Notas iniciais
Obrigada às duas que comentaram capítulo passado, espero que gostem deste.

Peggy mantinha a arma levantada, mas agora em direção de Steve.

− Alguém me diz o que está acontecendo aqui? – Howard parecia estar entrando em desespero.

− Steve... o Capitão Rogers sumiu tem 3 anos. Procuramos por todos os lugares, como pode aparecer assim... – ela não conseguia completar a frase.

− Peggy, abaixa a arma – Steve pediu – vamos explicar tudo. Mas por favor, sem tiros.

Ela hesitou em fazer isso, mas devagar abaixou a pistola que estava segurando.

A essa altura, Tony e Natasha já haviam sentado em um dos sofás que havia por lá. Observavam toda a cena com o braço apoiado no sofá, com uma mão apoiando o queixo.

Peggy sentou-se novamente onde estava, estava em posição de alerta, ainda não acreditava que estava vendo Steve ali, no mesmo cômodo que ela, tantos anos depois.

− Tudo bem, comecemos do começo – Howard começou a falar – o que é você? — perguntou ao capitão.

− Stark, sem brincadeiras – ele respondeu – sou eu, Steve Rogers, Capitão América. Não estou fingindo nada – Steve pegou a sacola e tirou o escudo de dentro – aqui, veja, você que projetou.

Howard estava maravilhado, reconhecia que aquele escudo fora feito por ele.

− É Peggy... – Howard concordava com a cabeça – é ele.

− Tem algo errado aqui... você o procurou, muita gente o procurou. Como pode aparecer do nada junto de uma mulher com roupas de vadia e um cara bêbado?

− É o que? – Natasha já havia ouvido coisas daquele tipo durante sua vida, mas nunca de uma pessoa que não sabia de sua reputação.

− Natasha, não – Steve repreendeu. Sabia onde aquilo terminaria se continuassem a discutir.

− Roupas de vadia mas bem atraente visualmente... – Howard comentou consigo mesmo, alto demais.

− Crie vergonha na cara – o loiro suspirou – daqui a 70 anos o mundo vai estar estranho a níveis alarmantes. E é isso que nos traz aqui. Vão ter alienígenas, magia, coisas que nunca imaginaríamos que existisse... e uma delas nos forçou a vir aqui.

− Está falando de viagem no tempo? Sério?

− Infelizmente sim. Vocês desconfiavam porque sabem que estou perdido em algum lugar. E realmente estou. Neste ano eu ainda estou lá, congelado, e não tem nada que possam fazer a respeito disso, nem mesmo eu sei onde era. No futuro, trabalhei para uma organização que foi a ruína por conta de outra, não vou entrar em detalhes, o problema é que essa outra é uma praga desde sempre. Um cara que trabalhava comigo virou-se contra mim, quando o prédio onde ele estava caiu, sua pele foi carbonizada e ele criou um ódio mortal por mim. Não sabemos como nem quando, mas ele conseguiu tecnologia suficiente para viagens no tempo.

− Interessante... – Howard estava pensativo – vou analisar hipóteses sobre isso depois.

− Não tínhamos tempo, ele matou a esposa de um colega nosso – Steve podia notar que Natasha ficava ressentida quando tocava naquele assunto – ficaríamos lá para dar força a ele, mas o que podia nos trazer para cá, para onde Rumlow veio, estava perdendo força. Não sabíamos nem ao certo aonde iríamos parar, mas onde quer que seja, ele estaria nesse tempo então seria uma chance de pegá-lo e dar um fim nisso.

− Isso tudo é muito complicado... – Peggy tentava entender, era muita coisa para processar.

− Uma coisa não bate – Howard batia o dedo em sua mandíbula – se ele tem raiva de você, para que voltar no tempo?

Steve olhou para Natasha e Tony. Sabia que se falasse muito, mais do que já tinha falado, tinha chance de alterar a linha cronológica e bagunçar o futuro. Os dois concordaram com a cabeça, dizendo que ele tinha de dizer algo mais, o que estava faltando.

− Ele... bom, queria que eu não fosse reintegrado ao “novo mundo”, que a organização que me ajudou a isso não existisse, que nossa equipe não fosse formada. Para isso teria acabar com a SHIELD desde... bom, desde que era apenas uma ideia. Essa é nossa teoria.

− Eu consegui criar a SHIELD? – Howard estava perplexo.

− Vocês – respondeu Natasha – você e ela a criaram e são o motivo de estarmos aqui. Rumlow provavelmente vai vir mata-los e estamos aqui para impedir isso.

− Isso explica bastante. Peggy o que acha?

− É plausível. Mas difícil de acreditar – ela suspirava – e eles dois, são do futuro também?

− São. Howard e Peggy, conheçam Tony e Natasha. Ele é um “gênio” como se auto denomina, implicante, mas ajuda de vez em quando. Ela é uma ex-espiã soviética, primeira alma feminina da equipe e implicante também, mas num nível diferente do Tony.

− Prazer conhece-los – Howard sorriu sem mostrar os dentes – amigos do capitão, meus amigos. Faço questão de que fiquem hospedados aqui.

− Ah e, queria pedir desculpas ao seu mordomo – Natasha disse – não foi muito bonito ameaça-lo.

− O Jarvis supera. Jarvis! Venha aqui!

Dentro de alguns instantes ele apareceu, parecia desconfortável.

− Você mais velho era mais assustador – Tony comentou.

− Eu ouvi a conversa, maior parte dela... você me conhece, senhor?

− Você cuidou de mim até meus 5 anos de idade, depois sumiu – Tony lembrava bem das coisas.

− Como assim Jarvis cuidou de você? – Howard tinha claramente um ponto de interrogação no rosto.

− Ele é seu filho – Steve falou.

− Não imagino Howard cuidando de uma criança – Peggy riu um pouco, a situação era estranha, mas ao mesmo tempo cômica.

− O que?!

− É camarada, você foi um péssimo pai – Tony colocou a mão no ombro do outro Stark.

− Precisamos conversar – Steve disse à Peggy, um pouco baixo para que os outros não escutassem.

Ela apenas concordou com a cabeça. Os dois se retiraram da sala e dirigiram-se à cozinha.

Depois de um momento de silencio, um dos dois tomou a iniciativa.

− Isso tudo é complicado demais...

− Eu sei. Mas logo vamos conseguir pegar Rumlow e daremos um jeito de voltar para onde viemos... isso se existir uma forma de voltar.

− 3 anos, Steve. 3 anos que ‘você’ sumiu. Sabe como eu fiquei? Eu tinha esperança que você aparecesse. Eu segui com minha vida, tenho meu emprego na RCE. Até ano passado ainda falavam sobre mim e sobre você. Sabe como foi difícil? Aí num belo dia você chega dizendo que eu passaria 70 anos esperando para que alguém te ache no gelo, e isso, de vir aqui avisar, porque irritou alguém e esse alguém quer me matar... – ele não a deixou terminar.

− Peggy, escuta – ela engoliu em seco – se pudesse mudar o que aconteceu, eu mudaria. Eu teria acordado antes e voltado e nada disso estaria acontecendo agora. Mas pense – ele respirou fundo – aconteceu. Eu estou aqui e você está me vendo antes do que deveria.

− Talvez isso não seja tão ruim.

− E essa... RCE? Como é seu trabalho lá?

− Antes eu tinha que ir buscar café e anotar recados – ele ficou perplexo com aquilo, não a imaginava fazendo algo do tipo – mas depois que o Stark fez porcaria acabou que atraiu confusão.

− Como sempre – Steve não pode conter o riso. Não era uma risada histérica, era algo suave.

− Depois tivemos problemas com uma russa... ela chegou a me beijar – Peggy revirou os olhos, com um pequeno sorriso – não foi algo bom, na verdade me levaram presa depois disso, mas é algo estranhamente engraçado.

− Garanto que Natasha não fará isso – Steve falou, a olhando – que falta de respeito a você.

− Garotas russas não são lá muito confiáveis, ela era um demônio por assim dizer... mas já passou. Hoje tenho mais respeito na RCE. Mas e você, o que aconteceu depois que foi descongelado?

− O diretor da SHIELD me recrutou para um grupo de esquisitos, era uma catástrofe global. Depois disso houveram outros problemas e... bom, estou aqui.

− Sempre em confusão – ela sorriu – não mudou nada.

− Há coisas que realmente não mudam nunca – ele olhou para o chão, com um sorriso de canto.