Not so different, After all
59 Come With Me is Driving Me Crazy
Notas iniciais
Pov. Merida.
~enquanto isso~
De fios dourados, nosso universo foi formado.
Infinito vezes infinito vezes infinito, é tudo que somos.
Quando houver luz, talvez estejamos no caminho certo.
O fogo da lareira aquece a todos nós ali, naquela sala, respiro fundo sentindo o calor entrar perfurando minha alma e tomando conta de mim.
Olho para o lado, para onde Flynn ainda está, deitado e desacordado, no sofá.
Sentada no chão, de lado para ele, daquele jeito, quase desejei poder tocá-lo.
Céus! Ele era tão tocável, tocar em sua mão, cabelo, rosto.
Tudo nele parecia me chamar agora.
E não! Eu não estou gostando nada disso!
–Ei soluço, quando ele vai acordar? — Hiccup estava voltando para a sala com uma caneca de café com leite, que imaginei dentro do meu estômago, e parece que ele leu minha mente ou ouviu minha barriga porque ele me entregou a caneca e sorriu meio sem jeito.
–Já era pra ele ter acordado. — ele curva a boca, quase como um sorriso, só que de preocupação.
–Então — sorrio da mesma forma, mas mostrando os dentes e gesticulando com as mãos em dúvida. — por que ele ainda não acordou?
–Tenha calma, os remédios daqui não agem tão rápido quanto deveriam. — ele senta-se ao meu lado no tapete.
–Você não acha que seus pais vão brigar? Digo, por estarmos aqui na sua casa e bem... — abro a boca e fecho, sem fala, era coisa demais acontecendo.
–Não acho que eles iriam se preocupar. — ele baixa a cabeça e desvia o olhar.
–Mas...
–Você quer mais café? — ele pergunta sem me deixar continuar com esse assunto, e eu respeito. Mesmo a caneca estando completamente cheia.
–Não, obrigada. — suspiro olhando para Flynn.
–Então... — sorri levantando as sobrancelhas — Ele é o que seu?
Rio.
–Um encrenqueiro que conheci na estrada pra lugar nenhum.
–Adoro esse lugar. — sorri.
–Costumo ir pra lá as vezes. Na maioria delas, na verdade.
Rimos.
–O que houve com vocês? Digo — ele me olha e franze o cenho aproximando-se com curiosidade para ouvir a resposta, sério. — O que aconteceu para você querer ir a "lugar nenhum" e parar aqui dessa vez?
Abaixo minha cabeça, respirando um pouco mais denso que antes, olhando de soslaio, tanto para Flynn quanto para Hiccup.
Sinto minha garganta queimar e meus olhos arderem.
Sinto as lágrimas ameaçarem a queda livre pelo meu rosto.
–Eu...
Um murmuro vindo de Flynn no sofá me faz olhá-lo e ficar de joelhos ao lado do sofá, com minhas mãos apoiadas nele, o sofá.
–Merida... — Ele me chama, sussurrando, mas seus olhos ainda estão fechados, como se não os quisesse abrir e perder o fio da meada de o que quer que esteja acontecendo dentro dele.
–Ele me chamou... — viro minha cabeça um pouco e olho para Hiccup atrás de mim, quase tão confuso quanto eu.
–Merida... — continua, e suas palavras me fazem parecer que estou sendo sugada, como em um buraco negro, onde o chão não existe e eu posso sumir a qualquer momento — junte-se a nós.
Minha boca se entreabre e dou um passo para trás, quase ficando em pé, mas não fico, volto a posição de antes e dessa vez levo minha mão ao seu braço.
–Nós, quem? — indago e sua boca curva-se muito devagar, se tornando um sorriso, um que não pertencia a Flynn.
–Você saberá quando for o momento certo. — sua mão agarra meu braço mas não o aperta, não o bastante para doer, apenas o bastante para me assustar. — Eu sei que vamos nos dar bem, maninha.
~•~
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