Notas iniciais
Hola, Mishamigos!
Haha
Primeira fanfic postada aqui!
Primeiramente, CONTÉM SPOILERS DO 11x23, então se não assistiu e não gosta de spoiler, recomendo que não leia.
Segundo, essa história já foi postada no social Spirit.
Bom, é isso! Nos vemos nas notas finais!

Uma bomba relógio programada para explodir a qualquer momento.
Era isso que Dean tinha em seu peito. Não era a melhor das soluções, mas era a única no momento. O sol estava morrendo, e junto com ele, seria o fim de toda vida na Terra. Dean não poderia deixar isso acontecer. Nunca! Era esse seu dever, não era? "Salvar pessoas, caçar coisas, o negócio da família"? Era esse o negócio da família, não era? Salvar as pessoas inocentes que nem ao menos tinham conhecimento de que "coisas" a serem caçadas existiam. Deixa-las seguras para seguirem suas próprias vidas como se nada nunca tivesse acontecido, e na maioria das vezes nem ganhar um "obrigado" em troca. Ao contrário, tudo o que conseguiam eram seus rostos estampados em todas as páginas policiais como se fossem eles o grande perigo. Mas isso não importava. Esse é o negócio da família. O mesmo que um a um matava todos aqueles que eram importantes para eles. Primeiro fora Mary, quando ele ainda era uma criança pequena e o irmão apenas um bebê. Anos mais tarde fora John. E funerais atrás de funerais rodeavam suas vidas: Ash, Jô, Ellen, Pâmela, Bobby, Kevin, Charlie... Pessoas boas, mas que fizeram a grande merda de se envolver com caras tão amaldiçoados como aqueles dois. Uma maldição que os cercavam desde a infância, e não teria fim até que todos daquela família estivessem mortos.
Mas para Dean aquele era o fim. Em seu coração havia uma bomba de almas prestes a explodir em questão de horas.
Não, aquele não era o fim que Dean pensava em ter algum dia. Apesar de sempre achar que já havia vivido demais para um caçador como ele. Mas morrer para impedir que o mundo todo acabasse não era tão ruim assim, era?
O que mais o preocupava na verdade não era isso. Pouco importava se teria mais algumas horas ou muitos anos de vida. O que lhe preocupava era o irmão. Samuel ficaria bem sem ele? Ora, o caçula já não era mais nenhum garoto, ele sabia se cuidar e Dean sabia disso. Mas Dean sabia mais do que ninguém o que era ficar sozinho. Depois dele, só restaria Sam vivo de sua azarada família. Céus e infernos estariam atrás dele, como sempre estiveram, mas desta vez estaria completamente sozinho. Seria a grande chance do mais novo largar tudo aquilo que nunca quis e ir enfim atrás de sua tão sonhada vida normal. Não era mais tão jovem, mas Sam sempre foi muito inteligente. Poderia voltar a estudar, se apaixonar novamente, construir uma família, ter filhos, cachorro, uma casa confortável longe de todas aquelas lembranças horríveis... Samuel podia ter um futuro. E isso já confortava o mais velho.
Sam saberia viver sem ele. E se algo desse errado, ainda teria Castiel.
Ah, Castiel...
O anjo que o havia salvado da danação eterna estava de volta. O anjo que enfrentara todos os tipos de criaturas, e até mesmo seus próprios irmãos para ajudar aqueles dois filhos da puta. Aquele que se rebelou, e passou de "o honrado anjo Castiel", para o seguido, perseguido e odiado Castiel, o que sempre escolhia os malditos Winchesters. O anjo que Dean tinha aprendido a admirar, a respeitar, a confiar, a... Não! Nada disso importava mais.
Com a cabeça perdida em seus devaneios, Dean se via agora diante do espelho, sozinho em seu próprio quarto, onde podia deixar com que todas as incertezas e medos fluíssem, onde não precisava mascarar toda a angústia contida em seu peito.
Mudara muito nos últimos anos. E não pensava isso por sua expressão cansada refletida á sua frente. Seu interior havia mudado. Tinha marcas demais por todo seu corpo, mas nada estava mais ferido do que seu interior. Ás vezes sentia falta de ser o Dean Winchester piadista e divertido de antes. Seus gostos eram os mesmos, mas havia um fardo grande demais em si. Perdas e desilusões completavam o conjunto. Seu irmão talvez não notara, mas Dean estava cansado demais. Cansado demais de perder pessoas, de ver tudo se destruindo aos poucos.
Olhava para o lado avistando seu objeto de desejo a alguns centímetros de distância. Esticou o braço e alcançou a garrafa sob a pequena cômoda ao lado de sua cama. Droga! Precisaria ir até a cozinha do bunker pegar mais uma, aquela também estava chegando ao fim... Assim como tudo em sua vida...
Quando seu corpo havia ganho tanta resistência ao álcool? Quase um litro de whisky consumido e ainda estava acordado e são. Ia despejar o resto do líquido marrom, quando ouviu batidas na porta.
Merda! Quando saira da sala, agora ocupada por uma bruxa, o rei do inferno, Cas e até mesmo Deus, havia avisado o irmão que queria dormir um pouco antes que tivesse que ir ao encontro de Amara. Apesar de Sam saber que tudo o que Dean queria mesmo era ficar sozinho. Era coisa demais para se processar.
— Entra. – Disse, enquanto colocava a garrafa de volta e observava a porta se abrir.
— Olá, Dean. – Diz Castiel em seu habitual tom grave.
Dean sorriu de canto ao notar como havia sentido falta de ouvir o anjo o cumprimentando assim.
— Cas! – Forçou um novo sorriso, se sentando na cama e batendo de leve no espaço ao seu lado, convidando o outro a sentar.
Cas entortou de leve o pescoço e fez uma expressão de confusão, entendendo só depois o gesto do maior. Abrindo um sorriso de compreensão e sentando tão próximo a Dean que seus joelhos se roçavam. O toque repentino fez o Winchester erguer seus olhos aos do anjo.
— Oh, desculpe! – Se afastou sem jeito, lembrando do que Dean sempre falava sobre "espaço pessoal".
O loiro não pode deixar de rir de leve com a falta de jeito do anjo. Tanto tempo que se conheciam e Cas não mudava nunca. Okay, tinha que admitir, Castiel estava mais centrado e muito mais humano do que o anjo que conhecera naquele galpão, mas Cas ainda era... o Cas. Desde que Amara havia mandado Lúcifer sabe-se lá pra onde, e Cas voltará a ser apenas o Cas, ele e Dean mal tiveram tempo para conversar. Deus, Amara, o sol morrendo, agora a bomba no peito de Dean... Era muita coisa de uma só vez!
Por um instante ficaram apenas em silêncio. Vez ou outra seus olhares se cruzavam, sendo desviados em seguida. Até Dean pigarrear, chamando a atenção do moreno.
— Como se sente, Cas? – Apertava seus próprios dedos. – Sabe, Amara não teve dó do seu receptáculo quando queria ferir Lúcifer. Sei que Chuck – fez uma pequena pausa, ainda estranhando a idéia de ter Deus, o próprio, sentado em algum lugar do bunker e quase morrendo. — ... Deus... o restaurou, mas mesmo assim...
Via Castiel o encarar franzindo o cenho.
— Dean. – Chamou a atenção do outro. — Eu estou bem. Melhor do que nunca, eu diria. Não se preocupe comigo. Se preocupe com você. – Pausou, parecendo procurar as palavras certas. — Essas almas em seu peito...
— Qual é, Cas? Não é a primeira vez que eu morro, você sabe melhor do que ninguém. – Riu sem humor.
— Dean... sabe que dessa vez... que dessa vez... não tem volta. Não sabe? – Manteve o olhar preso nas orbes esmeraldinas, que se desviaram rapidamente.
— É. – Abaixou a cabeça, apertando a palma da própria mão com tanta força que ao soltar viu manchas brancas surgirem. — Eu sei sim. – Voltou a encarar o anjo a sua frente, que não conseguiu aguentar o peso dos olhos verdes nos seus e virou o rosto. Suspirando em seguida.
— Sabe que não precisa fazer isso, não sabe?
— Ah, é? Então me diz outro jeito, Cas. Porque foi você mesmo quem disse que alguém que tivesse a tal "ligação" com ela fizesse isso. – Falou com sarcasmo na voz.
— Dean... – Cas suspirou.
— Não tem outro jeito, Cas. – Abaixou a cabeça e fechou os olhos com força. — Tá tudo bem. Relaxa.
O menor franziu o cenho novamente e balançou negativamente a cabeça.
— Droga, Dean! Como pode se importar tão pouco com a sua vida? – Ergueu o tom.
— Me fale outra maneira de acabar com essa merda então! – Se levantou já cansado daquela conversa. — Castiel, a porra do sol tá morrendo. A Amara tá matando. Se ninguém a parar logo, em pouco tempo todo mundo morre. – Passou a mão pelo rosto. — E você sabe muito bem que só eu posso fazer isso. – Se virou para fitar o anjo, e se deparou com Castiel á centímetros de distância, com uma expressão perdida no rosto. Sentiu um arrepio percorrer seu corpo com aquela proximidade.
Alguma força inexplicável não os deixavam se afastar. Os mantinham imóveis no mesmo lugar. Até Dean se afastar abruptamente e voltar a se sentar.
"Merda!" – Pensou o loiro. Já tinha problemas demais para lidar naquele momento para ter que se preocupar com aquilo que percorria seu corpo quando estava assim tão próximo do outro.
— Não... Não se preocupe comigo, Cas. – Falou com desdém. Pegou a garrafa que deixará de lado a pouco e se levantou, andando até o outro lado do quarto, sendo seguido pelo olhar do anjo. Tomou um longo gole, sentindo a costumeira ardência do líquido descendo por sua garganta. — Cuida do Sam pra mim? – Disse, vendo os olhos azuis o fitarem triste. — Por favor, Cas. Cuide dele como eu cuidaria. Não deixe que nada de ruim aconteça a ele. Por mim. – Viu o anjo abaixar a cabeça, impossibilitando a visão de sua expressão. — E Cas, se cuida. Vocês dois são a minha família. – Se aproximou. Tinha tanta coisa que queria dizer ao outro, tanta coisa presa em seu peito, tantos sentimentos confusos e palavras não ditas... E mais uma vez preferiu o silêncio. Erguendo o olhar e encontrando diretamente o do outro. Sorrindo de leve. — E obrigado.
— Pelo quê? – De novo a mesma expressão confusa.
— Por ter sempre permanecido ao nosso lado. Ao meu lado. Mesmo quando eu fui um tremendo filho da puta.
Castiel sentiu uma corrente elétrica percorrer cada fibra do -agora seu- corpo com o peso daquelas palavras. Queria saber responder como realmente se sentia. Mas era tudo novo demais para ele. Tudo confuso demais. Então deixou seu próprio corpo agir, puxando o Winchester pra um abraço.
Dean se assustou de início com o ato do outro, mas retribuiu em seguida, apertando o corpo menor com o seu, deixando suas mãos fazerem um carinho sutil nas costas cobertas pelo sobretudo.
— Eu faria tudo de novo. – Castiel sussurrou próximo a orelha do outro, fazendo todos os pêlos do pescoço do caçador se arrepiarem e seus olhos marejarem. Dean foi afastando o rosto sem desfazer o abraço que os envolvia, e se deixou olhar a face do anjo. Estavam mais próximos do que nunca, e Dean não se incomodava com isso. Seus olhos se encontraram e deixaram-se desfrutar da visão um do outro. Verde no azul. Os esverdeados se desviaram e se fixaram em outro ponto. Os lábios rachados e rosados do anjo. O anjo não esboçava nenhuma reação, só sustentava o olhar, começando a fazer o mesmo que o loiro.
— Dean. – Proferiu o moreno.
Dean abriu os lábios, mas nenhuma palavra saiu. Deixando apenas o aroma alcoólico do whisky chegar até Castiel. Seus lábios próximos como nunca tinham tido a liberdade de estar.
— Dean? – Batidas leves na porta foram ouvidas e ambos se afastaram abruptamente. — Tá acordado? – Ouviram Sam chamar e abrir a porta em seguida. — Chuck disse que está na ho... – Entrou falando, e parou quando sentiu o clima pesado e tenso no ar. Dean estava de um lado com a cabeça baixa e Castiel do outro com uma expressão parecida. — Aconteceu alguma coisa?
Castiel ergueu a cabeça, fitou o outro e abriu a boca deixando as palavras morrerem no ar quando desistiu de falar e optou por sair pela porta entre-aberta.
— Tá tudo bem, Dean? – Perguntou, notando que o irmão não se mexia desde que entrara. — Dean?
— Ãh? O que? Claro. – Respondeu sem ter ouvido uma palavra que ele havia dito. Vendo Sam balançar a cabeça em reprovação.
— Vamos! Chuck disse que precisamos ir agora. – Disse, ignorando a confusão do irmão e andando em direção a saída.
— Tudo bem. – Respondeu enfim. — Eu já vou. – Sam revirou os olhos e saiu. Deixando Dean sozinho novamente.
— Deus! – Disse para si mesmo ao se sentar na cama. Sua cabeça ia explodir de tantos pensamentos juntos e seu coração... Ah, era capaz daquela bomba explodir agora mesmo só pela velocidade que ele batia naquele momento. Ia mesmo fazer aquilo? Ia mesmo beijar Castiel? Sentia seus pêlos se arrepiarem só com a lembrança de seus corpos tão próximos, a visão dos lábios de Cas tão próximos dos seus... Droga! Não podia pensar nisso. Todo esse bolo de sentimentos que envolvia tudo o que sentia pelo anjo do sobretudo sujo já não era novidade para ele. Mas não podia deixar se levar. Daqui a algumas horas estaria morto e nada mais importaria. Afastou aqueles pensamentos, pegou sua jaqueta e bateu a porta ao sair.

Os ponteiros do relógio não paravam de girar. O tempo estava cada vez mais escasso. Com o sol quase se apagando de vez, chegava a hora do grande plano. Aquele que poderia salvar de vez a humanidade do fim. Ou não. Tudo era incerto. Menos a certeza de que esse era o fim da linha para o Winchester.
Para Dean não haveria amanhã. Castiel não poderia resgatá-lo. Sam não poderia fazer um trato por ele. E Deus estava fraco demais para ajudar.
Chegava o momento da despedida. Cemitério de Lawrence, Kansas. Onde tudo tinha começado, agora tudo chegava ao fim. Dean queria se despedir de sua mãe antes de partir. Mesmo que fosse apenas simbólico, mesmo sabendo que era apenas um túmulo vazio, ainda assim era o mais próximo que poderia chegar daquela que tinha lhe dado a vida. E ali ele diria adeus á todos aqueles de alguma importância em sua vida.
Dean fitou o irmão por um momento. Sam estava destruído. Sua expressão mostrava isso. Dean era toda sua família. Tudo o que lhe restava. E agora lhe tiravam isso também. Não era justo. Nem um pouco. Dean podia ler cada um desses pensamentos nos olhos do caçula. O que sentia não era diferente. Tinha medo do que o aguardava. Tinha medo do que aguardava o irmão após tudo aquilo. Tinha medo. Mas não podia deixar aquilo transparecer, não agora. Então fez o que sabia fazer de melhor, disfarçou toda a angústia que o perturbava com piadas e gracejos. Queria fazer o irmão acreditar que estava tudo bem. Mas Sam o conhecia. Aquela despedida não seria fácil para nenhum dos dois, ambos sabiam. E foi com um abraço que o Winchester mais novo pode sentir tudo o que o outro lutava para esconder.
— Tudo bem, Sammy. – Diz Dean dando tapinhas no ombro do irmão e desfazendo o abraço. — Tudo vai ficar bem. – Forçou um sorriso de canto, tentando confortar o outro.
— Vai sim, Dean. – Não ficaria. Mas eles precisavam se enganar com isso.
Desfazendo o falso sorriso, Dean se afastou, tentando distrair sua mente foi até Chuck que se encontrava encostado no impala junto á Rowena.
— Como se sente?
— Nada bem. – Responde Chuck cabisbaixo. Sendo má ou não, Amara era sua irmã e eles teriam que acabar com ela para que ela não acabasse com o mundo, toda sua criação.
— Dean. – Sentiu uma mão apertar de leve seu ombro. Quando se virou para fitar o anjo, foi surpreendido pelos braços do moreno o puxando para um abraço desesperado. — Eu vou cuidar do Sam. – Disse com a voz quebrada com os lábios próximos a orelha do caçador. Apertava com um pouco mais de força o corpo do outro em um toque carinhoso. — Eu prometo! – A última frase saiu em sussurro, tão baixa que só Dean pode ouvir.
Havia muita dor naquelas palavras. Dor por terem a consciência de que era uma despedida. Dor que transparecia nos dois corpos, num abraço diferente dos outros já trocados entre os dois.
— Eu confio em você. – Os lábios do loiro estavam tão próximos que rossavam a orelha do anjo, fazendo um arrepio percorrer seu corpo. O caçador afastou o rosto o suficiente para que os dois se encarassem, mas sem afastar seus corpos.
— Eu poderia ir com você. – Sugere Cas com um quase sorriso no rosto.
— Não! – Respondeu exaltado. — Não, não, de forma alguma, Cas. – Afirmou com a voz dura, vendo o anjo abaixar a cabeça com um semblante triste. — Hey Cas, não fica assim! – Tocou o rosto do anjo, fazendo-o encara-lo. Quando os dois olhares se encontraram, o peso das palavras jamais ditas caiam sobre os dois. Havia tanta coisa a dizer, mas que ninguém sabia como começar. Mas essa era a única chance, a última. Dean tinha consciência disso. Então deixou que seus sentimentos falassem por ele pela primeira vez ao tocar os lábios do anjo com os seus.
Fora apenas isso. Um breve toque dos lábios, e o caçador afastou o rosto esperando a reação do outro. O anjo não havia recuado nem um centímetro. Continuava parado fitando Dean. Os olhos azuis presos aos verdes.
— D-Dean...
— Shii... – Tocou os lábios do outro com a ponta de seu indicador. — Não fala nada. – Voltou a se aproximar. A pouca distância se tornando ainda menor. Os olhares se cruzavam e se desviavam. — Não agora. – Já não podiam continuar com os toques fantasmas, dando início a um beijo calmo.
Seus lábios se tocavam timidamente, buscando com tranquilidade por mais do outro. A boca de Dean procurava por um contato maior, deixando sua língua pedir passagem ao tocar a boca do anjo que cedeu instantâneamente. As duas línguas se encontravam e exploravam o calor uma da outra, queriam sentir mais daquele sabor, daquele toque, trocados inúmeras vezes por olhares antes de enfim se deixarem levar por aquele desejo.
— Esses garotos... – Chuck comenta com um sorriso fraco nos lábios, chamando a atenção de Crowley e Rowena que trocavam provocações entre eles e não tinham notado o casal próximo deles.
Sam apenas observava com um sorriso. Não podia acreditar que enfim estava vendo isso. Seu irmão era tão constipado com seus próprios sentimentos e o amigo tão lento que pensou que nunca sairiam das encaradas sem fim que sempre trocavam.
— O esquilo e o anjinho? Olha! Quem diria?! – Comentou Crowley alto em um tom provocativo.
Talvez os dois tenham ouvido as piadinhas do rei demônio, mas não se preocupavam com isso. Estavam ocupados demais.
Os dedos do anjo bagunçavam os fios curtos e loiros do caçador, os puxando de leve. Enquanto tinha sua cintura apertada pelas mãos do Winchester em um sutil carinho. Só se separavam para buscar por ar e voltavam a procurar pelo outro.
Não era só mais um beijo. Era o desejo contido dos dois por tanto tempo, que estavam realizando só agora. Um beijo necessitado e desesperado, que ambos sabiam ser o primeiro é o último. Tentavam não pensar nisso, mas sabiam que estava chegando o momento de dizerem adeus.
— Desculpe interromper o momento dos pombinhos, mas o tempo está acabando, sabiam? – Diz a ruiva, levando uma cotovelada do baixinho rei do inferno em seguida. — O que foi? Ele vai explodir! – Torceu o nariz.
O anjo segurava o rosto do Winchester entre as mãos, na intenção de interromper o beijo. Não queria, mas a bruxa estava certa. Mas tudo o que conseguiu foi agarrar ainda mais o pescoço do outro quando sentiu a mão curiosa do caçador descer da sua cintura até a carne de suas nádegas e apertar levemente, tendo um curto gemido abafado pelo beijo e um risinho malicioso por parte do Winchester. Mordiscando de leve o lábio inferior do menor, Dean parou o beijo, mantendo as duas testas juntas e os lábios ainda próximos.
— Se você soubesse há quanto tempo eu queria fazer isso... – Murmurou, selando mais um beijo.
— Dean... – O anjo acariciava o rosto do maior com um olhar triste. Sabia que Dean teria que ir agora e dessa vez não teria volta.
— Shii... Não precisa dizer nada, Cas. – O loiro sorriu beijando uma última vez o anjo e se afastando depois.
Dean foi até o irmão e o abraçou sem dizer nada.
— Cuida dele, Sam. – Disse ao se afastar.
Castiel foi para o lado do Winchester mais novo e Dean para próximo de Chuck.
Era o momento!
Dean sorriu para Castiel e em seguida para o irmão. Um estralar de dedos foi ouvido e como se nunca estivesse estado ali, Dean sumiu.
Castiel e Sam se entre-olharam e um sorriu minimamente para o outro. Ambos estavam destruídos, em pedaços, haviam acabado de perder uma pessoa muito importante, e isso doía como o inferno, mas havia uma promessa a ser cumprida e eles se manteriam fortes por ela.

Notas finais
E ai? Gostaram? Falem pra Bea o que acharam!
Beijos e até a próxima.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!