Not gonna happen

1 Capítulo Único


“Ei, Cook.”

“Eu já disse que não.”

Eles já tiveram essa conversa ontem. E antes de ontem. E todos os malditos dias que estavam ali. Não iria acontecer. De jeito nenhum. Sim, Sanji era um pervertido, mas até pervertidos têm princípios.

Eles já estavam há tempo demais nessa pocilga que chamavam de prisão. Haviam combinado de se encontrar com o resto do bando em alguns dias, então só procurariam por eles quando não aparecessem no lugar marcado.

Eram apenas uma sombra dos piratas que costumavam ser. Trancafiados juntos numa cela tão minúscula e imunda, negados de suas necessidades mais básicas e ouvindo o deboche dos carcereiros a cada minuto. Ainda por cima, passavam a maior parte do dia de mãos algemadas nas costas, apenas podendo usar as mãos na hora das refeições.

Maldita ilha de merda, malditos cartazes de procurado, malditos caçadores de recompensas. Zoro o repreendeu por falar assim de um caçador de piratas, como se ele ainda fosse um, aquele imbecil.

Por falar no imbecil ele ainda estava o encarando teimosamente, como se Sanji não tivesse acabado de dizer que não e a conversa não estivesse encerrada. Sanji odiava o quão cabeça-dura Zoro conseguia ser.

O cozinheiro colocou sua perna comprida entre os dois para indicar a distância adequada em que deveriam ficar.

“Não há mais nada para fazer aqui, Cook. ”

“Não é problema meu. ”

“Você faz sozinho, seu pervertido idiota. Qual seria a porra da diferença? ” Zoro se aproximou ignorando sua perna e Sanji podia sentir o odor forte do seu corpo suado, Zoro ainda treinava diariamente mesmo preso.

“Porque você está imundo. ” E era verdade. Não que Zoro geralmente fosse limpo, sujo já era o estado normal dele. Mas ele estava excepcionalmente sujo ali naquela cela. O moreno estava até com uma barba rala, que quase nunca dava as caras. “E eu também. ” Acrescentou num tom definitivo.

Muito mais que o fato daquele brutamontes estar sujo, Sanji odiava estar sujo. Ele se orgulhava de ser o único homem naquele navio que tinha a decência de tomar banho todos os dias, mesmo que todos aqueles desmiolados argumentassem que não eram mulheres para fazê-lo. Como se precisasse ser uma mulher para ser limpo e cheirar bem. Talvez tivessem razão e ele fosse o único homem na face da Terra que não era um porco.

Ele odiava não poder fazer sua barba, que certamente estava horrível e nada combinava consigo mesmo, odiava estar usando as mesmas roupas suadas há tantos dias, odiava não poder tomar um banho nem qualquer coisa parecida. Odiava não poder lavar seus cabelos outrora tão bem cuidados, odiava sentir seu próprio cheiro e odiava a ideia de outra pessoa sentindo aquilo nele.

“Cook...”

“Estamos algemados, nem vale a pena tentar. ”

Zoro não parecia nem um pouco convencido. Sanji sabia que era praticamente impossível manter o marimo longe dividindo uma cela tão pequena com ele, e sabia que a paciência de Zoro estava se esgotando. Era um milagre que tivesse durado tanto, talvez apenas porque como apenas tinham as pernas livres Sanji estava sempre em vantagem em todas as brigas desde que chegaram ali.

“Não parece um problema pra você enquanto se esfrega na parede quando acha que eu estou dormindo. ” Zoro se aproximou ainda mais de si e Sanji desviou o rosto prendendo a respiração.

O que foi exatamente o contrário do que Zoro fez. O espadachim aproximou o nariz o suficiente para quase encostar em sua pele e o cheirou, enquanto Sanji sentia sua pele esquentar, seu rosto, suas orelhas, tudo.

“Eu não entendo sua frescura. ” Zoro rugiu enquanto afundava o rosto na sua pele exposta. “Você sempre cheira bem. ”

“Imbecil sem cérebro. ” Seu pé foi parar na garganta do moreno antes que se desse conta, com raiva pelo idiota conseguir envergonhá-lo com aquele tipo de coisa.

Zoro não pareceu se intimidar muito, já que talvez Sanji não parecesse lá muito ameaçador enquanto estava tão corado e encolhido na parede.

O espadachim apenas voltou para perto dele e encostou o rosto novamente na curva de seu pescoço, fazendo a barba roçar na sua pele, uma sensação que Sanji queria bastante odiar, mas era depravado demais para isso. Sua calça estava apertada apenas em sentir o hálito quente do moreno e ser arranhado daquela forma, e tudo apenas piorou quando a língua melada de Zoro resolveu provar sua garganta.

A lambida em sua pele o fazia ter consciência do quão sujo estava, do quão pegajoso e nojento e suado, mas mesmo assim não conseguiu deixar de derreter enquanto Zoro aproveitava para encaixar a coxa dele no meio das suas pernas.

“Só uma rapidinha...” Sanji gemeu enquanto a coxa era esfregada em seu pau confinado e carente. “E nem pense em me beijar. ”

Ele conseguia sentir o sorriso desgraçado do moreno sem precisar sequer ver seu rosto, e ficava puto por ceder e ser deixá-lo vencer uma competição de teimosia.

Mas ele deveria ter imaginado que nunca teve chance, negar um orgasmo era contra sua natureza, por mais sujo que fosse.

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