Notas de uma identidade em suspensão

1 Notas de uma identidade em suspensão



Eu me sinto diferente.

Dentro de mim, há um turbilhão silencioso que ninguém mais consegue ver.

Minhas emoções não são leves; elas me atravessam, me ocupam, me transformam.

Sinto alegria como se o mundo inteiro estivesse em um instante, e tristeza como se caísse um peso impossível de carregar.

Sinto medo nos ossos, medo que aperta meu peito e faz meu coração disparar, mas eu respiro e continuo.

Mesmo ferida, mesmo cansada, mesmo frágil, eu sigo com cada pedaço de mim, porque fugir do que sinto seria trair a minha própria essência.


Não consigo me contentar com pouco.

Não consigo me enganar com momentos que não me preenchem.

O sexo sem compromisso não me dá calor nem luz; não acende meus olhos, não aquece meu coração, não toca minha alma.

Eu não uso ninguém para tapar meus buracos, nem para aliviar feridas que só eu posso sentir.

Minhas dores estão comigo, e eu as abraço.

Não como punição, mas como lembrança de quem eu sou, do que sinto, da profundidade do meu coração.


Eu não gosto do raso.

Não gosto do superficial.

Não consigo fingir que qualquer coisa basta, que qualquer toque ou palavra possa preencher o que sinto.

O que vive dentro de mim é intenso demais, profundo demais, verdadeiro demais.

Meu coração não aceita migalhas; meus olhos não aceitam brilho falso; minha alma não se contenta com distrações.


Às vezes, sinto que estar sozinha é inevitável.

Às vezes, dói perceber que poucos conseguem sentir como eu sinto, que poucos conseguem mergulhar tão fundo nas próprias emoções.

Mas aprendi a caminhar comigo mesma, mesmo na solidão.

Aprendi a me escutar, a me proteger, a me honrar.

Prefiro minha própria companhia a me perder em algo que não me complete, que não me faça inteira.


Dentro de mim há espaço para sentir tudo: amor, dor, desejo, medo, saudade.

Tudo é intenso, tudo é verdadeiro, tudo é meu.

Mesmo quando minhas feridas apertam, quando meu coração grita por algo que parece impossível, eu sigo.

Porque ceder ao superficial seria negar quem eu sou.


Sinto meu corpo respondendo às emoções que vivem em mim.

O peito aperta, a garganta arde, a respiração acelera, minhas mãos tremem às vezes.

Não é fraqueza; é intensidade.

Sinto meu coração pulsando mais rápido quando penso em tudo o que me emociona de verdade, e sinto uma calma estranha quando me abandono às minhas próprias lágrimas.

Cada sensação, cada dor, cada desejo, cada lembrança, é parte do meu ser, e eu não quero escondê-los.


Eu sou assim.

Sensível demais, intensa demais, profunda demais.

E ainda que isso doa, ainda que às vezes me pese, eu me abraço.

Aceito cada pedaço de mim, mesmo os quebrados, mesmo os machucados.

Aprendi a caminhar com minha própria intensidade, e isso me mantém inteira, viva, consciente.


Mesmo quando o mundo me parece vazio ou indiferente, mesmo quando sinto que ninguém vai me compreender totalmente, eu respiro fundo e sigo.

Porque dentro de mim existe algo que não se curva, não se entrega ao raso, não se deixa enganar pelo banal.

Existe força, existe verdade, existe coragem de sentir demais, de existir inteira, de ser fiel a mim mesma.


E mesmo que eu chore sozinha, mesmo que minhas lágrimas sejam silenciosas e ninguém veja, eu sinto que elas me purificam, me libertam, me lembram que estou viva, que sinto, que sou inteira.

Eu sigo com cada pedaço de mim, com cada ferida, com cada desejo, com cada medo.

Eu sigo sendo eu, inteira, intensa, diferente.

E não trocaria isso por nada.




Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.