Not Today

1 Prólogo


Notas iniciais
Bem, aí está o começo do desafio. Obviamente, um universo alternativo do começo de um apocalipse zumbi.

2045, 2 de Junho

Somos cinco. Há centenas de milhares deles lá fora. Um mol e tantos deles fora dessa bosta desse barraco que achamos. Somos miseráveis, desgraçados por ainda estarmos vivos. Queria muito ser um desses desmiolados porta afora.

Avisaram sobre o apocalipse zumbi, mas ignorei os telejornais, revistas, familiares. Zumbis, hah... Agora, tô coberto até o pescoço de um monte de gente que já deveria ter parado de respirar. Até sei que não vou sobreviver. Vou morrer pelos zumbis ou pela ogiva que vão jogar na minha cabeça em uma semana. Faz quase três meses que estou preso na cidade. Não há outros sobreviventes além de nós até onde eu sei. E escrever essa merda vai ser muito inútil mesmo; minhas palavras e últimas memórias escritas vão virar poeira e serão lançados aos quatro ventos. Uma bosta.

Mas o que custa tentar...? Beleza, meu nome é Gilbert Beilschmidt, vinte e sete anos, ex-copeiro de um bar de esquina. Já fui soldado, me lasquei todo em bebida, drogas, armas e mulheres. E aí não me sobrou dinheiro algum pra pagar aluguel. Fui despejado de casa e morei nas ruas. Fui preso umas quinhentas vezes.

Eu sempre achei que alguma força superior tinha armado pra mim. Tipo "olha aquele garoto, vamos foder com a vida dele". E aí eu nasci albino, minha mãe morreu de alguma doença lá, meu pai não tava nem aí pra mim depois disso e decidi viver minha vida.Fiz muita merda quando adolescente, vadiava sempre que podia.

Mas sempre fui foda pra caralho, então sobrevivi até então.

Quando me disseram sobre a epidemia, nem liguei muito. Que coisa idiota, um apocalipse zumbi. E Jesus mano iria voltar pra Terra montado num velocirraptor robô, é... Ainda me lembro bem do dia em que descobri que a escrotice no mundo havia alcançado um novo nível. Era noite e eu estava no hospital da cidade depois de uma briga feia no bar. Eu dividia o quarto com outro paciente que havia morrido misteriosamente havia poucos minutos. Três médicos tentavam fazer alguma coisa, massagem cardíaca, sei lá. Só sei que desligaram as máquinas que verificavam os batimentos cardíacos com aqueles apitos e deixaram o cara lá para remover o corpo depois.

Enquanto isso, tentava puxar conversa com a enfermeira, que me mandou tomar em certos lugares de maneira bem hostil. E me deixou lá com o Zé Defunto. Cutuquei o machucado no meu pulso e acabei chiando um pouco de dor. Foi um cortezinho bem ousado, até. Pouca gente tinha pica pra me peitar daquele jeito. Tipo, de vir pra cima e me levar pro chão num vale-tudo louco mesmo!

Chutei as cobertas da minha maca pra esticar os meus pés, quando percebi que o cara do meu lado havia voltado a se mexer de novo. Ele levantou meio zonzo e caiu pro lado. Até perguntei se o cara tava bem, mas ele nem me respondeu. Só fez um "aahn" pra mim e se levantou. Aí ele vacilou algumas vezes e cambaleou na minha direção. Achei que ele estava me estranhando, quando eu me lembrei que era para ele estar morto. E, do nada, ele avançou de mãos estendidas pro meu pescoço.

Desviei do abraço carente do estranho e caí da maca de bunda no chão e tudo. Tentei dar uma voadora dessas de filme nele, dois pés no peito e "timão eô" total. Ele voou um pouco pra trás mas se levantou de novo. Sem paciência, dei no pé.

Abrindo a porta do quarto, gritos por toda a parte. A diversão estava apenas começando. E eu? Era apenas mais um doido no meio de uma loucura generalizada.

Notas finais
Reviews são legais e o autor curte uma palavrinha ou outra. Abraços do titio.