Not too late

7 Capítulo 7 - Lembranças.


Notas iniciais
Sim, 2 capítulos em curto período de tempo. Mas é que a empolgação foi muito grande. Boa leitura!

Realmente deixaram o corpo de Rumlow lá. No meio dos escombros. Sem a parte de cima do corpo. Com o resto carbonizado.

Natasha nunca entendera a utilidade dos novos mísseis minúsculos de Tony, lê-se minúsculos do tamanho de balas comuns, mas agora havia achado uma utilidade melhor e mais produtiva. Talvez até fosse pedir alguns para carregar consigo sempre que a situação piorasse.

Estavam completamente sujos e feridos. A bala passou pela perna de Steve mas todos haviam recebido cacos de vidro em alguma parte do corpo. Nada grave ao que já haviam presenciado.

Jarvis ao notar que demoraram a sair, entendeu que não viriam pela porta da frente. Logo ligou o carro e foi para a rua de trás para esperá-los. Estava angustiado e receoso de que algo pior tivesse acontecido ou poderia acontecer se demorassem muito.

Tossiam. Inalaram bastante fumaça e pó de concreto, as chamas só cresciam. Mas não durariam muito. Não havia ‘combustível’ para isso.

Tony quebrou a fechadura e Natasha arrombou a porta dos fundos, seguidos por Howard que estava bastante sujo como os dois primeiros, e logo vieram Peggy e Steve, este apoiado na morena para poder andar mais rápido. O ferimento na perna do capitão não era tão ruim. Não foi de raspão nem profundo. Atravessou apenas a carne de sua canela. Mas sangrava muito.

− Senhor! – Jarvis ficou espantado com o estado de todos, logo abrindo a porta do carro para que entrassem. Tony foi no banco da frente, limpando rapidamente o rosto com a própria camisa. Natasha, Peggy e Howard dividiram o bando de trás, com Steve deitado no colo dos 3. Precisava manter a perna para cima ou perderia muito sangue.

− Não vamos conseguir chegar em casa a tempo sem que ninguém veja essa situação – Jarvis disse um tanto desesperado.

− Edwin, eu estou bem, pode ir com calma... – Steve tentou o tranquilizar.

− Não está bem não! – Peggy retrucou – pode não doer tanto em ti mas o sangue escorre do mesmo jeito. Pode acelerar Jarvis, qualquer multa ou negociação com a polícia pode deixar que eu resolvo.

− Uma bala na perna é o de menos, no Triskelion ele levou no mínimo uns 5 tiros seguidos e está aqui... – Natasha deu de ombros, Jarvis já havia acelerado e ficou horrorizado ao escutar a ruiva.

− Pelo menos 5 tiros? Isso foi para me tranquilizar? Sinto informar mas não ajudou muito – Peggy claramente estava desconfortável.

− Eu lhe disse que estou bem – ele a olhou, falando calmamente e tocando o rosto da mulher – isso realmente não é nada.

− Para mim é alguma coisa.

− Mas não devia ser. Não é com o que mais temos que nos preocupar agora. Sobrevivi a coisa pior, isso não vai me matar – ele sorriu de forma doce, a reconfortando. E recebeu um sorriso de volta. Ela sabia que apesar de se preocupar, ele sempre seria o Steve que conseguia se virar em tudo que fazia, até mesmo com chances de morrer.

− Tudo bem – disse como se tivesse superado aquilo – mas não faça mais isso.

− Ele vai acabar fazendo de novo – Howard disse, quebrando o clima que havia se formado.

− Com certeza – Natasha e Tony disseram. Ela como uma afirmação, ele como uma ironia. Steve fuzilou os dois com o olhar.

− Eles sempre queimam teu filme assim? – Howard indagou.

− Natasha mais que o Tony – o loiro suspirou – depois dela vem o Sam, Barton e aí o Tony.

− Ainda quero conhecer a mãe desse Barton...

− Howard! – todos o repreenderam.

Chegando em casa, Jarvis correu para pegar o kit cirúrgico que guardou para eventuais situações. Steve foi colocado no sofá e tentavam estancar o sangue com alguns panos.

Tony não ligava muito para a situação. Sabia bem que Rogers podia sobreviver a isso e que em poucas horas já estaria razoável a situação da perna do amigo. O que o preocupava não era a perna baleada e sim outra coisa bem mais importante e mais perigosa: como fariam para voltar. Se ficassem mais tempo ali mudariam mais coisa do que deveriam, se é que isso já não tivesse acontecido, e o futuro estaria comprometido.

Peggy estava feliz e ao mesmo tempo triste. Feliz por ter visto Steve outra vez, por ele estar ali, por apesar de para ele terem se passado 70 anos ainda continuava o mesmo idiota de sempre não ligando para o que ocorresse a ele e sim prezando pelo bem-estar do outro. Triste, pois, a missão dele tinha acabado. Ossos Cruzados estava morto, não havia mais o perigo que antes existia, não havia mais necessidade dele estar ali. Então ele iria embora. Outra vez. Não sabia se seria mais ou menos doloroso dessa vez. Afinal, agora já tinha deixado claro seus sentimentos quanto ao loiro. E era isso que queria ter feito antes que ele fosse congelado. Mas poderia ser pior porque agora já havia tido bons momentos com ele, já sabia como ele se sentia quanto a ela, já a havia tido em seus braços de forma que ninguém jamais teve.

Já Natasha, bom, estava neutra. Sua experiência dizia que aquela bala não mataria nem mesmo Clint que mesmo tendo sido baleado muitas vezes, sempre fazia o mesmo drama de que estava desfalecendo e que morreria com o sangue drenado. Olhava com certa curiosidade para a perna do amigo.

− Eita Rogers, isso ta feio hein, vai acabar tendo que amputar...

− Capitão Saci, falta só um chapéu vermelho – Tony riu de forma debochada.

− O que é um saci? – Steve e Peggy entreolharam-se de forma confusa. Não sabiam o que significava aquilo nem sequer que existia algo com aquele nome.

− É foda isso – Tony reclamou – aqui ninguém entende nada.

− Senhor Rogers, por favor, pare de mexer sua perna, assim não tem como fechar esse buraco – Jarvis pediu educadamente, com um notório tom de indignação na voz.

− Eu disse para não se mexer – Peggy reclamou, dando um tapa leve no ombro do loiro.

− Desculpe.

− Prontinho! – Jarvis levantou-se – o senhor já pode andar se quiser, mas não aconselho muito esforço para que a pele não estique e abra os pontos. Abra esses pontos e os próximos vão ter cheiro de pele queimada no ferro. E isso sim algo eficiente – Jarvis fazia caretas enquanto falava, o que se tornava algo engraçado. Steve apenas concordou com a cabeça, um pouco assustado.

Era um domingo, dia geralmente usado para almoços em família. E assim ocorreu. Howard pediu que Jarvis preparasse uma grande torta para o almoço. Em sua mente, estavam ali seus melhores amigos, seu filho que mais parecia ser seu pai e a ruiva que achava ainda mais atraente depois que a viu atirar no crânio do vilão. Dia perfeito!

Ocorreu tudo como esperado. Comeram alegremente, falando sobre coisas aleatórias e teorias de como voltariam para seu tempo. Até que lembraram de algo que poderia funcionar se tudo no futuro estivesse bem.

− Howard, você já possui o depósito Stark não é?

− Sim, por que?

− Precisamos de algo que esteja perto tanto agora como no futuro. Boa ideia Natasha!

− O que vão fazer com meu depósito!?

− Calma, papai. Só fiz umas mudanças.

− Se deixarmos tipo... um bilhete em um local não mexido pelo Tony, provavelmente ainda estará lá e uma pessoa que nota mudanças físicas e temporais pode notar isso... – ela pensava em voz alta.

− Visão! – Steve entendeu aonde a ruiva queria chegar.

− Exatamente. Então ele dá um jeito de avisar ao Fury que terminamos por aqui e ele dá um jeito de nos levar.

− Perfeito!

− Wanda também – Natasha continuou – os dois juntos até poderiam conseguir esse feito mas não acho que ela saiba a extensão dos poderes ou que ele saiba que pode fazer isso. Quer dizer, tem horas que ele parece um tapado.

− O cara só é muito inocente, deixa ele.

− Só eu que estou boiando no assunto? – Howard estava confuso e Peggy negou com a cabeça – quem são Wanda e Visão?

− Colegas de equipe. Melhor não dar muitos detalhes.

− Essa torta está muito boa! Jarvis, porque não continuou fazendo isso depois que eu nasci? Acho um absurdo!

− B-Bom senhor... me desculpe então. Anotarei para continuar fazendo torta depois que o filho do Sr. Stark nascer.

Então ficou decidido que no dia seguinte iriam deixar algo no depósito de Howard para que Visão no futuro pudesse ver e os ajudar. O que não sabiam era que ele já estava trabalhando nisso mas precisava apenas de um sinal para saber se estavam vivos.

Após o almoço, Howard decidiu sair para algum canto desconhecido dizendo ser a negócios, claro que ninguém acreditava, mas não perguntaram o real motivo da saída. Steve e Peggy aproveitaram a tarde juntos. A todo tempo estavam na companhia um do outro, seja na piscina da casa ou na sala falando de coisas variadas. A felicidade dos dois em estarem juntos era extremamente notável.

Steve sabia que mesmo estando ali, ainda era um homem fora de seu tempo. Não importa quantas alterações no tempo pudesse fazer, não podia voltar atrás e ser quem deveria ter sido se aquele avião não tivesse parado no gelo e ele tivesse conseguido voltar a tempo. Apesar de estar ali, nunca poderia compensar Peggy pelo tempo que ficou longe. E isso o afligia. Nenhum abraço, nenhum beijo ou sorriso seria o suficiente pelo sentimento de abandono que ela sentira anos antes.

− Será que ele já pegou ela?

− O que? – Tony e Natasha não tinham muito o que fazer, então tentaram conversar civilizadamente e o assunto, para variar, era o capitão.

− Ele e a Peggy, será que já... – ele fez uma careta, fazendo sinal tosco com a mão.

− Já – a ruiva respondeu de forma seca, como se fosse obvio.

− Como sabe?

− Eles passaram 70 anos sem se ver, pelo menos pra ele foram 70 anos. E ele dormiu no quarto dela ontem. Acha mesmo que não fariam alguma coisa?

− Ele é muito inocente para isso... não, não acredito. Nosso Steve não pode ser homem ainda... preciso de provas.

− Meu quarto é do lado do dela. Escutei barulho a noite toda vindo de lá. E ainda se atrasaram feio hoje. Quer mais?

− Tudo bem, tudo bem. Nosso Stevinho virou homem. Ainda não creio – Tony tinha uma expressão assustada.

− Só espero que isso não mude muita coisa. Já atrapalhamos demais a história.

− Ele é o responsável da equipe, lembra? Ele é como o pai, você a mãe e o resto os filhos problemáticos – ele deu de ombros de forma neutra.

− Você o filho viciado, Wanda a gótica, Visão o inocente, Clint e Sam os palhaços. Thor e Bruce não contam pois foram embora.

− Thor seria o brigão, Bruce o nerd. Família variada essa hein, adorei!

− Só você mesmo.

Estava tarde da noite. Howard havia voltado e estava tramando algo. Natasha em seu quarto olhando algumas coisas em seu celular. Tinha fotos, vídeos, documentos importantes. Em sua galeria achou algumas fotos de Clint em vários momentos da vida. Quando se conheceram, da missão em Budapeste, quando ele apresentou a família a ela, quando as crianças nasceram. A dele empoleirado quando tinha ido vigiar Mjolnir, essa ela riu um pouco. Sentia falta de seu parceiro. Uma missão sem ele era quase como se estivesse incompleta.

Mais adiante na galeria achou algumas fotos cômicas de Fury e de Hill. Era o dia em que deixou o celular desbloqueado enquanto ia tomar banho, Clint o pegou e tirou foto de cenas exóticas que ocorriam na SHIELD. Fury de boca cheia, furioso, cuspindo tudo quando viu que estava sendo fotografado. Maria acordando, parecia mais uma assombração, pegando a arma e apontando para Clint. Sentia falta de como as coisas eram. Não que não gostasse da equipe, mas as coisas eram mais simples antes de tudo aquilo. Antes da brilhante iniciativa. Se Loki não tivesse pego Clint como macaco treinado, ela nem precisaria estar ali, afinal, só entrou nisso por causa dele. E acabou gostando e ficou. Se misturar com gente perturbada e problemática era seu hobbie.

Enquanto isso Tony apenas dormia profundamente, chegava a babar. Não tinha uma boa noite de sono assim há tempos.

No quarto de Peggy que as coisas estavam interessantes. Ela estava sentada no colo de Steve, o beijando, este que retribuía o beijo e segurava na cintura da mulher. Era algo intenso, urgente.

A cada segundo ficava algo mais sério. Eles queriam um ao outro, mas tinham que tomar cuidado, um movimento muito brusco poderia causar algum dano aos pontos na perna de Steve. Peggy segurava nos cabelos do loiro, passando as pernas cada uma para um lado do corpo dele. Ele por sua vez a segurou de forma firme, a puxando para si e colando os dois corpos.

A cada toque o desejo mais aumentava. Logo os dois estavam despidos consumindo um ao outro de forma prazerosa. Os pontos da perna não eram um empecilho tão grande como pensavam.

Sentiam-se felizes. Palavras não poderiam descrever tudo que ali estava envolvido. Ao fim de tudo, trocaram palavras carinhosas e acabaram por adormecer. Abraçados um ao outro como ansiavam a tanto tempo.