Not Ready To Die
5 O ''possível'' encontro
Notas iniciais
Brian POV
Acordei no tapete da sala, com Pinkly dormindo nas minhas costas. Eu não lembrava de muita coisa da noite anterior... só lembro de eu estar de madrugada lá no Johnny's com alguém... alguém? Quem seria esse ''alguém''? O fato é que eu estava bebâdo e não me lembro de nada.
Pinkly estava lambendo meu rosto e aquilo fazia cócegas. Me levantei e fui até a cozinha pegar uma xícara de café e remédio pra ressaca. Provavelmente hoje teríamos ensaio e provavelmente eu não ia. Sei lá, eu precisava de um tempo para pensar em mim, pra pensar se era aquilo mesmo que eu queria, pensar se eu devia continuar, eu precisava de um tempo pra renovar as idéias. Quando meu celular tocou e eu estava longe dele. Saí correndo para atender.
- Alô? — eu disse com um tom não muito animado.
- Brian? É a Stephanie...
As lembranças me invadiram e logo lembrei que era o... alguém.
- Ei, como você tá? — perguntei tentando melhorar meu tom de voz.
- Eu tô bem... ou melhor, tentando. — seu tom de voz não era um dos melhores. Aquilo logo me preoucupou... — E você?
- Ah... eu... tô do mesmo jeito de sempre. — falei um pouco gaguejando. Eu tenho que parar de falar isso. — Os dias passam, você finge que tá bem... aí depois você mesmo começa a acreditar nisso, por isso, nem ligo ou me preoucupo mais...
Escutei ela rindo sem graça e ficamos em silêncio por um tempo.
- Você... tem planos para hoje? — sim, eu estava sem graça.
- Hoje não, haha...
- Você... ér... quer, sair comigo hoje? — pela primeira vez, fiquei com medo de um ''não.''
- Claro! Hoje ás 20hs, pode ser? E o restaurante o senhor escolhe hahaha. — eu sorri na hora. Eu me sentia bem com ela...
- Não sou muito bom em escolher restaurante ou qualquer coisa, se é isso que você tá pensando, hahaha. — dei uma risada.
- Confio em você, Syn. Vejo você mais tarde.
- Tch... — quando percebi, estava falando sozinho.
Desliguei o celular e fui ver quem batia na porta. Adivinha quem era? Sim, era o Zacky, vulgo bolo fofo.
- Fala Sonic. — ele disse entrando e se sentando no braço do sofá.
- Fala peso de porta. O que você quer?
- Nada, eu tava andando por aqui, resolvi fazer uma visita pro meu puto favorito. — ele disse enquanto abria a geladeira.
- O Matt vai se sentir traído se ouvir isso... — eu disse enquanto abria uma cerveja.
- Ha ha ha haha. — ele riu pausadamente. — Aê Syn, você vai pro estúdio hoje? — minha expressão mudou... e a dele também.
- Nem vou, Zacky. Grava as tuas partes, eu gravo as minhas depois. — ele se levantou do sofá e bebeu um pouco da cerveja.
- O que tá acontecendo, Brian? — ele falou mais sério e eu engoli seco. Acho que ninguém notou que eu não quero falar disso.
- Nada, Zacky. Porque todos acham isso?
- Sei lá Syn, porque é verdade? — ele disse em um tom sarcástico. — Para de fingir que tá tudo bem, cara.
Acendi um cigarro e dei uma tragada, tentando pensar em uma resposta convincente pro bolota.
- Você sabe que não tá bem, Brian. Todos sabem disso. — ás palavras sumiram na minha mente, eu estava sem reação. — Eu e os viados estamos preoucupados com você, vê se não some. — ele disse pegando mais uma lata de cerveja e indo até a porta.
Odeio esse bolota por perceber as coisas. Filho da puta. Eu queria esquecer isso tudo, só por uma noite... só por hoje.
Balancei a cabeça e subi para o meu quarto. Tinha que tomar banho e escolhei uma roupa ''decente'' para o encontro. Pela primeira vez eu estava bem nervoso pra esse ''encontro''. Já saí com várias mulheres, mas nenhuma com ela. Todas elas, muitas eu nem lembro o nome ou sequer onde eu conheci, só queriam uma coisa: sexo. Tudo era sexo. Sempre iamos á um bar e depois... qualquer motel que aparecia pela frente. Com ela não... com ela era totalmente diferente. No primeiro dia que eu a conheci, tive uma sensação de... bem estar, ou qualquer coisa relacionada a isso. Eu... estava gostando dela? Não, claro que não. Isso era meio... impossível, claro.
Entrei no banheiro e fui tomar banho. Sinceramente, eu precisava relaxar um pouco. Eu estava muito cansado de tudo isso.
(...)
Saí do banho e vesti a roupa ''decente'' que eu tinha escolhido. E ainda tinha a questão do restaurante, que eu não tinha a mínima idéia de qual levá-la. Resolvi ligar pro Matt, que deveria saber algum.
- Shadz?
- Diga puto.
- Me fala algum restaurante legal e romântico?
- Quem é ela e quanto você tá pagando? — ouvi ele gargalhando do outro lado da linha.
- Cala a boca filho da puta. A porra é séria. Diz um restaurante legal aí cara...
- Tem um na avenida da praia. Não sei o nome, mais acho que é o único decente por lá.... e caro também. — ele dizia enquanto falava alguma coisa que eu não entendia.
- Beleza. Valeu puto.
- Ei, pera, quem é a garota?
- Tchau, Matt...
Desliguei o telefone na cara dele porque amigos com pressa e atrasados fazem isso. Peguei o dinheiro, carteira, chaves, documentos e essas coisas que... bem, a gente pega antes de sair. É normal eu estar ansioso para vê-la? Menos Brian...
Peguei o papel amassado na minha carteira com o endereço dela escrito. A casa dela ficava a uns... 20 minutos da minha.
Fui para o carro e coloquei AC/DC para tocar.
Don't need reason, don't need rhyme
Ain't nothing I would rather do
Going down, party time
My friends are gonna be there too
Comecei a cantar junto com a música, porque claro, eu vou pro inferno mesmo...
I'm on the highway to hell
On the highway to hell
Highway to hell...
Os minutos se passavam e eu estava preso no maldito trânsito. Faltava 15 minutos para as 20hs e eu não estava acreditando que eu ia me atrasar no primeiro encontro e eu ainda estava na metade do caminho. Esse congestionamento desgraçado que não anda... ela ia pensar que eu era um filha da puta, antes do primeiro encontro.
Depois de uns minutos, a avenida voltou ao normal. e em alguns instantes, cheguei á casa dela. Eu estava 5 minutos atrasado.
Bati a campainha e já mencionei que eu tô nervoso pra caramba?
- Ér... oi. Desculpa pelo atraso, maldito trânsito...
- Relaxa, Brian. — ela disse revirando os olhos. — Entra aí e fica á vontade. Vou terminar de me arrumar e já venho.
- Ok, sem problemas. — eu disse me sentando no sofá.
Ela estava usando um vestido preto acima dos joelhos. Ela estava... linda. Se desse jeito ela não estava pronta, imagina quando estivesse? Fiquei olhando a casa dela... era bem arrumada e bonita.
Tinha alguns poster's dos Beatles, do Aerosmith e do Elvis Presley, emoldurados e pendurados na parede. Percebi a longa coleção de vinis que ela tinha. Me levantei e fui até o móvel ao lado da televisão olhar. Olhei o que ela tinha escutado recentemente... A night at the Opera, do Queen. É impressão minha ou temos gostos musicais em comun? Quando percebi que ela estava parada na porta me olhando.
- Nossa... que coleção incrível.
- Que bom que gostou. — ela disse se aproximando de mim. —
- Eu amo vinis, de verdade...
- Também amo. A maioria aqui foi herança do meu avô....
- Nossa, muito legal... — ficamos em silêncio por um tempo. — Mas e aí, vamos pro restaurante?
- Vamos!
E fomos para o carro. Abri a porta pra ela e ela deu um sorriso sem graça.
É estranho, eu sinto... alguma coisa diferente por ela.
Notas finais
As coisas apertaram... vou ter curso de manhã, aula a tarde e um monte de merda de escola. E esse ano ainda tem faculdade e etc... mais mesmo assim, mesmo que eu suma um tempo, eu sempre apareço. Enfim, agradeço a todos que estão lendo e críticas, xingamentos, elogios, sempre são bem vindos.
Devo postar semana que vem, enfim, não vou demorar isso tudo de novo, prometo. É isso... até mais.
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