Notas de Sal e Papel

2 Confissões à Beira-Mar


Confissões a Beira-Mar

Aqui, então, perante o mar

Me vem uma extrema vontade de confessar

Uma verdade que a muito se deve revelar

Sobre meu melancólico jeito de criar

Afinal não deixaria de ser

Ora essa, o que é um poeta sem saber amar

Ou um rei sem saber reinar, ora pois poderia haver

Uma alma apaixonada, à melancolia se entregar

Pois ao sabor da maresia, confesso ao senhor dos tempos

À luz pálida e compreensiva que acalma minha mente

Que a melancolia, alma de meus sentimentos

É nada mais nada menos, do que o amor de um garoto inocente

E no frio da noite, perante estas ondas vigorosas

Entrego-me de corpo e alma a melancolia absoluta

Pois esta aquecerá meus ossos congelados com seus braços saudosos

E protegê-me-á deste amanhecer, um amanhecer mais negro que a noite.