Not Over You
33 Epílogo - To build a home
Notas iniciais
Afastei-me do corpo de Gabriel apenas alguns centímetros, enquanto ele segurava uma das minhas mãos com delicadeza para que eu pudesse girar lentamente em volta de mim mesma. Os sons das teclas do piano acharam espaço naquele momento. Nosso momento. E, dentre as coisas mais bonitas que meus olhos já haviam visto, Gabriel a luz da lua era inegavelmente a melhor delas.
Meus dedos pousaram em seu ombro nu com leveza, como se um movimento mais brusco fosse quebrar aquele momento. E pela forma com a qual Gabriel segurava-me em seus braços como se eu fosse a coisa mais frágil e com que seu olhar penetrava o meu, eu sabia que nossos pensamentos eram os mesmos.
E, no meio tempo em que seus olhos e seus toques e nossos movimentos me faziam lembrar tudo o que passamos, desde o primeiro beijo até o Sim sussurrado horas atrás, eu sabia que não me arrependia de nada. Sabia que cada lágrima, cada briga, cada momento de fraqueza, cada pedra que nós mesmos colocamos no nosso caminho – cada uma dessas coisas só havia feito da nossa história, do nosso amor... o que eles eram.
As coisas são um pouco difíceis às vezes, eu não podia negar. Nunca dá pra saber quando será o próximo tombo, ou se pode confiar de verdade em uma pessoa, ou se seu verdadeiro amor está esperando na próxima esquina – e tudo o que te resta fazer é simplesmente... viver. Viver sem ter certeza de nada; se permitindo enfraquecer, mas se garantindo de que não seja por muito tempo; se permitindo amar, mas sempre lembrando que nada é tão fácil quanto parece que é. Porque, no final do dia, viver é isso – amar é isso. É lutar. É se doar de corpo e alma e deixar que as sensações e os sentimentos entrem em você. É saber que, mesmo depois de todos os erros e de todas as lágrimas, tudo ainda valeu a pena. E, nos braços de Gabriel, eu sabia que tinha valido.
Talvez nós não tenhamos tido a história mais fácil e o amor mais simples. Cometemos erros e, em algum momento durante tudo isso, não fomos exatamente o melhor um para o outro. Mas, acima de qualquer coisa, nos amamos. E às vezes, na vida, o amor é o necessário para suportar todo o resto.
Cause I built a home
(Porque eu construí uma casa)
For you
(Para você)
For me
(Para mim)
– Gabriel – chamei; seu nome escorregando por meus lábios como um sopro, já que o silêncio e a proximidade entre nós faziam com que falar alto fosse desnecessário.
Ele não disse nada pelo segundo que se passou, fazendo um movimento leve para que eu jogasse parte do meu corpo para trás devagar, voltando para si com ainda mais lentidão e tendo o corpo colado ainda mais contra o seu, dessa vez nossos narizes se tocando e transformando o ato de manter nossos olhares grudados em algo impossível. Fechei os olhos no segundo seguinte ao que ele fechou os dele.
– Sim? – Ele perguntou igualmente baixo, ainda nos embalando lentamente, mesmo que as notas de piano da música tivessem se transformado em algo mais intenso do que no começo.
– Você faria tudo de novo? – Perguntei, colando nossas testas e tragando profundamente cada resquício do seu perfume.
– Talvez eu tentasse não fazer tanta besteira – foi o início da resposta, e me fez abrir um sorriso. – Mas eu não mudaria nada entre nós, Emma. Não alteraria nem mesmo uma minúscula porcentagem do que eu sinto por você.
Aproximei nossos lábios o suficiente para que pudesse selá-los uma única vez, sentindo o sabor do vinho que ainda estava pela metade em algum lugar do quarto. Gabriel apertou um pouco mais os dedos da mão que estava em minha cintura e puxou a outra, que estava entrelaçada com a minha, para que ambas ficassem entre nós, roçando tanto minha pele da clavícula quanto a sua; fazendo com que ficássemos assim pelo resto da canção.
– Eu amo você – ele disse, por fim, quando as últimas notas da música que preenchia o quarto começaram.
Suspirei e balancei a cabeça.
– Eu também amo você.
E, no segundo seguinte, ele estava me beijando. Dessa vez, um beijo que se prolongou.
Sorri quando sua mão se desprendeu da minha e deslizou por meu ombro, levando consigo a alça fina do vestido que eu usava. E quando seus lábios escorregaram por meu pescoço, apenas fechei os olhos e me entreguei em suas mãos. Pela primeira vez, como sua esposa.
E o sentimento que se derramou para dentro de mim não poderia ser mais completo nem mais intenso – porque, oh sim, eu estava em casa.
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