Not Over You
2 Capítulo 01 - See you again.
Notas iniciais
Então, fiquei feliz que gostaram do prólogo.
Esse capítulo é mais como uma apresentação de alguns dos personagens mais importantes da história.
Enfim, eu não tenho muito o que falar, hoho.
Espero que gostem, porque esse, assim como todos os que virão, é um capítulo escrito com muito carinho e esforço. Eu juro mesmo que dou o meu máximo para que fique bom.
Boa leitura, amoras.
Há três anos eu tenho fugido.
Fugi do que mais me machucava e me dava prazer. Fugi do que me deixava triste e feliz minutos depois. Fugi da verdade, fugi dos momentos, fugi dos erros, fugi dele.
Mas eu sempre soube que era uma questão de tempo até que eu tivesse que voltar a encarar tudo novamente. Não demoraria para que eu tivesse que enfrentar de peito estufado as coisas das quais fugi, das quais tentei esquecer.
E para o meu total desespero e ansiedade, esse momento havia chegado.
Era hora de olhar para aqueles olhos verdes, profundos e frios outra vez. Hora de encarar a minha realidade novamente. Havia chegado o momento em que eu olharia para seus olhos depois de tudo que passamos e não sentiria a mesma coisa que antes. Talvez fosse mais intenso, talvez mais tímido, talvez mais desesperado, ou talvez mais frio. Talvez eu nem sentisse nada, só medo.
Gabriel era o dono dos meus piores pesadelos, dos meus melhores sonhos, dos meus desejos mais perigosos, dos meus prazeres mais intensos.
Aquele táxi parecia rápido demais para o meu gosto. Não me dava tempo para pensar, ou sequer respirar. A cada quadra que se passava mais meu coração ficava perto de sair pela boca. Mais desesperada eu ficava e minha vontade de começar a socar a porta e pedir pra descer do táxi e voltar correndo para o aeroporto ficava cada vez mais forte. Não parecia ser tanta estupidez agora que a casa de Claire se aproximava.
Só naquele momento me dei conta de que talvez não estivesse pronta para revê-lo. Talvez eu nunca ficasse pronta pra isso.
— Chegamos, senhorita — o motorista do táxi falou, tirando-me de meus devaneios, e pelo modo como me dirigiu a palavra, parecia ter dito aquilo mais de uma vez.
Pisquei algumas vezes, paguei o taxista e respirei fundo, abrindo a porta do carro e descendo lentamente.
Não sabia por qual motivo estava tão nervosa assim. Claire havia me garantido que Gabriel não morava mais com ela. E no dia da minha chegada — da qual ele não tinha conhecimento -, ele estaria na casa de Ethan, seu melhor amigo, jogando alguma coisa com os outros rapazes.
— Finalmente! — Ouvi a voz de Claire e ergui a cabeça devagar, vendo-a se aproximar de mim com os braços abertos. Devia estar espiando pela janela da casa, isso era típico dela. — Pensei que seu avião tinha caído — exclamou exagerada e me abraçou demoradamente.
— Eu demorei em conseguir um táxi — respondi revirando os olhos e me soltando de seus braços.
Claire não tinha mudado nada. Continuava poucos centímetros mais alta que eu, com os cabelos ondulados até os ombros, ainda loiros, e os olhos em uma mistura de verde e mel. Nada mudara. Nem mesmo sua maneira de se vestir. Short jeans, camiseta mil vezes maiores que ela e chinelas continuavam sendo seu vestuário predileto.
— Você não mudou nada, heim, Emma — falou sorrindo e passando a mão por meus cabelos. — Bom, talvez seus cabelos tenham crescido um pouco.
Ela estava certa. Não mudei em nada fisicamente. Continuava a mesma garota de estatura mediana, com os cabelos enrolados e ruivos até a cintura, grandes olhos azuis e como sempre, vestindo uma calça jeans e uma camiseta qualquer. Bem, talvez meu cabelo tivesse mesmo crescido alguns centímetros.
— Vem, vamos entrar — ela falou empolgada e então pegou uma de minhas malas na mão, ao mesmo tempo em que peguei a outra e joguei minha bolsa no ombro. — Uau! Nem de bolsa você trocou — falou rindo enquanto atravessávamos a porta de entrada de sua casa.
Claire agora morava em uma casa e não no antigo apartamento, o que de certa forma me aliviou um pouco. Seria impossível entrar naquele lugar e não lembrar dos momentos que eu passei com Gabriel. Das brigas que nós tivemos, dos objetos que nós quebramos, das lágrimas que eu derrubei e do desespero dele ao me ver derrubando-as. Mesmo estando longe eu conseguia me lembrar de tudo nitidamente. Se eu estivesse naquele apartamento outra vez seria uma tortura.
A casa tinha uma entrada muito pequena, com ganchos de pendurar casacos atrás da porta. Logo que se entrava era possível ver a sala de visitas. Tinha uma lareira, dois sofás antigos mas muito bem conservados de estofado vermelho, e uma poltrona também antiga e conservada, mas em cor azul. Cortinas da cor bege nas duas janelas, um piano preto de calda um pouco afastado do resto dos móveis, uma estante com livros ocupando quase uma parede inteira do cômodo. Uma porta que dava para algum outro cômodo da casa ficava do lado da estante, e a escada para o segundo andar ficava há uns três metros do piano. Era cheio de detalhes, do jeito que Claire sempre gostou. Já eu nunca reparei em detalhes. Pra mim não fazia diferença eles estarem ali ou não.
— Parece que você tem a casa dos sonhos — comentei sorrindo ao me lembrar das várias vezes em que Claire me falava que imagina sua casa com uma decoração antiga.
— Matt fez de tudo para isso — falou com os olhos brilhando ao me olhar. — Vamos, sente aqui, vamos conversar um pouco — sorriu e deixou minha mala perto da escada, indo até um dos sofás vermelhos e sendo seguida por mim.
Percebi que o sofá era de veludo assim que me sentei.
— O que tem feito, Emma? — Claire perguntou e de repente, seu olhar que antes era de felicidade, agora irradiava preocupação.
— Eu fiquei com meu pai na fazenda dele em Montana — respondi dando os ombros.
E não, eu não tinha contado para minha melhor amiga onde estava nesses últimos três anos. Talvez fosse egoísmo da minha parte, mas era bom saber que ninguém iria atrás de mim. Gabriel sabia onde eu estava e não foi, mas ele é ele.
— Ajudei a cuidar das coisas por lá, ocupei minha mente...
— Você podia ter me falado onde estava — ela falou calmamente e então suspirou cansada. — Eu morria de preocupação, sabia? Tinha que esperar a sua vontade te fazer ligar pra mim. E você demorava entre um ou dois meses.
Antes que eu pudesse pedir desculpas e explicar para ela o motivo de eu não ter contado onde estava, o barulho da porta fez com que nós duas prestássemos atenção em quem estava chegando. Meu coração batia um pouco mais forte agora. E se fosse Gabriel?
Mas para a minha sorte, não era ele. Era Matthew.
— Eu pensei que me casaria sem te ver outra vez — ele falou com um sorriso enorme assim que me viu sentada no sofá ao lado de sua futura esposa.
Levantei-me mais do que empolgada e fui até ele, lhe dando um abraço apertado e sentindo o conforto que eu só sentia em seus braços e nos braços de Claire. Ambos sempre foram e sempre seriam meus melhores amigos.
— Você parece cansada — Matt falou assim que nos afastamos, colocando as mãos em meus ombros e me analisando com atenção.
— Vou levar ela pro quarto, meu amor — ouvi a voz de Claire ao meu lado e segundos depois eu vi as mãos de Matt saírem dos meus ombros e irem diretamente para a cintura da noiva, selando os lábios dela com os seus.
Sempre achei linda e invejável a relação de Claire e Matthew. Não que eu tivesse inveja deles dois juntos, mas eu sabia que causava esse sentimento em muita gente. Eles quase nunca brigavam, porque Matt era uma pessoa mais do que paciente e muito difícil de estressar. Eles cresceram juntos, como melhores amigos — e eu junto. Conheciam um ao outro perfeitamente bem. Sabiam dos defeitos irreparáveis de ambos. E mesmo assim se apaixonaram.
Claire subiu às escadas junto comigo e me levou até o quarto no final do corredor, e devo dizer que era um corredor muito extenso. As paredes eram pintadas de vinho e as portas eram de madeira escura. Não me preocupei em contar, mas tinham cerca de seis ou sete portas no corredor.
O quarto em que eu iria ficar era normal, mas muito bonito. As paredes eram pintadas de bege, e as cortinas eram de uma cor café. Tinha uma cama de casal de armação antiga, com mesinhas de cabeceira dos dois lados, ambas com um abajur em cima. Um guarda roupa do lado esquerdo ocupava quase a parede toda, e o lado direito tinha uma mesinha simples, com algumas gavetas e uma cadeira de madeira, com estofado de veludo verde; e também tinha um espelho redondo ao lado da mesinha. A decoração era toda antiga. Claire tinha decorado a casa toda até nos mínimos detalhes, sem deixar passar nada, eu tinha certeza disso.
— Como Matt disse, você deve estar cansada — Claire falou e eu me virei para ela dentro do quarto, vendo-a encostada no batente da porta com os braços cruzados... Era como se fosse uma mãe da mesma idade que eu, impressionante.
— Ah é, bastante — sorri. — Você sabe que dormir em avião é impossível pra mim — ela riu e acenou positivamente com a cabeça. — Mas eu queria muito tomar um banho antes.
— Tem dois banheiros no corredor e um no meu quarto — ela falou se desencostando do batente da porta e andando até onde eu estava. — Tome um banho e desça... Fiz o bolo de Danone que você adora.
O que mamãe nunca foi pra mim, Claire com toda certeza sempre fora. Era assim desde o jardim de infância... Protegia-me dos brigões da escola, apesar de eu saber me defender muito bem, deu dois socos no meu ex-namorado do colegial porque ele me traiu com uma das minhas melhores amigas e depois espalhou pela escola toda que tinha tirado minha virgindade — o que era mentira... eu não era idiota o suficiente -, fazia meus pratos prediletos quando meus pais brigavam em casa, preparava uma festa surpresa em todos os meus aniversários, tentava me dar conselhos sobre Gabriel.
Claire era a amiga perfeita em todos os sentidos. Nunca errava nada do que dizia. Só errou uma vez, quando disse "você e meu irmão são perfeitos um para o outro, e eu não te vejo amando mais ninguém". É claro que isso me rendeu boas gargalhadas e a cara feia dela. Provavelmente eu não amaria mais ninguém... mas Gabriel e eu nunca ficaríamos juntos do "jeito certo".
— Amanhã, depois que você tiver tido uma longa noite de sono, acredito que nós tenhamos muito a conversar — Claire falou colocando as mãos em meus ombros e me olhando no fundo dos olhos. Assenti com a cabeça.
Ela estava certa. Eu sabia que estava. Contaria tudo a ela... bom, quase tudo.
Sem falar mais nada, Claire me deu um abraço muito mais apertado e demorado do que me deu quando me viu descendo do táxi. E foi só naquele momento que eu percebi como sentia falta daquilo tudo. Daquele carinho que só vinha dela, daquela proteção que eu só sentia com ela e, estranhamente, com Gabriel.
Ela saiu do abraço, descendo as mãos pelo meu braço até segurar minhas duas mãos, e então me olhou com ternura, me deu um beijo demorado na testa, soltou-me, se virou sem falar absolutamente nada e saiu do quarto, fechando a porta com delicadeza.
Depois de tomar um banho longo e gelado, coloquei um short jeans larguinho, uma camiseta um pouco maior do que eu e calcei minhas chinelas. Desci as escadas à procura de Claire e não a encontrei... na sala.
Comecei a andar em direção em uma das portas que tinham ali, para ver se alguma delas me levava até a cozinha, mas antes mesmo que eu pudesse colocar a mão na maçaneta, ouvi:
— Oh, meu Deus! — Virei-me lentamente, dando de cara com Ethan, que me olhava com os olhos arregalados, mas com certa alegria em me ver. — É mesmo Emma Carter? — Zombou e só nesse momento notei o homem alto atrás dele, pendurando seu casaco preto atrás da porta e que, ao ouvir meu nome, se virou para mim imediatamente, mostrando muita surpresa em me ver ali.
— Emma? — Consegui ouvir seu sussurro apesar da distância. E embora sua voz estivesse baixa e quase inexistente, percebi que ainda me causava arrepios.
Notas finais
Beijo estalado na bochecha de vocês :3
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