Not Over You
15 Capítulo 14 - It's Over
Notas iniciais
B-16, B-16. Onde estava o assento B-16?
Continuei andando entre a fileira do meio e a fileira esquerda de assentos, batendo a minha bolsa em algumas pessoas algumas vezes — e me desculpando em todas elas -, procurando o assento B-16, que parecia estar fugindo de mim. Claire e Matthew estavam andando um pouco mais a minha frente, procurando o assento B-10 e o B-11, que eram os seus, respectivamente. Gabriel e Ethan já estavam sentados em seus lugares.
Assim que Matt e Claire sentaram encontrei o assento B-16, uma fileira depois do assento dos dois. Minha poltrona era a primeira, ao lado de um homem gorducho, com um bigode esquisito e usando fones de ouvido, tendo ao seu lado uma mulher vestida de forma elegante, com um notebook sobre as pernas e digitando nele rapidamente, totalmente concentrada.
Melhor assim. Eu não estava mesmo interessada em conversar com ninguém.
Sentei-me na poltrona, deixando a bolsa sobre minhas pernas, e me recostei, sentindo minhas costas agradecerem por ter finalmente um lugar macio para encostar.
O voo havia atrasado três horas, fazendo todos nós — eu, Claire, Matthew, Ethan e Gabriel — ficarmos sentados no saguão do aeroporto por quase quatro horas, esperando que o avião finalmente decolasse.
Já passava da uma da manhã. E eu estava totalmente cansada. Acabada. O dia havia sido cansativo. Em vários sentidos. Fechei os olhos e, quando fui bombardeada por pensamentos, percebi que só naquele momento, no dia todo, pude parar para pensar, clarear minha mente. E era impossível não lembrar da conversa que Ian e eu havíamos tido há algumas horas atrás, no almoço.
– Você veio – falei, ficando de pé assim que vi Ian bem próximo da mesa que eu estava sentada. Tudo bem, eu não deveria ficar surpresa por vê-lo, já que havíamos marcado de almoçar juntos. Mas ele estava quarenta minutos atrasado, e isso não era a cara do Ian.
– Claro, combinamos, certo? – Ele falou, sorrindo de maneira simpática e se sentando na cadeira de frente para mim. – Desculpe a demora, a propósito – assenti e me sentei, um pouco perdida por não ter recebido nem sequer um selinho.
Ficamos ambos calados por algum tempo, deixando predominar um clima tenso e desconfortável entre nós dois, o que só havia acontecido uma vez em dois meses. E foi quando estávamos nos beijando fervorosamente e eu o parei, dizendo que ainda era muito cedo para que fizéssemos mais do que aquilo. Mas, no dia, pareceu desconfortável só pra mim, já que ele sorriu, me deu um beijo na testa e se aconchegou atrás de mim, e assim dormimos. Entretanto, naquele momento, era visível que ambos estávamos tensos.
– Precisamos conversar – ele falou assim que dei um gole em meu suco de laranja.
– Eu sei – disse, colocando o copo na mesa, vendo-o ficar um pouco surpreso. – Sei desde essa madrugada – ele sorriu minimamente, sem mostrar os dentes.
Ian ficou calado por alguns segundos, com o olhar focado em sua mão direita, que estava em cima da mesa e brincava gentil e disfarçadamente com o guardanapo de pano branco.
– Você fala enquanto dorme, sabia? – Perguntou, erguendo os olhos para me encarar. Assenti, sentindo minhas bochechas corarem e uma enorme onda de culpa me atingir. – Quem é Gabriel? – Perguntou, fazendo meu coração dar dois pulos.
– Ninguém sobre quem valha a pena falar – disse, baixando os olhos para a mesa.
– Você o ama – Ian falou, fazendo-me voltar a olha-lo, surpresa. – Você disse.
Fiquei em silêncio, assim como Ian. Não tinha o que falar para que aquela situação melhorasse. Eu sabia que estava sendo injusta com ele quando começamos a sair, sabia que estava sendo injusta quando começamos a namorar. Sabia do meu egoísmo. Fiquei com ele não só porque ele era um cara incrível, mas para esquecer Gabriel. Fiquei com ele na esperança de conseguir enganar a mim mesma, mas sempre sabendo que, no fundo, eu o via apenas como um amigo. E não tinha nada que eu pudesse fazer para deixar de me sentir culpada. Querendo ou não, eu tinha iludido Ian. Fiquei com ele, mesmo sabendo que ele gostava de mim e eu não sentia nada por ele. O deixei, mesmo que por pouco tempo, alimentar um sentimento que eu ao menos podia retribuir.
E me sentia horrível por isso. Culpada.
– Desculpa – falei sinceramente, odiando o universo por saber que não havia mais nada que eu pudesse falar naquele momento para que Ian não me enxergasse como uma egoísta. Porque era isso que eu era. – Eu realmente... só me desculpe, por favor.
– Você realmente não precisa se desculpar, Emma – ele falou sinceramente. – Até porque eu não sei o motivo disso.
– Fiquei com você gostando de outra pessoa, Ian – falei depois de alguns segundos em silêncio para digerir sua delicadeza e compreensão. – Isso foi egoísta da minha parte. Muito, muito egoísta.
Ian se manteve em silêncio, parecendo serenamente perdido em seus próprios pensamentos. Sua expressão era indecifrável. Eu realmente não sabia se ele estava bravo, magoado, confuso. Mas algo em seus olhos me fez sentir péssima.
– Não posso te culpar por tentar seguir em frente, Emma – ele falou, deixando um sorriso de canto sem graça nascer em seus lábios. – Não vou dizer que não estou chateado, porque estou – assenti, sentindo a culpa se amargar em minha garganta. – Mas não vou te culpar por isso... seria injusto.
Por incrível que pareça, ouvir aquilo não me deixou melhor. Porque, em algum lugar dentro de mim, eu sabia a pessoa incrível que estava magoando. Só o fato de não me culpar, Ian já se mostrava ser tudo aquilo que eu não merecia. Ser tudo o que eu tive e usei, por puro egoísmo. Porque, quando decidi sair com Ian, a minha raiva e vontade de esquecer Gabriel eram maiores do que a minha consciência. E, em nenhum minuto sequer, eu pensei que poderia magoar Ian... não se passou pela minha cabeça que, talvez, nascesse um sentimento que eu não era capaz de retribuir. Eu não pensei no provável.
E isso me deixava péssima. Fazia-me ver o quanto eu havia sido egoísta.
Essa não era eu.
– Você é bom demais, sabia? – Falei, fazendo suas bochechas corarem de forma fofa. Eu já quase podia me arrepender das minhas próximas palavras. – Acho que isso quer dizer que teremos terminar.
Ian arregalou um poucos os olhos, parecendo instantaneamente alarmado. E confesso que aquela reação não era a que eu esperava. Esperava apenas que Ian assentisse com a cabeça e que acabaríamos com uma despedida sem graça, prometendo um ao outro que sempre estaríamos ali para o outro caso ele precisasse. Porque era isso que acontecia nos términos. Mas, bem, relevando que ultimamente nada acontecia como eu esperava...
– O que foi? – Perguntei quando ele não falou nada e manteve aquela expressão no rosto.
– Eu não esperava ouvir isso – ele falou, e piscou algumas vezes, parecendo sair do transe. – Sabe, Emma, eu realmente gosto de você para... deixar ir.
– Mas, você...
– Eu sei que você gosta de outra pessoa – ele falou direto, me cortando. – Mas eu estou disposto a mudar isso, Emma, se você... – ele se interrompeu, respirando fundo, baixando os olhos para a mesa.
– Se eu o que?
– Se você disser que é capaz de esquecer ele, Emma – falou depois de alguns segundos, voltando a olhar em meus olhos. Fui pega de surpresa com aquela proposta, e me senti péssima quando senti algo dentro de mim sendo rasgado.
Eu não poderia falar uma coisa como aquela sem me sentir a maior mentirosa e egoísta de todos os tempos. Porque, talvez há dois meses atrás eu não soubesse, mas naquele momento eu sabia... eu não seria capaz de esquecer Gabriel. Um dia, talvez, eu não me sentisse mais como me sentia, porém não conseguiria de fato esquecê-lo. Gabriel foi uma grande parte da minha vida. Ele estava lá nos meus momentos mais felizes e nos mais tristes. Gabriel me ensinou coisas e... e sempre haveria um sentimento quando eu olhasse em seus olhos. De alguma maneira eu sabia que, mesmo me apaixonando por outro alguém, ao olhar para Gabriel meu peito sufocaria por milésimos de segundos e se lembraria, mesmo que despercebidamente, de tudo o que nós passamos. Gabriel estaria nas lembranças, nos sentimentos. E, caso esse amor se apagasse, ele continuaria ali, de alguma forma. Porque apagar não significa desaparecer. Continuaria dentro de mim, só não queimaria, não se mostraria vivo e furioso. Estaria apagado e quieto, mas ainda estaria presente.
– Eu acredito que eu possa ser capaz de me apaixonar novamente – falei, reformulando a frase. – Mesmo que às vezes seja difícil confiar nisso... mas eu não sei quanto tempo isso demoraria, Ian. E não quero nem posso te fazer esperar.
– Eu posso esperar, Emma – ele falou, se inclinando e colocando as mãos na mesa, segurando as minhas com uma força carinhosa e protetora. – Eu sei que você sente algo por mim... os seus olhos dizem.
Assenti com a cabeça, me sentindo cada vez pior.
– Eu sinto, Ian... mas não posso fazer isso com você – respirei fundo. E seria drama se eu dissesse que estava com vontade de chorar, mas eu sentia meu coração se apertar aos poucos. E minha coragem quase ia embora, meu lado ruim estava quase mandando minha consciência à merda.
– Por que não? Você acredita que pode se apaixonar de novo!
– Sim, acredito – falei, engolindo a seco. – Mas não tenho certeza. E, mesmo que eu me apaixone, me perdoe, mas não serei capaz de esquecê-lo completamente.
– Ninguém esquece um grande amor, Emma – ele falou, mais sério dessa vez.
– Eu sei que você consegue me entender – falei. – Eu já estou me sentindo egoísta e estúpida agora, Ian... se prolongar isso, vou me sentir ainda pior. Mas isso não é importante. Se nós prolongarmos isso, você vai se magoar. E isso eu não posso aceitar.
– Eu sou bem grandinho, Emma – falou, soltando uma risadinha zombeteira, o que o deixou ainda mais agradável ao meu ver.
– Com certeza você é – falei, sorrindo de lado e baixando meus olhos para nossas mãos juntas em cima da mesa. – Mas está fazendo uma péssima escolha.
– Eu quero você – falou direto, apertando ainda mais minhas mãos entre as suas, fazendo-me olha-lo instantaneamente.
– Desculpa – falei depois de alguns segundos para recuperar minha respiração.
Soltei minhas mãos das suas e me levantei, pegando minha bolsa que estava pendurada nas costas da cadeira, pronta para ir embora. Dei um sorriso triste para Ian antes de ir até ele e me abaixar, depositando um beijo lento e molhado em sua bochecha.
– Você merece coisa melhor – falei sinceramente.
Endireitei meu corpo, começando a caminhar em direção à porta de entrada do restaurante, ignorando as vozes ao meu redor e escutando somente as batidas violentas do meu coração e o som que meu sapato fazia ao se chocar com o chão de madeira.
Eu não era nada. E Ian merecia tudo.
– Senhorita? – Ouvi uma voz feminina falar, tirando-me das minhas lembranças. Abri os olhos e virei meu rosto para o lado, vendo uma das aeromoças me olhando. – O avião já vai decolar, a senhorita deveria colocar o cinto.
Assenti com a cabeça e coloquei o cinto, vendo a aeromoça sair dali logo depois.
Respirei fundo, torcendo para que eu conseguisse dormir... coisa que seria meio difícil se levasse em consideração o fato de que eu estava em um avião.
Próxima parada: Bahamas.
* * *
– O que aconteceu com "um lugar calmo"? – Perguntei divertida para Claire, assim que nós descemos do táxi, bem em frente à um hotel, onde várias pessoas andavam pra lá e pra cá com roupas de banho e de calor, bem diferente de nós cinco, que usávamos calças e blusas de manga comprida.
– Aconteceu um Ethan solteiro querendo mulheres de biquíni – Ethan respondeu pela minha amiga, aparecendo ao meu lado de repente e colocando um dos braços em volta do meu pescoço.
Virei-me para olha-lo e ele, que antes estava olhando encantado para hotel, ou para as garotas, virou o rosto para me olhar e abriu um sorriso sincero e meio malicioso.
– Você é um tarado, Ethan – falei rindo, fazendo-o soltar uma gargalhada alta e assentir com a cabeça, tirando o braço do meu pescoço.
– Vamos nos registrar e pegar as chaves dos quartos – Matt falou e começou a andar para dentro do hotel de mãos dadas com Claire, com todos nós em sua cola.
Várias pessoas andavam pelo saguão do hotel. Algumas como nós, com roupas nem um pouco apropriadas para o calor do Caribe, provavelmente eram pessoas que estavam chegando ao hotel. E outras, a maioria, com roupas de banho ou roupas curtas e finas. Preciso dizer qual delas estava chamando a atenção de Ethan? O danado andava ao meu lado praticamente engolindo as mulheres. E elas lhe davam bola, é claro. Ethan era o maior gato.
E, eu tinha que admitir, o fato de Gabriel não estar olhando para nenhuma das mulheres lindas que passaram por nós diversas vezes nem estar dando bola para os olhares que recebia, não só me deixou surpresa como também me deixou feliz. E eu sentia raiva de mim por isso. Gabriel não era propriedade minha, e eu não devia me sentir feliz se ele não tinha olhos para essas mulheres malhadas e, como diria Ethan, gostosas.
– Uma suíte de três quartos e uma de casal, estou certa? – A recepcionista do hotel perguntou, e foi só o que eu ouvi de uma curta conversa, já que estava, antes, perdida em meus pensamentos reprimidamente felizes.
– Isso mesmo – Matthew falou, sorrindo de canto.
– As chaves, senhor Evans – a recepcionista colocou cinco chaves em cima do balcão. Três delas tinham um chaveiro com o número 483 e as outras duas com o número 485.
Nos afastamos da recepção, formando um círculo no meio do saguão, enquanto Matt entregava nossas chaves. Gabriel, Ethan e eu ficaríamos na suíte 483. E, é óbvio, o casal maravilha ficaria na outra.
– Vocês não se incomodam, né? – Claire perguntou, olhando especificamente para mim, como se eu fosse ficar mesmo incomodada com aquilo.
E eu estava. Ficar na mesma suíte que Gabriel, com nada mais do que uma parede nos separando, era uma tentação um pouco forte demais. Mas, eu não podia esquecer, estava ali por Claire e Matthew, meus melhores amigos. E Ethan estaria na mesma suíte. Sabendo disso, minha mente continuaria sã e eu não faria nada insensato. E esperava que Gabriel também não fizesse.
Respirei fundo e sorri. O que era uma semana, afinal de contas?
– Claro que não – respondi. – Mas então, vamos para nossos quartos? Eu quero mesmo dormir. Foi a pior viagem de avião da minha vida!
– Dormir? – Ethan questionou incrédulo, interrompendo Claire e o que quer que fosse que ela iria falar. – Você vai é vestir um biquíni, Emma – sorriu malandro. – Vou te apresentar uma coisa essa semana.
– O que é? – Perguntei divertida, vendo Matthew e Claire se virarem rindo e irem para o elevador de mãos dadas, deixando Ethan, Gabriel e eu sozinhos no saguão.
– Álcool – falou, e deu um sorriso bem aberto, começando a andar despreocupado pelo mesmo caminho que meus melhores amigos haviam seguido segundos atrás.
Soltei uma gargalhada e neguei com a cabeça, mesmo que Ethan-vida-boa não pudesse ver. Eu não deixaria que ele me embebedasse. Porque eu conhecia o álcool. Gabriel me fez experimenta-lo amargamente diversas vezes. Mas eu não conhecia a definição que Ethan tinha de álcool e, pelas histórias que ele se orgulhava em contar, eu não estava nem um pouco interessada em conhecer.
Ameacei dar um passo para seguir Ethan e senti meu braço sendo apertado delicadamente pela mão quente de Gabriel, impedindo-me de andar. Não precisei virar meu rosto para o lado, pois ele se colocou em minha frente instantaneamente. Seus olhos não vacilaram nem por um segundo enquanto ele me olhava, sem dizer nada.
– Vai dizer alguma coisa ou vai só ficar me olhando? – Perguntei afiada, fazendo-o dar um sorrisinho malicioso. Céus, eu quase fechei os olhos e dancei com meu arrependimento ao dizer aquelas palavras. Ser tão arisca assim só faria Gabriel ser mais... Gabriel.
Só podia ser o clima das Bahamas.
– Você está corajosa hoje, Emma – ele falou, mantendo um sorrisinho no rosto. Mas dessa vez era mais como se ele estivesse se divertindo do que pensando coisas sujas. – Nem parece... – ele mesmo se cortou, e mordeu o lábio inferior, se contendo de continuar a falar, sequer imaginando que aquele simples ato me fez ter vontade de dar um pontapé na minha sanidade. – Eu senti falta disso em você.
E, com um sorriso sincero, afrouxou levemente o aperto em meu braço e desceu sua mão até a minha, segurando-a com firmeza. Virou de costas para mim e começou a me puxar em direção ao elevador.
* * *
– Olha só pra isso – Ethan falou, se inclinando levemente para o meu lado e olhando disfarçadamente para a loira que estava passado atrás de nós com uma morena. Ambas de biquíni. Um biquíni tão pequeno que eu podia pensar em perguntar onde elas compraram para comprar um para a filha de Claire quando ela fosse mãe.
– São lindas – falei, voltando a olhar para frente, admirando todas as bebidas que tinham na prateleira daquele bar.
Olhei em volta e percebi que, dentre todas as pessoas que estava sentadas ao redor do bar, eu era a única que estava tomando suco ao invés de uma bebida alcólica. E também percebi que algumas das mulheres que estavam sentadas ali, ou até mesmo paradas em pé um pouquinho mais longe, me olhavam com o que eu podia chamar de inveja e irritação. E, não, não era porque eu era sobrenaturalmente bonita e desejável. Porque eu não era. Mas era porque eu estava sentada entre dois homens perfeita e totalmente desejáveis.
Gabriel e Ethan eram esses homens.
– Estou me sentindo como um gatinho no meio de um bando de cães – falei, olhando fixamente para o meu copo de suco, e pude ouvir as risadas de Ethan e Gabriel.
– Não se preocupe com isso – Ethan falou. – Elas não vão te fazer nada enquanto você tiver esses dois homens magníficos com você – e soltou uma gargalhada quando eu me virei para ele e revirei os olhos.
– Cuidado com o ego, Ethan, ele pode atingir alguém a sua volta – falei sarcástica, fazendo Gabriel soltar uma risadinha.
– Bem, você ainda tem a festa de hoje a noite para fazê-las ficar com mais raiva e inveja – Ethan falou e girou seu corpo, pegou seu copo de Whisky e tomou um último gole antes de saltar do banco do bar e sair andando. Não sem antes colocar uma das mãos na minha cintura e me dar um beijo demorado na bochecha.
Como se eu precisasse de mais ódio.
Mas, retomando suas últimas palavras... Festa? Eu não sabia de festa alguma.
– É verdade – ouvi Gabriel falar e me virei para ele, vendo-o saltar do banquinho exatamente como Ethan fizera segundos antes.
Gabriel deu a volta onde eu estava sentada, fazendo-me segui-lo com os olhos, e parou exatamente atrás de mim, onde eu só podia ver de relance seu perfil. Ele colocou uma mão de cada lado da minha cintura e se aproximou, colando seu peito em minhas costas. Por causa do banco, nossos corpos estavam exatamente da mesma altura.
– Porque eu não vou desgrudar de você – falou em meu ouvido, fazendo-me arrepiar dos pés a cabeça. E então depositou um beijo na curva do meu pescoço, suspirou e afastou a cabeça. Soltou minha cintura e afastou seu corpo do meu.
E eu me virei a tempo de vê-lo de costas, andando para longe de mim.
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