Creio que nos perdemos.

Perdido em tamanha confusão

Eu grito para mim mesmo

E para os que cachorros abandonados

Que nos perdemos

Na pressa de nos tornarmos algo novo

De nos provarmos singulares e suficientes

Creio que nos perdemos

Creio que perdemos cada dia mais

Nossa humanidade

Ela se esvai pelo ralo voraz das noites de Sábado

E das tardes de Segunda

Creio que com o passar do tempo e das novelas

Perdemos a fé

Ou talvez nunca tivéssemos muitos motivos para tê-la

Creio que no desenrolar dessa nossa história

Ansiamos por viver uma vida fantástica

E sonhamos tão alto que nos derretemos no sol

E também há aqueles outros tantos...

Nós voamos tão baixo... com medo de bater em um avião

E atrapalhar os pilotos com a nossa existência

Que acabamos por nos afogar.

Creio ainda que existe um numero infinito de nós

Que voam há uma altura precisamente confortável

E passam a vida fazendo malabares

Para eles a vida é uma brisa suave

A água é fria

E o sol é quente

Mas existe um óleo suave que eles passam nas costas

E se esquecem

Creio que nos perdemos

Não por não sabermos voar

Isso é uma mentira do rádio vespertino e da imprensa marrom

Nós voamos

Preocupados demais com a altura

Com a velocidade

Com o vento

Com o céu

Com a terra

Com Deus

E com a morte

Tão preocupado que ignoramos completamente

Que somos nós

Nós todos

Que voamos

E nós todos voamos

No alto azul do céu

Nessa bela tarde de agosto.