Not Ready 2 Die

9 Sonhos Pisoteados


Notas iniciais
NÃO ME MATEM!! Desculpem pela demora de um mês (ou dois?), mas eu realmente não estava nem um pouco afim de escrever, desculpem pela sinceridade uieuheuehue. E sei lá, eu prefiro demorar e escrever algo realmente legal do que escrever qualquer coisa só pra ter capítulos. Eu penso assim, enfim...
MEU, VCS NÃO SABEM: O RICHARD ME RESPONDEU!!!!! PORRA, QUASE MORRI DO CORAÇÃO!!!!!!!!!!! Respondeu no mês passado. Eu postei no Twitter, levei a carta pra faculdade, mandei sms pra todos os meus amigos, quase saí pelada gritando na rua. PUTA QUE PARIU!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!1 É um sonho realizado, vcs têm noção disso? Eu posso morrer agora. Mentira, só posso morrer antes de terminar a fic.
Bom, eu devo esse capítulo à senhorita Renata (Comburet) que tocou o terror no Twitter falando sobre essa história do Nyah excluir as fanfics de banda no final do ano, e por isso eu me senti obrigada a pelo menos tentar escrever. ENTÃO OBRIGADA POR TER ME DEIXADO EM CHOQUE IEHEPOSHEIOUEHIOUE
Acho que não tenho mais novidades... Espero que gostem do capítulo e POR FAVOR, NÃO ME MATEM!!! POR FAVOR, POR FAVOR POR FAVOR :(

Abriu os olhos e demorou um pouco para se acostumar com a absurda claridade do lugar. Seus músculos doíam e sua cabeça latejava, fazendo Rachel franzir o cenho enquanto tentava se lembrar do que havia acontecido. Sentou-se com dificuldade e passou a mão na testa, secando uma fina risca de suor frio que teimava em escorrer. Apertou os olhos e os abriu, olhando para o lado e observando o jovem a olhar com curiosidade.


"Achei que não fosse acordar." ele falou despreocupado.


"Brian..."


"Eu sabia que você não ia embora, você é igual a sua mãe... Não gosta que os outros te dêem ordens, mesmo que seja para salvar a sua vida." ele riu.


"Como você sabe tudo isso sobre a minha mãe?"


"Ela não é sua mãe, Rachel", ele respondeu entre os dentes. "Você não merece chama-la de mãe.


"O que?"


"Ela nunca te contou, não é? Nunca contou a verdadeira história da princesa Rachel."


Ela lembrou-se da história contada por Jimmy.


"Você não é filha dela, Rachel, você nem ao menos pertence àquela familia.", ele sorriu insanamente. "A sua vida é uma mentira. O seu castelo de cristal está quebrado, a sua muralha de areia foi levada pela correnteza... Você está destruída, Rachel, suas veias não transportam o sangue dos Koch."


"Você está mentindo..."


"Era pra eu ter tudo. Era pra eu ser o herdeiro da Koch Industries, mas não, você surgiu e destruiu a minha vida! Você apareceu e fez a Evy se desfazer de mim como quem joga uma roupa velha no lixo."


"Você..."


"Eu não fui a merda de uma filha mulher. Eu não fui o sonho realizado, não fui a promessa cumprida, não fui o brilho nos olhos...", ele falava rapida e insanamente. "Por sua causa, Rachel! Você acabou com tudo, acabou comigo..."


"Ela era muito bonita e muito rica. Certo dia, ela conheceu um homem pobre e se apaixonou perdidamente por ele. Os dois acabaram tendo um filho juntos, mas como a mulher era muito rica e muito esnobe, ela abandonou o filho para que não precisasse dividir a herança." ele terminou com uma voz serena.


"Você é o filho que a minha mãe abandonou.", Rachel apertou os lábios. "Você é meu irmão..."


Ele deu uma gargalhada cínica.


"Vejo que você não sabe nada sobre sua verdadeira história..."


"Jimmy me disse..."


"Jimmy...", Brian sorriu debochado. "Jimmy está morto agora."


"Ele não sabia, não é? Ninguém sabia! Você manipulou todo mundo! Você mentiu pra mim..." ela sentiu sua voz ser embargada pelos soluços que tentava esconder.


"Eu realmente não entendo como você pôde acreditar em mim sem ao menos me conhecer!", ele sorriu. "Eu achei que seria mais dificil convencer você do que convencer aqueles idiotas, mas você foi a parte mais fácil disso tudo..."


"Você é um monstro."


"Você não me entende... Eu abria o jornal todos os dias e via você sorrindo e exibindo a sua vida perfeita. Eu cresci vendo você ser mimada por sua familia e pela mídia enquanto eu não tinha a oportunidade de ter metade do que era meu."


"A minha vida não era perfeita, Brian!"


Ele riu alto.


"Não? Me diga, quantas vezes você teve que se esconder porque seu pai adotivo chegava bêbado e tentava te bater? Quantas vezes você teve que fingir não ouvir os gritos da sua mãe enquanto rezava para que os homens fossem embora antes de te encontrar? Quantas vezes você teve a certeza de que a morte poderia ser uma boa amiga?" ele terminou entre os dentes.


Ela calou-se.


"Eu sinto muito, de verdade.", ele sussurrou, quebrando o silêncio que pairava pela sala. "Eu... Eu queria poder fazer diferente, eu queria ser diferente. Eu queria não ter essa coisa negra dentro do meu coração. Eu queria apagar tudo da minha memória e começar do zero, sabe? Mas eu não posso. Eu não posso porque é assim que eu sou, eu sou exatamente esse filho da puta que você tá vendo agora. Eu sou aquela criança que as inspetoras trancavam porque tinham medo que saísse e machucasse alguém. Eu sou aquele garoto que roubou facas da cozinha e perdeu a conta de quantos animais indefesos já cortou em pedaços. Eu sou o mal, Rachel, eu sou a parte podre e fétida que as pessoas têm medo de deixar aparecer. Eu sou o sangue, eu sou as tripas, eu sou os órgãos moídos e tudo o que a sociedade finge não ver. Eu sou o pior tipo de pessoa que existe..."


"Você não é assim, Brian... Você não era assim quando vinha me ver, eu olhava em seus olhos e eu via uma pessoa completamente diferente do que você pensa que é. Eu posso te ajudar..."


"Eu não quero a sua ajuda! Você não entende? Você não pode me ajudar, ninguém pode. Eu não quero as suas migalhas e as suas lágrimas encharcadas de dó. Sabe, eu me sinto satisfeito agora. Sinto que meu trabalho foi cumprido. Mas, quer saber? Eu acho que não vou ter sossego enquanto eu não matar todos vocês, enquanto eu não exterminar a escória e destruir o reinado da sua familia. Eu vou perseguir vocês, eu vou estar em suas casas e em suas empresas. Eu vou tranformar o lar de vocês em um abatedouro podre. O sangue de vocês estará em minhas mãos e eu vou adorar saborear o gosto metálico da vingança. Eu confesso, no começo eu tentei me convencer de que somente um susto seria o suficiente para fazer você e sua familia se arrependerem de tudo. Mas eu imaginei o medo nos seus olhos e eu percebi que vê-la ajoelhar-se diante de mim não seria bom o bastante. Eu não queria matar ninguém, mas eu não consegui confiar neles. E então, quando eu vi Jimmy desacordado, eu percebi que eu tinha nascido praquilo. Eu percebi que o mal estava em mim e que eu não podia lutar contra. Pela primeira vez eu me senti feliz em estar vivo, porque finalmente eu tinha descoberto a minha missão aqui. Eu acho que eu até posso agradecer todo o sofrimento que eu passei, eu não seria tão forte se tudo tivesse sido fácil."


"Eu posso te ajudar, Brian, você não nasceu assim..."


"Ninguém nasce mau, Rachel. Eu poderia ter me tornado um milionário, ou um inventor, ou um professor pobre...", ele riu baixo. "Mas não, eu me tornei um monstro. E a culpa é sua. Cada momento, cada minuto que eu passei aqui eu tive que me segurar pra não arrancar a sua cabeça fora e cozinhá-la até a carne descolar dos ossos. Cada vez que eu ouvi a sua voz eu precisei fazer um esforço inimaginável pra não cortar você em pedaços. O que me consola é saber que todo mundo finge, todo mundo mente porque tem medo de mostrar quem realmente é. Todo mundo pode matar pessoas, mas algumas simplesmente ignoram esse dom... Engolem as ofensas e os descasos e simplesmente fingem que nada aconteceu. Às vezes você se enterra tão fundo que até se esquece de quem realmente é."


Ele se aproximou e a observou tremer os músculos.


"Eu não sou um psicopata ou um louco que mata várias pessoas, eu só... Planejei isso por muito tempo. Eu esperei por isso durante a minha vida inteira e é quase inacreditável saber que eu aguentei tudo e finalmente cheguei aqui."


"Você não é assim..."


"Por que eu iria fingir tudo isso? Andar pelo Vale das Sombras não é algo muito agradável. Não tem graça fingir que eu sou forte e que nada me incomoda. Eu sofro, eu me condeno todos os dias quando acordo e dou de cara com esse mundo que eu já devia ter deixado há muito tempo. Não tem graça, Rachel."


Brian se aproximou da mochila negra que estava no canto da sala e abaixou, retirando o pequeno revólver prata. Ela sentiu seus ossos tremerem e as lágrimas secas eram iluminadas pela luz clara, tornando a pele da jovem mais brilhante do que antes. Um barulho abafado ecoou pela sala e Brian ergueu os olhos, colocando a arma dentro da mochila e provocando um suspiro aliviado em Rachel. Ele ajeitou a bolsa em um dos ombros e lançou um olhar ameaçador para a jovem, saindo da sala em seguida. Deu passos largos e rápidos pelo corredor iluminado enquanto a porta metálica deslizava pesadamente atrás dele. Assim que chegou na sacada interna, observou a morena andar rapidamente entre as mesas dos computadores.


"Onde estão os outros?" Leana perguntou nervosa enquanto observava Brian descer as escadas cobertas pelo tapete vermelho.


"Como foi no Kansas?" Brian ignorou a pergunta dela.


"Onde estão os outros, Brian?" ela repetiu a pergunta.


"Não sei." deu de ombros.


"Brian...", Leana deu pequenos passos para trás ao observar a mochila negra pendurada em um dos ombros fortes dele. "O que você fez? Seu merda!" ela gritou ao observar o sorriso irônico brotar nos lábios finos.


Ela correu até a porta de entrada e empurrou bruscamente o pedaço de metal. Correu rapidamente através do terreno vazio e Matt saiu do carro, observando curiosamente a cena.


"Matt! Sai daqui!", Leana gritava com dificuldade. "Volta pro carro!"


Matt agarrou os ombros de Leana enquanto ela respirava com dificuldade, e logo um barulho ensurdecedor assustou os poucos pássaros que estavam perto do prédio. A expressão de dor no rosto de Leana obrigou Matt a desviar seus olhos até a porta de entrada. Brian estava parado enquanto apontava o revolver prateado na direção de Leana. Ele ergueu uma sobrancelha e sorriu de canto ao observar Matt apertar os olhos.


"Brian..." Leana ajoelhou pesadamente.


"Leana?" Matt sussurrou ao perceber o corpo da morena se chocar contra o seu.


Passou a mão nas costas da jovem e franziu o cenho ao sentir o líquido quente tocar seus dedos. Ergueu os olhos e percebeu Brian dar passos largos em sua direção. Sem pensar, soltou o corpo de Leana e abriu a porta do carro, jogando-se por cima dos bancos. Brian continuou andando na direção do outro enquanto erguia o revolver e disparava um tiro contra a porta do carro. Matt abaixou-se ao sentir o vidro da janela estilhaçar-se em cima do banco do motorista. Rapidamente, alcançou o pequeno porta-luvas do carro e tateou até encontrar o revolver negro que sempre carregava para ocasiões como aquela. Sem pestanejar, apontou a arma para fora do carro e distribuiu tiros. Mesmo sem focalizar o alvo, Matt sabia o que estava fazendo. Ou não.


O moreno caminhou lentamente até o carro, sorrindo ao observar os tiros se chocarem contra o chão e levantarem uma poeira clara e fedida. O medo havia feito Matt falhar. Ele piscou os olhos, não acreditando em seu próprio azar e olhou profundamente os olhos castanhos e felinos de Brian. Um último suspiro atravessou seus lábios e, sabendo a peça que o destino havia lhe pregado, aceitou a morte como sua companheira íntima. Não lutou por sua vida. Não sentiu dor quando a bala atravessou sua pele e alojou-se perto de seu pulmão. O ar lhe faltou e ele sentiu por não ter respirado mais profundamente o último vestígio de oxigênio que lhe fora permitido. Seus olhos ainda estavam abertos enquanto seu corpo caía lentamente no chão e, mesmo inconscientemente, tentou gravar cada detalhe do rosto de seu assassino. Se pudesse, teria dado um soco na cara de Brian ao ver o sorriso perverso que ali havia se formado. Mais uma alma havia se perdido naquele mundo sórdido e cruel em que os antes amigos haviam entrado. Brian abaixou o revolver e, dando uma última olhada no corpo imóvel em sua frente, caminhou em direção ao prédio. Estava preparado para finalmente concluir seus planos.


Entrou no prédio e subiu as escadas. Ironicamente, o revolver gelado aquecia e protegia seus músculos. Era a sua fortaleza. Era parte de seu corpo. Percorreu o longo corredor e entrou na já conhecida sala de ferro, onde Rachel permanecia encolhida em um canto. Não deu-se ao luxo de perguntar a si mesmo o porquê dela não ter fugido. Somente contemplou a imagem que, em um dia não tão distante, havia feito seu coração pensar em parar. Apertou os olhos; não podia ser fraco. Tudo dependia da sua força. Lembrou-se de tudo o que haviam conversado e sentiu a adrenalina percorrer novamente seus músculos. Sorriu ao ver a menina levantar os olhos úmidos e medrosos.


"O que vai fazer?" ela soluçou.


"Sinto muito..." ele respondeu sem pensar.


"Não sente! Não diga que sente muito, Brian! Você matou todo mundo!" ela levantou-se bruscamente e jogou os braços na direção do moreno, na intenção de distribuir tapas tão ardidos quanto o choro que teimava em fechar a sua garganta.


Brian soltou o revolver e segurou facilmente os finos braços de Rachel. Ela, dando-se por vencida, escorregou seu corpo no corpo do moreno e sentou no chão, abraçando os próprios joelhos e soluçando alto. Ela sabia que não havia saída. Suas chances haviam se esgotado. Sua esperança havia, em fim, esvaído por seus dedos.


"Você não tem o direito....", ela gaguejou. "Não é justo..."


"Não é justo?", Brian se exaltou. "Vamos falar de justiça, Rachel. Foi justo eu ter sido abandonado? Foi justo terem me jogado no lixo e fingido que eu nunca havia existido? Foi justo eles terem pego uma garota qualquer pra ocupar o meu lugar? O meu lugar!" Brian cuspiu as palavras enquanto tentava lutar contra as lágrimas doloridas que há tanto tentava controlar.


"Sinto muito..." Brian repetiu com um tom sério.


Foi a última coisa que Rachel ouviu. A última coisa que ecoou em sua cabeça foi a voz rouca dizendo as palavras que, em outra ocasião, poderiam até soar românticas e verdadeiramente arrependidas. Os olhos castanhos, que antes a acolhiam e a protegiam, passavam um medo absurdo e ela não soube descrever a sensação que tomou o seu corpo ao sentir o cano gélido do revolver tocar sua testa. Soltou lentamente o oxigênio por seus lábios e sentiu uma única lágrima trilhar um caminho ironicamente seco por seu rosto. Dizem que é possível rever nossas vidas quando estamos muito perto da morte. Rachel não viu. Foi privada de assistir seu próprio filme. Se tivesse assistido, provavelmente opinaria para o diretor fazer a bela donzela viver feliz para sempre com seu príncipe encantado. Provavelmente, inventaria alguma mágica ou milagre que pudesse encher de luz aquele lugar frio e salvar os corações apodrecidos e as almas perdidas que por ali vagavam. Mas não pôde. Rachel apenas ouviu a última batida de seu coração. Uma solitária batida, tão bonita quanto a mais famosa sinfonia. Tão dolorosa quanto a bala atravessando sua cabeça. Tão vazia quanto aquele prédio no meio do nada. E assim, ela se foi. Sem ter realizado a maior parte de seus sonhos. Sem ter se desculpado pelos seus inúmeros erros. Sem conhecer a sua verdadeira história. Brian, por sua vez, não sorriu. Nenhuma expressão tomou aquele rosto másculo e assustador. Seus olhos percorreram o corpo de Rachel e, por causa da iluminação forte que refletia no líquido vermelho em volta da garota, ele poderia jurar que ela possuía asas. Asas ensanguentadas de um anjo que se foi cedo demais.

Notas finais
Me avise se alguém encontrar algum erro

P.S: Se eu não tiver algum "surto" de criatividade e não prolongar a história, o próximo capítulo será o último
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.