Not so different, After all
41 Hard for Both
Notas iniciais
~•~
❄️ Pov. Jack. ❄️
1 mês depois de sair de Arendelle.
~•~
–Rápido, todos vocês! — gritei a plenos pulmões para uma multidão de crianças e mulheres que não tinham como lutar.
Algo realmente errado está acontecendo aqui.
Estou em Berk, uma ilha ao extremo Norte da Noruega.
Na maioria do ano essa ilha é fria, assim como seus habitantes.
Vikings.
Mas o legal mesmo deles são seus bichinhos de estimação.
Algumas pessoas criam cachorros, gatos, passarinhos.
Mas eles? Eles não.
Eles criam dragões.
Como isso é possível? Bem, meu velho amigo é o culpado, a uns dois anos antes, antes de eu começar a namorar Elsa, antes de ela virar uma guardiã, antes de um monte de coisa, meu velho amigo encontrou um fúria da noite e o capturou, para mostrar aos outros que ele podia ser um Viking também, já que sua aparência não parecia em nada com a de um Viking, mas acabou não conseguindo o matar e tentou explicar para todos que os dragões podiam ser amigos, o que não acabou rolando tão bem quanto o esperado, a perna dele é uma prova disso.
Ou era uma prova disso, já que não está mais onde se deve estar uma perna.
Enfim.
Mas essa é uma longa história e eu não estou com todo esse tempo agora.
Um dragão passa por mim voando e jorra um jato de fogo ardente vindo em minha direção, mas um corpo se joga sobre mim me salvando de ser atingido.
–Qual é Jack! Eu te chamei pra você me ajudar — Diz saindo de cima de mim — não pra quase morrer queimado! Se é que isso é possível pra você... — ele estende a mão e eu seguro ficando em pé logo em seguida.
Alguns dragões nos cercam.
–Soluço, piadinha agora não é uma boa ideia. — digo formando gelo nas patas de alguns dragões.
–Não é soluço! Me chame de Hiccup, eu cresci se não percebeu. — ele diz desviando de jatos de fogo. — calma garoto... — tenta acalmar outro dragão.
–Mas não é a mesma coisa? — congelo um jato de fogo que ia bem na sua direção.
–É mas...
Corremos de outro dragão descontrolado e saímos da vista deles por um tempo.
–Cara, eu realmente não sei o que anda acontecendo com eles. — Diz Hiccup recobrando o fôlego.
Seus olhos verdes demonstravam cansaço e seus cabelos castanhos estavam colados na testa suada.
–Ninguém por aqui sabe. — concordo.
–Tem alguma coisa realmente estranha acontecendo Jack, eu estou fazendo de tudo pra manter os vikings e suas espadas longe dos dragões mas...
–Está meio difícil hein?
–É...
Um dragão completamente feito de fogo aparece do nada atrás de Hiccup e não eu não estava preparado para isso, mas seu jato de fogo é interrompido por um outro dragão, preto dessa vez, que o empurra e o manda para longe de nós.
–Banguela! — Hiccup grita aliviado e o abraça. — valeu amigão.
Banguela era o seu dragão, que de banguela não tinha nada, mas o nome deu certo já que ele fica banguela quando quer.
–Eu tenho sorte de o ter aqui — ele fala olhando para mim, mas se refere ao dragão. — muitos ficaram descontrolados...mas ele não.
Sorrio.
–É um bom garoto. — concordo.
De repente todos os dragões param, um silêncio descomunal se instala e eles olham para o horizonte, até mesmo o banguela, mas esse se contém e fica quando todos os outros dragões alçam vôo e vão em direção ao lugar onde estavam encarando, deixando uma ilha praticamente devastada para trás e muitos olhares curiosos.
~•~
Pov. Hiccup.
–Ah entendi — rio alto. — então Jack Frost agora está domado.
–Você vai apanhar. — Jack fala sério olhando para algum ponto no nada e eu rio ainda mais.
–Ah Jack, leva na brincadeira, ou ela tirou isso de você também? — Falo brincando.
Ele bate forte na mesa, com uma cara séria.
Você não a conhece!
–Desculpa... — peço diminuindo a voz e abaixando significativamente minha cabeça, não queria magoá-lo, não mesmo.
Ele suspira e senta-se na cadeira de novo.
–Tudo bem... Eu só... Me desculpa também, é que ficar longe dela está me deixando maluco. — ele cobre o rosto com as duas mãos e puxa de leve seus cabelos brancos para baixo.
–Eu entendo... já faz muito tempo que não vejo a Astrid, em um dia ela estava aqui e no outro, não estava mais. — suspiro eventualmente desenhando Astrid em meu caderno — procuramos por toda a ilha e fora, mas nada dela... Dois meses depois esses ataques começaram.
–Deve estar sendo bem difícil pra você. — ele diz cabisbaixo e me olhando de soslaio, eu vejo a pena transbordando em sua voz.
–É complicado.
–É.
Um silêncio se instala devagar e percorre barulhento pelo grande salão.
–Então — quebro o gelo — você disse que ia voltar por terra? Até Arendelle?
–Não totalmente por terra, voando, eu não irei usar o portal.
–Por que?
–Eu não gosto de portais. — disse sorrindo e pareceu se lembrar de algo, talvez seja alguma piada interna dele.
–Mas...
–E também por que algo me diz para ir pela floresta, preciso entender uns sonhos que venho tendo. — levanta e apoia-se em seu cajado.
–Não vou nem perguntar sobre o sonho por que sei que você nunca me conta, certo? — me levanto também.
–Lamento. — ele sorri irônico.
–Tudo bem — sorrio — acho melhor ambos dormirem.
–Eu fico de vigia essa noite.
–Tudo bem. — concordo. — troca de turno às 3?
–Pode deixar.
Me despeço dele e em meu caminho de volta para casa dou uma última olhada para trás, ele estava embaixo de um árvore segurando seu cajado e olhava diretamente para a lua e, por um segundo, eu podia jurar que o vi chorando.
~•~
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