Not Over You

22 Capítulo 21 - If my heart was a house


Notas iniciais
OLHA QUEM RESSURGIU DAS CINZAS, HOHOHO. Então, desculpem a demora e tals. Vocês já conhecem o roteiro, né? Eu tô sempre demorando, tô ficando é cansada disso, hahaha. Okay, eu não iria falar nada sobre isso, mas numa resposta de um comentário do capítulo passado, eu percebi que eu expliquei bem como é que eu me sinto em relação à essa história, por isso vou colocar aqui pra que vocês possam entender um pouquinho e tals. Vocês não têm noção de como eu odeio demorar, é realmente ruim demais escrever e escrever e nada parecer bom o suficiente. Parte da minha demora vem da minha insegurança, e a outra parte vem do fato de que NOY é meu xodózinho, entendem? E não falta muito pra acabar. E eu quero que, quando acabe, eu possa ler e pensar que ficou realmente bom... Eu só quero fazer direito, rs. Então, gente, pode ser que uma coisa que eu escreva esteja bom, mas se eu não estiver satisfeita, eu não posso e não vou simplesmente postar. Eu tenho um carinho grande demais por essa e qualquer outra história minha para fazer isso. Eu sou assim: ou faço direito ou não faço. Eu só queria dizer isso porque às vezes eu acho que vocês pensam que eu não escrevo por pura preguiça ou sei lá, e não é isso! Definitivamente não é isso, okay? Mas eu estou com todo gás agora – e estou bem confiante também –, por isso acho que chega de atrasos tão longos, okay? Queria dizer um obrigado GIGANTE à essas três coisas fofas: Freetty, Brownie e Arabella, porque deixaram recomendações que ultrapassaram o limite da perfeição em NOY! Obrigada de verdade, anjinhos, eu fiquei muito feliz com cada uma das recomendações de vocês, okay? MUITO AGRADECIDA AQUI, AI MDS! Enfim, aí está o capítulo... Espero que vocês gostem, porque eu fiquei bem contente com o resultado – saiu até melhor do que eu esperava. Boa leitura! *CRÉDITOS DA MÚSICA PARA A JULIIET, QUE DISSE QUE OWL CITY PERTENCE A ELA, PORQUE SENÃO ELA ME BATE*

Claire estava surtando. Já havia trinta e três ligações perdidas e quarenta e sete novas mensagens dela no meu celular – isso tudo em menos de cinquenta minutos –... não importava quantas vezes eu dissesse que sairia do restaurante apenas ao meio dia, ela continuaria dizendo que eu estava atrasada – mesmo que ainda faltasse vinte minutos para bater o meu horário.

Era finalmente o dia do casamento. E a última semana já havia sido ruim o suficiente. Não ruim de um modo negativo, apenas ruim de uma maneira insuportável. Claire Harrison já era uma pessoa emotiva por si só, grávida e há poucos dias do seu casamento era pior ainda. Ela me ligou de madrugada chorando e dizendo que estava com medo, me obrigou a lhe preparar uma tigela de mouse de chocolate – apesar de ter me obrigado, dias antes, a lhe manter na linha para que ela coubesse no vestido –, chorou assistindo Se beber, não case 2, passou quinta e sexta-feira na casa dos pais, deitada no sofá e assistindo seriados. E tudo o que Matt fazia era sorrir bobamente e continuar vivendo.

Eu disse para Gabriel que homens eram menos emotivos do que mulheres, e por isso Matthew estava tão relaxado com tudo. Mas ele riu e disse “espera até a hora em que ele estiver no altar esperando minha irmã”. Talvez Gabriel estivesse certo. Talvez Matt estivesse tão tranquilo assim, mas na hora do “finalmente”, ficasse nervoso. Naquele momento ele definitivamente entregaria sua vida na mão de Claire e vice-versa. Naquele momento, eles, de fato, estariam prestes a se tornar uma família.

– Emma – Julieta chamou, andando até onde eu estava logo após deixar um prato com camarão em uma mesa. – James está te chamando na sala dele.

Assenti e a agradeci por me avisar. Antes de me encaminhar para a sala do meu chefe – e também pai do Ethan –, olhei ao redor para ter certeza de que ninguém precisava de mim.

Dei três batidinhas na porta de James Smith e a abri ao ouvi-lo gritar um “pode entrar”.

– Precisava falar comigo, senhor? – Perguntei, colocando apenas metade do corpo para dentro da sala.

– Sim, Emma, entre – ele disse distraído enquanto digitava alguma coisa no computador. – E pare de me chamar de senhor, é James pra você.

Ri e assenti, entrando em sua sala. Fechei a porta e me sentei em uma das duas cadeiras dispostas em frente a sua mesa.

– Então, é hoje o grande dia, não é? – Ele perguntou, ainda sem me olhar.

–É sim – respondi, sorrindo boba sem perceber.

– A Claire deve estar surtando – falou, parando enfim de mexer no computador e me olhando com um sorrisinho divertido nos lábios.

Ri e balancei a cabeça.

– Ela está.

– Isso é a cara dela – ele disse casualmente e eu sorri, concordando. – Mas, bem, não foi por isso que eu te chamei aqui, Emma.

Endireitei-me na cadeira, entrelaçando meus dedos em cima das minhas pernas.

– Aconteceu alguma coisa? – Perguntei preocupada.

Ele sorriu sem mostrar os dentes e balançou a cabeça.

– Sim, mas não se preocupe – relaxei os ombros e ele pigarreou. – Eu te chamei aqui, Emma, porque eu tenho uma proposta. Veja, uma proposta para o seu crescimento profissional.

Franzi as sobrancelhas, confusa, e pedi para que ele continuasse.

– Eu não sei se você tem conhecimento, mas eu tenho vários restaurantes espalhados por aí… alguns até em outros países – começou e eu assenti. – Acontece que, há alguns dias, eu perdi um incrível funcionário meu. E de muita confiança. Ele quem cuidava dos negócios do restaurante para mim em New York, da mesma forma que Ethan cuida aqui, já que eu estou sempre viajando. Ted Morgan. Ele faleceu em um acidente de avião, estava voltando da visita que fez para a filha em Harvard.

– Isso é terrível – falei, franzindo as sobrancelhas em uma careta afetada. Não era como se eu conhecesse o cara ou a filha dele para me sentir mal, mas era uma coisa que abalava mesmo assim… digo, ele havia acabado de ver a filha em uma das melhores universidades que existe. Era triste.

– Sim, eu sei – ele concordou com um suspiro entristecido, mas logo se recompôs. – Vocêé uma mulher muito competente, Emma, e eu confio muito em você. E, agora, o cargo de Ted está vazio, apenas esperando para ser preenchido. E eu quero que seja por você.

Arregalei os olhos, surpresa. Eu esperava tudo, até ser demitida, menos isso.

Era tentador? Era. Mas aceitar estava fora de questão. Eu tinha uma vida construída em Londres, e pela primeira vez em muito tempo estava tudo como tinha que estar, estava tudo certo, tudo direito. Tudo estava do jeito que eu sempre quis que estivesse. Dizer sim para aquilo seria dizer adeus para tudo o que eu tinha, tudo o que eu consegui. Eu provavelmente jamais receberia uma proposta como essa na vida. Era um bom emprego, o salário era ótimo – e, desconfio eu, ficaria ainda melhor caso eu aceitasse – e eu era realmente boa no que fazia.

Mas eu era ótima na minha nova vida em Londres também. Minha melhor amiga estava grávida – ela teria um bebê em breve! Ela estava com a vida dela pronta, os sonhos se realizando, e eu queria fazer parte disso. Meu relacionamento com Gabriel estava leve, flutuava, estava indo de vento em polpa e não tinha como ficar melhor. Era seguro, era perigoso, era doce e era amargo. Eu não poderia simplesmente deixar isso de lado. Eu havia decidido: essa era a vida que eu queria. Estar com Gabriel era o que eu queria, e enquanto tivesse isso, estaria tudo bem.

Foi uma decisão quase automática. Eu não precisei pensar muito na hora. “Mas que loucura, é claro que vou dizer não”, foi a primeira coisa que se passou pela minha cabeça ao que ele propôs o emprego. Eu apenas sabia dos motivos. Eles apareceram na minha cabeça em uma fração de segundos. E não precisei de mais do que isso para dar minha resposta.

– Senh- James – corrigi ao vê-lo arquear as sobrancelhas pra mim. – Eu não posso aceitar esse emprego. Primeiro porque eu tenho tudo o que eu preciso aqui em Londres, segundo porque eu não sou nada além de uma gerente.

– Emma, eu te ensinaria tudo o que você precisa saber – disse calmamente, porém com firmeza. – No primeiro mês eu estaria ao seu lado, trabalhando junto com você, te ensinando como as coisas devem ser feitas, observando seu desempenho. É tudo questão de prática e sabedoria. Eu tenho sua ficha escolar, sei da sua capacidade; vi você trabalhar e pegar o jeito aqui facilmente, sei da sua competência.

– Eu construí uma vida aqui – falei sem pensar, carregando firmeza na voz.

– E você pode construir uma vida lá também, você sabe que pode.

– Mas, eu-

– Olha, Emma – me interrompeu –, façamos assim: eu te dou um mês. Pense e repense, cogite possibilidades. E só me dê a resposta daqui um mês. Eu só vou achar válida a sua resposta quando eu a pedir novamente, tudo bem?

Abri a boca para protestar, para dizer que daqui um mês minha resposta continuaria a mesma, mas poupei saliva: ele não se importava com a minha decisão naquele momento. Suspirei e balancei a cabeça em concordância, o vendo abrir um sorriso.

– Você pode fechar seu turno agora, eu sei que a Claire deve estar arrancando os fios de cabelo nesse momento, e precisa de você– James disse e eu ri, assentindo e me levantando, logo saindo de sua sala com um aceno de mão como despedida.

Seria errado se eu dissesse que a proposta do pai de Ethan não havia me abalado. E seria ainda pior se eu não admitisse a mim mesma que estava cogitando a possibilidade de aceitá-la, mesmo que eu estivesse satisfeita e extremamente feliz com a vida que estava levando.

[N/A: Se vocês quiserem, coloquem a música If my heart was a house do Owl City pra tocar, ela é citada no final da cerimônia de casamento – e é a inspiração do capítulo. Apenas sugerindo.]

A decoração da igreja estava impecável. Cada um dos ramos de rosas brancas colocados em alguns dos bancos de madeira branca pareciam brilhar de uma maneira única. O comprido tapete branco no meio da igreja estava impecável, e seus bordados delicados e quase imperceptíveis brilhavam graças ao lustre central da igreja, que quase sozinho iluminava todo o lugar.

A verdade era que a igreja não era muito grande. Era uma igreja que ficava em um dos cantos pouco movimentados e calmos de Leeds, uma cidade próxima de Londres. Claire e Matt decidiram se casar ali porque era a cidade onde suas famílias moravam. E eles realmente não se importavam com onde estavam, e sim com o que estavam fazendo ali. Não que o lugar fosse ruim. A igreja era tão bonita que qualquer um sentiria orgulho em dizer que foi o lugar onde se casara. As vidraças desenhadas com imagens religiosas e cheias de cor que estavam no teto e atrás do altar eram tão bonitas que conseguiam ser, de alguma forma, hipnotizantes; as paredes eram altas, todas pintadas de branco e com arandelas de luzes amareladas espalhadas pelas laterais. O chão era de madeira escura, assim como as grandes portas da igreja. E isso causava um impacto com os bancos brancos, deixando tudo ainda mais impressionante. Era cheio de cores que se contrastavam. Era quase mágico. E com a decoração delicada que Claire havia escolhido só deixou tudo ainda mais leve, mais natural, mais acolhedor.

E, de repente, eu percebi por que Claire ficara tão louca com tudo, por que tinha a grande necessidade de que tudo saísse perfeito e de por que estava tão ansiosa.

Era porque ela nunca mais esqueceria aquele dia.

Era o dia em que Claire estaria se unindo ao grande amor da sua vida. Porque era isso que Matthew era. Ele não era apenas um namorado ou apenas um amigo, e não seria apenas um marido. Ele era muito mais do que isso. Era o amor da vida dela. Eu não conseguir ver Claire sendo feliz com mais ninguém, não conseguia vê-la realizando seus sonhos de menina com alguém que não fosse Matt. E sabia que ela também não era capaz de ver isso.

Então a grande porta da madeira da igreja se abriu e eu senti meus dedos terem vida própria e se apertarem ao redor do buquê de rosas e da caixinha de veludo que segurava. As primeiras notas da famosa música da entrada na noiva preencheram o lugar quando o organista começou a tocá-la. E, logo em seguida, uma garota miúda de cachos dourados e um vestido azul-escuro cheio entrou, segurando uma cestinha de palha em uma das mãos e usando a outra para jogar as pétalas de rosas vermelhas que estavam dentro dela ao longo do tapete branco. Era a prima de Gabriel e Claire, Marrie. E ela sorria animada, mostrando o vão onde deveria estar seus dois dentinhos da frente. Foi obrigada a sorrir com seu sorriso, mesmo que ela estivesse olhando para sua mãe ao meu lado e não fosse ver – era simplesmente adorável demais.

Minha atenção, entretanto, foi tirada da garotinha quando meus olhos encontraram Claire. Ela havia parado na porta e estava a uns três passos de distância da Marrie. Seu sorriso era imenso, e seus olhos estavam cheios de lágrimas, eu podia ver mesmo estando longe. Seu cabelo loiro ondulado que normalmente estava sempre solto e jogado para o lado estava preso em um coque acima de sua cabeça, deixando algumas mechas finas soltas e enroladas; e sua franja estava na altura do nariz e jogada para o lado. O véu fino preso em seu coque não era muito comprido como de costume, e isso deixava tudo mais único ainda.

Suspirei e senti meus olhos se encherem de lágrimas enquanto o maior sorriso do mundo tomava conta dos meus lábios.

Claire estava perfeita.

E, embora eu soubesse que ela deve ter ficado pensando em sorrir da melhor maneira que pudesse para todos os convidados enquanto caminhava até Matt, seus olhos não desgrudaram dos olhos dele durante todo o percurso. E o sorriso não saiu de sua boca.

Quando ela chegou ao altar, entregou o buquê que segurava para mim, olhando-me rápida, mas significativamente, antes de se colocar na frente de Matthew e deixá-lo segurar suas mãos.

– Estamos reunidos aqui hoje para celebrar a união matrimonial destas duas pessoas diante de Deus – o padre falou calmamente, levantando as duas mãos na altura do ombro e olhando para cima, como se ele próprio agradecesse por mais um ato de amor como aquele.

O padre falou alguma coisa para que só Matthew e Claire ouvissem e, logo em seguida, os dois se viraram e se ajoelharam diante dele, apoiando os joelhos em um banquinho baixo e estofado que havia sido colocado ali. O padre usou a mão direita para, primeiro, fazer o sinal da cruz na testa de Matthew enquanto sussurrava coisas para que só ele ouvisse, e logo em seguida fez o mesmo com Claire.

Então, voltou sua atenção a todos que ali estavam.

O padre falou sobre o casamento, sobre Deus como aprovação e significado em uma união como aquela e sobre a fé de um casal. E, entre todas aquelas palavras, os olhos de Claire e de Matt permaneciam fechados, como se eles absorvessem casa uma delas, e suas mãos continuavam entrelaçadas firmemente. Então o padre sorriu.

– E há o amor – ele disse, sorrindo serenamente, como se aquele fosse um sentimento tão bonito e tão puro que merecesse cada sorriso que o homem poderia dar. E, de fato, ele era, quando verdadeiro. – Peço que fechem os olhos, que esvaziem os pensamentos, que estejam de corpo e alma neste momento e nestas palavras.

Fiz o que ele pediu, olhando antes para Gabriel e o vendo já de olhos fechados. Eu não tinha ideia se ele acabara de fazer aquilo ou se estava assim há algum tempo, já que minhas atenções estavam presas no padre e no casal agachado diante dele o tempo todo.

– Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, sou como um bronze que soa ou um címbalo que retine. Ainda que eu tenha o dom da profecia e conheça todos os mistérios e toda a ciência, ainda que eu tenha tão grande fé que transporte montanhas, se não tiver amor, nada sou. Ainda que eu reparta todos os meus bens e entregue o meu corpo para ser queimado, se não tiver amor, de nada me aproveita. – O padre começou a citar uma passagem da bíblia, eu sabia disso porque era a única que eu conhecia. E eu senti cada uma daquelas palavras atingirem em cheio cada parte de mim. Foi no momento certo, no lugar certo e carregava o significado certo. Senti meus olhos se encherem novamente de lágrimas, ainda que fechados, e engoli a vontade de deixá-las cair livremente. Casamentos sempre me deixariam dessa maneira.

"O amor é paciente, o amor é prestável, não é invejoso, não é arrogante nem orgulhoso, nada faz de inconveniente, não procura o seu próprio interesse, não se irrita nem guarda ressentimento. Não se alegra com a injustiça, mas rejubila com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.

"O amor jamais passará. As profecias terão o seu fim, o dom das línguas cessará, e a ciência será inútil. Pois o nosso conhecimento é imperfeito, e imperfeita é também a nossa profecia. Mas, quando vier o que é perfeito, o que é imperfeito desaparecerá.

"Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança, raciocinava como criança. Mas, quando me tornei homem, deixei o que era próprio de criança. Agora, vemos como num espelho, de maneira confusa; depois, veremos face a face. Agora, conheço de modo imperfeito; depois, conhecerei como sou conhecido."

E então ele suspirou contra o microfone.

– Agora permanecem estas três coisas: a fé, a esperança, o amor; mas a maior de todas é o amor – finalizou a passagem. – Portanto hoje, presenciamos aqui a união de um casal que carrega e, com a graça de Deus, sempre carregará a maior de todas as coisas.

Quando ele terminou de falar, eu abri meus olhos. Olhei para todas aquelas pessoas na igreja, algumas sorriam, outras estavam emocionadas e outras entediadas – nem todo mundo gostava de casamentos. E, quando virei o rosto para Claire, vi que ela novamente sorria, assim como Matt, e havia deixando que uma única lágrima escorresse por seu rosto. E então ela abriu os olhos quando padre tocou sua testa com a mão direita.

Logo os dois estavam de pé, um virado para o outro e ambos sorriam. Gabriel estava certo. Matthew estava com os olhos cheios de lágrimas, as bochechas estavam coradas e era visível a forma como ele respirava falhadamente. Chegava a ser bonito. E, assim como Claire, seus olhos não saíam dos dela.

– As alianças – o padre falou baixo, para que apenas quem estava perto ouvisse.

Gabriel pegou uma caixinha de veludo azul escura dentro do bolso, a abriu e estendeu para Matt, que havia se virado rapidamente para ele. Ele pegou a aliança e Gabriel voltou a guardar a caixinha.

– Eu, Matthew Lure, aceito você, Claire Louise Harrison, como minha legítima esposa – Matthew começou, abrindo ainda mais o sorriso e não evitando que duas lágrimas simples escorressem por suas bochechas, enquanto segurava a mão de Claire e o anel. – E prometo amar-te e respeitar-te, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, até o último dia da minha vida. Porque sou teu e te amo – então ele suspirou, curvou o corpo para baixo e deixou um beijo no dedo anelar de Claire e logo depois deslizou o anel de ouro pelo mesmo.

Claire se virou para mim, e eu abri a caixinha de veludo azul que estava em minhas mãos. Ela pegou o anel de dentro dela e se virou, mal conseguindo me olhar direito. Mas pude ver seus olhos ansiosos e inundados de lágrimas que estavam loucas para serem libertadas, e consegui identificar o sorriso mais feliz que ela já dera em seus lábios.

Ela segurou a mão de Matt.

– Eu, Claire Louise Harrison, aceito você, Matthew Lure, como meu legítimo esposo. E – ela travou, suspirou trêmula. Estava nervosa, contendo o choro – prometo amar-te e respeitar-te, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, até o último dia da minha vida. Porque sou tua e te amo.

Ela se curvou enquanto inutilmente tentava fungar sem fazer barulho e lágrimas escorriam por seu rosto, deixou um beijo demorado no anelar do noivo e logo em seguida deslizou o anel por ele.

– Pelo poder a mim investido – o padre falou após alguns segundos –, eu vos declaro marido e mulher – declarou.

Então eu sorri. E todos os outros rostos dentro daquela igreja sorriram.

Claire carregava no rosto o maior sorriso do mundo.

E, provavelmente, também a maior felicidade.

– Você já pode beijar a noiva – o padre falou sorrindo para Matthew.

Esse então deu um passo para frente, se aproximando da sua agora esposa e colocando uma mão de cada lado de seu pescoço. Claire segurou nos antebraços do marido. Ele sorria. E lhe olhava com toda a ternura que poderia existir em um olhar.

Então Matt a beijou.

E a igreja inteira explodiu em palmas.

Onde quer que você vá, se meu coração fosse um lar, você estaria em casa

Se meu coração fosse um lar, você estaria em casa

...

Passava das três da manhã quando Gabriel e eu decidimos ir embora. Os convidados da festa ainda estavam pra lá de animados e não parecia que iriam embora tão cedo. Mas os sapatos que Claire me obrigou a usar estava me matando e Gabriel estava pedindo para irmos embora porque estava cansado. Não era por menos, ele parecia uma máquina de dança no meio da pista, fazendo questão até de dançar com a tia-avó de Matt que tinha oitenta e três anos – e foi depois dessa cena que eu disse para ele que era melhor que ele parasse um pouco de beber o Whisky.

É claro que eu também não estava lá muito sóbria.

Mas a felicidade merecia ser comemorada.

Não era apenas Claire e Matthew oficialmente casados.

Também havia o convite inusitado que eles fizeram durante o jantar.

– Eu acho que todos aqui já sabem – Matt começou quando teve a atenção de todos os convidados, uma mão segurando um microfone e a outra agarrando firmemente a mão de Claire, que estava ao seu lado com um sorriso enorme nos lábios –, mas Claire está grávida. Pois é, eu vou ser papai!

Seu entusiasmo era tão evidente e contagiante que arrancou risadas dos convidados.

Claire riu olhando para o marido e seus olhos brilhavam. Era sempre assim quando ela o olhava. Sua mão que estava livre estava posta na barriga, por cima do tecido do vestido, onde já era possível ver um certo volume.

– A questão é que resolvemos aproveitar esse momento para fazer um convite – ele continuou, olhando rapidamente para a esposa com um sorriso. – Claire e eu pensamos muito sobre quem escolher para serem o padrinho e a madrinha do nosso filho. Nós realmente não sabíamos quem escolher, porque ambos os avós queriam isso, não é? – Brincou, fazendo os convidados rirem outra vez. – Foi muito simples, na verdade. Estávamos deitados na cama, Claire lendo um livro e eu apenas deitado, observando minha mulher e tentando encontrar um sinal de que havia um filho meu dentro daquela barriga magrinha.

Claire gargalhou alto, levantando suas mãos e deixando um beijo nos nós dos dedos de Matthew.

– Então ela disse alguma coisa que eu não entendi, já que estava prestando atenção em sua barriga, e levantei o rosto para que ela repetisse. Então ela falou outra vez, dessa vez soou mais claro... “Emma e Gabriel”.

Um sorriso se abriu em meus lábios quase repentinamente e meus olhos se encheram de lágrimas tão rápido quanto, e eu afundei meu rosto no peito de Gabriel, já que ele estava me abraçando de lado.

– Eu não acredito nisso – murmurei contra o peito de Gabriel, sentindo-o tremer logo em seguida quando ele riu.

– Nem eu – respondeu baixo, deixando um beijo no topo da minha cabeça.

– Emma e Gabriel deviam ser os padrinhos, ela disse – Matt continuou. – Eu não precisei que ela me explicasse os motivos para aquela decisão. Eu já sabia. E concordei prontamente.

Senti lágrimas descerem por meu rosto e tentei evitá-las. Mas não conseguia. Afastei meu rosto do peito de Gabriel e me virei para olhar para o casal em cima do palco, as mãos entrelaçadas e sorrisos enormes em seus lábios. Eles eram o casal perfeito. E as melhores pessoas que eu podia sonhar em conhecer. E que naquele momento estavam dizendo que queriam que eu fosse madrinha de seu filho.

– Resta apenas saber se eles aceitam – Claire falou, se inclinando um pouco e ficando na ponta dos pés para poder falar no microfone.

Depois disso foi apenas felicidade. É claro que tanto Gabriel quanto eu aceitamos. Acredito que ambos agradecemos mais de cem vezes por termos sido escolhidos para algo tão importante e significativo; e eu posso jurar que vi Gabriel derrubar algumas lágrimas enquanto aninhava a irmã nos braços e dizia a ela o quanto a amava e o quanto estava feliz por um convite como aquele.

Eu estava pra lá de feliz depois disso... Se dependesse de nós dois, aquela seria a criança mais amada e mais mimada do mundo.

No entanto, comemorar tanto por tantas coisas boas também cansava. Por isso, depois de vários copos de bebidas, muitas músicas dançadas, muitas conversas e muita felicidade compartilhada, Gabriel e eu decidimos que era hora de finalizar a noite pouco antes das quatro da manhã.

Como Leeds ficava a algumas horas de Londres e sabíamos que iríamos sair tarde da festa, Gabriel e seus pais haviam pagado por um quartinho em uma pousada. Era um lugar bem aquecido e agradável. Havia um banheiro com uma banheira de hidromassagem – que eu achei um exagero, mas que Gabriel garantiu que era útil, já que me convenceria a ficar ali por uns três dias para relaxar e esquecer o stress do trabalho – e o quarto tinha uma cama enorme, um frigobar recheado de bebidas e uma lareira. Fora as paredes que eram todas feitas de madeira sintética, deixando tudo ainda mais bonito.

Era bem silencioso, já que além de ser um lugar frequentado por pessoas que estavam lá com o intuito de relaxar, cada quarto também ficava a uns quinze metros de distância um do outro, todos espalhados por um campo verde. Gabriel falou que eu adoraria olhar pela janela quando amanhecesse, porque a visão era simplesmente espetacular.

– Vou trocar de roupa no banheiro – Gabriel falou quando entramos, abraçando-me por trás pela cintura e deixando um beijo na curva do meu pescoço. – Tire os sapatos, eu vou fazer uma massagem nos seus pés quando voltar.

Sorri e virei um pouco o rosto, apenas o suficiente para beijar seus lábios lentamente. Gabriel usou as mãos para virar meu corpo lentamente, até que eu estivesse frente e a frente com ele, meu corpo colado no seu, para assim poder aprofundar nosso beijo. Suas mãos seguravam firmemente a base das minhas costas, enquanto eu enrolava seus cabelos em meus dedos. O beijo era calmo, carregado de uma ternura sufocadora, mas, mesmo assim, causava espasmos de desejo em meu corpo. Porque eu sempre desejava mais de Gabriel quando ele me beijava assim, quando seus mãos grandes pareciam tão quentes perto de mim e me seguravam com tanta certeza.

Gabriel separou nossas bocas com alguns selinhos.

– Você é o melhor namorado do mundo – falei sorrindo enquanto abri os olhos preguiçosamente, referindo-me a sua ideia de massagear meus pés.

Ele riu e deixou um selinho rápido em meus lábios antes de me soltar e ir para o banheiro trocar de roupa, pegando a calça de flanela azul escura que usava como pijama e que já havia deixado em cima da cama quando largou nossas malas lá.

Sentei na cama para tirar os sapatos e massageei meus pés rápida e superficialmente ao que eles ficaram livres do couro apertado. Eu definitivamente precisava me acostumar a usar sapatos tão altos novamente. Os que eu usava para trabalhar eram baixos e confortáveis, e isso não ajudava muito.

Levantei da cama e caminhei devagar até a janela, espiando cada canto daquele lugarzinho com os meus olhos, apaixonada pelo jeito delicado com que fora feito. A lareira era automática, e ela ficava ligada durante toda a noite, pelo que Gabriel havia me falado. E junto da lâmpada do quarto, isso fazia com que o quarto ficasse com uma iluminação meio amarelada, quase bronzeada. Abri a janela e me escorei na mesma, olhando o quanto podia para o horizonte. Como ainda estava muito cedo, o céu ainda estava escuro, mas mais claro do que quando está de noite – e isso me permitia ver, mesmo que fracamente, um pouco da vista. E eu conseguia enxergar um lago.

A porta do banheiro se abriu e eu permaneci quieta, escorada na janela, sentindo o vento gelado bater contra meus rosto levemente, quase como um carinho a minha pele. Então senti as mãos se Gabriel em meu quadril, deslizando até que seus braços estivessem me rodeando. Endireitei o corpo e deixei minha cabeça cair para trás e encostar em seu peito.

– Eu poderia morrer com uma vista dessa – sussurrei, sentindo meu corpo se arrepiar ao que Gabriel respirou em meu ouvido e abracei meus próprios braços.

– Você não acha que está frio? – Perguntou baixinho em meu ouvido, sua voz saindo rouca e arrastada.

Murmurei qualquer coisa em concordância e fechei os olhos, inclinando a cabeça para o lado e mordendo meu lábio inferior ao sentir os lábios de Gabriel em meu pescoço, sugando a pele alva com vontade, fazendo-me tremer em seus braços.

Ele soltou meus quadris apenas para descer lentamente o zíper do vestido em minhas costas.

– Sinto vontade de tirar esse vestido de você desde que te vi usando-o hoje – ele sussurrou em meu ouvido, subindo as mãos pelas laterais do meu corpo e as colocando por baixo do tecido azul em meu ombro, fazendo-o se arrastar por minha pele.

O vestido levou menos de dez segundos para escorregar pelo meu corpo sem nenhuma ajuda, deixando-me vestida apenas com uma lingerie preta e branca, enquanto as mãos de Gabriel o seguiam, descendo por meus braços e causando arrepios em todo o meu corpo.

– Eu quero amar você, Emma – voltou a sussurrar em meu ouvido, descendo os lábios para deixar beijos em minha nuca. – Você quer isso? – Perguntou provocativamente, subindo a mão direita por minha barriga, enquanto a esquerda segurava meu pescoço delicada e possessivamente, obrigando-me a jogar a cabeça um pouco mais para o lado. A mão que subia por minha barriga parou abaixo do sutiã, e seu dedão o invadiu por baixo, usando apenas a ponta para acariciar o lugar tão sensível, enquanto aproveitava da vulnerabilidade do meu pescoço para morder a pele do local com força, fazendo-me arquear as costas, enquanto minha boca se entreabria e um gemido sufocado e mudo saía por ela. A mordida foi seguida de um beijo molhado que provocou espasmos doloridos de prazer por meu corpo.

– É o que eu mais quero – respondi com o pouco de fôlego que me restava, sentindo meu corpo se desfalecer em seus braços aos poucos.

Notas finais
E aí, vocês gostaram? Eu particularmente sim (acho que já disse isso nas notas iniciais umas três vezes, hahaha), mas quero saber a opinião de vocês! Me digam o que acharam, o que gostaram, o que estão esperando... E por favor, apareçam e mostrem que não me abandonaram!!! Beijos e até o próximo :* **AVISO: Próximo capítulo +18, para que as pessoas que disseram que não se interessavam em ler isso, já estou avisando. Vai ser um capítulo curto, só com essa cena em particular, porque já que nem todo mundo vai ler, não vou colocar alguma outra coisa que seja relevante no andamento da história!