Not Over You
5 Capítulo 04 - Put me to sleep.
Notas iniciais
Eu estou simplesmente amando os comentários de vocês! Vocês são muito fofas ♥
Leitoras fantasmas, por favor, vamos aparecer, ok?!
Vocês viram a recomendação PERFEITA que a Juliiet deixou na história? Eu simplesmente amei!
Eu gostei e não gostei desse capítulo. Ainda não me decidi, rçrç.
Espero que gostem.
Boa leitura, cogumelos!
Uma vez me disseram que o amor é aquele sentimento que te faz sentir vivo, que te alegra e te inspira, que a pessoa amada é a única capaz de fazer-te respirar tão puramente e fazer teu coração parar por alguns segundos, para depois voltar a bater com força e brutalidade máxima. Disseram que o amor brilha como o sol, e também aquece como ele. Disseram-me também que o amor te consome e suga sua sanidade até a última gota, mas que, de alguma forma, você continua fazendo as coisas certas, com algumas burrices de vez em quando. Entretanto, cada uma dessas burrices é perdoada até que não reste mais ressentimento algum. Também disseram que, por mais lindo que seja o sentimento, ele também fere às vezes, mas que as feridas se saram depois.
Conseguia, sempre, ver tudo aquilo se encaixar entre Gabriel e eu. Eu sabia, de alguma forma, que aquilo era amor. Mas não importa o quanto eu refletisse, o quanto eu lesse sobre o assunto, o quanto me dissessem...eu nunca entenderia por que amar Gabriel tinha que doer tanto, por que causa uma sensação de que tudo está desabando. Como se fosse proibido.
Embora quisesse colocar a culpa em Gabriel para aliviar minha dor e não me achar uma completa idiota por aceitar me machucar tanto, eu sabia que eu tinha tanta culpa dessa dor quanto ele. O erro era nosso. E, por mais estranho e masoquista que isso pareça, não paramos. Essa coisa que nós tínhamos, seja lá o que fosse, tinha um jeito especial de acontecer, um jeito diferente...tinha alguma coisa que eu nunca tentei e nem tentaria explicar a ninguém. Era quase impossível dar um fim a isso.
Entretanto, também me disseram que o amor é idiota. Tudo suporta, tudo aceita, tudo perdoa. Eu suportei tudo, fiz tudo, perdoei tudo várias vezes — inclusive a mim mesma -, eu aceitei até onde consegui, mas eu parei. E talvez eu tentasse sim me convencer de que era por mim, mas todos os dias, desde que fui embora, uma única questão pairava em minha cabeça: "Ele estará mesmo melhor sem mim?".
A primeira semana no emprego novo foi bem fácil e, pelo que Nicholas falou, continuaria assim. Aprendi a mexer na cafeteira, montei pedidos e fui elogiada algumas vezes por meu cappuccino. E, é claro, a semana praticamente voou.
Essa era, finalmente, uma noite de sábado. Uma noite para descansar e fazer o possível para evitar pensar em Gabriel e como minhas noites eram aquecidas quando eu estava com ele. Essa era aquele tipo de noite perfeita em que nada seria melhor do que uma pizza para encher a barriga, um filme e depois um bom livro acompanhado por um bom chá.
Claire e Matt, se bem entendi, iriam sair para jantar juntos em um restaurante "divino, extremamente romântico", segundo minha amiga. E eu ficaria sozinha na casa.
Não que me incomodasse com a presença deles, também seria muita presunção minha já que a casa era deles e eu estava ficando como visita, mas eu sempre gostei de ficar sozinha, por isso seria uma noite muito boa para mim. E se papai me mandasse dinheiro suficiente, talvez eu fosse sim procurar um apartamento para eu ficar durante alguns meses. Sem querer ser mal agradecida ou algo do tipo, mas de alguma forma sentia que estava atrapalhando o futuro casal, embora não estivesse de fato.
— Emma, estamos indo — Claire falou, colocando apenas a cabeça para dentro do quarto. — Tem certeza que ficará bem?
Sorri diante da preocupação da minha amiga.
— Tenho sim, Claire — falei me levantando da cama e indo até onde ela estava. — Espero que se divirtam bastante. — Claire sorriu e acenou com a cabeça, fechando a porta do quarto logo em seguida, e me deixando sozinha outra vez.
Tinha pedido uma pizza de quatro queijos fazia uns quarenta minutos, mais ou menos, então ela devia estar para chegar. Também aluguei quatro filmes de terror assim que saí do trabalho. Filme de terror era a melhor coisa para não pensar em Gabriel, pois minha mente estaria ocupada demais imaginando um esquizofrênico aparecer atrás de mim no sofá e cortar minha garganta com um canivete lentamente.
Desci para a sala de televisão da casa — que eu usaria pela primeira vez -, levando um cobertor de veludo marrom e os DVDs junto comigo. Coloquei o primeiro filme no DVD, que era Psicose, e me aconcheguei no sofá, embaixo do cobertor marrom.
Assisti aos vinte primeiros minutos de filme, até ouvir a campainha tocar umas três ou quatro vezes seguidas — me dando um susto dos infernos e me fazendo quase saltar do sofá -, no ritmo de alguma música que eu não lembrava qual era, mas adorava batucar nas carteiras do colégio quando estava no terceiro grau. O entregador parecia animado.
Apertei pause no controle do DVD e fui pegar a pizza.
Abri a porta, esperando dar de cara com um entregador animado, segurando uma pizza e com um sorriso sem graça no rosto por estar brincando com a campainha da casa. Mas, bem, não foi isso que eu encontrei. Ao invés de um rosto desconhecido e um sorriso descontraído, encontrei dois rostos muito familiares e enquanto um deles carregava um quase inexistente sorriso sem graça, o outro carregava um sorriso animado.
— Adivinha quem veio animar sua noite de sábado — Ethan falou sorrindo e eu fechei os olhos por alguns segundos, segurando o sorriso que teimava em se abrir em meus lábios.
Ethan era, definitivamente, o tipo de pessoa que você não conseguia evitar sorrir com sua presença.
— Ele me obrigou — Gabriel falou, segurando o sorriso que também queria se abrir em seu rosto.
— Como nos velhos tempos, heim, Emma — Ethan disse, erguendo uma sacola de cervejas e uma de filmes, ainda com um sorriso no rosto, passando por mim e entrando na casa de Claire logo em seguida, assim como Gabriel fez depois, segurando duas caixas de pizza.
Eu estava tentando decidir o que era pior: o filme que nós estávamos assistindo, onde aparecia uma mulher pelada ou um casal se comendo a cada dez minutos; eu dar minha risada escandalosa com qualquer piadinha idiota do filme e tanto Ethan quanto Gabriel — principalmente esse segundo — ficarem me olhando como se eu fosse idiota, pra depois darem risada da minha risada; ou se era o fato de estarmos os três no mesmo sofá, com Ethan bem no meio.
Pensando bem, o pior de tudo deveria ser o fato de que eu estava na mesma sala que Gabriel, agindo normalmente, como se não tivéssemos discutido uma semana atrás, como se fossemos amigos. Isso provavelmente era o mais estranho e perturbador de tudo.
— Você não podia ter escolhido um filme melhor, né? — Gabriel falou, e eu virei minha cabeça em sua direção, vendo-o virar lentamente para o lado, encarando Ethan com um sorriso irônico.
— Eu nunca tinha assistido a esse filme — deu os ombros. — E assuma, ele é divertido.
Voltamos a olhar para a televisão, voltando a assistir o filme.
Era impossível pra eu prestar atenção naquele filme sabendo que Gabriel estava praticamente do meu lado, podendo ouvir cada respiração minha e ver meu peito subir e descer depressa. Não conseguia pensar direito quando ele estava perto, não conseguia me concentrar em nada, mas tentava.
Ethan tinha cada ideia também.
Enquanto o filme passava sem importância por meus olhos, lembrei-me da noite em que Gabriel e eu assistimos a um filme de comédia juntos, apenas nós dois. Foi em uma das raras noites em que nós dois estávamos "de bem". Fomos para seu apartamento depois da festa de aniversário de Ethan, e é claro que estávamos um pouco alterados pelo álcool, mas não a ponto de sermos tachados bêbados. Gabriel foi trocar de roupa enquanto eu fiquei na sala tateando os canais da TV, e quando ele voltou me viu presa em um filme de comédia ridiculamente engraçado, ao qual ele se juntou a mim para assistir. Ficamos sentados no sofá, eu aninhada em seu colo, como um casal de adolescentes...foi a única vez em que fizemos uma coisa carinhosa. Não fizemos amor essa noite, pegamos no sono no sofá. Lembro-me nitidamente de ter acordado me sentindo melhor do que nunca, com os braços de Gabriel me apertando firme pela cintura, como se não quisesse que eu o deixasse, nossas pernas enroscadas umas nas outras.
— Você podia passar o final de semana inteiro comigo, não é? — Propôs com sua voz rouca e sonolenta, os olhos ainda fechados e a ponta de seu nariz acariciando meu pescoço.
— Poderia...mas eu tenho coisas da faculdade pra fazer — falei calmamente, acariciando seus cabelos com a mão direita e depois lhe depositei um selinho demorado nos lábios. — E trabalho hoje.
— Odeio seu trabalho — falou com a voz mais baixa e um pouco manhosa, me puxando mais para si. Sorri e ele também, ainda de olhos fechados.
Em um movimento rápido, girou nossos corpos, ficando por cima de mim e me deu um selinho demorado nos lábios, colocando meu cabelo atrás da orelha com a mão direita e apertando minha cintura com a mão esquerda. Tentou aprofundar nosso beijo, mas eu afastei meu rosto do seu, sorrindo, e falei:
— Preciso mesmo trabalhar, Gabriel.
Ele afundou o rosto da curva do meu pescoço, soltou um leve grunhido que me fez soltar uma risada e depois voltou a me olhar com um sorriso, deu um rápido selinho em meus lábios e saiu de cima de mim.
— Você acaba comigo, Emma.
Virou de costas e saiu andando. Fiquei deitada no sofá, o observando sair do meu campo de visão aos poucos. Provocante, sexy, desejável. Normalmente grosso e mandão, mas encantadoramente carinhoso em raras vezes como aquela.
— Emma, filha, acorda — fui despertada das lembranças pela voz de Ethan, que me olhava com uma interrogação no rosto e balançava a mão direita pra baixo e pra cima na minha frente, bem próxima ao meu rosto. Pisquei algumas vezes.
— O que foi? — Perguntei.
— Quer refrigerante? A cerveja acabou.
Olhei para a mesinha de centro e as seis garrafas de cerveja estavam em cima dela, vazias. Assim como as três caixas de pizza. Acenei positivamente com a cabeça e ele se levantou do sofá, desaparecendo porta fora alguns segundos depois.
Só então percebi que havia ficado sozinha na sala com Gabriel.
Continuei olhando para a televisão a minha frente, tentando me concentrar no filme, mas estava meio difícil, sabendo que estávamos apenas Gabriel e eu sozinhos naquela sala. E ele estava praticamente ao meu lado.
Fiquei tentando decidir se eu deveria ir "ajudar" Ethan, se eu ficava ali tentando ignorar a presença de Gabriel, se eu tentava iniciar uma conversa com ele para quebrar o gelo ou se eu me atirava em seus braços e colasse meus lábios nos seus desesperadamente. A última era, com toda certeza, uma opção fora de questão...embora fosse tentadora.
— Então... — Ouvi a voz de Gabriel meio receosa, tirando-me dos meus pensamentos insanos e ridículos. — Você está bem?
Apertei meus lábios em linha reta, tentando reprimir a risada que queria escapar de mim quando ouvi aquela pergunta tão boba, de alguém que parecia estar tão desesperado para quebrar o gelo quanto eu.
— Estou — respondi, brincando com minhas mãos em cima das minhas pernas. — E você?
— Bem também.
Voltamos a ficar em silêncio por uns três ou quatro minutos. Olhei de canto de olho para Gabriel algumas vezes, só para confirmar meu pensamento de que ele estava exatamente como eu: quase se espremendo no canto do sofá, sentado de forma comportada e sem tirar os olhos da televisão.
— Como está no emprego? — Perguntou.
— Bem...eu gostei bastante de lá — respondi da forma mais normal que conseguia.
A verdade era que eu queria ir para o seu lado, cruzar as pernas em cima do sofá igual a uma índia e lhe contar sobre como eu estava excitada com o trabalho, sobre como eu já havia sido elogiada, quantos colegas eu já havia feito e quantas cantadas babacas eu já havia recebido, mas que me faziam chorar de tanto rir.
Mas eu simplesmente não podia, não conseguia.
Não me sentia correta fazendo isso, agindo como se nada tivesse acontecido, como se eu não lhe devesse verdades, como se cada vez que eu colocava a cabeça no travesseiro a noite minha mente não pesasse e eu não tivesse pesadelos, nem o desejasse ao meu lado, acariciando meu cabelo depois de ter me visto chorar e pedir perdão...um perdão que ele aceitou. Como se eu não estivesse magoada, como se ele nunca tivesse estado em meu coração, como se ele nunca tivesse destruído pouco a pouco de mim, como se ele não me tivesse por inteira.
— Você não vai me responder o que perguntei há sete dias? — Ele perguntou, e então podia sentir seu olhar sobre mim.
— Se eu disse que você sabia há sete dias, então você ainda sabe — respondi normalmente, mas segurei a enorme vontade que me deu de sorrir.
— Filha da... — começou, mas foi interrompido pela presença de Ethan, que entrou na sala com três garrafas de Coca-Cola.
Parecia que Gabriel iria me xingar mais por diversão do que por raiva da minha resposta.
Ethan andou até o sofá, entregou uma garrafa para mim e uma para Gabriel, parando na frente do mesmo e o empurrando indelicadamente para o meio do sofá, se sentando no canto e fazendo com que Gabriel e eu ficássemos um ao lado do outro.
Ethan era um poço de descrição.
— Filho da puta — Gabriel falou baixo para Ethan, mas eu consegui ouvir.
Não liguei, afinal, ele estava prestes a cuspir aquele "filho da puta" em mim.
— Eu vou levar essas coisas para a cozinha — ouvi a voz de Ethan falar um pouco distante, distante de onde minha mente estava.
Respirei fundo, sentindo um cheiro de perfume masculino misturado com creme de barbear adentrar minhas narinas, era um aroma agradável. Senti um frio de repente, não sentia mais o cobertor por cima de mim, mas estava zonza de sono, meio perdida por entre o mundo dos sonhos e a vida real.
Dedos gelados tocaram um dos meus joelhos delicadamente, e então um braço passou por debaixo deles, uma mão segurou firme em minha costela e eu fui erguida de um confortável sofá, e aconchegada em algo cheiroso e também confortável.
Estava sendo carregada, eu sabia disso...provavelmente para o meu quarto. Certamente por Gabriel. Eu poderia abrir os olhos e pedir para ele me colocar no chão, pois eu podia ir sozinha, apesar de estar meio grogue pelo sono. Mas eu queria que ele me carregasse. Era tão bom ser carregada por ele daquele jeito, sabendo que ele só estava me colocando para dormir e nada mais. Apenas isso. Um gesto simples e carinhoso, um gesto puro.
Não mais do que dois minutos depois, eu estava sendo delicadamente colocada em minha cama, e ao não sentir mais o corpo, as mãos e os braços quentes de Gabriel em mim, virei de lado na cama e encolhi as pernas por causa do frio. Ouvi um suspiro alto e tentei abrir os olhos, mas eles eram forçados pelo sono a se fecharem.
Senti meu cobertor quente e macio em cima do meu corpo novamente, me trazendo calor. Ouvi passos e aos poucos eles foram se afastando, mas não o suficiente. Em certo momento, os ouvi exatamente da mesma altura.
Abri minimamente os olhos depois de alguns segundos, e conseguir enxergar um Gabriel embaçado e um pouco longe de mim andando de um lado para o outro no quarto, bagunçando o cabelo com uma das mãos. Sorri de canto. Ele parecia tão perdido, mas aquilo caía estranhamente bem nele.
Minhas pálpebras pesaram, voltei a fechar os olhos.
De repente os passos pararam. E então conseguia ouvi-los novamente, se aproximando mais e mais e mais e minha respiração deu uma leve descompassada, e estaria pior se não fosse o sono.
Senti sua mão quente tocar minha bochecha delicadamente e não pude evitar um suspiro de satisfação e então sua mão já não estava mais me tocando. Quase grunhi de desgosto, mas segurei aquilo dentro de mim. Era melhor assim, era melhor que ele virasse as costas logo e fosse embora.
Mas não foi o que ele fez.
Logo senti novamente sua mão em meu rosto, então a senti em minha nuca descoberta, fazendo-me arrepiar...eu queria apenas cair logo no sono, mas daquele jeito estava difícil. Ao mesmo tempo em que queria sussurrar com a minha voz provavelmente embargada pelo sono para que ele fosse embora, também queria apenas continuar ali, sentindo seu toque e me lembrando do quão ardentemente prazeroso ele era.
Sua mão subiu um pouco e começou a pentear meu cabelo com os dedos levemente, como um carinho. Queria tanto tanto tanto olha-lo nos olhos enquanto ele fazia aquilo.
Queria mais. Queria Gabriel, e o queria por inteiro.
Sua mão então colocou uma mecha do meu cabelo para trás da orelha e eu implorei a Deus naquele momento que não deixasse minhas lágrimas caírem, que não deixasse que meu coração disparasse a ponto de ser ouvido, nem que a saudade de Gabriel fosse maior que meu autocontrole.
Senti sua respiração cada vez mais e mais perto e aquilo me assustou, me apavorou. Seus lábios quentes e úmidos tocaram meu olho esquerdo levemente e deixaram um selinho carinho e receoso ali, assim como fizeram com meu olho direito segundos depois, e então com a ponta de meu nariz.
— Eu realmente não sei o que você quis dizer há sete dias, Emma — sussurrou baixo, voltando a acariciar meu cabelo. — E isso está me deixando louco.
Um suspiro longo.
Sua mão já não tocava mais meu cabelo, nem lugar nenhum. Seus passos já se distanciavam e sua falta já era sentida. A porta foi fechada e eu finalmente fui levada pelo sono.
Notas finais
Mereço seus lindos comentários?
Beijos, amoras ;3
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