Minha irmã bem que tentou, mas hoje ela não conseguiu. Eu não me coloquei de pés, mas não foi por causa da falta de tentativas. O que? Não, não, não foi por preguiça, apatia ou pelo frio que não existia. Eu me senti estranho essa manhã, eu acordei mais cedo que o normal, mas não consegui levantar.

“Kyon-kun você está se sentindo bem? Acho que você está com febre. Vou chamar a mamãe...”

Então era isso, meu corpo e cabeça estavam bem pesados. Eu não consegui sair da cama. Eu estava realmente mal.

Sinceramente, eu nunca fui de ficar doente, muito menos de cama, por isso fiquei um pouco preocupado…Entretanto pensei numa solução rápida: era só chamar Nagato e tudo poderia se resolver...Apesar de refletir sobre isso, quando minha mãe me trouxe café da manhã na cama e minha irmã passou a me tratar mais gentilmente que o normal, eu devo dizer que podia passar por esse incidente da forma normal.

Minha mãe chamou um médico até minha casa e assim que ele me examinou, falou:

“Está tudo bem, é só uma virose...” – Em resumo, tudo o que não sabemos o que é...é uma “virose” – “Nessa estação estamos tendo alguns problemas com isso, mas não é nada que vá contagiar o restante da sua família. Aparentemente, esse vírus é bastante seletivo. Uns 5 dias de descanso e você vai ficar bem...” — Vírus seletivo? Por favor, seja um vírus terrestre...

Aquela era uma quarta feira. Isso quer dizer que vou ficar em casa até domingo. Se eu estou triste? Lógico que não! Tenho obrigatoriedade de descansar por 5 dias! O que poderia ser melhor, apesar dessa dor no corpo...

“Irmãzinha seu irmão mais velho, está precisando de um chá bem quente e alguns biscoitos.”

“Claro! É pra já!”

Mas nem tudo era festa. Minha mãe não podia faltar ao serviço. E minha irmã vai para escola. Isso quer dizer que eu ficaria jogado na minha cama a manhã inteira e até parte da tarde. Ah...sem serviço de quarto...

Após avisar a minha escola, minha mãe deixou uma comida semi-pronta na cozinha e saiu com minha irmã.

Eu fiquei jogado na minha cama, esperando a hora do almoço chegar. O que mais eu podia fazer?

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Já se passavam das 11:00 da manhã quando a campainha da minha casa tocou...Provavelmente seria algum vendedor ou coisa do tipo. De qualquer forma, me levantei um pouco cambaleante e fui em direção à porta.

Ao abri-la eu quase caí de costas no chão...Era ela, cabelo levemente curto, fitas amarelas, sorriso brilhante, o uniforme do colégio do norte, a fonte dos problemas universais, o maior de todos os perigos para o mundo, meu carma...Suzumiya Haruhi...

“E então você vai me deixar entrar ou vai ficar com essa cara de idiota?”

Quanta doçura nessas palavras Haruhi-san...Mesmo se eu dissesse que “não” você entraria de qualquer jeito, não é?

Meu breve silencio pareceu uma permissão ou uma concessão, pra ser mais exato. Logo ela invadiu minha casa.

“O professor avisou que você estava doente e como sua líder, eu tive que ver com meus próprios olhos se você não estava inventando desculpas para matar aula...”

Por que diabos eu faria isso? Eu caminhei vagarosamente e me deitei no sofá da sala.

“Você parece péssimo mesmo...Onde estão seus parentes?” – Comentou Haruhi após me dar uma olhada da cabeça aos pés.

“Minha mãe não pode parar de trabalhar e minha irmã foi para escola”

“E por quantos dias você vai ficar de molho?” – Ela falou enquanto se sentava em outro sofá...

“5 dias” – Falei já um pouco incomodado. Mas como sempre Haruhi, não percebeu ou não quis perceber minha ligeira irritação.

“Então é isso, eu vou cuidar de você durante o restante dos dias da semana” – O que? Se eu estivesse com algum líquido na boca, provavelmente o estaria cuspindo neste momento, bem naquele maneirismo típico das reações exageradas.

“Ei! E a escola, você vai matar aula?” – Falei enquanto tentava me colocar de pés.

“Lógico, tem outro jeito? Mas não se preocupe, eu não tenho problemas de notas igual a uma certa pessoa que conheço...” – Tsc...Bom ponto...

“Não precisa fazer isso eu já estou melhor, está vendo?” – Enquanto eu falava isso, não pude deixar de cair de volta no sofá com uma súbita fraqueza...

“Idiota, olha o seu estado...Me mostre onde fica a cozinha e os ingredientes pois eu vou fazer o almoço. Você precisa de uma comida forte e revigorante...Depois, volte para o sofá e descanse.” – Ela falava isso como se fosse a coisa mais normal do mundo. Bem, o que eu podia fazer? Sempre que Haruhi enfiava algo na cabeça, nada e nem ninguém conseguia frear seu trem desgovernado. Yare Yare...

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Eu liguei a TV e fiquei deitado, enrolado em algumas cobertas, enquanto Haruhi estava na cozinha. Pra falar a verdade, eu não consegui me concentrar na programação que passava na minha frente, pois meu olfato estava intrigado com o interessante cheiro que vinha da cozinha.

Eventualmente Haruhi voltou a sala e me disse:

“Acho que você deve tentar dormir um pouco...Assim que o almoço estiver pronto eu acordo você” – Ela então desligou a TV…

“Ei! eu estava vendo...”

“Se você ficar se concentrando na televisão, não vai conseguir dormir. Agora vamos, feche os olhos...” – Tch...sempre ordenando os outros...

Enquanto eu reclamava mentalmente, senti alguma coisa leve, macia e fria tocar minha testa. Com o susto, abri os olhos rapidamente, era Haruhi que estava com as mãos sobre mim. Pra que isso?

“Eu tenho que ver como está sua febre, não fique pensando em bobagens.” – Eu não estava, eu acho. A frieza das mãos dela era referente isso...

Após alguns minutos de descanso forçado, Haruhi me acordou de forma inesperadamente gentil. Talvez até ela tenha esse lado bonitinho...

Arrastando-me até a cozinha, sentei à mesa no canto oposto ao de Haruhi e começamos a comer. Ela ficou me olhando de forma inquisidora enquanto eu provava a primeira porção. Era óbvio que ela queria um feedback, mas eu não queria providenciar um. Ok...ela continuava me encarando...

“Isso está incrível!” – Eu falei isso alto? Saiu naturalmente, mas foi sem querer...E era verdade, minha reação foi espontânea pois eu não acreditei no que tinha entrado na minha boca. Agora, você pergunta sobre o “por que” de eu não querer admitir isso...

“É claro que sim, afinal você não deveria ter dúvidas das minhas habilidades culinárias, certo?” – Ah essa falta de humildade pungente.

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Após o almoço eu apaguei novamente, então não sei de nada que aconteceu. Ao acordar, minha irmã já se encontrava em casa e me trouxe um lanche e um bilhete.

“Vou deixar você dormir para se recuperar logo.

Eu deixei um lanche em cima da mesa, não o desperdice...Até amanhã!”

Até os bilhetes de Haruhi são ríspidos. Minha irmã me questionou...

“De quem é esse bilhete Kyon-kun?”

Eu podia mentir dizendo que não sabia, mas com certeza não era de um ladrão que adentrou a casa enquanto eu dormia. Nesse caso falei a verdade...

“É da Haruhi”

“Uhn...Haru-nyan veio aqui em casa só pra deixar lanche para você?...que romântico!”

Essa minha irmã deve estar crescendo mesmo. Mas você ainda precisa aprender muito querida, não existe romantismo e Haruhi na mesma sentença. Ela só está sendo ela. Cuidando de mim para depois me explorar ao máximo. Ah e já que você interpretou tão mal esse bilhete, não vou falar mais nada...

Logo após, minha mãe chegou em casa. Depois de me verificar, ela desceu e em pouco tempo ouvi outros questionamentos:

“Quem esteve aqui Kyon-kun? Você fez comida sozinho?” – Tch...esqueci desse detalhe...Comecei a pensar na mentira que eu ia inventar, mas e se ela me pedisse pra eu ensinar ela a cozinhar aquilo? O que eu faço? — “Ah tem um bilhete aqui...” – Por favor, Haruhi pare de deixar bilhetes por ai, alguém vai nos mal interpretar. Logo minha mãe chegou ao meu quarto novamente...

“Então Kyon-kun quem esteve aqui? O bilhete não tem assinatura” – Quando eu ia abrir a boca...

“Foi Haruhi-nyan mamãe, ela uma amiga do Kyon-kun, aquela de quem ele fala toda hora...” – O que é isso? Um complô contra mim?

“Uhn...Kyon-kun por que eu não conheço essa sua amiga?” – Eu poderia citar uma centena de motivos para isso. Primordialmente, eu prezo pela segurança da minha família...

“Estranho né? Eu não sei por que, acho que nunca deu certo de vocês se conhecerem” – Nem eu acreditei nessa falácia...Minha mãe nunca foi de se preocupar com esse tipo de coisa. Entretanto, dessa vez, ela não me deixou escapar impune...

“Ligue para ela então, e chame-a pra jantar conosco hoje...” – Isso é uma ordem? Ou eu tenho direito de escolha?

“Acho que ela tem alguma atividade a noite, provavelmente ela não vai poder vir. Além disso, eu estou cansado demais para ligar para ela...” – Falei com um leve descontentamento...

“É isso? Então eu ligo, me dê o número...” – Sigh...Não sei o que deu na minha mãe, mas ela pareceu estar um pouco mais feliz que o normal...

“Está aqui...” – Falei enquanto gemia um pouco. Hora de concentrar os pensamentos negativos para Haruhi recusar essa oferta...

Minha mãe sacou o celular do bolso e começou a discar o número na minha frente, enquanto me encarava...

“Alô, é a Haruhi-chan? Ah é ela? Aqui quem fala é a mãe do Kyon-kun. Isso, você poderia vir jantar aqui hoje? Sim...Não se preocupe, já que você cuidou de Kyon-kun é o mínimo que posso fazer...” – Oh Deus, ela aceitou, agora minha mãe vai ter certeza de que estou fazendo besteiras na escola...

Notas finais
Essa mãe do Kyon tem potencial,kkkk. De qualquer forma, eu não sei por que, mas não imagino Kyon tendo um pai. Eu lembro de haver alguma citação sobre ele ter um pai, mas acho que foi tão mínima que minha impressão permaneceu...