolutamente nada do que eu falara. De repente, comecei a pensar que talvez não fosse exatamente isso que ele quisesse.

Limpei a garganta e desviei meu olhar dele – Sei que pode ser meio de repente, então se você quiser mais tempo para pensar e ou... Enquanto eu divagava, mal percebi que Edward havia se levantado e vindo parar a minha frente. Minhas palavras foram interrompidas assim que eu vi o sorriso resplandecente em seu rosto que imediatamente foi refletido em meu próprio rosto. Ele pegou meu rosto entre suas mãos para me beijar, sendo essa toda a resposta que eu necessitava naquele momento. – Então, eu posso mesmo ficar aqui? – ele perguntou empolgado, seus olhos brilhando pela excitação do momento. – Não exatamente aqui. A não ser que você não se importe tanto em dividir com a senhorita Masen. – comentei divertida. – Não, eu prefiro mil vezes voltar a dormir na mesma cama que a senhora Masen. – ele retrucou, descendo suas mãos até o meu quadril. Suspirei profundamente, sentindo todos os pelos de meu corpo se arrepiarem. – Edward... – sibilei, quase como um gemido saudoso. – Eu sei, amor. – ele murmurou, colando as nossas testas. – Sexo de reconciliação só daqui a algumas semanas. Dei um tapinha em seu ombros, mesmo que na verdade eu desejasse isso tanto quanto ele – É só nisso que você pensa? Ele deu de ombros, – Depois de quase quatro meses sem transar, não é como se pudesse pensar em outra coisa. – Você é idiota mesmo. – Um idiota que você ama. – ele rebateu, colocando pequenos selinhos em meus lábios. – Mais do que você imagina. – sussurrei, antes de voltar a beijá-lo com mais entusiasmo. Mas muito cedo, ele interrompeu o beijo abruptamente e me olhou de forma espantada. – Você sentiu isso? – O que? Invés de me responder ele simplesmente levou suas mãos a minha barriga, espalmando-as bem perto do meu umbigo. E não demorou nem um pouco para que ele sentisse o que tanto desejava: os movimentos de nossa filha em meu ventre. Um sorriso deslumbrado apareceu em seu rosto à medida em que ele sentia os leves chutinhos de nossa menina sobre a sua palma. – É tão devagar... – ele retrucou, mudando a posição de suas mãos de acordo com os movimentos dela. – A maioria das vezes é assim. – comentei, olhando para o local em que nos tocávamos. – Acho que posso contar nos dedos às vezes em que ela se mexeu com um pouquinho mais de intensidade. Totalmente diferente do Richie, que não conseguia parar quieto nem um minuto sequer. – Uma pequena dama. – ele comentou, voltando a olhar para mim com os olhos brilhando tamanha a emoção que sentia. – Finalmente eu pude sentir você, Grace Sem-Nome-do-Meio Masen. Ergui uma sobrancelha desafiadoramente. – E quem te disse que ela não tem nome do meio? – Você já escolheu? – ele perguntou, me levando até a poltrona de amamentação, onde eu me sentei confortavelmente. – Na verdade ainda não – comentei distraidamente a medida que ele voltava a se agachar, agora bem a minha frente. –, mas eu estive pensando em alguns. Ele não parou de acariciar minha barriga, mesmo que Grace já nem estivesse mais se movimentando. – Quais? – Eu pensei em Elizabeth, – disparei, um tanto que insegura quanto à sua reação para o uso do nome que pertencera também a mãe dele. – Grace Elizabeth... – ele comentou com uma leve careta. – Parece um nome meio velho pra uma menina, não? – Pensei nesse porque nós sempre dissemos que se um dia tivéssemos uma filha, ela se chamaria Beth. E você sempre quis fazer uma homenagem a sua mãe. Ele balançou a cabeça negativamente. – Não se trata de fazer homenagens, Bella, mas sim de achar um nome adequado para ela. Para mim ela já é Grace e não me vejo chamando-a de outra maneira. E com toda certeza, eu não gostaria que ela tivesse a combinação de nome de uma senhora de 80 anos. – Tudo bem então, e o que você me sugere? – Isabella. – ele disparou com um sorriso. No mesmo instante, cruzei os braços sobre o meu peito em uma atitude teimosa – Sem chance. Escolha outro – Qual é o problema de Isabella? – ele rebateu. – Foi você mesmo que disse que não se tratava de escolher um nome só por escolher! Tem que ser algo que tenha a ver com ela. – Mas eu gosto de Isabella. Muito, por sinal.

Rolei os olhos indiferente. – Não, Edward. Outro. Ele deu de ombros. – Chloe? Heather? Sophia? Rachel? – ele sugeriu e para cada uma delas eu fiz um careta. Em resposta, ele suspirou alto antes de dizer. – Ok, então quais são as suas opções? – Eu gosto muito de Charlotte. – comentei ligeiramente. Edward afundou a cabeça em meu colo e para minha surpresa disparou – Por favor, qualquer um menos este! – Por que não? – inquiri enquanto acariciava distraída a sua nuca. – Alguma ex-namorada que eu não saiba? – Não, nenhuma ex no histórico com esse nome. – E qual é o motivo? Mesmo murmurando contra o tecido pesado do moletom que eu usava, consegui definir suas palavras. – Eu não saberia lidar com duas pessoas chamadas Charlie em um mesmo ambiente. Isso me fez gargalhar alto, a ponto de me assustar com minha própria risada. Ele levantou seu rosto e apesar de fingir resignação, era óbvio que ele estava apenas brincando. Na verdade, eu estava adorando esse clima leve e distraído entre nós, exatamente como antigamente. – Bem, parece que nossa filha vai continuar sem nome. – ele disse, chamando de volta a minha atenção. – Eu só queria mais tempo até me decidir. – comentei, olhando para a protuberância a minha frente. – Só mais uns 15 dias, como previsto logo no início. As sobrancelhas de Edward se franziram em confusão. – Grace estava prevista para o dia 14 de Fevereiro? – É. – comentei surpresa. – Caramba, eu nem tinha notado isso, mas a Grace poderia ter nascido no dia dos namorados. – Dia de São Valentim... – Edward falou, erguendo uma sobrancelha. – Valentina? – indaguei simplesmente e notei que o sorriso dele se ampliara um pouco com a ideia.

– O que você acha? – É um lindo nome para uma menina. – retruquei comigo mesma. – Mas qual será o significado? Mal tinha acabado de proferir esta pergunta e Edward já caçava seu Iphone no bolso, digitando rapidamente alguma coisa no visor e em poucos instantes, ele começou a ler em voz alta. – “Valentina: origem latina. Significado: Forte. Vigorosa e cheia de disposição.”

– É um nome forte, literalmente.

Edward sorriu. – Graça e Força. – comentou, tocando a lateral de minha barriga – Acho que é exatamente isto que essa mocinha precisa. – Grace Valentina. – murmurei e a combinação dos dois nomes me pareceu simples e certa em meus lábios. – Grace Valentina Masen – Nossa filha. – Edward falou para logo em seguida deixar um pequeno beijo, logo acima do meu umbigo e pousar sua cabeça contra minha barriga, como se desejasse escutar algo ali dentro.

Aquele gesto significava muito para mim. Não precisava de palavras ou promessas de Edward; a maior garantia de que ele aceitara nossa filha, da maneira que nos foi enviada era justamente aquela pequena atitude dele. Algo tão pequeno e banal, mas que para mim estava carregado de significado e ajudaram a dissipar qualquer receio que ainda restasse em mim.

O quietude entre nós só foi interrompida por conta de passos apressados de Richie vindo do corredor. Edward se afastou minimamente e enxugou com seu polegar uma lágrima que eu mesma não tinha percebido que escorrera pelo meu rosto. – O que foi? – perguntou ele, preocupado.

Eu apenas sorri. – Nada. Tudo está absolutamente perfeito.

Antes que ele pudesse replicar a minha afirmação, nosso filho apareceu como rompante na porta. – Pai, mãe, a vovó mandou dizer que o almoço tá pronto.

– Nós já vamos, campeão. – Edward disse ao se levantar e me ofereceu sua mão para me ajudar.

– Você tá chorando, mamãe? – Richie perguntou assim que me viu fungando e voltou sua atenção para Edward, encarando-o de forma dura. – Você fez ela chorar de novo?

– Não! – Edward e eu dissemos em uníssono e sorrimos um em direção ao outro.

– E porque então você tá com o olho molhado? – ele retrucou. – Você tava chorando, sim!

Aproximei-me do meu garotinho, – Richie, meu amor, você tem razão. Eu estava chorando, mas não porque estou triste. Para falar a verdade, – olhei por cima do ombro em direção a Edward e sorri. – seu pai e eu temos algumas notícias muito boa para contar a vocês. E foi isso que me deixou emocionada.

Ele ainda olhava para nós dois de forma desconfiada, formando um pequeno vinco entre as suas sobrancelhas. – O que foi?

– Bem, – Edward começou, se vindo até onde nós estávamos para pegar nosso filho em seu colo. – estávamos conversando aqui e decidimos que nós vamos... voltar a ser como éramos antes, entende?

Logicamente, Richie não tinha noção do que ele queria dizer. – Como assim?

– O que o seu pai quer dizer e que nós dois vamos voltar a ficar juntos, Richie. – afirmei, trocando rapidamente um olhar cúmplice com Edward. – Como namorado e namorada, entende?

Ele rolou os olhos dramaticamente. – Mas isso eu já sabia!

– Como é?! – Edward inquiriu, tão surpreso quanto eu.

– Eu vi você beijando a mamãe ontem. E depois de ontem também, quando vocês me levaram pra escola.

Senti minhas bochechas esquentando e notei que Edward apertava firme os lábios, tentando impedir uma risada que provavelmente estava ameaçando eclodir. Eu pensava que estávamos sendo cautelosos com nossas atitudes, principalmente por conta de Richie, contudo parece de discrição tinha sido a última coisa que conseguimos ter nos últimos dias.

Limpei minha garganta e voltei a prestar atenção em nosso filho, que nos fitava com uma careta adoravelmente enfezada. – Richard, o que nós estamos tentando te dizer é que seu pai e eu vamos voltar a morar juntos. Vamos tentar viver como era antes, só que agora com a presença de sua irmãzinha também.

Finalmente, um sorriso se espalhou pela face de Richie. – Você vai dormir aqui hoje? A gente pode ficar acordado até tarde? Posso dormir no quarto de vocês? Melhor! A gente pode fazer um acampamento de lençol na sala!

– Ok, amigão, mais tarde nós vamos pensar nisso. – Edward disse, impedindo o pequeno falatório de Richie. – e então, ele jogou nosso filho em um dos ombros e arrancou uma gostosa gargalhada. – Agora eu só penso em detonar todos os sanduiches que a vovó fez!

Antes de sair do quarto, Edward me deu um pequeno selinho e juntos nós rimos do som de nojo que Richie proferiu. Finalmente, tudo parecia no seu lugar; a volta do som das risadas dos meus meninos pela casa, ser livre para poder beijar e ser beijada livremente sem precaução alguma. Depois de tantos meses de tensão, por um momento cheguei a temer aquela perfeição toda. Que a qualquer momento eu poderia acordar e cair em mim que não houvera mudança. Que eu ainda estava em Forks, depois de ter abandonado esta mesma casa há algumas semanas atrás.

Contudo, eu não me permitiria mais pensar sobre isso. Como o próprio Edward dissera, era hora de novo começos. A chegada de Grace não significava simplesmente a vinda de uma bebê especial em nossas vidas; e representava também uma nova fase de nossas vidas, onde provavelmente existir dificuldades, mas que com toda certeza seriam superadas através do amor, da compreensão e da promessa de que permaneceríamos juntos. Sempre.

[...]

Depois de comer, eu fui direto para o computador mesmo com as caretas que Edward e Renee fizeram para a minha decisão. Não havia chegado nem perto daquilo que prometera e não podia deixar de ficar desesperada por ter não cumprido meu compromisso com a editora. E agora, como se não bastasse a supervisão de Renee, eu ganhara também a de Edward. De forma alguma eu poderia voltar a pegar o notebook durante a madrugada para adiantar um pouco mais do trabalho

Edward e Richie subiram para jogar um pouco de videogame e minha mãe aproveitou o momento livre para terminar umas botinhas de tricô para Grace. O mais engraçado nisso tudo era que apesar de seus esforços, eu não tinha percebido nem um avanço dentre aquele emaranhado de lã branca. Contudo eu nada disse e deixei com que ela me fizesse companhia enquanto eu me concentrava no trabalho. E apesar da tagarelice infinita de Renee, em momento algum eu me sentia incomodada com suas divagações a respeito de qualquer coisa. Às vezes, o fato de tê-la falando constantemente ajudava a não sucumbir ao sono, que parecia ser um estado constante em meu corpo nesta fase final da gravidez.

Por fim, a tarde acabou se passando mais rápido do que eu imaginava e logo o anoitecer chegou sobre o céu de Chicago. Eu consegui adiantar um pouco mais o texto e com muito orgulho de mim mesma, percebi que só faltavam oito páginas para atingir a meta que tinha estipulado para o dia. Minha vontade era continuar escrevendo até acabar tudo, porém meu estômago roncou alto. Eu estava morrendo de fome e com um desejo louco de comer pizza a la Chicago, para o total desespero da minha mãe e de Edward.

– Bella, amor... – Edward retrucou quando sugeri que fossemos todos a uma pizzaria a poucos quarteirões de casa. – talvez seja melhor não.

–– Por favor, Edward, vai ser só um pedacinho!

Ele imediatamente olhou para Renee em busca de reforços. – Isabella, você sabe a quantidade de sódio que tem nessas coisas! E você não está em condições de se arriscar, querida.

– Eu me comportei muito bem nos últimos dias. E a própria médica disse que eu poderia comer de vez em quando!

– Por favor, papai! – Richie reforçou o meu apelo, usando sua melhor carinha de cãozinho abandonado. – Leva a gente pra sair, por favor, papai!

Ele bufou resignado e voltou a fitar a minha mãe. – Desculpe, Renee, mas eu não consigo dizer não para eles.

– Tudo bem, – ela disse ao se levantar do sofá – Não posso negar que estou louca para comer umas pizzas de verdade por aqui.

Não demorou muito para nós nos agasalharmos e partimos até a pizzaria, onde eu nem pude me deliciar tanto quanto eu gostaria por conta da supervisão ferrenha de Edward. No entanto, foi bom fazer algo em família outra vez, sem precisar reprimir mais os gestos carinhosos como segurar na mão deitar minha cabeça no ombro dele. Parecia até que todo o peso extra que eu tinha ganhado ao longo desses tinha se dizimado e eu podia me sentir leve outra vez.

Antes de voltarmos para casa, Renee insistiu em nos fotografar, insistindo que eu não tinha nenhuma imagem minha grávida de Grace. Lógico que tentei evitar, lembrando-lhe das fotos do aniversário de Richie, embora nada disso foi suficiente para fazer com que ela mudasse de ideia. E mesmo que eu estivesse sem maquiagem, com uma roupa terrível e quase vinte quilos mais gorda, minha mãe me fez ficar ao lado de Edward — o preceito da beleza do sexo masculino — forçando um sorriso e fingido não me sentir desconfortável naquela situação.

Vendo que eu não estava muito à vontade, Edward encerrou a sessão constrangedora de minha mãe, alegando que já estava na hora de Richie dormir e por sorte, nosso filho bocejou alto neste momento, enfatizando as palavras dele. Ele pagou a conta e saiu correndo para o estacionamento, afim de pegar logo o carro. Lá fora, a leve nevasca havia se transformado em um temporal pesado e quando ele conseguiu parar o carro à frente da pizzaria, Edward parecia que tinha acabado de sair do banho. Liguei o aquecedor no máximo e tomei uma de suas mãos nas minhas, sentindo o quão fria ela estava.

– Desculpa, Edward, eu não sabia que iria chover tanto assim. – murmurei, me sentindo péssima por tê-lo feito sair de casa só por conta de um desejo absurdo.

– Não seja boba, amor. – ele retrucou, erguendo nossas mãos unidas para colocar um pequeno beijo em minha palma. – Eu me diverti hoje à noite.

– Ok, só lembre-se que isso não foi um encontro e que seu filho e sua sogra estão bem aqui no banco de trás. – Renee disparou, fazendo todos rirem.

Ao chegarmos em casa, minha mãe disse que já estava com sono e se despediu de todos com um beijo na face e foi direto para o quarto dormir. Já Richie sequer lembrou da promessa de acampamento na sala e agiu automaticamente, quase como um sonâmbulo enquanto Edward e eu assistíamos seus movimentos vagarosos ao se preparar para dormir. Depois de ter escovado os dentes e vestir seu pijama, ele caiu na cama como um pesinho morto e em poucos segundo já estava dormindo profundamente.

Saímos do quarto de Richie e assim que fechamos a porta, nos fomos acometidos por um momento estranho, sem saber o que dizer um para o outro. Era quase como se estivéssemos pisando em ovos em torno um do outro, sem ter ideia de qual seria o próximo passo a partir de agora.

– Você precisa se trocar ou então vai acabar ficando resfriado. – comecei, apontado para a camisa ensopada que ele ainda usava.

Edward olhou para sua roupa e coçou a cabeça, ainda sem jeito – Eu sei, mas eu acho que não tenho mais nada por aqui.

– Na verdade tem sim. Tem algumas camisetas e cuecas suas no meu lado do closet. Mas se você quiser voltar para o hotel...

– Não! – ele interrompeu-me abruptamente. – Bem, a não ser que você prefira que eu volte.

Eu ri devido a estranheza da situação. Nós conhecíamos um ao outro tanto quanto nossos próprios reflexos e agora estávamos agindo como dois adolescentes que acabaram de se encontrar pela primeira vez.

– Olha só, foi você mesmo que disse que queria voltar a dividir a cama comigo. Então, se é assim, você terá dividi-la com isso aqui também, – comentei, apontando para a minha barriga imensa. – por mais alguns dias.

Edward me puxou em sua direção e respondeu – Se esse é o único problema, eu não me importo nem um pouco.

Juntos fomos para o quarto e Edward foi o primeiro a se trocar enquanto eu o esperava sentada aqui na cama. Era um tanto bobo da minha parte, mas me sentia nervosa com a presença dele outra vez neste quarto. Não que eu estivesse arrependida, no entanto não podia deixar de me sentir insegura, afinal faziam-se meses desde quando dividimos o mesmo leito.

Tanto havia se passado entre nós desde o último momento que estivemos aqui. Tantas brigas, tantas discussões... Sei que não devia ficar relembrando o passado, mas era impossível reter aquelas memórias eternamente. Talvez o tempo seria capaz de me fazer esquecer, no entanto, ainda era muito recente para apagar por completo tudo que passamos.

Estava tão concentrada em meus próprios pensamentos que eu só percebi que Edward saíra do banheiro quando ele sentou-se ao meu lado, colocando um beijo em minha bochecha. Os fios de seu cabelo ainda molhados e o perfume do meu sabonete sobre sua pele me fizeram sorrir e dissipar um pouquinho que seja de toda essa insegurança.

– Cansada? – ele perguntou, afastando meu cabelo dos meus ombros e beijando a base do meu pescoço.

– Nem tanto, mas acho que depois que eu tomar banho, eu definitivamente só irei acordar amanhã.

– Se as circunstâncias fossem diferentes, – ele rebateu, espalmando minha barriga. – dormir seria a última coisa que faríamos.

Sorri, um ruído gutural saiu de meus lábios assim que ele beijou o lóbulo da minha orelha. – Edward...

– Ok. É melhor paramos por aqui. – ele encerrou. – Não vamos começar o que não podemos dar continuidade.

– Não fiz absolutamente nada. Foi você que chegou me atacando!

– Atacando, huh? – ele sibilou e antes que eu me desse conta, ele já estava fazendo cócegas em minha axila, meu ponto fraco para isso.

Apesar de odiar quando ele fazia isso, eu não podia negar que ria alto, tentando me desvencilhar dele. Tarefa essa, quase impossível, levando-se em consideração que eu tinha uma circunferência enorme que me impedia de ser mais ágil. Por mais que eu tentasse, eu não conseguia evitar que ele continuasse as provocações insistente de seus dedos sob minha pele. Edward tinha essa mania um tanto infantil de sempre me provocar fazendo isso... E era algo que até hoje eu não sabia definir ao certo se gostava ou não quando ele me pegava de surpresa assim.

Foi só quando eu senti um incomodo no meu baixo ventre que eu consegui balbuciar entre os arquejos por ar. – Edward, pára! Eu vou... fazer xixi!

Magicamente, suas mãos abrandaram e finalmente ele beijou minha testa antes de me soltar por completo. – Eu te amo, Bella.

– Eu também de amo, Edward. – murmurei de volta e me apressei em sair da cama, sentindo um incômodo maior do que que esperava. – Volto logo.

– Se passar mais do que 15 minutos eu irei te buscar.

Sorri e caminhei desajeitadamente até o vaso, sentindo uma compressão bem mais intensa do que geralmente sentia. Arranquei minha calcinha às pressas e sentei-me no vaso esperando o fluxo aliviante do xixi, mas no entanto o que eu vi ao olhar de relance para a calcinha que eu vestia ,fez meu coração congelar.

Sobre o tecido de algodão branco, havia uma mancha escura de sangue em um tom de vermelho carmim.

Com o coração já batendo em um rompante, levei minha mão até minha entrada e senti a umidade estranha presente ali e antes mesmo que meus olhos capturassem a imagem, sabia que encontraria ainda mais sangue. Sangue meu e que me ligava à Grace.

Então, quando finalmente tive coragem de elevar minhas mãos até meu campo de visão tudo pareceu se materializar, como se meu pior pesadelo tivesse acabado de se tornar realidade. E exatamente como em um filme de terror, a única reação que fui capaz de fazer foi gritar, como se o som de pavor saído de minha garganta pudesse evitar aquela realidade.

Como se o som extraído de minha cordas vocais tivesse o poder de manter em segurança a minha filha.

Notas finais
(Me escondendo no fundo do oceano em 3 2 1)
Calma minha gente! Antes de vocês me apedrejarem eu quero lembrar que a fic tem final feliz! JURO!
Ah, outra coisa importante: próximo capítulo sairá no comecinho do próximo mês! Na verdade, eu já estou trabalhando nele, viu? Keep calm and believe me!
Comentários, por favor! Lembrem-se que é isso que me motiva sempre e sempre!
Beijos e até a próxima
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