Not too late
6 Capítulo 6 - Digitais.
Notas iniciais
Estava marcado para todos estarem perto do restaurante às 8 da manhã.
Eram 7.
Peggy acordou sentindo-se bem. Estava apoiada no peito de Steve, que a envolvia com um dos braços. Coçou os olhos algumas vezes antes que ele notasse que ela havia acordado.
− Bom dia – ele falou de bom humor.
− Como pode estar de bom humor no dia em que sabe que vai provavelmente apanhar do jeito que descreveu para mim quando te levei para o laboratório no Brooklyn?
− Depois da noite passada... – ele riu um pouco – acho que posso ficar feliz, pelo menos um pouquinho.
− Não diga ao resto do pessoal sobre isso...
− Eles já pensam que aconteceu desde que cheguei aqui, então acho que dá para ser discreto.
− Eles não prestam.
− Eu sei disso.
− Particularmente não queria que fosse, não hoje – Peggy levantou-se um tanto relutante, esticando os braços para cima.
− Nem eu quero ir, mas preciso resolver isso. Precisamos – Steve sentou-se, olhando para a mulher – sabe que se eu tivesse escolha faria diferente...
Ela o interrompeu, o beijando calmamente. Steve instantaneamente calou-se ao sentir os lábios de Peggy contra os seus. Retribuiu na mesma intensidade até que afastaram-se um pouco.
− Se fosse diferente, não seria você e sim alguém aleatório. Sua parte heroica é charmosa – ela riu baixo, deixando o loiro um pouco envergonhado.
Ela foi para o banheiro, deixando ele no quarto. Tomou um banho rápido e vestiu-se na mesma velocidade.
Estavam de certa forma atrasados. Howard não perdoaria os dois tão facilmente depois disso, iria fazer muitas referências sobre o atraso.
Chegando ao restaurante, receberam olhares tanto de Howard como de Tony. Já Natasha foi mais direta.
− Da próxima vez que forem se pegar por favor que seja mais cedo. Tem despertador também, ele ajuda bastante uma pessoa a ser pontual – ela disse sorrindo de forma simpática, entregando dois comunicadores a eles – os dois ficam lá no fundo, a gente mais aqui na frente.
Peggy a olhou feio, Steve a repreendeu mas sabia que de nada adiantaria.
Foram para os locais marcados. Howard num canto afastado, Jarvis na mesma mesa que sempre se sentava, Natasha e Tony no balcão, de costas para os outros 3. Steve sentou-se de frente para a porta, com Peggy à sua frente.
− Tem certeza de que é uma boa ideia? – Peggy estava preocupada.
− Não – ele respondeu, ela o olhou um tanto espantada – se tem uma coisa que aprendi com a equipe é que ter certeza de tudo não leva a nada.
− E como te fizeram acreditar nisso?
− Lembra quando desobedeci às ordens e você e Howard me levaram para depois das fronteiras para salvar todos aqueles homens? Eu também não tinha tanta certeza. Mas apesar de muito bons, a equipe é desleixada.
− Assim como você era... – ela riu um pouco.
− Eles são mais, isso eu garanto.
− E estamos ouvindo – Natasha disse calmamente, tomando um gole do café que estava em sua xícara.
− E nos sentimos muito ofendidos – Tony completou, abaixando um pouco os óculos escuros que usava.
Peggy fez uma careta, não havia se acostumado com aquelas coisas em seus ouvidos. Era como se estivesse louca e escutando vozes. Howard achou maravilhoso e se sentiu num filme de espionagem. Jarvis estava achando perturbador.
− Calem-se – Steve reclamou.
− Venha aqui e me obrigue – Natasha retrucou.
− Olha Steve, se quiser que eu vá calar a ruiva... – Howard se pronunciou.
− Para com isso Howard! – Peggy e Steve falaram ao mesmo tempo.
− Deixem ele tentar, adoro usar um Stark como saco de pancadas – Natasha deu um sorrisinho.
− Bom mesmo que deixem. Vai que este indivíduo toma vergonha na cara – Tony disse com um tom de mal humor.
− Ele chegou – o capitão avisou. Todos calaram-se.
Rumlow entrou civilizadamente no local, usava um chapéu que escondia as cicatrizes em seu rosto. Mas em vez de sentar-se e pedir algo, sacou uma arma e começou a atirar. Todos abaixaram-se. Os mais perto da porta saíram do restaurante correndo e gritos foram ouvidos.
− Eu sei que está aí capitão! – ele falou um tanto alto – ah... achei – ele mirou para a cabeça de Peggy que estava a frente de Steve – e ainda a trouxe, facilitou muito meu trabalho.
Steve permaneceu imóvel, o encarando. Rumlow encostou a ponta da arma na cabeça de Peggy, esta que respirava fundo para não atacar o homem que segurava a arma.
− Afaste-se dela. Ultima chance de se render.
− E a matar e mostrar ao mundo que o capitão está aqui e também lá no gelo... acho melhor a segunda opção – ele deu um passo a frente – qual é Rogers, não vai fazer nada?
− Claro que vou.
Enquanto conversaram, Natasha foi bem devagar para trás de Ossos Cruzados, pulando em cima do homem e aplicando o choque da Viúva em seu pescoço. Não teve efeito. A pele queimada destruiu os nervos presentes então choque de nada servia. Mas serviu para o distrair por alguns segundos, dando tempo para Peggy levantar-se e sacar uma arma contra ele.
Rumlow jogou Natasha no chão, Tony colocou nas mãos sua armadura e atirou contra Ossos Cruzados. Este cambaleou para trás e disparou. O tiro ricocheteou no ferro de uma das mesas e acertou a perna de Steve. Este que arremessou o escudo, o acertando na face. Howard sacou algumas armas que desenvolvera com a tecnologia da HYDRA e fez alguns disparos.
Jarvis desesperou-se e se escondeu atrás do balcão junto das atendentes.
Enquanto isso, Natasha arquitetava outro plano para derrubá-lo. Dor não serviria, tinha que ser algo explosivo.
− Tony, ainda tem aqueles mísseis minúsculos que usava na armadura?
− Isso é hora pra perguntar isso?
− Sim ou não?
− Sim.
− Joga um deles para perto da porta. Agora.
Nem Tony nem nenhum dos que ouviram a conversa entenderam muito bem, mas sabiam que ela provavelmente tinha um plano. E eles tinham que manter Rumlow ocupado.
− Natasha, o que vai fazer? – Steve perguntou.
− Continue assim capitão, está indo bem – ela pegou o míssil e o colocou em seu cartucho de balas. Steve e os dois Starks usavam de tudo que podiam para atrair a atenção de Rumlow. Peggy correu para tirar Jarvis e as atendentes dali. Ela e Natasha agora estavam na porta do estabelecimento.
− O que vai fazer? – a morena perguntou.
− Só vou ter um tiro. Preciso que ele vire para cá.
− Vai explodir ele aqui dentro?
− Ah claro, e destruir o local deixando civis sem ter o que comer pela manhã? Realmente, é bem a minha cara.
Peggy a olhou feio, para variar, e carregou a arma.
− Parem de disparar e corram – a morena avisou.
Steve olhou um tanto preocupado para ela. Howard foi o primeiro a correr. Tony mandou Steve ir, este estava relutante.
− Rogers, isso é uma ordem! – Peggy insistiu e atirou 2 vezes no ombro de Rumlow. Foi inútil, nem atravessou a roupa que ele usava.
Ele virou.
− Agora obedece às ordens de uma mulher, capitão? Que humilhação – ele ria com desdém – eu não queria matar o pai na frente de um filho, mas não sou como um de seus colegas que faz isso pelas costas...
Natasha estava de saco cheio das meias palavras, atirou exatamente no meio da cabeça do homem e derrubou uma mesa a tempo de se proteger da explosão.
Estilhaços de vidro voaram em todas as direções, o público que havia se formado na rua correu para não serem atingidos pelos pedaços de tudo que voava. A polícia já havia sido chamada, a RCE também.
− Alguém morreu? – Howard perguntou pela escuta.
− Eu não – Tony foi o primeiro a responder.
− Eu e Steve também não – Peggy respondeu pelos dois, o comunicador de Steve havia caído e quebrado.
− Já aguentei explosões piores que essa – Natasha reclamou – agora temos que ir. Com sorte ele morreu.
− Temos que ter certeza.
− Então alguém traga o corpo. E pela porta dos fundos ou vão ver nossos rostos e eu e Tony vamos acabar ganhando fama antes mesmo de nascermos – Natasha tossia um pouco.
− Eu carrego. Picolé, tia Peggy, Howard, andem logo – Tony disse, procurando o corpo de Rumlow, e finalmente o achando – gente, a cabeça ta toda aberta... querem mesmo levar?
− Não. Deixe aí. Sem cabeça não tem como reconhecer – Steve falava. Sua perna estava sangrando e ele mancava.
− E as digitais?
− Gente queimada não tem digitais.
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