Not Today

4 Capítulo 3 — A Alvorada da Nova Ordem


Notas iniciais
Terceiro capítulo saindo meio que do improviso. Se bem que já faz MUITO tempo que eu não atualizo as minhas coisas, DESCULPA, TÁ?

— Fecha logo essa porta!

Dois jovens homens corriam para dentro de uma casa, seguidos por uma extensa horda de mortos. O loiro foi o último a entrar, com o moreno já próximo da porta a ser fechada e barricada pelo pesado armário.

— Droga. – murmurou António enquanto limpava o suor da testa. – Dessa vez quase pegamos o “Fantasma”.

— Pois é… – respondeu Francis. Ambos repousavam recostados à grande mesa da sala da casa. – Cara. Eu nem sei porque a gente ainda tá tentando pegar esse desgraçado.

— Pra sair dessa cidade, caramba. Os militares estão pedindo ele em troca de um transporte.

— E o que você acha que eles vão fazer com a gente assim que estarem em poder desse tal “Fantasma”? Vamos ser mortos na hora, Toni. – O francês acendeu um cigarro, rara iguaria naquela cidade abandonada. – Não ofereceremos nada a eles além da ameaça de transmissão de um vírus zumbi. Podemos estar vivos agora, mas talvez estejamos encubando-o.

— Droga… Então não tem jeito mesmo, né? – o espanhol procurou Francis em seus olhos azuis, quase serenos. Implorava por uma resposta positiva a qualquer custo.

— … Não. Perdão, Toni. Não devíamos ter ficado pra trás.

Dois suspiros; um de cada canto da sala. Tantos assuntos a serem resolvidos, tantos anos para viver, tantos “adeuses” que queria dizer…

— Talvez… – o moreno balbuciou – Talvez, se reuníssemos mais sobreviventes… Mostrássemos que ainda há civis o suficiente para não sermos todos mortos! Temos que tentar, cara.

O francês ergueu a cabeça momentaneamente, pensando na recente sugestão de seu amigo e relendo-a de diversas maneiras. – Não é uma má ideia. Na verdade, qualquer coisa é melhor do que simplesmente ficar sentado, esperando a morte chegar. Mas o problema é convencer as pessoas a cooperarem.

Francis Bonnefoy. Ex-médico do exército, e garçom de um bar. Filho de uma família abastada e de renomados doutores. Trabalhava no dia da evacuação com António Carriedo Hernandez, ex-fuzileiro e barman do mesmo bar. Filho de humildes imigrantes espanhóis, donos de uma pequena mercearia na cidade.

— O jeito é esperar por amanhã. Logo vai ser noite, e andar por aí no escuro não é seguro. Aí procuramos por mais sobreviventes. – Antes que António pudesse terminar a frase, um grito ecoou pelas ruas (quase) desertas. Um grito de uma mulher que o moreno podia reconhecer com certa facilidade. – … Emma?

— Quê?

— A minha namorada…! – O espanhol rapidamente alcançou sua espingarda e abriu a porta da casa onde estavam entocados. – Vem logo, Francis!

Sem entender direito o que estava acontecendo, o loiro simplesmente imitou o espanhol, pegando sua arma e seguindo-o porta afora. Teriam que ser rápidos.

De longe, podiam ver a jovem jornalista sendo alcançada pelos zumbis, vindo da direção do centro da cidade.

— Alguém…! Preciso de ajuda!

— Emma! Aqui! – Os dois homens acenavam quase que ao mesmo tempo.

A mulher forçou-se a correr mais, desafiando seus limites físicos, mas finalmente entrando na casa a salvo. Francis e António dispararam rojões na direção da horda, despistando-os e fechando a porta novamente.

Os três sobreviventes suspiraram aliviados, mas António foi o primeiro a se pronunciar.

— Emma, o que você tá fazendo aqui?

Muito abalada, a belga não reagiu.

— Espera, Toni. – o francês interrompeu, entregando a garrafa de água que estava sobre a mesa à mulher. – Acalme-se e respire.

— A Erzsi…! Ela foi mordida!

§

— Por que continuamos nos encontrando? – O homem se levantava, descartando a seringa usada desleixadamente. Olhou pela janela da porta da pequena sala escondida. Checou a temperatura da mulher, que mal respirava direito. – E você ainda se vangloriava de ser forte. Bom... A gente ainda se vê por aí.

Com um semblante sério, o homem cobriu-se novamente e trancou a porta.