Notas iniciais
Olá meninas!
Como foi o Natal? Ganharam muitos presentes? Comeram rabanadas, perus, panetones e afins? Bem, eu fiz tudo isso e devo estar uns 5kg mais gorda...
Mas vamos ao que interessa: vocês se superaram (de novo) em termos de reviews! ( enxuga a lágrima perdida) Eu fiquei tão feliz com a quantidade delas no último capítulo que achei injusto não postar mais nada esse mês. Eu também sou leitora e sei como é chato esperar um tempão para ler algo novo.
Enfim, com ajuda da Luciana (pre-reader) e da Renata (beta), esse capitulo teve um intervalo mínimo se comparado aos outros. Só por conta delas é que vocês estão recebendo esse presente (que na verdade, nem é tão presente assim... shhhhhii) de Natal atrasado.
Espero que vocês gostem do que tem por aqui, no entanto, não reclamem comigo se tiverem indigestão... *corre para as colinas*
Boa Leitura!

Aquela manhã de sábado pareceu passar como um borrão.

Depois de me preparar para o início do dia e acordar o aniversariante, como pedia a tradição boba de nossa família, tudo pareceu acontecer ao mesmo instante; um café-da-manhã comido as pressas porque o buffet estava chegando para começar a organizar a festa que ocorreria no jardim dos fundos. Ter que direcionar as ligações de Washington que foram feitas especialmente para o meu menino e ajudá-lo a desempacotar os presentes que ele tinha ganhado de mim, de seu pai e sua avó Renée... Foram tantas coisas acontecendo seguidamente que nem sequer tive tempo de avaliar o que acontecera na noite anterior.

Depois de tanto tempo em falta, Edward e eu havíamos feito amor depois de um bom tempo sem esse tipo de contato em nossa relação. O mais patético nisso tudo é não sabia direito como eu mesma estava me sentindo em relação a isso; uma parte – aquela que nunca deixou de amar e desejar meu marido – estava realizada e desejosa por mais, só por conta da noite de ontem. Os toques, os beijos, oencaixe de nossos corpos... Não importa o que tivesse ocorrido durante as últimas semanas, porque aquela parte do nosso relacionamento continuava perfeita, se não melhor, uma vez que sexo de reconciliação era o melhor que existia.

No entanto, tinha plena consciência que não houve um reentendimento de fato; nós não tínhamos conversado sobre aquilo que foi o estopim para que nosso casamento entrasse em crise; a divergência de opiniões entre nós dois em relação a minha gravidez. Uma gestação que a cada dia que se passava, eu tinha mais certeza de que havia tomado a decisão correta, enquanto Edward achava que tudo isso era um erro.

O pior de tudo era que ao longo da manhã, nós só tivemos tempo para trocar poucas palavras, uma vez que ambos estávamos ocupados. Eu precisava supervisionar toda a transformação que acontecia na cozinha e no espaço aos fundos da casa, na medida em que Edward se encarregava de comprar algum material necessário de última hora e entreter Richie até que fosse chegada a hora da comemoração.

Ter Renee ao meu lado evitou que eu morresse de ansiedade. Ela deve ter percebido que eu precisava de distração para não acabar roendo as minhas unhas que já eram bem curtas. E ela foi perfeita, enchendo o tempo ao falar sobre tudo e qualquer coisa. Desde a escolha do tema da Liga da Justiça para a decoração até as últimas fofocas ocorridas em Forks. Aquilo me distraiu por um tempo, mas não foi suficiente.

Acabamos tendo apenas uma leve salada para o almoço, já que tanto a copa quanto a cozinha tinham se transformado em um enorme depósito de comida, lotado de pessoas preparando doces e salgados. Era diferente ter tanta gente estranha ali dentro, mexendo e utilizando meus utensílios culinários, no entanto, tentei ao máximo não ser paranoica em relação a isso, uma vez que de forma alguma eu conseguiria preparar tudo sozinha. Para não acabar atrapalhando, fiquei apenas observando aqueles profissionais se apegavam a cada pequeno detalhe, como os pequenos super-heróis desenhados em cima de cada cupcake.

Quando chegou o meio da tarde, finalmente resolvi começar a preparar Richie que estava ansioso para colocar a fantasia do The Flash desde o inicio do dia. Depois que eu o tinha vestido, foi quase impossível convence-lo a parar de correr e cheguei a conclusão que antes mesmo da metade da festa, ele já virado um porquinho de tão sujo. Suspirei pesadamente e deixei que pelo menos por hoje, ele pudesse fazer o que bem entendesse, afinal de contas, era o aniversário dele.

Uma vez que Edward foi o primeiro a se arrumar para a festa que aconteceria no jardim, aproveitando os últimos dias de clima agradável do Outono, ele foi o responsável para levar Richie lá para baixo e ambos começarem a receber os primeiros convidados. Nesse meio tempo, aproveite para correr até o quarto e procurar a roupa mais folgada que existia em meu closet. Por mais que eu odiasse, sabia que eu tinha que começar a procurar roupas novas, até porque já não dava para passar os próximos meses usando o jeans desabotoado e algumas camisas velhas do meu marido.

Procurei entre os cabides algum traje que ficasse menos horrível, uma vez que nada mais ficava bem em meu corpo por conta da barriga proeminente. Não queria passar a imagem de mulher desleixada na frente de tantas pessoas, no entanto aquela missão estava ficando impossível já que tudo que vestia, ficava horripilante em meu corpo.

Quando eu já estava desistindo e prestes a pegar a primeira camisa de flanela xadrez que encontrasse naquele armário, minha mãe apareceu na porta do closet com algo em suas mãos. Pelo tamanho do sorriso estampado em sua face, eu só pude suspeitar que ela havia aprontado alguma coisa

– Eu pensei que hoje você pudesse precisar disto.

Peguei a embalagem de suas mãos e notei o logotipo da mesma loja em que tínhamos comprado algumas coisas para o bebê no dia anterior. Curiosa, abri o pacote e me deparei com um simples, porém lindo vestido de gestante. Ele era de um rosa pálido, um pouco acima dos joelhos e com leves detalhes de renda nos ombros e no busto. Era marcado logo abaixo dos seios, algo que faria com que minha barriga em expansão se destacasse bastante sob o modelo. Era absolutamente perfeito para a ocasião e eu não pude deixar de ficar feliz por isso.

- Quando... quando foi que você comprou isso? – inquiri ainda surpresa pelo fato de que minha mãe tinha conseguido finalmente comprar algo que eu adorei.

- Você estava bem distraída com algumas roupinhas. E pelo moletom folgado que eu te vi usando, deu para perceber que você ainda não tinha se dado ao trabalho de renovar seu guarda-roupa.

Sem jeito, não pude deixar de retrucar – Não precisava, mãe.

– É claro que sim, Isabella! Se não fosse por mim, você estaria usando qualquer coisa nesse instante. Agora me abrace e diga que eu sou a melhor mãe do mundo por conta disso.

Eu ri, mas fiz exatamente o que ela havia pedido – Obrigada, mãe – agradeci-lhe, deixando um beijo em seu rosto.

- Apresse-se, — Renee indicou, me empurrando de volta para o fundo do closet – os convidados estão chegando e, em breve todos vão começar a perguntar onde está a mãe do aniversariante.

Assim que ela fechou a porta, eu me desembrulhei da toalha, vestindo uma lingerie que não marcasse na roupa e que segurasse a base da minha barriga. Pus o vestido que havia ganhado e sorri satisfeita ao ver meu reflexo no espelho; ele tinha caído como uma luva em meu corpo magro e pequeno, porém com a protuberância evidente no meu ventre. Por ser uma ocasião especial, me permiti colocar um sapato de salto na cor bege, o que havia usado acho que somente em duas ocasiões.

Para completar, penteei meus cachos e prendi duas mechas laterais de meu cabelo com uma fivela que tinha ganhado de Alice, alguns anos atrás. Como — graças aos Céus — eu não estava sendo atacada por uma crise de acne durante a gravidez não me preocupei em aplicar nenhum outro item de maquiagem, além do rímel e de um batom claro em meus lábios.

Por mais que eu odiasse tanta atenção, eu sabia que deveria fazer tudo isso pelo Richie. Ele só vivia falando desta festa há meses e por conta disso, queria que tudo ocorresse da melhor forma possível, exatamente como ele desejara. Por hoje, eu deixaria tudo em segundo plano e me dedicaria ao máximo para que tudo corresse de forma que meu pequeno esquecesse qualquer clima estranho que havia instaurado sobre essa casa nas últimas semanas.

Desci as escadas devagar e logo abaixo vi Edward conversando com Aro Volturi, um dos antigos sócios de seu pai e conselheiro sênior da Masen and Lawyers. À tiracolo, o velho advogado trazia Lauren Mallory, a secretária executiva de meu marido. Os três conversavam baixo e pela expressão séria de meu marido, pude perceber que eles tratavam de algum assunto da empresa. Segurei o impulso de rolar os olhos a medida que me aproximava deles;

"Isso era uma ótima maneira de se deixar tudo de lado" pensei comigo mesma "ter uma reunião de negócios em plena sala de estar no dia do aniversário de seu filho."

Limpei minha garganta para me fazer presente e coloquei um sorriso no rosto, antes de ir para o lado de meu marido e cumprimentá-los – Olá sr. Volturi; Lauren.

Os três se voltaram para mim e cada um carregava uma expressão diference em seus rostos. Lauren mantinha com seu ar profissional, mas como sempre, deixava escapar a sua antipatia por mim. Aro tinha as feições de quem estava surpreso, principalmente quando percebeu as novas formas que meu corpo desde a última vez que nos vimos. Contudo a face mais intrigante que me olhava de volta era a do meu marido.

Edward me fitava e eu mal pude captar o leque de emoções que notei em seu rosto. Admiração, desejo, tristeza... foram tantas coisas que eu vi refletidos em seus olhos que me intrigaram seriamente. No entanto, ali não era o momento correto para lhe indagar sobre isso.

– Isabella, quantas vezes eu terei que lhe dizer que não precisamos de toda essa formalidade, querida? – comentou, esticando sua mão para apertar a minha – E eu estou realmente surpreso por ver você assim tão... grávida!

Meu rosto deve ter entregado o quão confusa eu estava, por que ele imediatamente completou – Edward aqui comentou que vocês estavam planejando mais um filho, só que da forma que ele falou, eu tinha entendido que isso aconteceria só no próximo ano.

- Nós queríamos manter para nós mesmos – Edward se apressou ao dizer, envolvendo meus ombros com um de seus braços. – não achei que deveria explicações a ninguém sobre os planos de nossa família.

O velho sorriu, mas tinha um tom de deboche escondido ali – Você tem toda razão, meu jovem. Mas agora eu vejo o porquê da sua pressa em vender a companhia.

Senti seu corpo tencionar ao meu lado — Bem, uma vez que sou sócio majoritário, tenho o direito de fazer o que bem entendo com minha empresa, certo?

Antes mesmo que Aro viesse com alguma réplica, eu me intrometi na conversa daqueles homens – Não vamos falar de negócios por hoje. – murmurei, pondo minha mão na base da coluna de Edward e um sorriso falso em meu rosto – estamos numa festa cheia de crianças. Não vamos falar sobre algo que pode entediar até os adultos, quanto mais esses pequenos, certo?.

- A sra. Masen tem razão, — Lauren completou, ao segurar ao puxar um pouco o braço de Aro, guiando-o para fora dali. – Vamos parabenizar o aniversariante e procurar um lugar lá fora.

Ambos saíram dali do hall de entrada com um leve aceno, partindo por uma das portas laterais que davam acesso ao jardim externo. Senti Edward retesado sob as minhas mãos, que faziam círculos calmantes em suas costas. Ele suspirou profundamente, segurando a ponte de seu nariz. – Eu odeio esse desgraçado...

- Acalme-se, Edward. – pedi baixinho, sem interromper o meu gesto em suas costas – Richie pode perceber que você está com raiva e ficar chateado.

Edward bufou – Não é fácil quando eu me vejo preso nas mãos desse filho da... – ele respirou fundo, antes de abrir os olhos e me fitar – ele está atrapalhando as negociações de venda. Ele descobriu na semana passada que existe um condicilo deixado por meu pai onde diz eu não posso vender ou transferir a empresa até que eu tenha 35 anos.

- Condicilo? O que é isso?

Ele suspirou profundamente e explicou — É uma espécie de testamento, embora seja um documento mais informal. É lá onde está essa maldita condição.

- E isso é legal? – inquiri, surpreendida com a novidade. — Anthony pode mesmo ter feito algo assim?

Edward riu sem humor algum – Você conheceu o Anthony, Bella. O meu pai soube muito bem fazer com que eu ficasse preso nas mãos deles mesmo depois de morto.

Levei minha mão até seu ombro e sibilei – Sinto muito, Edward. Eu sei o quanto você quer se ver livre daquele escritório.

- Você não imagina o quanto – ele concluiu, me puxando para um abraço. – Mas você tem razão. Esse não é o momento para falarmos sobre isso. Nosso filho está lá fora esperando por nós dois.

Com isso, ele deixou um beijo no alto na minha cabeça e segurou minha mão, nos levando até o quintal onde já estavam os primeiros convidados. Nossos dedos se entrelaçaram enquanto nós caminhávamos, e aquele gesto tão simples me deu ainda mais esperança de que finalmente estávamos caminhando na direção certa. Afinal, a quanto tempo Edward não compartilhava algo que acontecia no escritório comigo? Sem contar com seus gestos doces haviam voltado desde ontem a noite, antes mesmo de termos voltado a dividir a mesma cama. Seu olhar em certas ocasiões ao longo do dia de hoje ainda me confundiram, no entanto, eu estava esperançosa de que depois de nossa conversa amanhã, estaríamos na mesma página outra vez.

O resto da tarde pareceu passar de uma forma muito tranquila; as crianças estavam se divertindo com as brincadeiras que os instrutores tinham para elas, e meu filho já não parecia tão apático como na tarde anterior, quando peguei-o no colégio. Ele brincava e se entrosava com todos os seus amigos de colégio e outros meninos que jogavam na liga mirim de baseball de nosso bairro. Quanto a Edward e eu, tentávamos dar atenção aos poucos adultos que tinham ali, no entanto, fizemos isso de forma separada. Não pude deixar de rolar os olhos quando eu o vi no alpendre, bebendo uma cerveja com um dos advogados de sua empresa, Mike Newton que tinha trazido a filha para a festa.

Geralmente, essas "escapadas" de cinco minutos dele, eram feitas ao lado de seu primo Emmett, porém, desde que Edward presumira que a culpa de que eu ainda estivesse grávida era de Rosalie Cullen, a amizade entre os dois tinha ficado abalada. Assim como Rose, Emmett achava correta a minha atitude e na medida do possível, ele e Rose sabiam de mais detalhes sobre a minha gestação do que qualquer outra pessoa. Não sei a razão, mas em todas as vezes que eu conversava com Emmett sobre minha gravidez, ele demonstrava um positivismo, uma fé de que meu futuro bebê seria alguém mais do que especial. Não por conta de suas condições psicológicas, mas sim porque ele acreditava que o neném que carregava seria responsável por grandes alegrias em nossas vidas.

Era estranho, mas era inquestionável que minha amizade com aquele casal se estreitara significativamente desde que descobri que estava grávida de um bebê portador da Síndrome de Down. Eles me apoiaram desde o inicio com a minha decisão, e seja lá qual fossem os motivos para que ambos fizessem isso, eu só poderia agradecer.

- Eu não sei como você pode lidar com tantos super-heróis correndo no seu gramado! Acho que se fosse eu, já teria enlouquecido!

Olhe para o lado e vi que Angela havia parado ao meu lado e olhava fixamente para o monte de crianças que pareciam estar participando de uma caça ao tesouro. Eu sorri, percebendo que seus gêmeos pareciam ter entrado numa briga por conta de alguma das pistas que o monitor das brincadeiras havia dado.

- Não é tão ruim assim. Bem, pelo menos até que eu veja as marcas de todo esse corre-corre no chão – respondi levemente..

- Bem, eu ia te dizer que você era uma sortuda por ter apenas o Richie para bagunçar a sua casa, mas pelo o que estou vendo...

Abri um sorriso e alisei a minha barriga crescida por cima do vestido – Pois é. Acho que já estava na hora de aumentarmos um pouquinho a nossa família.

Ela colocou uma de suas mãos por cima da minha, enquanto usava a outra para empurrar os óculos por seu nariz – Só espero que para o bem da mamãe, você seja tão comportado e esperto quanto o seu irmãozinho.

- É só o que eu mais quero. – murmurei, com um suspiro.

Angela que sempre foi muito observado ergueu seus olhos confusos para me fitar – Há algum problema com o bebê, Bella.

Mordi o lábio enquanto pensava no que ela havia dito. Meu filho tinha algum problema? Eu repetia comigo mesma, analisando os olhos gentis da mulher a minha frente. Como mãe, o amor por meu filho não mudava só porque ele seria diferente das outras pessoas, contudo eu não era hipócrita para não assumir perante todos que o bebê não era normal.

- Esqueça o que eu disse, Bella – Angela acrescentou, acenando com as mãos. – Não é da minha conta.

- Não, Ang. – retruquei de volta, segurando seu pulso para que ela não se afastasse. Nós não éramos amigas íntimas, mas nossos filhos se conheciam desde os três anos. Eu tinha plena confiança de deixar meu Richie em suas mãos e ficar despreocupada. Assim como eu, ela era mãe e sabia o quão profundo era esse laço de amor indestrutível.

Com um suspiro trêmulo, eu finalmente falei. – Nós descobrimos a poucas semanas atrás que esse bebê é especial, Angela.

Suas sobrancelhas se franziram – Especial? Como assim, Bella?

- Especial porque ele foi mais do que desejado. – Edward respondeu, me segurando pelo quadril e colocando um beijo no meu rosto. – Nós adiamos tanto essa gravidez e agora que finalmente aconteceu, ainda estamos em êxtase.

- Ah... – Angela murmurou, parecendo ainda mais confusa. – Bem, isso é uma coisa boa, não é? Uma criança é sempre uma dádiva na vida de qualquer casal.

Edward abriu outro sorriso – Eu concordo plenamente.

- Por falar em casal, eu vou procurar o meu marido. A essa altura ele já deve estar atacando a mesa de doces. – Angela disse antes de sair, se afastando com um sorriso que não era lá muito convincente. Talvez ela tivesse notado que eu atirava punhais em Edward através do olhar.

Eu mal pude acreditar no jorro de palavras falsas que Edward havia proferido naquele instante; e para piorar ainda mais a situação ele tinha feito isso de uma maneira tão simplista que me deu nojo. Afastei suas mãos de cima de mim e girei sobre os meus pés para encara-lo – O que diabos você fez?

Sua expressão também estava mais dura, quando sussurrou asperamente de volta – Eu intervi antes que você fizesse a merda de espalhar por aí que teremos um filho doente.

- Ele. não. é. doente. – silvei entredentes, a raiva me dominado por completo.

- Isso é o que você quer acreditar, Bella. Tanto que sempre se refere a isso com eufemismos como excepcional ou especial. Não seja cínica, Bella.

- Cínica, eu? – falei mais alto do que pretendia, porém não achava em mim motivos para não me alterar. – Não fui eu que desejei tanto um bebê e só porque ele não é do jeito que imaginava, estou prestes a descarta-lo!

- Eu não vou discutir isso com você, Isabella – ele grunhiu, segurando mais firme o meu pulso – aqui não é hora e nem local. Pense mais no Richie antes de aprontar a porra de um escândalo!

Soltei-me de seu aperto e falei – Não se preocupe. Não sou egoísta a este ponto. Eu acabei de desistir de ter qualquer conversa séria com você. – e com essas palavras, eu dei as costas e partir na direção oposta a dele.

O durante o resto da festa, eu desempenhei um ótimo papel ao não chorar e nem me esconder nos cantos. Pelo contrário, reuni todas as minhas forças ao estampar um sorriso para todos os convidados e para as fotos na hora do parabéns. Acho que nunca atuei tão bem em minha vida, apenas para não transparecer qualquer tensão diante do meu filho. A última coisa que eu queria hoje era estragar a tão sonhada festa dele.

E se Edward podia mentir tão bem, tenho certeza de que eu também poderia fazer o mesmo.

Já era tarde da noite, quando todos começaram a ir embora. Richie que apesar de ainda estar resplandecendo alegria, tinha os olhos pequenos e bocejava a cada minuto. Foi difícil convence-lo a deixar para abrir o restante dos presentes no dia seguinte, embora não houvesse nada com que uma mãe não conseguisse com um pouco de jeitinho. Tanto que depois do banho, ele caiu esgotado na cama e dormiu em questão de segundos.

Minha mãe que partiria logo cedo no dia seguinte, já estava terminando de arrumar suas malas, quando eu entrei no quarto. Ali, eu não pude mais esconder o que estava sentindo e corri para os seus braços, desabafando em forma de lágrimas todo o rancor e mágoa por conta do que Edward tinha feito durante a festa. Ela não falou absolutamente nada, só me deixou abraça-la ao mesmo tempo em que eu estragava a blusa de seu pijama com a enxurrada que saía dos meus olhos.

Eu me sentia uma fraca por sempre estar chorando. Queria ser mais forte, mais decidida e mais corajosa para enfrentar tudo e todos por conta dessa gestação, muito embora fosse difícil. Principalmente depois de ter sofrido um golpe como esse de Edward. Ele fizera falsas promessas de que a nossa relação iria voltar a ser como antes, todavia, mais uma vez ele tinha desferido um golpe em meu coração já quebrado demais.

- Se-será que eu po-podia dormir aqui? – eu gaguejei pateticamente para a minha mãe, que simplesmente assentiu.

Enrolei-me em uma bola ao seu lado na cama, precisando de todo o conforto que somente uma mãe era capaz de dar. Ela não quis saber os motivos para que estivesse daquele jeito; só se manteve acariciando meus cabelos e sussurrando uma promessa que eu não acreditava. Não mais.

A de que tudo iria ficar bem.

[...]

Na manhã seguinte, eu acordei com um mal-estar tremendo, que fez com que eu me sentisse enjoada e tivesse uma dor de cabeça insuportável o restante do dia, ao ponto de nem sequer conseguir acompanhar minha mãe de volta até o aeroporto. Fiquei reclusa dentro do quarto de hóspedes a manhã inteira, só saindo para me forçar a beber agua e comer alguma coisa. O bebê parecia entender o meu estado de espírito e ficou o tempo todo agitado, sendo os seus movimentos a única coisa suficientemente alegre para me distrair.

Quando Edward voltou do aeroporto, ele até que tentou iniciar a conversa que havíamos prometido ter, embora depois do que aconteceu ontem a tarde, eu já tinha posto um ponto final em todas as esperanças que eu tinha de que pudéssemos nos acertar. Fui o mais fria possível e usei a desculpa de que não estava me sentindo muito bem, só para evitar ter mais aborrecimentos e decepções com todas as declarações que ele viesse a fazer.

Como eu esperava, pude ver que ele não ficou nada satisfeito com isso, no entanto, não declarou absolutamente nada sobre isso. Edward saiu do meu esconderijo naquele quarto com um ar de frustração fixo em seus olhos e por mais duro que fosse, eu pouco me importei. Tinha chegado ao ponto de desistir de vez de fazê-lo entender que nada poderia me afastar do meu filho.

Então, desde aquela tarde na festa, Edward e eu tínhamos voltado ao estado de letargia em nosso casamento. Talvez a verdade fosse um pouco pior do que isso, porque antes nós ainda nos falávamos, mesmo que fosse para trocar acusações e agora nem mesmo isso ocorria. Éramos como dois estranhos dividindo o mesmo teto, sendo que a única coisa em comum era a criança de sete anos que habitava naquela casa também.

Eu já nem sabia mais quais eram os sentimentos que eu nutria pelo meu marido. Talvez eu ainda não tivesse deixado de ama-lo completamente, entretanto, a cada dia que se passava aquele sentimento de indiferença só crescia mais e mais. Eu não me preocupava mais se ele tinha resolvido seus problemas no escritório, se ele chegava mais tarde do que o normal em casa... não queria mais saber sobre o que se passava em sua vida, uma vez que ele não dava a mínima para a minha. Meu casamento que já estava abalado estava finalmente desmoronando de uma única vez.

Para completar, como Richie entrara numa classe avançada, ele passava mais tempo no colégio, me deixando com ainda mais horas livres do que eu desejava. Eram longas horas em casa olhando para as paredes, organizando e reorganizando diversas coisas só para me manter ocupada. Agora mais do que nunca, eu me sentia fútil por não ter nenhuma ocupação importante; nunca em minha vida eu estive tão arrependida por não ter terminado minha faculdade e conseguido um emprego depois que o meu filho nasceu.

Os dias foram se passando desta mesma forma; pouco o que fazer e muito para se pensar. Alice em um de seus telefonemas havia me alertado sobre uma possível depressão, contudo achei exagero da parte dela, que sempre foi a rainha do drama. É obvio que eu estava triste, mas nem por isso eu queria cortar meus pulsos ou algo parecido. Eu tinha duas grandes razões que me faziam sorrir, até mesmo nos momentos mais complicados. Richie e o neném que parecia ficar a cada dia mais forte em meu ventre eram os motivos que me faziam enfrentar todos e quaisquer problemas que surgissem em minha vida.

[...]

Era final de Outubro e a frente fria que estava parada em cima da cidade de Chicago combinava muito bem com o clima de Halloween que dominava cada casa em nosso bairro. Lanternas de abóboras, máscaras assustadoras e papéis pretos e roxos enfeitando terraços e quintais, eram os ornamentos da maioria das residências naquela época do ano. Richard que estava sendo levado por mim até a casa de seus tios, Emmett e Rose, observava tudo sem nada dizer, o que era estranho, porque esse simplesmente era o seu feriado favorito no ano.

Eu tinha mais uma ultrassonografia marcada para hoje a tarde, e finalmente eu estava animada para descobrir o sexo do meu bebê. Já havia começado a fazer o enxoval, e estava um tanto complicado me manter apenas nas cores neutras. Sem contar que a curiosidade tinha me pegado de jeito e agora eu exalava ansiedade apenas para descobrir se eu teria um menininho ou uma menininha.

- Você vai demorar muito lá no hospital, mamãe? — ele inquiriu, sem deixar de admirar toda a decoração de puro terror que alguns de nossos vizinhos tinham feito

- Não, docinho. — respondi gentilmente.

Seu olhar se voltou para mim e ele parecia levemente preocupado — Mas você lembra do que tem que fazer hoje, né?

Rolei os olhos por conta disso. Como Richie tinha estragado toda a sua roupa de The Flash que usou no aniversário, ele não tinha mais nada para usar essa noite, quando sairia com os gêmeos atrás do famoso "doces ou travessuras". Então, coube a mim a missão de improvisar um "fantasminha" com algum lençol velho que havia no armário.

- É claro que eu lembro, filho. — respondi, olhando rapidamente para ele pelo retrovisor — Não se preocupe porque assim que eu chegar, vou direto fazer sua nova fantasia.

- E o que é que você vai fazer no hospital de novo?

- A mamãe só irá ver como anda o seu irmãozinho e voltará o mais rápido possível, ok?

- E porque você tem que ir tanto pro hospital?

Parei em frente a residência de Emmett e Rose, antes de responder a sua pergunta — Por que essa é a única forma que eu tenho para saber como o bebê está, meu bem. Lá eles irão medi-lo e pesa-lo assim como eu faço todos os meses com você lá no seu quarto.

- Eu não quero que você vá pra lá, mãe. — ele disse ao fazer sua melhor cara de birra — Você só quer saber desse bebê aí. Que saco!

- Epa, mocinho? Onde foi que você aprendeu a falar desse jeito?

Ele cruzou os braços sobre o peito, e a expressão resignada dele era assustadora, tamanha a igualdade que tinha com a do pai. — É isso mesmo, mãe! Você não gosta mais de mim e nem do papai. Só quer saber desse bebê estúpido que tá na sua barriga. Eu odeio ele! — esbravejou, se soltando do seu lugar e pulando para fora do veiculo.

Se eu não já não tivesse estacionado, tenho certeza de que o carro teria batido em algum lugar depois que eu o escutei dizer aquilo. Suas palavras me atingiram como uma bola de canhão jogada sobre o meu peito, fazendo com que eu perdesse o fôlego. Nunca imaginei que meu filho pudesse demonstrar tamanho ressentimento. Richie nunca havia expressado qualquer reação perante a esse bebê e agora, quando finalmente demonstrou sentir, foi algo tão injusto que me deixou completamente sem reação.

Eu apenas assisti quando ele entrou na casa dos tios como um foguete, passando por Rosalie que estava abrindo a porta sem sequer se dar ao trabalho de cumprimentá-la. Ela pareceu intrigada e olhou diretamente para o meu carro de onde eu saia ainda atordoada pelo o que havia acabado de escutar.

- Está tudo bem? — perguntou, enquanto se aproximava de mim e pegava a minha mão.

- O Richie... Parece que ele acabou de ter seu primeiro ataque de rebeldia na vida. — ao ver sua expressão ainda mais intrigada, eu completei — Ele acabou de dizer que odeia o irmão e que a culpa de Edward e eu estarmos afastados é do bebê.

- Ah... E como você está se sentindo? — ela perguntou preocupada.

- Eu não sei... De certa forma eu acho que ele tem um pouco de razão. Eu meio que venho negligenciando-o por conta de tantas coisas acontecendo em minha vida. Mas nunca, em hipótese alguma eu poderia deixar de ama-lo, Rose.

Ela apertou gentilmente a minha mão — Eu sei disso, Bella. Ele só está inseguro com o novo bebê. Acho que toda criança se sente desse jeito com a chegada de um irmão.

- Eu deveria falar com ele. — eu comentei, olhando de volta para a grande casa azul que estava a minha frente.

Rosalie balançou a cabeça em negação, o movimento fazendo alguns fios escapar do seu rabo-de-cavalo — Acho melhor não, Bella. Ele ainda está abusado e qualquer coisa que você disser agora, poderá só piorar ainda mais a situação. Deixe o Em tomar conta dele; ele saberá como acalma-lo. Além do mais, se não formos agora, nós chegaremos atrasadas em sua consulta.

Ainda apreensiva, mordi meu lábio, mas assenti para o que ela tinha dito. Talvez eu também não soubesse lidar corretamente, caso Richard viesse com alguma outra acusação absurda como aquela. — É, você deve ter razão.- comentei, a medida em que ela me guiava até o seu BMW parado logo mais a frente. — Não vamos no meu carro?

Ela sorriu — Você dirige muito devagar, Bella. Sem contar que indo no meu, você não tem desculpa alguma para evitar ir comigo para certos lugares.

- Mais compras? — Ergui a sobrancelha enquanto abria a porta do passageiro.

- Com toda certeza, querida!

Como Rosalie era absolutamente veloz no trânsito, nós chegamos quinze minutos antecipadas à consulta. Preenchi os primeiros dados e fui me sentar ao lado dela na sala de espera, loteada de outras gestantes em diferentes fases. Pude perceber também que algumas grávidas estavam acompanhadas de seus companheiros e não pude deixar de lembrar do meu marido e sua total apatia por minha situação.

Nunca fui uma pessoa invejosa, mas era difícil não me sentir assim quando eu fitava os casais felizes ao meu redor. Sem querer, eles pareciam esfregar em minha cara a felicidade conjugal que eu possuía antes e que por algum motivo havia desaparecido por completo de minha vida. Nem eu mesma conseguia entender como em pouco mais de três meses, minha relação com Edward tinha caído em um abismo que não parecia mais ter fim.

Suspirei profundamente e Rosalie parou de folhear a revista em suas mãos para me observar. — Algum problema, Bella?

- Só estava notando que eu sou a única pessoa nessa sala acompanhada por alguém que não seja uma mãe ou um esposo. — murmurei distraidamente.

- Bem, talvez eles pensem que nós somos um casal de lésbicas a espera de seu primeiro bebê.

Eu ri com vontade, depois de tanto tempo sem ouvir aquele som vindo de mim mesma. — Só você mesmo para me fazer rir, Rosalie Cullen.

- Foi essa a intenção. Eu posso não ser a pessoa mais agradável do mundo, mas ainda tenho um pouco de senso de humor escondido dentro de mim.

Só depois que ela disse aquilo, foi que eu percebi que eu poderia ter magoado os sentimentos dela. Ela vinha fazendo tanto por mim e era com um comentário desses que eu demonstrava o quanto eu estava grata — Desculpe, Rosie. Não é que eu esteja reclamando da sua companhia, mas ainda é estranho para mim não ter Edward por perto nesses momentos.

Ele me sorriu tristemente — Eu nem posso imaginar o quanto isso deve ser difícil, Bella.

- É, mas eu estou aprendendo a lidar. — retruquei dando de ombros. — Foi decisão dele se afastar assim. A perda e dele, não minha.

- Desculpe se parece muito intrometido de minha parte, mas o que você pretende fazer se o Edward nunca aceitar essa criança? Você vai continuar convivendo com um homem que simplesmente não aceita o seu próprio filho?

- Eu não sei, Rose. — disse com um suspiro. — Ainda é difícil para mim, acreditar que meu próprio esposo tenha mudado tanto em tão pouco tempo. E ainda temos o Richie e criança nenhuma merece ser separada de um dos seus pais.

- O que criança nenhuma merece é viver com dois pais que não se entendem, Bella! Isso é injusto tanto para o Richie quanto para esse bebê.

- Eu sei... — balbuciei, pateticamente.

- Você precisa começar a pensar no seu futuro, Bella. Pode parecer duro o que vou dizer, mas você tem dois filhos e é completamente dependente do Edward. Você irá mesmo se submeter e à suas crianças a todas as acusações e palavras duras dele? Ter que se humilhar todas as vezes em que precisar de algo para esse bebê? Até quando você suportará isso?

Meu nome sendo chamado por uma das enfermeiras me salvou de ter que responder algo que nem eu mesma saberia como responder. Levantei-me e discretamente enxuguei as poucas lágrimas que tinham escorrido do meu rosto por conta da declaração tão direta de Rosalie. O pior de tudo era saber que ela estava com total razão, uma vez que eu não estava certa do que eu faria daqui a alguns meses, quando tivesse mais esse bebê em minhas mãos.

Enquanto fazia os exames de rotina, como pesagem, medição da circunferência da barriga e aferição da pressão arterial, eu não podia evitar de pensar qual seria a minha atitude quando este bebê estivesse no mundo. Será que eu seria capaz de lidar com tudo o que uma criança especial necessita, sem ter recurso algum para isso? Que condições eu teria de criar meus filhos sem ter o apoio financeiro para isso? Sem contar que, eu poderia mesmo afastar Richie de seu pai? Eles adoravam um ao outro, não podia de forma alguma negar isso. Que tipo de mãe eu seria se fizesse algo assim.

No entanto, a mesma coisa eu me perguntava em relação ao novo bebê. Que mãe suportaria escutar calada tudo aquilo que Edward tinha direta ou indiretamente dito sobre aquele ser inocente que crescia dentro de mim, completamente alheio a tudo isso?

Após ter feito essa pequena bateria de exames, fui levada a sala da Dra Shelton, que viu meus gráficos e afirmou que estava tudo bem, mas pediu para que eu ficasse de olho na quantidade de sódio que estava consumindo ultimamente, uma vez que minha pressão arterial tinha se mostrado levemente alta. Indicou-me mais líquidos e mais exercícios físicos; duas coisas que eu tinha que admitir que não vinha fazendo muito desde que soube desta gestação.

Uma vez que fui liberada por ela, encontrei-me de novo com Rosalie na recepção que imediatamente me pediu desculpas pelo que havia dito. Sorri de leve, dizendo que ela não devia se sentir assim, já que estava coberta de razão. Sei que precisava ter que escutar aquilo para poder começar a pensar, de fato o que fazer de minha vida. A conversa que vinha ignorando ter com Edward precisava ser discutida o quanto antes, porque eu sabia que era a partir dela que eu tomaria qualquer rumo a partir de então.

Porém antes disso, eu tinha mais uma única coisa a fazer.

Descobrir se eu teria uma menina ou outro garotinho.

- O que você prefere? — Rosalie inquiriu enquanto a técnica espalhava o gel gelado por toda a protuberância em meu ventre.

Abri um sorriso discreto, mesmo que o frio em minha pele incomodasse um pouco — Sinceramente, eu não me importo. Contanto que ele ou ela seja o mais saudável possível.

- Ele será. Você viu o que a médica disse; o quanto antes o bebê for estimulado, mais rápido ele irá se desenvolver. Eu vi que existem diversas instituições de apoios as crianças e pais de excepcionais.

- Eu sei. Andei pesquisando por elas também. Estou pensando em procurar algum especialista, só para saber quais os procedimentos que eu devo tomar depois ou até mesmo antes do nascimento.

Ela assentiu firmemente — Essa é uma ótima ideia, Bella. Se quiser eu posso te ajudar com isso.

Sorri de volta para ela e então, a moça que fazia o meu exame interrompeu, limpando a garganta antes de começar a falar — O bebê me parece estar indo muito bem, mamãe. -, a técnica interrompeu a nossa conversa, ainda não deixando de olhar para o visor do aparelho — Tamanho e peso absolutamente normais. Aqui, consegue perceber como os braços e perninhas estão formados?

Meu sorriso aumentou exponencialmente ao notar aqueles pequenos detalhes, uma mancha branca borrada naquela vastidão negra. O formato da coluna, o esboço dos dedinhos dos pés e das mãos, a cabecinha maior do que todo o resto... tudo absolutamente normal, como em qualquer outra gravidez. Há muito tempo, eu já deixara de lado aquele pensamento de que havia ocorrido um erro durante a concepção deste bebê. Que o cromossomo a mais que ele tinha não significava uma falha, mas sim, algo que me fez reavaliar como eu enxergava o mundo.

Este pequeno detalhe, que só era possível "ver" através de exames genéticos. Apenas um cromossomo, tão pequeno que tinha o poder de mudar toda uma vida. Não somente a do bebê, mas assim como a minha.

- Então, você deseja descobrir o sexo dele? — a técnica perguntou com um afável sorriso.

Olhei de relance para Rosalie que apenas deu de ombros, relembrando que aquela decisão só cabia a mim mesma.

Mordi o lábio ansiosamente e pude sentir a pulsação do meu coração aumentar. — Sim, eu quero descobrir.

As duas mulheres presentes na sala sorriram para mim e senti o aparelho descer um pouco mais, ficando bem próximo ao meu baixo ventre. Mesmo que eu não fizesse ideia do que veria ali, não consegui tirar meus olhos no monitor, tentando desvendar se era ele ou ela o serzinho que andava me cutucando tanto ultimamente.

- Hmmm... vamos ver... Parece que o bebê está um pouco tímido. — a jovem falou e imediatamente eu não pude deixar de ficar um pouco decepcionada. — Deixe-me ver se eu posso fazer alguma coisa. — E então, ela meio que começou a cutucar levemente com a ponta do aparelho, o pé da minha barriga, provavelmente esperando que o nenê se movimentasse com aquele incentivo.

Antes que pudesse dizer qualquer coisa, Rosalie inquiriu — Isso não incomoda o bebê, não é?

- De jeito nenhum. — retrucou, sem tirar os olhos da tela. — Já fiz isso antes e algumas vezes, bem... sempre funciona!

Pelo tamanho do sorriso que ela exibia, pude deduzir que ela já sabia o que eu estava carregando em meu ventre. — Então, o que é?

- Parabéns mamãe, é uma garotinha!

Sem perceber, as lágrimas já fluíam pelo meu rosto e um sorriso enorme estava esboçado em meus lábios. Uma menina. Agora era mais fácil colocar um rosto a nova razão da minha existência; uma mocinha rodeada de rosa e lilás com a qual eu iria voltar a brincar de boneca. Parecia que meus braços e meu colo já formigavam, ansiando pela presença dela junto a mim.

Senti o aperto mais firme no meu antebraço e olhei de relance para Rose que enxugava o canto dos seus olhos com a mão livre. — Parabéns, Bella. — disse genuinamente, mas por trás do gesto eu vi que seus olhos refletiam um pouco de tristeza. — Você terá um casalzinho, agora.

- Obrigada, Rosie.

Percebi a mulher começando a finalizar o exame, começando a mexer em alguns botões da máquina. — Pronto, só me deixe agora tirar algumas fotos para que o papai veja a garotinha dele mais tarde.

Olhei de volta para o monitor e só então dei por mim o que tinha acontecido ali. Eu estava grávida de uma menina, como Edward sempre desejou desde quando começamos a tentar outro bebê. Naquele momento, por mais que estivesse resplandecendo de felicidade, não consegui evitar imaginar qual seria a reação dele quando soubesse que a menina que ele sempre sonhou não era exatamente como ele esperava.

Suspirei pesadamente e aceitei as toalhas de papel que a moça tinha me dado, para que eu limpasse os resquícios do gel em minha barriga. Rose percebeu minha mudança de humor e sorriu tristemente, tentando me passar um pouco de conforto. Sem querer, a jovem tinha tocado na ferida ao lembrar que esse bebê tinha um pai e que nesse exato instante ao invés de estar ao meu lado, tinha algum compromisso que considerava muito mais importante.

Podia ser estupidez de minha parte, mas acabei me perguntando qual seria da reação de Edward assim que descobrisse que por fim, ele teria a sua menininha. Será que de alguma forma, isso faria com que ele mudasse de opinião. Ficasse abalado ou com remorso pelo que já havia dito sobre essa criança? Ou ele persistiria não se importando, só por conta da diferença de nossa bebê?

Peguei as imagens da mão da técnica que mantinha o sorriso firme no rosto, totalmente alheia a enxurrada de emoções que ela havia despertado com uma única frase que tinha proferido. Ao lado de Rosalie, comecei a caminhar de volta até a saída do hospital na medida em que avaliava tudo aquilo que tinha vivido naquela tarde; a ausência de Edward, a aparente rejeição do Richie pelo bebê, as verdades sobre a minha vida ditas por Rosalie... Tantas coisas pesadas acontecendo em uma única tarde.

Enquanto nos aproximávamos da saída, abri o envelope e retirei uma das pequenas imagens em preto-e-branco que havia ali dentro. Não era muito, mas a imagem da pessoinha esboçada naquele papel me fazia crer que talvez essa avalanche de emoções em algum momento iria valer a pena. Que aquele bebê não fosse apenas excepcional por conta das condições genéticas que viria ao mundo, mas sim porque ela tinha o poder de fazer a diferença em nossa família.

Passei a mão por cima da minha barriga e senti um leve sorriso pintando em meus lábios. Ela nem sequer havia nascido ainda e já conseguia provocar essa montanha-russa de sentimentos em todos que a cercavam. Talvez fosse exatamente assim que seria seu futuro, quando chegasse a este mundo. Minha bebê poderia encantar algumas pessoas de corações sensíveis assim como ser excluída por — quem sabe — não ser apta para se desenvolver como o restante das outras crianças.

No entanto, nada disso me interessava mais. Saber que em poucos meses eu teria mais alguém para amar incondionalmente, dormindo em meus braços, me dava forças para seguir em frente. Independente de sua situação, essa garotinha já era muito especial. Por mais que não pudesse contar com o apoio do seu pai e quem sabe do seu irmão, ela me teria ao seu lado. Sempre.

Porque ela era a minha filha. E não havia nada no mundo que me impedisse de não lutar por ela.

Notas finais
Comentários serão muito, mas muito bem vindos sempre. Estou ansiosa por eles! Será que vamos bater recorde de novo? *crossfingers*
Ah, e um feliz ano-novo para todos! =D
Beijos
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