Not too late

9 Capítulo 9 - Liberdade.


Notas iniciais
Leitores fantasma são criaturinhas muito fofas, mas seriam melhores se deixassem a fase fantasmagórica para trás :') Boa leitura.

− Exijo uma explicação plausível para isso Jack.

Peggy estava sentada em uma das mesas de interrogatório da RCE, encarando o agente Thompson e recusando-se a falar algo sobre o incidente com Rumlow no restaurante.

− Mag... Peggy. Colabore. Ou você fala pra mim, que sou seu amigo, ou outras pessoas piores vão falar com seus amigos. E o interessante, eles não constam em nenhum registro... seria curioso explicar 3 foragidos sob sua custódia.

− Tudo é mais complicado do que parece.

− Sempre é – ele respirou fundo – impossível acabarmos em outro canto a não ser você interrogada...

− Acabaríamos em outro canto se fosse mais inteligente e não se intrometesse em assuntos alheios.

− Tudo bem – Thompson levantou da cadeira onde estava sentado, com uma mão massageando a testa – vamos pelo jeito difícil.

Ela permaneceu com uma expressão dura e apenas observou o loiro retirar-se da sala.

Alguns segundos depois a porta abriu-se novamente e por ela entraram Steve e Jack. O capitão estava desconfiado e algemado.

− Não quer falar sobre a explosão que provavelmente você causou, certo, mas como explica este homem ser exatamente igual ao desaparecido Capitão América.

− Posso sim, você precisa de óculos – ela rebateu – sério? Esse cara com o capitão Rogers?

− Não se faça de desentendida, note a semelhança!

− Eu e Stark trabalhamos com o capitão, acho que lembramos muito bem como era o rosto dele e te garanto que não se parece nada com este cara.

Steve permanecia calado, apenas os olhando com indignação. Admirava como Peggy sabia fingir bem. Ele tinha plena consciência de que não sairia daquela ileso se não fosse ela ali.

− Com licença – ouviram uma voz feminina na porta – me perdoem a intromissão, mas que algemas ruins vocês tem aqui – Natasha entrou na sala, jogando as algemas que antes estavam em seus pulsos em cima da mesa.

− Como você...?! – Thompson ia falar algo, mas foi interrompido pela ruiva.

− Cale-se por favor. Os dois aí, passem para fora – ela olhou de forma sugestiva para Steve e Peggy, os dois notaram que havia algo por trás e se retiraram.

Ela olhou de forma ambígua para Jack. Este que estava assustado e indignado com a ruiva.

− Você é bem chatinho. Se as agências de espionagem dependessem do seu método de interrogatório estariam bem falidas – ela o cutucou e o empurrou com o dedo de forma a incriminá-lo.

− O que pensa que está fazendo?! – ele falava de forma a expressar nojo – posso muito bem te prender!

− É, pode. Mas não vai – ela sorriu amigavelmente e segurou o pulso do homem – e eu posso quebrar seu pulso aqui e agora se não nos deixar ir – ela estava com o rosto bem próximo do dele, falando de forma calma e o olhando nos olhos – então, como vai ser?

− Que rostinho bonito, suas colegas de cela vão te adorar – ele sacou uma arma e apontou para a barriga de Natasha – agora me solta ou aperto o gatilho.

− Obrigada, estava mesmo precisando de uma dessas.

Ela sorriu novamente, girando o pulso dele para o lado e puxando a arma antes que o gatilho fosse acionado. Subiu no homem e girou no ar, o derrubando no chão. Guardou a arma na parte de trás da calça que usava e ajeitou a roupa que havia amassado.

− Nick Fury desaprovaria.

Falando isso, deixou a sala, trancando Thompson. Fora da sala, havia conseguido soltar-se das algemas e nocauteou a maioria dos agentes. Alguns estavam no chão e outros presos dentro de algumas salas. Antes de ir atrás de Steve e Peggy, havia soltado Howard e Jarvis. Tony ainda seria interrogado e estava sentado do lado de fora apenas observando tudo.

Deixaram o local rapidamente, havia agentes do lado de fora que se os vissem com certeza iriam direto para o presídio.

− Por onde iremos? – Steve estava atordoado.

− Fingiremos ser outras pessoas, simples – Peggy disse, procurando algo na bolsa.

− Steve, lembra do shopping?

− A escada rolante?

− Não! O que fizemos para escapar antes disso.

− Não correr, agir naturalmente...

− Isso.

− Pode ser uma boa.

−Achei – Peggy tirou uma chave de uma bolsa preta que havia pego de um dos agentes desacordados – chave dos fundos.

Suspiraram de alívio. A seguiram e chegaram a um tipo de dispensa com canos para panos sujos que iriam direto para o lixo.

Estavam incrédulos. Parecia muito uma cena de filme de ação ruim cair no lixo por um cano para escapar. Era isso ou irem presos no tempo errado.

Desceram. Jarvis estava muito enojado, Natasha tentava não pensar nisso, Tony reclamava alto e Howard fazia o mesmo. Peggy apenas não comentou nada e Steve estava com nojo também, mas preferiu apenas fazer uma cara feia e prosseguir o caminho.

Se fossem sacos de lixo fechados, tudo bem, mas estavam abertos e havia coisas ali muito podres. Um lixão era mais agradável.

Pararam numa loja de roupas de um amigo de Howard. Todos que passavam por eles na rua notavam o cheiro peculiar que exalavam. Adentraram o estabelecimento e Howard se pronunciou.

− Norman!

− Howard? É você sr. Stark?

− Eu mesmo. Preciso de roupas e um banheiro urgente para todos aqui.

− Claro, claro, venham por aqui.

Norman já tinha idade. Não era mais velho que Steve mas traços do tempo eram visíveis em seu rosto. Ele separou algumas peças para trocarem-se e os guiou até o banheiro que possuía ali. Em meia hora, metade já havia tomado um banho e trocado de roupa. Não estavam exatamente cheirosos, mas também não fediam a lixo.

Howard pediu que o velho amigo mandasse a conta das roupas para sua casa que logo as pagaria. Era uma loja de roupas masculinas, então tiveram que fazer pequenos ajustes para que Peggy e Natasha não ficassem desconfortáveis ou extremamente atrativas por estarem com roupas de homem.

Ao saírem dali, os homens usavam chapéus para cobrir o rosto e as duas pentearam o cabelo de forma um pouco diferente de antes. Andavam como civis normais; eles apenas andavam, as duas conversavam “alegremente”.

− Então Peggy, Steve pega bem?

− O que?! Que tipo de pergunta é essa?

− Sabe... os dois... eu sei que já ficaram juntos de todas as formas possíveis ontem a noite, deu pra escutar tudo do meu quarto.

− Tudo mesmo?

− Sim. Não consigo imaginar ele transando, é muito inocente para isso.

− Esse não é um tipo de assunto que falamos na rua por aqui, muita gente fofoqueira escuta e espalha.

− Então o que falam? Sobre a renda do vestido de festa?

− Isso também – Peggy suspirou – Natasha, me desculpa pela forma que venho te tratando?

− Já me trataram pior – a ruiva deu de ombros, com um olhar suave.

− Eu me precipitei. Seu porte é de alguém forte e isso me irritou. Me lembra muito uma senhora que lutou comigo meses atrás. Dottie era russa também e veio só pra tentar desgraçar tudo.

− Você sabe de onde exatamente ela veio?

− Tinha um campo de treinamento só para meninas... se tornavam espiãs tão cedo... faziam experiências nelas – Peggy pode notar que Natasha ficou um tanto incomodada – o que foi?

− Está desculpada. E aliás, Dottie eram como chamavam uma antiga cadete que se destacava bastante lá na Sala Vermelha. Esse lugar provavelmente é a raiz do programa Viúva Negra e foi de lá que eu vim.

Peggy a olhou um tanto chocada. Não sabia o que era aquele programa de que Natasha havia falado mas pelo nome que recebeu sabia que era algo bem pior do que Dottie. E ali viu que até russas assassinas podiam mudar de lado.

− Eu... não sei o que dizer. Como mudou de lado?

− Fui a experiência que mais deu certo, fiz meu trabalho e ganhei uma reputação péssima mundialmente. Um agente da SHIELD foi mandado para me matar mas na última hora... – ela respirou fundo, rindo um pouco – Clint sempre teve um bom coração. Pediu ao diretor da organização que me aceitasse e bom, cá estou.

− Vejo que tem grande sentimento por esse... Clint.

− É um bom amigo. Meu melhor amigo. E que agora deve estar sofrendo porque antes de virmos para cá, Rumlow matou a esposa dele e agora é um pai solteiro com 3 filhos.

− Você gostava das crianças?

− Era uma das únicas a ter conhecido a família dele. Cooper, Lila e até o feio do Nathaniel são muito especiais pra mim.

− Então quando voltarem vai ter a chance de retribuir o que ele fez por ti. Ajude ele a passar por isso.

− Se voltarmos – as duas entreolharam-se e sorriram amigavelmente.

− Precisam voltar.

Quando olharam para a frente, as entidades masculinas estavam chocados. As duas assim pareciam realmente amigas de longa data.

− Peggy, Nat, estou muito orgulhoso de vocês.

− Que foi Steve? Perplexo que consegui me dar bem com sua namorada?

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.