Notas iniciais
Oi meninas!
Bem, minha net tá uma grande b*&sta esses dias, por isso houve vários alarmes falsos de postagem, embora esteja tudo aqui agora.
Ah, outra coisa que peço-lhes humildemente minhas desculpas, foi pelo fato de não ter tido tempo de responder nenhuma das reviews do último decentemente. É um absurdo que aos poucos estou tentando corrigir, afinal de contas, responder as dúvidas de vocês é o mínimo que eu posso fazer, né? Vou fazer de tudo para não ser tão negligente neste novo capítulo, okey?
Antes que eu esqueça, eu queria destacar duas coisinhas que recebi nos últimos comentários (posso não responder, mas leio e amo TODOS). A primeira foi um texto fodástico que a leitora Laura Cristina, me mandou e tipo, é perfeito! Sugiro que vocês procurem no Google o artigo "Bem-vindo a Holanda" sobre crianças excepcionais. Tipo tem tudo a ver com os sentimentos que se passam aqui na fic.
O segundo ponto de fato é uma pergunta feita pela Janaina da Rosa lá no fanfiction, questionando sobre se a Sindrome de Down é hereditária. A pergunta é tão importante que quis dividir com todas, espero que você não se importe, Jana.
Enfim, Down é sim hereditário. Tipo, a mãe portadora pode sim ter 50% de chances de ter um filho com a síndrome também. Já meninos com Downs são estéreis, sem chance alguma de serem pais e consequentemente, terem filhos com o mesmo problema. No entanto, o fato de Esme e Edward serem pais de um bebê especial não passa de mera coincidência, digna de fanfic. Não é porque ele teve um primo assim, que toda sua família tem predisposição a isso. Deu para entender a diferença?
Bem, se não, Formspring e Twitter estão sempre a disposição! =D
Antes que eu esqueça; Re e Lu, MUITO OBRIGADA por tudo, fias! Isso aqui não existiriam sem vocês!
Boa leitura

Se existia algo em minha vida que odiava com todo o meu coração era ser pega de surpresa. Por melhor que fosse o "imprevisto" eu nunca sabia ao certo como agir, o que falar... minha mente ficava simplesmente em branco a ponto de não esboçar reação alguma.

E era exatamente desta maneira que me encontrava naquele momento, quando abri a porta e me deparei com Edward, que me encarava de forma tão gélida quanto a temperatura de Forks naquela manhã de véspera de Natal.

Eu podia sentir meus lábios tremulando, como se buscassem as palavras corretas para serem ditas ao mesmo tempo em que meus olhos se fixavam na figura do homem a minha frente. O seu terno geralmente impecável estava todo amarrotado, o cabelo mais bagunçado do que o comum, as profundas olheiras, que de tão roxas pareciam mais dois hematomas e o cheiro do cigarro impregnado com a sua colônia favorita. Era como se houvesse dois homens diferentes em uma só imagem: podia perceber os traços do meu Edward misturados à figura fria deste ser diante de mim, e isso apenas me deixava mais confusa com meus próprios sentimentos do que já me encontrava.

- Vamos, Bella, O que você está esperando? Eu não tenho todo o tempo do mundo, ao seu dispor. – ele sibilou firmemente através de seus lábios rachados por conta do frio, ou talvez pelo uso excessivo da nicotina.

.

- Você só pode estar brincando! – foi tudo o que consegui finalmente falar, depois do que pareciam ter sido horas – O que diabos você está fazendo aqui? – perguntei, tentando acalmar meu coração que batia descontrolado, em uma miscelânea de sentimentos que eu mesma não poderia identificar ao certo.

- Acha que viajei a madrugada toda à toa? Que sou idiota ao ponto de passar o Natal longe do meu próprio filho por causa do seu egoísmo?

- Egoísmo? – revidei ultrajada – desde quando eu sou egoísta, Edward? Eu te chamei para virmos, lembra?

- E depois desapareceu com o Richard! Tem ideia do quão maluco eu fiquei quando voltei para casa? Em todas as merdas que pensei que poderiam ter acontecido com vocês dois?

- Mas eu deixei um bilhete!

- A porra de um bilhete, Bella! – Ele gritou. – Depois de dez anos juntos, você desaparece deixando somente a porcaria de uma nota dizendo que não conseguia mais viver comigo!

- Dá para falar mais baixo? – rebati asperamente, fechando a porta atrás de mim e saindo para a varanda congelante. Porém, mesmo que a temperatura estivesse baixa, a raiva me consumia de tal maneira que faria com que eu me aquecesse de qualquer jeito. – Meus pais e o Richie ainda estão dormindo!

Ele riu, debochando – E daí? Estou pouco me lixando para isso, afinal quanto antes Richie acordar, mais cedo podemos voltar para casa. O próximo voo é daqui a cinco horas e...

- Como assim próximo voo? — interrompi-o no mesmo instante — Quem disse que eu vou voltar para Chicago com você?

- As passagens já foram compradas, Bella. Por isso, eu te dou meia hora para arrumar as suas coisas e se despedir de Charlie e Renee porque partiremos às seis em ponto.

Não pude conter a risada de escárnio que saiu dos meus lábios. – Por favor, Edward, vê se cresce! Suma daqui e só volte quando tiver pelo menos um pouco de juízo em seu cérebro.

Fiz menção a me afastar, dando meia volta e indo na direção da porta, entretanto, uma puxada forte no meu antebraço impediu que meu movimento se realizasse por completo. A força que Edward usou somado ao fato dos quilos a mais adquiridos ao longo da gestação fez com que eu perdesse o equilíbrio e tombasse para frente, quase caindo em seus braços. Ele tentou me ajudar, mas fui mais rápida e impedi que isso acontecesse.

- Isabella, escute: nós precisamos conversar e isso tem que acontecer agora, entendeu? – ele ditou, sem afrouxar o aperto em meu pulso.

- Me solta, Edward! – bradei, tentando afastar meu braço à medida que seus dedos praticamente se transformavam em garras, impedindo que eu me movesse.

- Não até que você me ouça!

Sentia as primeiras lágrimas se acumularem em meu rosto, não por conta da dor que seu apertão intenso causava, mais sim devido ao fato de não ser capaz de me livrar dele sozinha; como se sua mão sobre mim fizesse alusão à dependência financeira e emocional que eu ainda tinha dele. Era como se invés de sua mulher, fosse uma espécie de menina malcriada que resistia em ir para o castigo, e tal fato me frustrava e fazia com que meu sangue pulsasse em meus ouvidos devido à ira que sentia por ele .

- Eu não vou falar nada com você agora! – afirmei apesar de meu tom ter sido menos intenso do que gostaria. Cravei minhas unhas no braço que me segurava e praticamente supliquei para que ele me soltasse. – Edward, isso está me machucando!

- O que diabos está acontecendo por aqui? – Meu pai protestou, e mesmo que ainda estivesse aposentado e vestido de pijama de flanela, sua postura policial o tomou por completo. – Solte-a, agora!

- E melhor você não se meter nisso, Charlie. – Edward pediu, finalmente largando meu braço, que já estava marcado de vermelho por conta da força que ele utilizou sobre ele. – Isso é entre minha mulher e eu.

- Ótimo, — ele se aproximou, colocando a mão por cima do meu ombro antes de voltar a falar – Mas lembre-se que estamos sob o meu teto e que ela é a minha filha!

Ele passou a mão nos cabelos, tornando-os mais confusos do que já estavam – Olha, Charlie, te respeito muito, mas tudo na vida têm limites. Eu preciso falar com a Isabella e isso é algo apenas entre nós, entende?

- E porque não fez antes? – meu pai exigiu – Você teve mais de quatro meses para fazer isso e de repente, aparece aqui às cinco da manhã da véspera de Natal? Gritando na minha porta como se estivesse em alguma espécie de bordel, não demonstrando um pingo de respeito pelo seu próprio filho, que está dormindo lá em cima ?

Edward respirou fundo, um gesto que reconhecia muito bem, demonstrando impaciência — Eu não estou com saco para os sermões de ninguém, Charlie. Apenas preciso falar com minha esposa, por isso, o quanto antes você se retirar, melhor será.

Eu assistia a troca entre os dois homens sem demonstrar reação, no entanto, quando comecei a perceber que a face do meu pai estava se colorindo em um rubro vibrante, comecei a me preocupar. – Pai, pode ir. Eu vou fazer com que ele vá embora. Volte lá para dentro.

- Eu não vou sair, Isabella. – ele contrariou o que apenas me deixou ainda mais nervosa.

- Vê se cala a boca, Edward!

Charlie tomou uma respiração profunda antes de voltar a falar – Se você não é homem suficiente para ter consideração por uma mulher grávida da sua própria filha, seria melhor que, pelo menos mostre algum respeito por seu outro filho; Richard ainda está dormindo e não merece acordar e escutar vocês brigando outra vez.

Edward deu um passo a frente e apontou um dedo para ele – Não julgue o amor que eu sinto pelo Richie, Charlie! .

- Como não? – ele revidou, se aproximando ainda mais de Edward, apesar das minhas tentativas vãs de evitar que isto ocorresse – Que espécie de pai chama a própria filha de monstro?

- Ah, pelo visto a Bella anda atualizando bem vocês, não? – ele retrucou acidamente.

- Por favor, Edward – supliquei, sentindo minha cabeça pulsar devido a uma enxaqueca que se aproximava. – Saia. Nós podemos conversar depois, sim?

- Não saio daqui até falar com você, Bella. – disse categoricamente, cruzando os braços sobre o peito.

- Olha aqui, moleque! Minha paciência com você já chegou aos limites! – Ele trovejou, fazendo com que eu me encolhesse um pouco em meu lugar – Suma da minha casa e nunca mais me apareça por aqui!

- Não até com que eu converse com ela! – Edward rebateu no mesmo instante.

- SAIA!

- EU JÁ DISSE QUE NÃO!

Não sei ao certo como aconteceu; em um segundo, a mão de meu pai envolvia protetoramente sobre os meus ombros, no outro, ela já havia se conectado ao rosto de Edward, que tombou para trás com o impacto e caiu sobre o pequeno centro que havia ali na varanda. O grito desesperado que eu soltei foi abafado pelo barulho do vaso se quebrando em mil pedaços pelo piso.

Ao meu lado, Charlie praticamente bufava como um touro raivoso ao mesmo tempo em que Edward se levantava um tanto que zonzo e com o nariz escorrendo sangue, tamanha a força que meu pai utilizou ao descontar toda a hostilidade contra meu marido. Ao notar as orbes verdes chamuscando de ira, meu corpo todo começou a tremer de medo e isso se refletiu imediatamente sobre Grace, que começou a se agitar desesperada em minha barriga, quase como se soubesse o que estava prestes a acontecer ali bem a nossa frente.

Seus chutes mais intensos se transformaram em pontadas dolorosas em meu ventre e meu coração ficou acelerado demais, a ponto de sentir a minha própria pulsação em meus ouvidos, como se estivesse fazendo alguma atividade física muito intensa. O ar foi ficando mais escasso em meus pulmões e minha visão escurecendo, tanto que precisei me equilibrar nos ombros de Charlie em busca de ajuda.

- Bella, meu bem, o que está acontecendo? – Charlie perguntou aturdido

Contudo, nem sequer tive a oportunidade de responder. A voz sumiu de minha garganta assim como o oxigênio escapou de meus pulmões. Sentia que estava breve a ter um colapso e aquilo só me deixou ainda mais angustiada, quase em desespero por medo de que algo pudesse acontecer com a minha filha. Mesmo com a vista um pouco embaçada, notei os olhos de Edward se arregalando, quase como se estivessem com medo de alguma coisa. Ele se levantou cambaleante e veio em minha direção, falando alguma coisa que eu já não era mais capaz de escutar.

Essa imagem ficou gravada em minha mente; o pavor explícito nos olhos de meu marido. Foi a última coisa que vi, antes de ser tragada completamente para o mundo da mais completa escuridão.

[...]

Eu reconhecia esse cheiro. O odor excessivo de limpeza vindo de um local esterilizado e de desinfetante sendo passado a cada meia hora. Um cheiro que de tão puro, me causava náuseas. Minha memória olfativa reconhecia o lugar onde me encontrava e isso não era algo que gostei. Hospitais, desde sempre nunca foram meu lugar preferido no mundo, uma vez que tinha passado boa parte de minha infância aqui dentro.

O segundo fato que constatou que eu me encontrava mesmo em uma emergência foi o bipe ininterrupto que comecei a escutar assim que meus sentidos foram aos poucos sendo recobrados. Os sons dos equipamentos provavelmente monitoravam a mim mesma, o que me deixou intrigada. Não me recordava ao certo de como vim parar aqui, apenas da escuridão que me tomou desde que Edward havia reaparecido no auge de sua ira na varanda da casa de meus pais.

Meus olhos tremularam e aos poucos, fui acostumando minha visão para as luzes muito brancas das lâmpadas fluorescentes acima de mim. Pisquei várias vezes até finalmente reconhecer que não estava em qualquer hospital, mas sim no mesmo em que eu era levada todas as vezes que era um pouco mais arteira ou contava com minha natural falta de jeito. Eu podia reconhecer aqueles azulejos em qualquer outro local, afinal, que outro leito hospitalar teria aquela ridícula faixa de margaridas azuis rodeando todos os locais da emergência?

Tentei me arrumar na cama, mas uma pinicada em meu braço impediu que continuasse o movimento. A dor fina da agulha do soro me incomodou tanto, a ponto de levar a palma da minha outra mão para acariciar o dorso dessa, fazendo movimentos circulares como se isso pudesse me dar algum alívio.

- Bella, meu bem? – minha mãe perguntou de algum lugar e antes mesmo que pudesse virar o pescoço para procurá-la, seu rosto estava pairando sobre mim – Oh, querida, como você está se sentindo?

- Eu não sei. – respondi vagarosamente, pigarreando para tentar livrar um pouco a rouquidão em minha voz – Cansada, talvez?

Renee suspirou, quase que aliviada – Não é para mesmo. Você quase causou um infarto coletivo hoje pela manhã.

- C-como eu vim parar aqui? – balbuciei e no mesmo instante levei as mãos ao ventre inchado – A bebê... Aconteceu alguma coisa c-com ela?

- Grace está bem, amor. Ela ficou um pouco agitada quando sua pressão foi para as alturas, mas agora sua filha já está bem melhor. – afirmou, passando as mãos carinhosamente por meus cabelos.

Respirei fundo, me sentindo mais calma após aquela afirmação de Renee. Agora com mais cuidado, me arrumei para ficar em uma posição sentada e ela me ajudou para que conseguisse isto, sem me machucar outra vez por conta do soro. Voltei a fitá-la, enquanto ela ia até a poltrona próxima à cama. – Você disse que minha pressão arterial estava alta?

- Alta é eufemismo, Isabella! – ela ralhou e eu me senti de volta como alguém de oito anos – Ela chegou a 18.0 por 12.0... Tem ideia do quanto isso é perigoso para vocês duas?

Surpreendi-me ao saber daquilo. Hipertensão na gravidez poderia significar, nas melhores das hipóteses, um parto prematuro e minha filha ainda necessitava ficar muito tempo aqui comigo, para seu próprio bem. Sem contar que eu ainda não tinha ideia da sua condição cardíaca, como sugerira a Dra. Shelton. Minha bebê poderia pertencer a triste estatística que a cada dez bebês com Down, quatro deles eram cardíacos e um parto adiantado nessa situação só complicaria ainda mais as coisas. Por tudo isso, Grace necessitava ficar as próximas 12 semanas protegida em meu ventre, crescendo e se fortificando para enfrentar este mundo.

- Desculpe-me, mãe. Não queria preocupar vocês... – retruquei, me sentindo envergonhada por causar tantos transtornos desde que cheguei aqui. – Onde está o Richie? Ele sabe que estou aqui?

Minha mãe balançou veementemente a cabeça – Seu pai ficou cuidando dele lá em casa. Richard pensa que você veio até aqui para fazer alguns exames e nada mais.

Meu coração martelou mais forte em meu peito e foi vergonhosa a forma com que isso ficou perceptível devido ao monitor cardíaco que me acompanhava – E.. e o Edward, onde está?

Renee mordeu o lábio, como se buscasse alguma resposta que não me atormentasse tanto. Ergui uma sobrancelha e pedi, quase que implorando. – Mãe, não minta para mim!

- Ele está lá fora – disse ela, praticamente bufando – Não quis arredar o pé desde que chegamos. Nas duas vezes em que saí para comprar um lanche, ele praticamente me atacou, querendo saber qualquer coisa sobre você. Não sei se é preocupação genuína ou remorso, mas o fato é que ele está aqui há quase doze horas, ele não saiu da sala de espera deste hospital.

- Peraí; você disse doze horas? – interrompi-a assustada.

Ela assentiu. – Você estava sob grande estafa nas últimas semanas, filha. Segundo a Lucy, sua mente e seu corpo meio que necessitavam desse tempo para repousar, mesmo que sendo um pouco a força, entende?

– Quem é Lucy?

- Dra Lucy Andrews, é a obstetra que está de plantão por hoje. Ela participa comigo do clube do livro todas as terças-feiras. Uma pessoa maravilhosa! Acredita que ela fez questão de pegar o contato de sua obstetra lá em Chicago? E quando sua médica a deixou a par de toda a situação de sua gravidez, ela passou um tremendo esporro no seu marido. Acho que nunca vi Edward tão cabisbaixo depois de tudo o que ela falou.

Apenas meneei a cabeça, impressionada com a quantidade de tempo em que fiquei inconsciente. – Sério que ele ainda está lá fora?

- Sim – ela respondeu – Em tese, ele é quem deveria ser o seu acompanhante, afinal, Edward é quem está na lista como seu contato de emergência.

- Quero falar com ele. – afirmei sem rodeios.

- Não, Bella. Eu acho que esse não seja o momento. Talvez seja melhor esperar até voltarmos para casa ou então que a Dra Lucy tenha sua pressão controlada de vez.

- Então, peça para que ela venha aqui agora. Edward vai continuar me perseguindo até que eu converse com ele, então é melhor cortar o mal pela raiz o quanto antes. Se ele quer tanto falar comigo, tem que ser o quanto antes.

Renee ficou me observando por um longo tempo, como se quisesse realmente avaliar o quão séria estava em minha decisão. Eu já estava mais do que determinada e só sairia deste hospital depois que dissesse tudo que tinha para ser dito para ele. Havia chegado a hora de por um ponto final em tudo aquilo e aqui seria o melhor momento, onde havia pessoas doentes para impedir que algum de nós se alterasse e longe o suficiente de Richard, que não merecia ser um espectador do final que estava por vir.

- Vocês são dois teimosos, sabia? É por isso que chegaram a esse ponto na relação de vocês. – ela ralhou com um suspiro resignado.

- Eu agradeceria se você não se envolvesse, mãe. – murmurei com certo ressentimento – Acho que já existem pessoas demais envolvidas dentro do meu casamento.

Ela pareceu um tanto magoada, apesar das minhas palavras não terem sido dirigidas especificamente a ela. Levantou-se da poltrona e disse com a voz um pouco mais baixa – Tudo bem. Vai ser como você quer; vou procurar a Dra. Lucy e pedirei pra que ela venha verificar você.

Antes mesmo que pudesse pedir desculpas, Renee sumiu do quarto em um átimo, me deixando corroendo por ter sido rude com alguém que de forma alguma merecia esse tipo de tratamento. Suspirei pesadamente, tentando deixar o remorso de lado e começar a me preparar psicologicamente para o embate que teria em breve com o meu marido. Tinha que colocar em mente que pelo bem da Grace, eu necessitava me manter o mais centrada possível e não me deixar levar pelas milhares de provocações que Edward faria durante nossa conversa. Seria bastante complicado, porém minha filha necessitava disto e por ela, precisava agir com frieza, mesmo que meu coração estivesse se destruindo mais um pouco por dentro.

A Dra. Andrews — ou apenas Lucy, para a minha mãe — não tardou muito a aparecer em meu quarto e fazer a minhas avaliações pós-desmaio. A jovem mulher de estatura baixa e sorriso indulgente fez questão de me fazer uma bateria de perguntas que iam desde minha alimentação ao longo dos últimos dias, inquirindo sobre minhas atividades físicas (ou falta delas, em meu caso) e se vinha sofrendo com inchaço nas últimas semanas. Coisas de rotina, que já estava acostumada durante minhas consultas com minha obstetra, a Dra Shelton. Além de salientar para que eu prestasse mais atenção na quantidade de sódio que vinha consumindo, alegou que também era necessário deixar um pouco a vida sedentária e evitar o máximo possível me estressar.

Eram recomendações simples, contudo bastante complicadas de serem seguidas por mim. Principalmente em relação ao stress que parecia ser meu eterno companheiro desde que eu fiz aquele teste de farmácia, há tanto tempo que parece até que já se passaram décadas desde então. Tinha a impressão que aquilo havia acontecido há séculos, não apenas alguns meses antes. Tantas coisas haviam mudado em minha vida, tantos conceitos foram quebrados, omissões, temores... Quase sete meses de transformações, que por ora machucariam, embora tinha certeza que causaria mudanças mais do que positivas em meu futuro de agora em diante.

Uma vez que a médica avaliou que eu estava relativamente estabilizada, ela sugeriu que eu comesse alguma coisa e descansasse por mais algumas horas até que eu obtivesse alta no dia seguinte. Fiz cara feia para aquela determinação, até porque não queria passar essa noite enfurnada aqui dentro e tampouco só poder ver meu filho no dia seguinte, manhã de Natal. Porém, de nada adiantaram as minhas lamentações, porque aquela tinha sido a resolução final da Dr Andrews e nada poderia fazer contra aquilo.

- Não fique desse jeito, meu bem. — Minha mãe murmurou ao ver minha cara emburrada, pelo visto já esquecida de minhas palavras de mais cedo. — Você precisa repousar o máximo possível. Lembre-se que a Grace precisa disto também. — murmurou, alisando minha barriga onde minha filha permanecia quietinha, quase sem se mexer.

- Eu sei, mãe. — disse com um suspiro cansado e insatisfeito. Recostei-me contra os travesseiros que apesar de pertencerem a um hospital, eram bastante confortáveis.

Só então, eu me dei conta que Renee tinha mencionado o nome de minha filha não só uma, mas duas vezes desde que acordei. Achei estranho, pois não havia contado nada para ela ainda sobre a minha escolha e de repente, parecia que todo o lugar já sabia como se chamaria a minha menininha. Poderia ser uma bobagem, mas era quase como se alguém estivesse invadindo a minha privacidade.

Franzi o cenho não pude deixar de lhe indagar — Mamãe, como foi que você descobriu que o nome dela é Grace?

As bochechas delas se coloriram de vermelho na medida em que respondia — Bem, quando nós chegamos aqui no hospital, você foi levada imediatamente para a sala de exames enquanto Edward e eu ficamos esperando aqui fora. Assim que a Dra. Lucy saiu da emergência, ele foi logo perguntando por você e pela Grace. E você me conhece, filha, eu não pude resistir porque sempre achei esse nome lindo e nem acredito que minha neta se chamará assim...

- O Edward se referiu a ela como Grace? — inquiri, quase que assustada.

- Nada que um bom susto faça, não? Talvez ele mude de opinião e atitude em relação a vocês duas a partir de agora.

- Mas agora já é muito tarde para arrependimentos.

- Bella...

- Não, mãe — respondi com firmeza, olhando diretamente para ela. — Eu cansei. Não suporto mais viver dessa forma humilhante que Edward me faz passar todos os malditos dias; nenhuma pessoa merece ouvi o que eu escutei, passar por tudo o que passei ao longo desses meses só por conta do orgulho idiota dele.

Ao me escutar desabafando, Renee veio se sentar ao meu lado na cama, e enxugou distraidamente uma lágrima que nem eu mesma tinha percebido que tinha escorrido — Eu compreendo filha, e lhe dou toda razão. Mas você não deveria tomar uma atitude como essa baseada no calor do momento.

- Não é isso, mãe. — expliquei, recostando minha cabeça em seu ombro. — Acho que o fato de ele ter aparecido aqui e dito tudo isso foi a gota d´agua no nosso relacionamento. Nós dois não damos mais certo juntos sem contar que ele tem outras prioridades agora. Não reconheço mais nele o homem que eu me apaixonei quando eu ainda era só uma criança.

- Você ainda o ama?

Ao ser questionada por isso, eu não soube como respondê-la. Meu coração se apertava dolorosamente quando pensava em não ter mais ele ao meu lado e eu me sentia como uma idiota por conta disso. Era impossível que todo um filme não se passasse em minha cabeça, relembrando tudo o que passamos em todos esses anos. Os beijos, as noites de amor, as juras eternas, discussões, brigas, todo o que construímos durante os dez anos de relacionamento. Era uma pergunta quase complicada demais para ser respondida de forma tão simples.

Soltando um longo suspiro, finalmente respondi. — Sinceramente eu não sei, mãe. Uma parte de mim sempre irá amá-lo, afinal foi ele quem me deu as duas coisas mais importantes de minha vida. Mas hoje, eu não tenho mais meu melhor amigo ao meu lado, justo no momento em que nós dois mais precisávamos de apoio. Edward virou as costas para mim bem no instante em que eu mais o queria por perto.

Minha voz começou a falhar novamente, contudo não deixei de concluir meus pensamentos — É claro que eu também tive minha parcela de culpa nisso tudo, mas humilhar e culpar uma pobre menina que nem chegou a nascer ainda... É demais, sabe? Eu não posso mais aguentar isso.

- Shhh, Bella — Ela sibilou, me aninhando em meu colo enquanto eu tentava com força não chorar como gostaria. — Já chega de falar sobre isso, meu bem. Vamos comer alguma coisa e depois tentar dormir mais um pouco. Amanhã, nós voltamos para casa e você poderá falar o que quiser com ele.

Balancei minha cabeça negativamente — Não, mãe, eu irei falar agora.

- Isabella...

- A médica disse que eu estou bem, não foi? Sem contar que eu estou sendo monitorada; se algo acontecer, tenho certeza que as enfermeiras irão aparecer.

Ela se afastou um pouco, mordendo o lábio inferior e protelando sobre o que iria fazer — Eu não sei, querida.

- Por favor, mãe. Apenas por favor...

Ela bufou e saiu da cama — Tudo bem, Bella. Mas se alguma coisa acontecer com você, eu...

- Não vai ocorrer nada, eu prometo.

Revirando os olhos de forma dramática, ela começou a seguir em direção à porta do quarto — Eu vou chamá-lo e aí de vocês dois se me aprontarem alguma coisa.

Sorri-lhe da melhor forma que pude em agradecimento. — Obrigada de verdade, mãe.

Finalmente ela saiu dali e no mesmo instante comecei a me preparar mentalmente para o que estava por vir. Minha decisão já havia sido tomada e não havia nada que pudesse mudar meus planos; nem a melhor justificativa seria capaz de me fazer reavaliar aquilo que decidira para o meu próprio bem e segurança de meus filhos.

Grace pareceu adivinhar a importância do momento e voltou a se movimentar com mais ênfase em minha barriga, quase como se temesse por alguma coisa. Esfreguei lentamente a protuberância de minha barriga enquanto falava – Calminha, princesa. A mamãe não vai deixar que nada aconteça com você, está bem?

Triste foi ver que nada daquilo estava fazendo efeito e comecei a imaginar que talvez fosse a minha pressão arterial voltando a se tornar elevada. E para completar, já não havia mais nada que pudesse fazer para evitar com que minha mãe não fosse mais procurar pelo Edward.

Os segundos se passavam e a cada momento passado, meu coração parecia se acelerar mais um pouco enquanto encarava fixamente a porta fechada do leito. Arrumei-me outra vez no colchão, tomei respirações profundas em busca de controle e aguardei a chegada de Edward, quase como uma vítima ficava a espera de seu algoz. Patético, mas a mais pura verdade.

Quando finalmente o barulho das velhas dobradiças da porta sendo rangidas ecoou pelo quarto, todo o meu corpo tencionou diante do que eu estava prestes a enfrentar. Minha respiração ficou suspensa em meus pulmões e fechei os olhos com intensidade, pedindo aos céus que tivesse forças suficientes para enfrentar o que viria em breve, com essa conversa com Edward.

Porém, assim que sua imagem apareceu no patamar da porta, não esperava encontrar o que vi, algo que fez com que eu ficasse em choque. Se achava que ele estava uma bagunça antes, nada poderia se comparar a realidade que via diante de mim.

O cabelo de Edward sempre foi uma bagunça, mas naquele instante a confusão de seus cachos chegava ao ponto de calamidade, quase como se suas mãos não tivessem parado um minuto sequer de passar sobre eles. O terno amarrotado de hoje cedo já não era mais visto e a camisa branca que vestia por baixo estava amassada, tinha os primeiros botões desabotoados e uma mancha marrom escura de sangue seco próximo ao colarinho. Sangue esse que por acaso vinha de seu nariz, conforme era perceptível devido ao curativo enorme sobre ele e a marca negra sobre seu olho esquerdo.

Ao vê-lo daquela maneira, não esperava de forma alguma que minha reação fosse tão absurda. Eu ri. E muito alto.

Minha risada foi tão alta que ecoou por todo pequeno ambiente, fazendo com que eu agarrasse minha barriga e meio que arfasse em busca de ar. Era ridículo, contudo não conseguia dominar a mim mesma, mas não havia um pingo de autocontrole dentro de meu ser naquele momento. Levei uma mão aos meus lábios ao tentar abafar meus ruídos embora pouco adiantasse meu esforço uma vez que me mantinha a gargalhar, como há muito não fazia.

Edward sorriu um tanto acanhado e deu um passo incerto em direção ao centro do quarto – Que bom que pelo menos ainda te divirto. – murmurou de forma tímida.

Enxuguei o canto dos meus olhos enquanto tomava fôlego para que minhas palavras não saíssem atrapalhadas – V-você... está ridículo. – balbuciei com a respiração entrecortada.

- Eu sei. – ele afirmou fechando a porta e se aproximando do patamar da cama. – Acho que nem nos meus piores tempos no colégio eu fiquei desse jeito.

- Você mereceu – rebati, me remexendo na cama em busca de uma melhor posição sentada.

- Eu sei disso. – ele sibilou cabisbaixo.

Nós ficamos calados e tensos depois disso. Uma vez que o meu riso morrera, tudo o que restou naquela sala foi a perspectiva de que algo realmente importante precisava ser dito a partir de agora, já que não existia mais possibilidade de evitarmos o inevitável.

Depois do que pareceu ser muito tempo, Edward finalmente começou a falar – Como você está se sentindo?

- Estou bem. Segundo a médica a minha pressão já está bem mais baixa. Mas mesmo assim ela quer me manter aqui até amanhã de manhã, apenas por precaução.

- E como está... ela?

- Bem melhor do que nós dois, eu garanto – afirmei com convicção e abusando do sarcasmo.

Ele respirou fundo antes de finalmente continuar a falar – Bella, por favor, me desculpe. Eu não sei o que diabos aconteceu comigo para ficar daquele jeito. Fui idiota, imbecil, inconsequente e absolutamente estúpido em ter feito o que fiz, baby. Não medi as consequências e nunca imaginei que você e a bebê pudessem estar correndo perigo por conta da merda que fiz. Nunca me perdoaria se algo tivesse acontecido com uma de vocês duas e...

Ergui minhas mãos em protesto, impedindo que ele continuasse falando coisas que não passavam de grandes mentiras. – Pare, Edward! Já chega, por favor.

- Mas Bella, eu...

- Eu já sei tudo o que você vai falar, então por favor, poupe nosso tempo em relação a isso. — disparei secamente, enquanto arrumava a parte da franja que estava sobre os meus olhos.

Edward seguiu o movimento e se aproximou, vindo até o meu lado da cama e tomando levemente o meu braço, me pegando desprevenida. Ele passou a ponta dos seus dedos sobre a minha pele e só então notei a marca quase que lilás ao redor de pulso. — Eu machuquei você — disse, não em tom de pergunta, mas sim em uma afirmação.

- Você me machucou de formas bem piores, Edward. — como ele permaneceu em silêncio, eu continuei — Eu estive pensando e percebi que em nosso casamento sempre fui eu quem cedi mais. E não me leve a mal, eu aceitava isso sem problemas durante todos esses anos. Porém, na primeira vez em que eu não cedi aos seus caprichos, você começou a me tratar como lixo.

- Não é assim, Bella... — ele murmurou, sentando-se na cama e finalmente olhando em meus olhos.

Eu ri sem humor algum — Como não, Edward? Você queria tanto essa filha, no entanto, assim que descobriu que ela teria Down — que não seria exatamente da forma como nós desejávamos, você quis descartá-la. Então, já que eu não poderia, jamais, desistir dela, você começou a menosprezar não só a bebê, mas a mim também. Meus sentimentos, meus sonhos... nossos sonhos... Nada disso tinha mais valor algum para você.

Ele não falou absolutamente nada; somente suas mãos se fechando em punhos e seu rosto cabisbaixo foram as provas de que de alguma forma, minhas palavras estavam surtindo algum efeito sobre ele.

- Tem ideia do que eu passei nesses últimos meses? — continuei, dando mais ênfase a cada palavra — Pode imaginar como eu me sentia todas as vezes em que você soltava alguma piada idiota direcionada a ela? Chamando sua própria filha de louca, doente ou monstro? Esse serzinho tão pequeno e inocente que nós dois criamos, fruto do que supostamente era o nosso amor?

- Bella, — ele suplicou, pegando minhas mãos entre as dele e entrelaçando nossos dedos — eu amo você. Sempre amei e vou continuar amando pro resto de nossas vidas. Por favor, não duvide disto, nunca.

- Como não, Edward, depois de tudo o que você fez? Eu nem sequer te reconheço mais. Nós deixamos de ser amigos há tempos. Muito além de sermos marido e mulher nós costumávamos ser parceiros, contávamos tudo um para o outro e hoje você mal me olha nos olhos e vive cheio de segredos para mim.

- Porque você diz isso?

Soltei abruptamente minhas mãos das deles e cruzei-as sobre o peito. — Não se faça de idiota, porque eu não sou estúpida. Sei muito bem que você mantém várias coisas de mim. Posso apostar qualquer coisa que Lauren atualmente está muito mais a par de sua vida do que eu mesma.

- É disso que se trata, Bella? Você está com ciúmes da Lauren de novo? Pelo amor de Deus, baby, ela é apenas a minha secretária!

- É mesmo? Então se importa de me dizer quem é Tanya e por que diabos eu não posso descobrir nada sobre ela?

Foi como se eu tivesse tocado exatamente na ferida ao indagar diretamente aquelas perguntas para ele. Todo o corpo de Edward tencionou, como se eu o tivesse eletrocutado — Como é que você sabe disto? — Ele inquiriu, na defensiva.

- Isso é o que menos interessa Edward. Só me dê uma explicação sensata para que eu não possa saber nada sobre essa mulher.

Ele colocou uma das mãos sobre a testa e começou a esfregá-la fortemente -Tanya Denali é apenas a provável compradora de minha parte no escritório, Bella.

Bufei, descrente — Sério? E porque diabos eu não poderia saber de algo tão simples como isso? Por que você fez tanta questão que a Lauren lhe acobertasse, caso eu viesse a descobrir algo sobre ela?

- Porque isso tem a ver com a porcaria da carta que meu pai deixou junto com o casamento. Somente isso.

- E você espera sinceramente que eu caia nessa? Poupe-me, Edward.

Ele coçou a nuca, ainda na defensiva — Eu não posso revelar muita coisa sobre isso. São coisas confidencias da empresa

- São confidenciais ou é você que não tem a capacidade de criar uma desculpa suficientemente boa em tão pouco tempo?

Ele sibilou duramente — Eu estou falando a verdade!

- Que seja! Só que a questão aqui não é essa. Na verdade. estou pouco me importando para o que você faz ou deixa de fazer em sua vida.

- Bella... apenas me escute.

- Para quê? — indaguei com mais convicção — Para você insistir que nós podemos resolver tudo isso e na manhã seguinte continuar agindo da mesma forma que agora? Para que eu crie esperanças de que tudo irá mudar e depois você vir me magoar ainda mais? Não, Edward, eu já tive o suficiente disso tudo.

- E o que você quer, Bella? Por favor, me diz o que eu posso fazer por nós dois.

Tomei uma respiração profunda e torci para que minha voz não fraquejasse assim que proferisse as próximas palavras — Eu quero o divórcio, Edward.

A expressão na face de Edward poderia até ser engraçada, se nos encontrássemos em uma situação propensa a risos. Os olhos deles se arregalaram, mesmo que existisse um inchaço sobre a órbita direita dele. Seu queixo caiu em choque e toda a cor foi drenada de suas bochechas. Não conseguiu falar absolutamente nada, apenas me fitou como se não acreditasse no que eu acabara de dizer. Quanto a mim, mantive firme o contato visual, para que não houvesse dúvidas para ele em relação a minha decisão.

- Por favor, Bella. Não brinque com uma coisa dessas. — ele por fim murmurou, mais uma vez dando um aperto mais firme em minhas mãos.

- Minha decisão já foi tomada. Você me conhece muito bem para saber que eu não volto atrás depois que decido alguma coisa.

- Não, Bella — ele sibilou, os olhos ficando aguados, cheios de lágrimas não derramadas. — Eu faço qualquer coisa. Eu posso mudar, ficar mais tempo com você e com o Richie. Até mesmo aceitar a Grace, mas, por favor, só não diga mais isso!

- Desculpe, mas não. Eu te conheço e sei que você não mudará da noite para o dia. Sem contar que a minha filha não merece ser aceita, e sim amada incondicionalmente. Ela não merece menos do que isso, Edward.

Finalmente as lágrimas começaram a escorrer do rosto dele e eu tive que me segurar para que o mesmo não acontecesse comigo e acabasse fraquejando em minha resolução. — Baby, p-por favor, eu te amo. — Bella, — ele pediu, as lágrimas sem parar um minuto sequer de rolar por sua face. – Por favor, reconsidere tudo isso. Nós não podemos acabar desse jeito, jogando todos esses anos juntos por uma discussão que foi uma grande besteira e...

- Besteira? – eu quase que gritei, incrédula que ele estivesse de fato falando sério. – É assim que você considera os meus sentimentos?

Ele balançou a cabeça negativamente — Você não está me entendo, baby.

- Desculpe, mas para mim você se fez bem claro agora. – rebati, soltando minha mão que estava ainda na dele – Você quer que eu ignore completamente tudo o que aconteceu comigo nos últimos meses? Que eu continue sendo a idiota e que aceite tudo o que você dita sem questionar nunca, certo? A resposta é não, Edward!

Percebi o movimento de seu rosto em direção aos monitores antes que ele voltasse a falar. – Bella, amor, acalme-se.

- Como eu posso fazer isso se você é um estúpido que ignora tudo o que eu sinto?

- Eu não ignoro seus sentimentos, Bella. – ele murmurou em troca. – Eu admito que fiz muitas merdas nos últimos meses, mas nos separar? Bella, isso é radical demais. È como se você estivesse me punindo por conta das decisões que eu tomei. Decisões que fiz pensando em nosso bem.

Eu ri secamente – Sério que você vai se passar por vítima? Ah, entendi; a grande culpada sou eu. A culpa é totalmente minha por nosso casamento ter chegado a esse ponto, afinal fui eu quem fiz todas as escolhas errada e não quis seguir nenhuma de suas regras, não foi? Mas quer saber? Que se dane, Edward! Eu cansei!

Em um ato que eu não esperava, ele se inclinou contra mim e pousou uma de suas mãos em minha barriga, me pegando completamente desprevenida – Pelo amor de Deus, Bella, acalme-se! Pense no bebê.

Esse gesto dele fez com que eu caísse em silêncio, sem saber mais como reagir devido a surpresa. Só então percebi o bipe das máquinas que me monitoravam estavam mais intensos e que minha respiração estava mais acelerada, exatamente como tinha acontecido pela manhã, quando Edward me enfrentou na porta da casa de meu pai. Tentei me acalmar, embora ainda estivesse instigada com o fato de que aquela era a primeira vez que ele tocava voluntariamente em meu ventre, desde que soubemos que Grace seria especial, Esse ato, que era tão pueril para tantos outros casais, tinha um sabor agridoce para mim. Eu que sonhei tanto com este momento, nunca imaginei que ele pudesse vir quando estivesse em um leito de hospital, tendo a conversa mais difícil com aquele que de certa forma sempre seria o homem de minha vida.

No entanto, aquele contato durou pouco demais. Edward retirou sua palma de meu ventre – Acho que devo mesmo me afastar de você – disse com a voz embargada e fechando sua mão em punhos – eu só te faço mal mesmo.

Apesar da mistura de sentimentos dentro de mim, não era força o suficiente para ignorar a dor que ele expressou naquelas poucas palavras. Arrisquei levar uma de minhas mãos até as deles, entrelaçando nossos dedos ao mesmo tempo em que usava meu polegar livre para enxugar a trilha salgada que estava saindo de suas orbes – Nós estamos fazendo mal um para o outro, Edward. — murmurei fracamente. — E por isso que acho melhor acabarmos assim, enquanto ainda há tempo de salvar pelo menos a nossa amizade.

- Não, Bella. — Ele pediu com desespero, me puxando de surpresa para seus braços e escondendo seu rosto no vão do meu pescoço. – Você nunca faria mal para mim, pelo contrário. Não ter mais você em minha vida é que seria meu fim.

Balancei minha cabeça, engolindo em seco na tentativa de não acabar cedendo. – Por favor, Edward, me entenda somente dessa vez. Não suporto mais viver desse jeito, então, por favor, escute o que estou te pedindo somente dessa vez.

- Baby, eu faço qualquer coisa, — ele suplicou contra o meu pescoço, – mas não desista de nós. Eu não sei viver sem você...

Naquele momento, todas as tentativas que eu fiz para acabar não chorando foram em vão. Abracei-o de volta, me permitindo sentir a sua pele e a maciez de seu cabelo acobreado na ponta de meus dedos. Ao mesmo tempo, Edward acariciava as minhas costas e respirava profundamente sobre o meu pescoço, quase como se quisesse memorizar o meu perfume.

Não sei por quanto tempo ficamos daquele jeito; poderia ter sido minutos ou horas, mas certamente tanto eu quanto ele nos despedíamos daquilo que foram anos de completa perfeição. Nós apegávamos um ao outro com força, quase como uma tábua de salvação, pois ambos sabíamos que no momento em que nosso abraço se desfizesse, nossa vida a dois teria ganhado um ponto final.

Cedo demais, nós desfizemos do nosso abraço da maneira que eu pude, eu lhe lancei um sorriso tristonho, como se quisesse transmitir com o gesto um agradecimento por tudo que ele havia me dado nos últimos anos. Ele tentou sorrir de volta, mas foi errado: não havia em seu rosto um dos meus sorrisos tortos, um daqueles que eram capazes de deixar meu coração descompassado feito nas outras vezes. Ele esbanjava algo vazio, quase que morto sobre os lábios e seus olhos e tal gesto fez com que me sentisse exatamente da mesma maneira. Como se algo tivesse sido arrancado de mim e que nunca mais poderia ter a chance de reavê-lo.

- Tem certeza de que é isso que você, Bella? — ele inquiriu com a voz grossa.

Apesar de uma parte de meu coração querer gritar o contrário, afirmei com convicção- Absoluta.

Ele deu um pequeno sorriso que não atingiu seus olhos – Nem sequer tenho direito a uma segunda chance?

- É melhor não, Edward.

Um silêncio estranho pairou naquele quarto, sem que conseguíssemos dizer mais nada, apesar de existirem milhares de coisas para serem ainda discutidas. Apesar de ter acordado há pouco tempo, eu me sentia ainda mais exausta depois daquela conversa tão dolorida. Ele deve ter percebido o meu estado fatigado e tocou levemente sobre minhas olheiras, que deveria estar bastante evidentes.

- Descanse, Bella. Você parece exausta. Talvez amanhã, com mais calma, nós podemos continuar essa conversa.

- Você sabe que não será uma noite de sono que fará com que minha opinião mude, não é? – indaguei, querendo adivinhar se de fato ele estava levando a sério a minha decisão.

- Eu sei o quanto você é teimosa, Bella.

- Não é questão de teimosia! Eu estou falando de meus sentimentos, afinal...

- Shhhh, baby. – ele sibilou, impedindo o meu discurso ao colocar seus dedos suavemente nos meus lábios. – Eu me expressei mal, Bella. Desculpe por isso, sim?

Respirei fundo, tentando ignorar o batimento furioso do meu coração tão audível por conta dos monitores. – Okay.

Mais uma vez, ficamos nos fitando sem saber o certo o que falar. Eu tentava imaginar o que se passava em sua mente naquele momento, embora fosse difícil ter certeza de alguma coisa. Os olhos verdes me encaravam na mesma intensidade, como se quisesse ler cada pequena coisa que se passava em minha mente. Naquele instante, agradeci mentalmente por ele não ser capaz de ter esse poder, pois sabia que se Edward soubesse que uma parte de mim morria de medo de seguir em frente sozinha, ele se apegaria a esse detalhe com todas as forças possíveis para impedir a nossa separação.

Resolvi quebrar a nossa mudez antes que Edward começasse outra vez a pedir perdão por algo que eu não estava pronta para lhe oferecer naquele instante. – Pode fazer um favor para mim?

- Qualquer coisa.

- Se você encontrar o Richie antes que eu saia daqui do hospital, poderia não contar a ele sobre a minha decisão? Sem contar que amanhã é Natal e eu não quero que ele tenha uma notícia como essa justo nesse dia.

- Nem passou em minha cabeça falar uma coisa dessas para ele, Bella. Acho que nós ainda temos muitas coisas para discutir sobre o... processo, antes de dizer algo para ele.

Suspirei aliviada com isso – Obrigada, Edward.

Ele assentiu levemente antes de finalmente se levantar da cama – É melhor eu ir andando. Vou para a casa de Esme e Carlisle e os dois nem mesmo ainda sabem que estou na cidade.

- Você veio com alguma mala? Se não, eu sei que têm algumas camisas suas e umas duas calças lá em casa. Eu posso pedir para mamãe pega-las antes que você vá para a casa dos seus tios...

Ele riu baixinho – Eu trouxe algumas roupas, Bella. Não se preocupe.

- E não se esqueça de pedir para que o seu tio dê uma olhada no seu rosto, está bem? Parece que a cada minuto ele fica um pouco mais inchado.

Ele fez uma careta, enquanto levava a mão esquerda até o nariz e apalpava-o vagarosamente – É, pela risada você soltou quando eu entrei aqui, deve estar algo feio pra cacete.

- Não está tão ruim assim. – menti despretensiosamente – Já vi piores.

- Você é uma péssima mentirosa, Bella.

Eu sorri fracamente. – Vou considerar isso como um elogio.

Já estava se tornando ridícula a forma com que ficávamos sem jeito um na frente do outro. Eu torcia minhas mãos nervosamente enquanto Edward se mantinha de pé, próximo a mim, coçando a nuca como se tentasse prolongar mais um pouco a sua saída.

- Bom, eu já vou – ele afirmou, para depois continuar. – Mas antes de ir, será que você poderia me prometa uma coisa, Bella?

Imediatamente entrei na defensiva – Dependendo do que seja.

- Não é muito, eu juro.

- Edward...

Ele balançou a cabeça e murmurou – Na verdade, é apenas um pedido.

- O que é? – inquiri curiosa

- Por favor, cuide-se. — ele pediu, colocando as mechas da minha franja para trás de meu rosto – Você nos assustou demais hoje pela manhã. Charlie ainda pode ter um golpe de direita fuderoso, mas ele também não é mais nenhum garoto para tomar um susto como esse.

Aquilo fez com que eu risse um pouquinho – Ainda não acredito que meu pai bateu em você.

- Ele vinha querendo fazer isso desde quando eu te levei para Vegas. – retrucou sem jeito, e logo depois resolver continuar – Agora, voltando ao assunto; prometa que você vai se cuidar melhor daqui para frente, ok? O Richard e a... Grace precisam muito de você.

Ainda era estranho ouvi-lo falar o nome de minha filha e não pude deixar de ficar surpresa por isso – E-eu prometo.

- Até mais, Bella. — murmurou, vindo deixar um beijo em minha fronte e deixando com que seus lábios fizessem uma carícia contra minha pele.

- Tchau, Edward — sussurrei roucamente, enquanto ele dava alguns passos para trás até chegar outra vez a porta e abri-la vagarosamente.

Ele deu mais um sorriso pequeno e me esforcei para fazer um pequeno aceno de volta. Contudo, bastou apenas a porta ser fechada outra vez que eu me permiti desabar. Assistir Edward passando por aquele vão tinha muito mais significados do que uma simples despedida. Era a realidade de que não teria mais o único homem que eu amei ao meu lado. Que a partir de agora, estava oficialmente sozinha para tentar juntar os pedaços de meu coração e reconstruir minha vida.

No entanto, por mais sádico que isso pudesse parecer, eu sempre teria comigo uma parte dele em minha vida. Ele havia me presenteado com as duas pessoas mais importantes em minha vida; Richard e Grace seriam o elo eterno que eu teria com Edward desde sempre. Mesmo que ele não aceitasse as crianças da mesma forma, era irrevogável que ambas me fariam lembrar para sempre do homem que amei e continuaria amando.

E por qualquer um dos meus filhos, por esses dois seres maravilhosos a quem eu tinha sido encarregada de ser mãe, continuaria a abrir mão de qualquer coisa. Dinheiro, sucesso, reconhecimento... Meu amor por Richie e Grace era algo imensurável e nada valia mais para mim do que ver a felicidade deles. Portanto, eu lutaria com todas as forças, garras e dentes para que isto acontecesse.

Mesmo que por conta disso, eu acabasse perdendo o dono do meu coração.

Notas finais
O último recadinho antes das lapadas que eu sei que vou tomar, eu juro!
Decidi a partir de agora que NCGYD terá uma data fixa para atualização. Todo dia 10 teremos um capítulo novo, beleza?
E antes que vocês me matem por passar quase 1 mês para postar outra vez, saibam que eu estarei atendendo a pedidos e durante esse meio tempo, estarei postando alguns outtakes no POV do Edward! Acho que isso ficará mais interessante para todas nós, não é?
Enfim, comentários, críticas, sugestões... tudo é mais do que muito bem aceito!
Até a próxima!
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